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@desacordad4
“Eu ontem fui dormir todo encolhido, agarrando uns quatro travesseiros e chorando bem baixinho bem baixinho, baby, pra nem eu nem Deus ouvir. Fazendo festinha em mim mesmo como um neném, até dormir. Sonhei que eu caía do vigésimo andar e não morria. Ganhava três milhões e meio de dólares na loteria e você me dizia com a voz terna, cheia de malícia, que me queria pra toda vida. Mal acordei, já dei de cara com a tua cara no porta-retrato. Não sei por que que de manhã, toda manhã parece um parto. Quem sabe, depois de um tapa eu hoje vou matar essa charada. Se todo alguém que ama, ama pra ser correspondido; se todo alguém que eu amo é como amar a lua inacessível, é que eu não amo ninguém. Não amo ninguém. Eu não amo ninguém, parece incrível! Não amo ninguém e é só amor que eu respiro.”
— Cazuza.
Já fui muito de reclamar da vida, de qualquer coisa que fugia do combinado. Não aceitava imprevistos. Estragava algo em casa, reclamava. Ficava em fila, reclamava. Perdia alguma folga do trabalho, reclamava. Tinha virado o chato intolerante: ou é do meu jeito ou é nada. Ocupava a maior parte do meu tempo contando o que dava errado em meu dia. Já não valorizava o que dava certo. Não sobrava espaço para falar das coisas boas. Para ser feliz, é preciso se adaptar. Não é porque não aconteceu como desejávamos que não vale mais. Em vez de reclamar, faça por si e pelo outro, faça por todos, faça diferente, mas faça. Quem não se melhora piora o mundo.
Fabrício Carpinejar.
“Eu tenho muita inveja dessas pessoas maravilhosas, adultas, evoluídas e espertas que conseguem separar a hora de ir a uma reunião de condomínio com a hora de desejar alguém na escada do condomínio. A hora de marcar o dentista com a hora de engolir alguém. A hora de procurar a palavra “macambúzio” no dicionário com a hora de se perder com as suas palavras que de tão simples parecem complexas. A hora de ser inteiro e a hora de catar meus pedaços pelo mundo enquanto você dá sinais desmembrados. Eu não consigo nada disso, eu me embanano todo, misturo tudo, bagunço tudo. A minha única dúvida é se sou o único idiota a fazer isso comigo ou se sou o único idiota a admitir que faço isso comigo.”
— Tati Bernardi.
“Dorme bem, sonha comigo, te quero muito e bem.”
— Caio Fernando Abreu.
“Eu chorei porque eu te amo mas eu não sei amar. Eu chorei porque eu sempre canso de tudo e tudo sempre cansa de mim. Chorei de cansaço profundo de sempre cansar de tudo e tudo sempre cansar de mim. Chorei de apego ao cheiro do novo e principalmente de melancolia pelo cheiro do velho. E chorei porque tudo envelhece com novos cheiros e a vida nunca volta. Eu chorei de pavor da rotina, de pavor do fim, de pavor de sair da rotina e começar outros fins.”
— Tati Bernardi.
Você tem medo de dar certo em algum momento, porque o seu forte é dar errado.
Robin and Stubb.
“Passo metade do dia odiando minha vida e querendo ser sugada pela minha própria insignificância. A outra metade passo rindo do quanto sou dramática e exagerada.”
— Tati Bernardi.
“Mas é engraçado, o amor não dói. E não, não me faça essa cara de espanto, eu repito: o amor não dói. O ciúme, a insegurança, a desconfiança, a falta de, o medo de perder a pessoa amada, o medo de amar, o medo de nunca ter sentido tamanha felicidade na vida inteirinha, isso sim dói. O amor, amor como sentimento, amor como coisa plena, amor como som no peito, amor como sorriso no olho, amor como poesia na boca, amor como amor, esse não dói.”
— Clarissa Corrêa.