“Eu penso, planejo, faço um organograma, mas quando a realidade chega, é tudo muito diferente. Tudo o que eu arquitetei parece ser uma piada, ou na verdade é, já que a vida ri de mim. O pior de tudo é que eu me sinto tão impotente pelo fato de estar vivendo essa rotina monótona, esse quase-amor-quase-correspondido e até mesmo essa crise de ódio por causa de uma espinha que nasceu bem no meio da minha testa. E aí eu fico mais desestimulado, mais preguiçoso e achando 300 vezes mais que eu não posso fazer nada em relação a essa vida meio morta. Tá, tá, tá, a gente sabe que dá pra sair dessa fria, mas a vida é assim, antes de perceber, você já tá totalmente pego em uma teia de dilemas e problemas – e a única coisa que você percebe é que essa confusão toda tá acontecendo no tempo que você esperou pra fazer as coisas saírem do preto e branco – ah, claro, sempre tem a parte dos amigos que tentam elevar a minha auto-estima, me dizem pra reeducar a alimentação, fazer uma corrida matinal, entrar num curso de inglês, mas meu amigo, no fundo, a gente também sabe que existe uma diferença gritante entre pular em um poço e sair de um.”