Construção de personagens originais
Demorou anos (na verdade, um só, mas eu sou dramática) pra arranjar coragem pra escrever outro post nesse blog, mas AQUI ESTOU! E dessa vez, quero falar um pouquinho sobre o processo de criar personagens originais.
Antes de tudo, quero deixar bem claro que eu não sou uma ótima escritora. Não tenho livros publicados e sequer terminei a minha história principal (Couples’ Therapy), pois vivo relendo e reescrevendo-a. Procrastino uma vida inteira e sou perfeccionista demais. Porém, acredito que consigo ajudar alguns escritores que estão começando a escrever agora em algumas coisinhas.
Também estou sempre aberta para sugestões e críticas. Se algo estiver errado, por favor, me corrija. Mais dicas além dessas também são muito bem-vindas.
Há várias maneiras de se criar um personagem original; cada autor/a tem as suas preferências. No meu caso, eu gosto de fazer um recorte de características, físicas ou psicológicas, de alguns personagens das minhas séries, livros e filmes favoritos, e das pessoas com quem eu convivo diariamente para então remendar meu personagem.
Porém, nem todo mundo faz isso. Tudo bem seguir o outro caminho, desde que, no final, você tenha um personagem bem estruturado.
Essas são as minhas dicas sobre como construir personagens originais (ou OCs em inglês).
COMECE PELAS FANFICS
Para quem está começando agora, recomendo muito seguir esse caminho – e não, não estou desvalorizando as fanfics; há fanfics maravilhosas por aí, algumas até melhores que livros já publicados.
De toda forma, eu recomendo esse caminho porque nas fanfics, você já tem personagens “prontos”. Seja aquele seu membro favorito da sua banda favorita, aquela cantora ou atriz (ou cantor e atriz) que você tanto admira, ou aquele/a personagem maravilhoso de quem você não para de procurar fanarts no tumblr ou pinterest. Eles são “prontos” pois poucas são as coisas que você terá que mudar no personagem, pois a base já está ali (pelo menos a aparência). Dependendo da história, os traços de personalidade e o fundo histórico da pessoa também se mantêm.
Pessoalmente, eu comecei pelas fanfics. Escrevi milhares de fanfics usando meus artistas e personagens de livros favoritos antes de ter uma ideia para uma história original. Eu me senti muito mais confiante, pois sabia um pouco melhor sobre como desenvolver um enredo,
Não é uma regra, obviamente. Se já tem ideias claras sobre como quer construir seu personagem original, então é só colocar a mão na massa!
CRIE UMA BASE
Todo personagem precisa de uma base, independente se ele é ou não criado desde o zero. A base, é claro, depende do enredo da sua história. Algumas coisas que são mais importantes para personagens inseridos no mundo real talvez não sejam tão significantes para personagens não-mundanos, e vice-versa.
Entretanto, acredito que há apenas uma pergunta que deve ser respondida qualquer que seja seu personagem, qualquer que seja seu mundo: Qual é o propósito desse personagem? Qual a sua motivação? (talvez duas perguntas?!). Caso contrário, o seu personagem pode muito bem ser jogado no lixo, pois ele não se movimenta e, dessa forma, não move a história pra frente.
Há várias outras questões que se deve levar em conta, mas, como eu disse antes, isso vai depender do seu tipo de história. Aqui no tumblr há vários blogs que oferecem templates/fichas de criação de personagens das mais variadas (já vi várias de RPG, inclusive!). O autor de Percy Jackson, Rick Riordan, também oferece uma no site dele aqui.
NEM TUDO PRECISA DE DESCRIÇÃO
Uma das coisas mais entediantes de ler é descrições desnecessárias. Já me deparei com histórias em que o/a autor/a usa três parágrafos para descrever a roupa, ou maquiagem, da/o personagem sem propósito algum além de aumentar o número de palavras escritas no contador do Word.
É legal saber detalhes do personagem – para o/a autor/a. Para o/a leitor/a, por outro lado, se a descrição não é importante para o enredo, ela é somente maçante. Pode até fazer com que ele ou ela desista de ler o resto da história com vontade. Dedique seu tempo, dedos e espaço da folha somente àquilo que vai acrescentar algo a sua história.
O PERSONAGEM SE DESENVOLVE COM A HISTÓRIA
Parece muito óbvio, mas não é. Há pessoas que criam uma base e se apegam tanto à ela que se recusam a deixar o personagem crescer, mudar, se desenvolver.
Escrever uma história é um processo longo. A ideia inicial que você teve quando começou a escrevê-la provavelmente vai mudar várias e várias vezes durante todo o curso até o final. E com isso, o personagem também deve mudar e se adaptar – não é isso que, no final do dia, todas as pessoas procuram, por uma questão de sobrevivência?
Mesmo que preenchamos cinquenta mil fichas, com todos os tipos de perguntas possíveis, nunca teremos o personagem finalizado antes de terminar a história. Pelo menos não um personagem bem construído.
O PERSONAGEM NUNCA ESTÁ CEM POR CENTO PRONTO
Não se assuste! Com isso, eu quero dizer que nem mesmo o próprio autor ou autora conhece seu personagem cem por cento.
Certo, nós conhecemos sua origem, seus sentimentos e suas motivações. Afinal de contas, nós o criamos. Porém, assim como pais ou principais cuidadores de uma criança, nós nunca realmente o conhecemos completamente. É como se ele criasse suas próprias asas e voasse sozinho depois de um tempo, e você estivesse apenas atuando como narrador/a de sua aventura.
EU FALO DEMAIS!
Enfim, é isso o que eu tenho por enquanto. Se alguém leu isso, espero que tenha ajudado em pelo menos alguma coisa!
Se gostou ou quiser criticar, ou acrescentar algo, sinta-se à vontade para comentar ou enviar uma ask. Também aceito recomendações de blogs, posts, fichas de personagens, qualquer coisa que possa acrescentar à minha vida e a de quem leu esse textão (a maioria das coisas que eu leio são em inglês, então se alguém tiver recomendações em português, eu apreciaria muito!).
É isso, já deu de falar (ou digitar) aqui. Até uma próxima!
Bianca.







