Um Jantar
Foi como a primeira vez em um restaurante novo, aquele que você PRECISA experimentar. Escolhi minha melhor roupa, fui de mente aberta e despretensiosa para essa experiência. Cheguei ao local, não era exatamente como eu esperava. Olhei ao redor. A decoração era muito interessante. Algo naquele ambiente era sedutor. Logo na entrada, o atendimento era excelente, descontraído e atencioso. Enquanto explorava com os olhos, intrigada com aquela decoração, notei um espelho (o qual eu encararia a noite toda). Me olhei brevemente, certificando-me de que eu me encaixava naquele salão.
Fui conduzida com muita gentileza à minha mesa, sentindo que aquele era o melhor lugar. Um garçom muito simpático se aproximou, perguntando se eu já conhecia a casa. Apesar de ter uma ideia de como seria, respondi que não. Ele me entregou o menu e começou a apresentar os pratos: entradas, sobremesas, sugestões do chef. Havia itens que eu desconhecia e que me chamaram a atenção; outros eu já sabia que não gostava. Estava completamente imersa naquela experiência. Me deixei levar.
Enquanto eu percorria o menu com os olhos mais uma vez, ele chegou e se sentou, de maneira descontraída, porém desconfiada e receosa. Escolhemos as entradas. Entre conversas e aperitivos leves, fomos nos aproximando. Gostei desse lugar. A presença dele foi, sem dúvida, o que tornou aquela experiência incrível. Ele dominava aquele salão com seu jeito extrovertido e expansivo; sua presença enchia o recinto. Eu ficava encantada com tanta desenvoltura. Não havia espaço para preocupações; eu não precisava pensar em mais nada. Era inebriante.
Passamos para o prato principal. Nesse ponto, eu já estava familiarizada com cada item do menu. Sabia do que gostava e do que não gostava. A conversa, o aroma, a decoração, a luz baixa, criando um clima de mistério e intimidade, tudo isso me seduziu a ponto de eu começar a ignorar os sinais. Escolhi um prato complexo, com várias nuances de sabor. Embora não gostasse daquela combinação, pedi mesmo assim. "Vai que aqui o preparo é diferente e eu gosto?", pensei. A conversa continuou, cada vez mais animada, gesticulando até que ele se levantou. Foi então que notei, pela segunda vez, o espelho que estava atrás dele, de frente para mim. Desviei o olhar rapidamente, como quem olha furtivamente algo ilícito, evitando ser cúmplice. Mas era inevitável; parecia que meu reflexo, no espelho, queria chamar minha atenção. Vi-me diante de mim mesma; meus olhos me lançavam um olhar acusador. Meu reflexo, preso naquele espelho, estava agitado, enquanto eu pensava: "Está tudo bem. Está tudo sob controle, certo?" No entanto, o reflexo quase parecia dizer: "Não está!"
Nossos pratos chegaram. A cada garfada, eu tentava saborear a comida, quase como se estivesse tentando decidir - ou me convencer - de que estava gostoso, de que eu estava AMANDO aquilo. Mas a verdade era: eu não estava gostando.
Olhei mais uma vez para o espelho, e nele vi desespero, angústia e insatisfação estampados no meu rosto. Meu peito apertou. Respirei fundo e olhei para ele. "Será que ele está gostando do que escolheu? Não me lembro do que ele pediu."
Passamos para a sobremesa. Devo arriscar um doce diferente? Escolher um que já conheço? Ou devo simplesmente ir embora?" Enquanto decidia se ficava ou ia embora, vi ele pedindo a conta. A decisão foi tomada por mim. Vamos embora.
Olhei mais uma vez para o meu reflexo. Expressões de cansaço, desespero, angústia e infelicidade estavam refletidas. Meu coração acelerou, a respiração ficou curta e ofegante, minha visão começou a estreitar, e um zumbido começou nos meus ouvidos. Agora, eu e o reflexo éramos a perfeita representação um do outro.
ÓBVIO!
Eu apenas ACHAVA que não estava mostrando meus sentimentos e emoções, convencendo-me de que estava disfarçando bem. Ele levantou-se apressadamente, saiu tropeçando, e só pude ouvir o som de vidro se quebrando.
E assim, aquele espelho, naquele salão inebriante, se partiu em pedacinhos. Quando finalmente percebi, ele já tinha ido embora
E eu?
Fiquei com a conta.














