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@dez-e-trinta
não me matou mas me fez desejar nunca ter acontecido. a.
"A diferença está no pouco que é feito todos os dias, e não no muito que é feito uma vez só."
Tik Tok: @4.for_me
“É tão gostoso ter um lado que todos vêem e outro que poucos conhecem. Algumas pessoas não são dignas das nossas particularidades.”
— Allax Garcia.
@rodrigo_lopes_escritor
Eu achava que a calma era sinônimo de vazio. Que quando as coisas paravam de doer, era porque eu tinha me acostumado demais, ou porque algo dentro de mim tinha morrido. Passei tanto tempo vivendo em alerta, esperando o próximo problema, a próxima decepção, a próxima dor, que quando a vida finalmente desacelerou… eu estranhei. Fiquei desconfiada. A paz me assustava mais do que o caos, porque eu não sabia o que fazer com ela. Era como se meu corpo ainda estivesse preparado pra lutar, mesmo sem motivo.
Demorou pra eu entender que a calma não é o oposto da intensidade, ela é o resultado dela. É o que vem depois de tudo o que a gente já sentiu, já chorou, já se despediu, já perdeu. É a pausa que chega quando o coração finalmente entende que nem tudo precisa ser resolvido agora. Que nem todo amor precisa ser vivido até o fim, que nem toda conversa precisa de resposta, que nem todo silêncio é ausência. A calma é o corpo dizendo: “agora você pode descansar”.
No começo, eu não soube lidar. Eu tentava recriar o caos porque era o que me era familiar. Inventava problemas onde não existiam, duvidava da leveza das pessoas, esperava que o sofrimento voltasse, como se a dor fosse a única certeza. Até perceber que o caos vicia. Que quando a gente vive muito tempo em guerra, começa a desconfiar da paz. E eu não queria mais viver assim, em constante alerta, sem espaço pra respirar.
Foi preciso reaprender a viver. A não esperar o pior. A confiar de novo. A entender que o amor saudável não é morno, é estável. Que carinho não é manipulação, é cuidado. Que reciprocidade existe. E que nem toda calmaria é prenúncio de tempestade. Às vezes, é só calmaria mesmo. E tudo bem. É estranho, mas libertador, entender que o coração pode bater tranquilo e, ainda assim, sentir.
Hoje eu entendo que a calma é uma forma de amor também. É o amor que não grita, que não promete o mundo, mas te entrega presença. Que não te deixa ansiosa, mas te faz sorrir sem perceber. Que não te tira o sono, mas te dá vontade de acordar. A calma é o amor maduro, aquele que vem depois das guerras, quando você já sabe o que não quer perder de novo.
E não falo só de amor romântico. A calma também chega quando você se reconcilia consigo mesma. Quando para de se punir por não ser perfeita, quando entende que descansar não é desistir, e que não precisa provar nada pra ninguém. É quando você se senta sozinha, toma um café, olha pro nada e sente, de verdade, que tá tudo bem. E pela primeira vez, não é uma frase de conforto. É um fato.
Talvez a gente precise passar por tanto caos pra finalmente reconhecer o valor da paz. Porque a calma só é doce pra quem já provou o amargo. Só entende o que é leve quem já carregou peso demais. E é por isso que hoje eu celebro os dias tranquilos, os silêncios, os afetos serenos. Eu sei o quanto custou chegar até aqui.
E, se eu pudesse definir o que é reencontrar a calma depois de tanto caos, eu diria que é como respirar fundo depois de anos prendendo o ar. É olhar pro espelho e não sentir culpa por estar bem. É se permitir viver sem medo de perder. É se dar o direito de ser feliz sem precisar justificar. A paz não é ausência de dor, é o aprendizado de viver apesar dela. E, por isso, hoje, eu escolho a calma. Todos os dias. Mesmo quando o mundo lá fora insiste em ser barulhento.
Desculpe por não ter te abraçado por mais tempo, pensei que nos encontraríamos novamente.