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Tem alguém aqui? Send me a sign!
Não, não é só sobre sexo. Eu me perdi na falta, falta de cultivo, toque, reparo. Me despedacei milhares de vezes pra tentar encaixar os cacos pacientemente. Faltou tanto, falta tanto. Falta eu me olhar, me tocar, me notar. Falta você me ler, me ver, me sentir. Amor não preenche todos os buracos. Meu corpo se esvazia enquanto assiste o nada. E ei, tem tanto aqui dentro. Pra onde vou, com esse tipo de bagagem? Pra onde me levarei quando nada mais restar? É tão difícil assim perceber, deixar de lado suas prioridades e cuidar das minhas ou nossas? Ficamos pra depois, como todas nossas próprias responsabilidades. Dois irresponsáveis, indivíduos exaustos. E eu, mais uma noite, me deixo. Como todos, como sempre.
Ingrid Brandão
Desapareci no meio dos dias. Nas produndezas dos dias tediosos. Como um móvel qualquer da casa, intacto, porém útil. Útil para não quebrar o ciclo, não desfazer os costumes. O cômodo. A cômoda. Foi cômodo. Me afoguei no meu próprio silêncio, gritando internamente, negando diariamente o quão exagerada eu sempre fui. Meio carente, meio auto-suficiente. Sempre contraditória. Quem quer essa bagunça? Quem é responsável, afinal? Sempre há um culpado. Sempre há uma vítima na sua história que inventei de fazer parte, inventei de me encaixar, me espremer pra caber. Não sei se caibo mais. Cresci ou diminuí?
Ingrid Brandão
by gatitodelsol
“Mas amar uma pessoa não necessariamente a torna boa pra você.”
— Com você.
By Marta Bevacqua
Me esgotei. Esgotei de segurar todas as pontas possíveis e impossíveis. Dos outros, minhas. Eu que sou tão pequena, carrego tanto sufoco, desabafo, medo, menos eu mesma. Mais um ano em que me deixei pra depois. Depois de amanhã, depois de priorizar quem ficou de vir, quem esqueceu de mim. Me esqueci pra tentar curar as dores dos outros. Esqueci a minha. Minha vontade de voar, jogar tudo pro alto, ser irresponsável por querer viver. Hoje sou irresponsável por carregar mais do que devia, mais do que suporto. Irresponsável, instável, desequilibrada com tanta bagagem, menos eu. Eu fui de menos, menos voz, menos ouvida, menos entendida. Entende? Ainda me falta tanto por todos os lados. Eu faltei. Falhei.
Ingrid Brandão
O que me falta? O que falta preu voltar a ter asas e ir sem rumo, sem medo de olhar pra trás? Onde e quando eu me perdi tanto, tentando me encontrar em alguém? Tentando tanto tapar os buracos alheios e deixando os meus abertos. Feridas incuráveis que sempre voltam, noite ou outra. Ou dia. Ou dias. Eu sempre sobrevivi a tanto, mas agora me falta coragem. Descobri. Coragem. Já fui mais corajosa, destemida, imprevisível, aventureira. Hoje? Sou só eu, eu e as responsabilidades minhas e dos outros, eu e a pressão incansável de ser adulta, ou de mostrar ser adulta. Quando foi que eu cresci? Quando eu me deixei pra trás, pra curar o outro? Pra onde correr quando eu estiver esgotada, cansada, exausta e só quiser um colo? Quando eu vou voltar a protagonizar minha própria história e parar de querer contar, moldar a dos outros? Talvez quando a coragem voltar. Será que volta?
Ingrid Brandão