[TRADUÇÃO] David Tennant conversa com o The Sunday Times – “O mal tem uma certa extravagância. É a liberdade da preocupação. Delicioso!”
David Tennant é entrevistado hoje pela revista Sunday Times para promover sua próxima série “Good Omens” pela Amazon Prime.
A adaptação do romance de fantasia cult, Good Omens, foi escrito por Neil Gaiman em colaboração com o falecido Sir Terry Pratchett e irá ao ar na Amazon Prime em todo mundo no dia 31 de Maio, com roteiro escrito pelo próprio Gaiman, que também é diretor dos seis episódios da série.
Good Omens é uma série sombria, com comédia e cenário na Grã-Betanha moderna à beira do Apocalipse. Quando um anjo agitado, Aziraphale (Michael Sheen) e um demônio suave, Crowley (David Tennant) ficam sabendo da vinda do Anticristo, eles juntam forças para impedir a perda do seus estilos de vida confortáveis na Terra. Jogue uma mistura de personagens inesquecíveis, alguns cavaleiros infernais, uma série de anjos, uma legião de demônios e uma gangue de crianças indisciplinadas, e o fim do mundo nunca será tão engraçado! A série também é estrelada por Michael McKean, Jack Whitehall, Adria Arjona, Mireille Enos, Nick Offerman and Nina Sosanya.
Você pode ler a entrevista do The Times abaixo:
Entrevistador: David Tennant em a razão de ele ser o maior preocupado no showbiz.
“O mal tem uma certa extravagância. É a liberdade da preocupação. Delicioso!”
(Entrevista por Decca Aitkenhead)
É óbvio que na indústria do entretenimento há estrelas de filmes que são almas danificadas, capazes do comportamento mais diabólico. Se escolher elenco fosse estritamente por tipo, a lista de atores temperamentalmente adequados para interpretar o diabo seria uma longa lista. Um nome que não seria colocado, seria o de David Tennant.
“Eu suponho que o mal tem uma certa extravagância”, o ator de 48 reflete. “Um senso de que você não tem que se preocupar com a normalidade da civilização. É a liberdade da preocupação, não é? E isso é muito divertido de interpretar. Porque você sente como seria não se importar se as pessoas pensam que você é um idiota...” Enquanto a sentença termina, ele murmura, “Delicioso,” parecendo melancólico – porque, na vida real, Tennant se importa com absolutamente tudo.
“É se preocupar sobre não ser bom o bastante, sobre ser descoberto, sobre não ser o um ator suficiente. Quando você está fazendo isso pra viver e muitos amigos não, isso faz você se sentir culpado. Quero dizer, Jon Hamm (estrela de Mad Men) não conseguiu um emprego até seus 30 – poderia facilmente não ter acontecido pra ele. Ele seria...”, e Tennant começa a rir, “... um incrível motorista bonito de Uber”.
O ator tem estado trancado em seu quarto de hotel o dia todo promovendo a série, e ele ainda encontra entusiasmo para pular do sofá e atravessar o quarto pra dizer “olá” enquanto chega. Ele se preocupa em se tornar a prima donna, então ele tem que ser extravagantemente legal com todo mundo o tempo todo. “Quando você está no set de filmagens você tem que ter cuidado, porque é prático – mas em pensamento curto, ‘Não, eu tenho que tomar cuidado porque é importante.’ Você vê pessoas caindo nessa”, ele se arrepia, “e você nunca quer que isso aconteça”.
Ele está fabulosamente elegante, mas quando eu digo ele rapidamente me corrige. “Oh, essas não são minhas roupas. Alguém que entende de como me vestir as escolheu, não eu”. Ele olha pra baixo e estuda seus pés. “Embora eu ame as meias. Meu foco em meias tem se desenvolvido nesses anos recentes; talvez seja coisa da meia idade. Eu costumava ter uma gaveta cheia de meias pretas, e eu gastaria muito mais tempo do que o saudável fazendo pares delas, então agora eu tenho um monte de meias com padrões excitantes. É muito mais fácil organizá-las.” Seus olhos dançam enquanto ele ri. “É uma vitória”.
É esse tipo de ironia provocante de acampamento que ilumina a performance de Tennant como demônio em uma adaptação para TV do romance Good Omens do falecido Terry Pratchett e Neil Gaiman, a narração cômica surreal de um anjo e um demônio unindo forças para salvar o mundo do Armagedon. Antes de ser oferecido o papel, Tennant não tinha ouvido falar do livro – mas agora, claro, ele está em choque pela popularidade. “Todo mundo que eu conheço diz, ‘Oh meu Deus, é meu livro favorito!’ De repente você percebe que tem um monte de gente preparada para vir pra cima se você estragar tudo”.
Tentativas anteriores de transferir o livro de 1990 para as telas falhou, e Tennant pensa que ele vê o porquê. “Não é como qualquer outra coisa – é tão peculiar para a mente dos autores. Minha teoria é de que o mundo tinha que esperar por Neil Gaiman se tornar um poderoso jogador da direção de TV, porque eu não acho que poderia ser adaptado por mais ninguém. Qualquer outro que tentasse tirar as loucuras a tal ponto, eu creio que teria tirado a graça de tudo, porque é meio que um sufflé de loucura”.
Mas também é a química entre o demônio de Tennant e o anjo de Michael Sheen que eletrifica. A dupla se conhece há anos, mas nunca atuaram juntos. “Geralmente estamos na mesma escala de elenco, então eles teriam um de outros ou nós. Nós dois interpretamos Hamlet. Nós poderíamos ter nos sentido mais competitivos que antes”, Ao invés, eles fazem uma atuação duo tão perfeita, parece mais uma dança requintada do que um drama.
A brincadeira de Good Omens é de que mesmo um anjo e um demônio podem unir forças, fazendo graça da incompreensão de que há uma coisa exclusiva sobre pessoa boa ou ruim. “Se isso tiver uma mensagem moral mais ampla, é que dramaticamente se opõe aos sistemas fundamentais de crença de que realmente podem salvar o mundo quando trabalham juntos. E, meu Deus, não precisamos ouvir essa mensagem. Nos parece menos e menos camadas de cinza, e mais e mais profundo – no qual meio que conduz o caos politico do qual estamos”.
Good Omens foi um romance surpreendentemente visionário, incluindo teorias das conspirações, à suicídios em massa e poluição do ambiente. Quando perguntado o motivo de ele está adaptando agora, Gaiman explicou: “É o fato de que Doomsday Clock é definido em cerca de 15 segundos à meia-noite – [[e] muito importante para noite agora”. Eu pergunto a Tennant se ele compartilha esse medo apocalíptico e ele faz uma pausa, franzindo a testa.
“Bem, eu espero que o pêndulo volte. Onde está a esperança, se não? Onde [a polarização] irá terminar? É bastante sombrio”. No passado, Tennant havia oferecido seus serviços para o Labour Party, aparecendo na transmissão das eleições de 2015 para o então líder Ed Miliband, mas ele diz que não faria para o líder atual, dado a relutância da oposição ao Brexit. Votaria ele agora para o Labour? “Eu não sei o que eles tem à oferecer para nós. Você apenas espera que alguém tenha claridade. Você espera uma pessoa esperta”. Ele cai fora, parecendo ansioso.
“Você tem que tomar cuidado ao presumir isso porque você está na televisão, sua opinião conta. Eu não sou um expert, então não vou ser extravagante sobre minhas opiniões. Quando Michael Gove disse, ‘Todos nós somos experts suficiente’, isso foi um dos pontos mais baixos da politica nos últimos anos. Eu quero dizer, não concordo com sua politica, mas eu sei que você é muito esperto em dizer isso. Em qualquer área, procure pelo experiente. Quer ter sua casa rebocada? Consiga um rebocador”. Em que Tennant é experiente? Ele ri. “Muito, muito pouco”.
Isso é, claro, descontroladamente desonesto. Ele tinha apenas 3 anos quando se apaixonou por Doctor Who e disse aos seus pais o plano de se tornar ator. Filho de um Ministro da igreja presbiteriana, ele cresceu em Paisley, ganhou um lugar na Royal Scottish Academy of Music and Drama aos 17, e não parou de trabalhar desde então. Depois de alguns papéis dramáticos na TV Escocesa, ele estabeleceu a si mesmo um papel regular com a Royal Shakespeare Company, e logo se tornou estrela na National Theatre em Londres. Aos 34, ele tinha se consolidado como um dos melhores atores Britânicos – mas no dia de Natal de 2005 tudo mudou, quando ele substituiu Christopher Eccleston para se tornar o 10º Doutor. Ele pensou que tinha se preparado para a alquimia noturna do status de nome de família, mas o choque o desmantelou que ele teve que ir ver um terapeuta.
“O modo que você imagina que será não é desse jeito de forma alguma. É muita exposição, e o pulo imaginativo que você pensa ter, irá te dar status ou fazer você invulnerável e está tudo errado. Faz de você muito vulnerável, e muito cedo. Eu lembro anteriormente, quando eu entrava numa sala e alguém muito conhecido entraria, e tinha meio que uns sussurros ao redor na sala e todo mundo olhava. E você imagina que a pessoa é de alguma forma poderosa. Quando você é essa pessoa, você entra em uma sala e todo mundo vira a cabeça e começa a sussurrar, e você sente como se estivesse sendo esmagado. Você se sente intimidado, e fica com medo, na verdade! Ele “não estava aguentando de jeito nenhum”, então encontrou “uma muito adorável senhora que estava muito calma e normal e simplesmente me ajudou a lidar com aquilo”.
Tennant acredita que sofria de ansiedade desde que era criança. “Não creio que você descreveria como ansiedade quando eu estava em Paisley aos 10 anos”, ele sorri. “É como se o modo moderno de Londres meio que explicasse. Mas eu sempre fui inseguro, uma falta de autoconfiança, o que é clássico [para um ator]. É por isso que você gosta de se vestir fingindo ser um outro alguém”. Ele não usa redes sociais, porque “Eu ficaria preocupado se não fosse engraçado o suficiente, ou não tomaria o ponto de vista moral certo. Eu me preocuparia com tanto, consumiria tanto do meu tempo que iria me paralisar”.
Na cabeça de Tennant, tudo poderia dar especularmente errado a qualquer momento. “E provavelmente iria dar errado, mais que o permitido”. Sim, verdade, eu digo – e por vez sua expressão congela. “Pare de fingir que isso é uma piada. É realmente sério”. Ele teme soar como uma síndrome de impostor, eu sugiro. Ele parece enigmático. “O que é síndrome de impostor?” Um medo de ser soar como uma fraude. O seu rosto ilumina. “Oh sim, eu adoro isso. Eu não sabia que tinha uma palavra pra isso. Esse sou eu, sim, sim!”
Isso pode explicar a razão de que tem sido incapaz de recusar um papel. Desde de que finalizou Doctor Who em 2010, ele tem estado em inúmeros seriados, mais notavelmente Broadchurch, ele dublou inúmeras animações, de Tree Fu Tom à Postman Pat, narrou o documentário sátira da BBC Twenty Twelve e W1A, e estrelou em filmes como Much Ado About Nothing, Mary Queen of Scots e Mad to Be Normal. Ultimamente ele tem tentado dizer não ao trabalho, ele diz, mas somente porque ele sente culpa por perder momentos com seus filhos.
Ele casou com sua esposa, a atriz Georgia Moffett, em 2011, e além do filho de seu primeiro casamento que ele adotou – Ty, 17 anos, também ator – eles tem mais três filhos um de oito, seis e três. “Quando eles ficarem mais velhos e perceberem que você vai para o trabalho, e sabem que você esta ausente, a culpa começa. Mas ao mesmo tempo você quer dá-los o trabalho ético”. Sustentar uma família grande em Londres não é barato, “então o trabalho é importante financialmente”. Quais são as extravagancias? Ele fica com o rosto vermelho. “Há uma coisa que eu gato mais do que eu deveria – além de meias, claro, - está em não acabar com a economia. É horrível, não é? Mas essa é a única coisa que eu permito que façamos”.
A questão é porque ele ainda não foi parar em um papel que o levasse até o status de estrela de Hollywood, digamos, Benedict Cumberbatch. “Eu não creio particularmente taticamente, eu não acho que você como ator, está nas mãos de pessoas pedindo pra fazer coisas”. Anos atrás lhe foi dado um conselho: “Dinheiro, carreira e arte são três razões para fazer um trabalho, e se você conseguir dois destes três você deveria fazer o trabalho. É uma boa formula”.
Eu me pergunto como ele se sentiu vendo Olivia Colman ganhar o Oscar. De muitas maneiras, sua carreira tem sido equivalente ao dela – então ele teve uma pontada de por que não eu? “Não quando é a Sta Coley!” Tennant começou a fazer seus próprios podcasts no começo deste ano – uma série de entrevistas sedutoramente íntimas com uma lista de atores – e Colman foi sua primeira convidada. No show ele observou que ninguém na indústria tinha uma coisa ruim pra dizer sobre ela – mas é a mesma verdade para Tennant. Ele ri. “Olivia e eu somos exatamente os mesmos. Ambos somos fortunados em ter uma boa vida em família. Não ser muito jovens quando a fama vem, também. Mas o mais importante, se eu ficar um pouco irritado, isso estraga o resto do meu dia. Alguns atores tem ambiente difíceis como uma forma de fazê-los funcionar. Mas não é assim pra mim”. Seu medo em perturbar alguém se torna “Tudo em que posso pensar. Então eu não atuo”.
Não tem nada a ver com ser bom? “Não! É tudo uma questão de autopreservação. Não é legal, é egoísta”.
Good Omens será exibido na Prime Video no dia 31 de Maio.
Tradução: Chris Redy. | Revisão: Marília Ramos.
Equipe David Tennant Brasil.