💒 Our muses to meet at a wedding
SPIES AU
O salão de festas eraenorme, e pelo que podia observar, cada canto do lugar fora decorado o maisdetalhadamente e suntuosa possível. Ela sabia que tudo estava de acordo com aúltima moda – o lugar parecia saído de um dos catálogos para noivas que estavamcada vez mais populares entre suas colegas.
Sentada em uma dasmesas e bebericando uma taça de champanhe, ela se pegou imaginando como seriater tido uma verdadeira festa de casamento, e não apenas as fotosensaiadas e documentos forjados que tinha junto a Paul. Poderia ter sidodivertida.
Não tinha certeza dequando havia se habituado ao nome falso do parceiro. No início, parecia quenunca perderia o hábito de chamá-lo de Pavel, mas agora se tornara algoquase natural.
Marido nãolhe vinha tão facilmente, no entanto. Mesmo após meses trabalhando juntos sobdisfarce, a palavra ainda lhe soava estranha. De toda forma, ele era um bomparceiro – um excelente espião. Os dois trabalhavam muito bem juntos, e como umcasal, conseguiam interpretar seus papéis bem o suficiente para afastarqualquer suspeita. Eram a perfeita representação do american dream,jovens e bonitos; ela em seu vestido – intencionalmente – vermelho e pérolas eele em seu smoking recém-saído do alfaiate.
Hoje seria a primeiragrande missão dos dois. Até agora, tudo havia sido recolhimento de informaçõese repasse para seus superiores. Agora, eles executariam o resultado de meses deinvestigação e trabalho árduo. Estavam no casamento da filha de um dosdeputados mais influentes do país, e sua ascensão trazia ideias desfavoráveispara os planos da Pátria Mãe.
Se tudo acontecessedentro dos conformes, a festa não duraria muito.
Tocando suavemente noombro de Paul ao fazê-lo, ela se levantou da mesa, graciosamente atravessando esaindo do salão à procura do lavabo, onde ajustaria os últimos detalhes.Concentrada em seu caminho, não percebeu o homem até que esbarrou nele. A únicarazão para não ter se desequilibrado fora o pensamento rápido dele, que asegurou quase que como em um passo de dança no corredor quase vazio.
“Desculpe, senhorita,não estava prestando atenção-” ele começou a falarenquanto a ajudava a se levantar, mas se interrompeu no meio da frase. “Diana?”
Um arrepio correu porsua espinha e uma série de palavrões cruzou sua mente assim que escutou seunome. Seu verdadeiro nome. Para todos ali, ela era Sra. Pamela Starling,esposa de Paul Starling, e apenas isso.
Após uma olhada derelance para o corredor, felizmente vazio, ela empurrou com força o homem paradentro da primeira porta que encontrou, que dava para uma espécie dealmoxarifado. Era o suficiente. Enquanto o outro braço o prensava com firmezacontra a porta, ela pegou a faca amarrada em sua coxa, e em um movimentorápido, estava a pressionando na jugular do homem estranho.
Ou melhor, de quem elajulgava ser um estranho. Anos haviam se passado, mais de uma década, mas osolhos, o formato do queixo. O mesmo franzir da testa quando ele tentava fingir quenão estava assustado, mas verdadeiramente estava. Era conhecido demais para elapoder esquecer.
“Finn? Mas que diabosvocê está fazendo aqui?” Foi a primeira coisa queconseguiu falar. “Como você está vivo?” Revê-lo só lhe fazialembrar do calor das chamas que reduziram o orfanato a meras cinzas. Ela nuncavoltara ao lugar, desde então. O luto era uma dor quase inexistente após tantotempo para lidar com ele. Mas aparentemente, ele não era necessário.
“Você poderia tirar afaca do meu pescoço?” Ela analisou seu rosto.Honestamente, ele parecia tão surpreso quanto ela. A voz normalmente confianteestava um tanto trêmula. Ela baixou a lâmina, ainda preparada para fazer algose necessário. Ele respirou fundo antes de voltar a falar, uma das mãosmassageando o pescoço como se prezasse por algo que poderia ter perdido.
“Todas as portasestavam trancadas; acabei pulando da janela do meu quarto. Era no terceiroandar.” Ele deu uma risada um pouco amarga, o que soaestranho. Diana se lembrava, é claro que sim. Ela frequentemente fugia durantea noite para o dormitório dos meninos para que pudessem conversar; qualquercoisa que os fizesse esquecer da solidão compartilhada por todos os órfãos. “Quebreias pernas, um braço e passei meses no hospital com pneumonia. Achava que vocêtinha morrido.” Ele a analisou de cima a baixo, com seu penteado elegante evestido fino. “A morte lhe cai bem.”
Ela revirou os olhos,e, de súbito, deu por falta de algo.
“Me devolva aspérolas, Finn”. Pela primeira vez desde que estavam ali, elesorriu.
“Em minha defesa, euachava que você era só mais uma moça rica, esnobe e poderosa em uma festa dericos, esnobes e poderosos. Meio que preciso do dinheiro mais do que vocês.”Disse, dando de ombros enquanto lhe devolvia o colar que não tinha nenhum valorpara ela, mas, cheio de cápsulas de cianureto, era fundamental para seutrabalho.
“Então é isso que vocêse tornou? Um ladrão de joias?”
“E de carteiras, e derelógios. Eu não escolho, na verdade.” Ele não fazia ideiada merda em que tinha se metido. “E você, Diana? Casou com um ricaço, temdois filhos e uma casa com cerca branca?” A voz dele tinha um tanto demalícia.
“Não.” Étudo o que ela responde, sem se concentrar nas palavras.
Ele não faz a menorideia.
Isso complicava ascoisas.
Sua mente estava a milpor hora. Em poucos minutos, ela e Paul seriam responsáveis pela morte de umdos homens mais poderosos do governo americano. A investigação dos agentesseria dura, mas todos os passos dos espiões tinham sido bem calculados; elesnão seriam pegos. Ninguém ali tinha uma razão exposta o suficiente para oassassinato, todos eram conhecidos e com passados tão podres quanto o dodeputado. Na tentativa de se proteger, eles protegeriam Diana e Paul.
Finn não estava dentrodessa conta. Seu disfarce não era nem de longe bom o suficiente, ele não tinhaum passado meticulosamente construído e bem acobertado como o dela. Asegurança, em comoção, nunca deixaria passar o ladrão órfão que tinha acabadoentrando de penetra. Ela praticamente podia ver as palavras bode expiatórioreluzindo na testa de seu amigo.
Seus chefes lhe diriampara deixá-lo ali. Matá-lo, forjar mais um assassinato; ele já sabia demais.Ela se perguntava o que Paul diria.
Em uma fração de segundos,ela decidiu.
“Você precisa sair daqui.” Diana diz, avoz decidida, enquanto vasculha sua pequena bolsa em busca de dinheiro.Encontrou apenas uma nota de cinco dólares, mas era mais do que o suficiente.Pegou uma caneta e começou a anotar o endereço na mão dele enquanto lhe dava asexplicações. “Não pela porta da frente, tem fotógrafos demais. Vá até acozinha. Nos fundos, você vai encontrar duas portas de armazém. A da esquerdaestá trancada. Aqui está a chave.” Ela põe o objeto no bolso do paletó desegunda mão que ele está usando, efetivamente destruindo o plano B que ela ePaul construíram. De relance, ela percebe o rosto dele ficando cada vez maisconfuso, mas o tom de voz urgente dela parece alertá-lo a não interrompê-la.
“Essa é a saída deempregados. Ninguém entra por lá a esta hora. Você vai passar por dentro dacerca viva e sair na rua de trás. Não corra, mas também não hesite. Atravesse pelomenos cinco quarteirões antes de pegar o táxi.” Elacolocou a nota amassada no outro bolso dele. Pegou a mão dele na qual escreverao endereço e apontou duas vezes. “Vá direto para esse endereço. É de umaamiga. O nome dela é Clarissa, diga que quem lhe mandou foi a Lobisomem.”
Ela respirou fundo eajeitou seu vestido e cabelo.
“Eu preciso ir. Nãofale com ninguém até chegar na casa dela.”
“Isso não é algum tipode brincadeira, é?” Finn fala pela primeira vez, inseguro.
Foi a vez dela rir,sem nenhum humor.
“Gostaria que fosse.” Elao encarou por uma última vez antes de sair do almoxarifado apertado, com odesejo profundo que tudo desse certo. “Estou realmente feliz que você estejavivo, Finn.”
Ela não olhou paratrás até voltar para o salão, onde o quarteto de cordas tocava uma valsa paraos noivos. Sentou-se à mesa ao lado de Paul, que ria de alguma piada que alguémhavia acabado de contar.
“Onde você se meteu?” Elelhe sussurra pouco depois, dançando em par enquanto esperam o veneno fazerefeito em sua vítima.
“Encontrei umconhecido.” Ela sentiu, mais que viu, a surpresa afetá-lo. “Nãose preocupe. Está tudo resolvido.”
Seu marido sorri, eeles continuam a dançar.













