Algumas explicações: Esta em FB porque a Dianna morreu no dia em que a nova oráculo veio para o acampamento. Devo confessar que esse é o primeiro char (das minhas quatro) que eu mato, que eu escrevi a morte. Demorei um pouco, ou seja, muito para terminar este pov, por motivos de: não tinha estrutura emocional suficiente para isso. Postei semana passada a primeira parte (eu acho) porque a Jane e a Sol precisavam colocar a nova oráculo para dar inicio as missões e a verdade é que eu não tinha terminado, por isso eu postei só metade e a metade feliz.
Eu penei para escrever o pov, não por ser difícil em si, pois a história toda eu já tinha criado, mas porque eu estava matando a minha Dia. Ninguém sabe, mas eu criei a Dianna para ela ser saidinha, mas quando eu enviei a ficha para a central, eu lembrei daquele pequeno porém. Eu me xinguei e, infelizmente, comecei a não gostar da Dianna. Então, durante a ida maluca da Babs para o Mundo Inferior, eu fui obrigada a usar a Dia e foi ai que eu comecei a gostar dela. Dianna faz parte de mim agora, e eu descobri que ela pegou algumas das minhas partes que eu não tinha planejado. Não era para ela ser fofinha e santa. Era para ela ser burra, perigosa e maluca. Maluca ela era. Burra, no começo. Mas perigosa? kkkkkkkkkkkkkk acho que nunca. Ela era fofa e risonha, por mais dura que foi a sua vida (a culpa é da Jane por esse drama todo na vida da menina)
Por incrível que pareça, eu não chorei quando eu terminei de escrever o pov, porque eu fiquei orgulhosa de mim mesma, por ter continuado com a Dia mesmo não gostando dela e de ter aprendido a gostar dela. Dia era especial e esse fim poi o melhor fim possível para ela, porque ela ficou feliz.
Sabe o que eu acho? Que eu falei pra caramba! kkkkkkkkk Fiquei um pouco sentimental e esse foi o meu jeito de homenagea-la. Obrigada a quem leu isso e obrigada a Dianna, por ser uma parte de mim.
Camis
agora, meus gifs preferidos:
tem mais, mas como eu to no pc da minha irmã, então esse foram os que eu achei
It's my life, I ain't gonna live forever | POV | Parte 2 | {FB}
"Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida."
(Carlos Drummond de Andrade, Poema das Sete Faces.Gauche significa estranho.)
A vida é algo estranho, engraçado e irônico, chegando até ser cruel. Não te deixa ficar em paz, feliz. Sempre acontece algo para impedir os planos das pessoas, para mudar o rumo da história. De Napoleão foram os russos e seu frio, de Hittler foi a URSS e de Dianna, uma sensação.
Delfos avisara e ela não lhe deu ouvidos, mas Dianna sentiu o perigo. Era como se não tivesse ar suficiente e um desespero crescente, quando sentia isso, sabia o significado. Desesperada, olhou para todos os lados, procurando um esconderijo.
- Vocês tem um porão? – perguntou apressada, interrompendo John, que estava contando alguma história que ela não prestou atenção.
- Temos – a voz firme de uma garotinha atraiu o olhar de Dianna. Anya estava séria, porém seus olhos mostravam o medo. Ela também sentiu.
- Vão. Agora! – Dianna poderia estar sendo grossa e mandona, porém era para a proteção daquela família. – E se tranquem.
Anya se aproximou da irmã e lhe entregou um papel amassado. Em seus olhos mostravam determinação, fazendo com que Dianna tivesse orgulho da pequena.
Depois de vários protestos e a perda de paciência de Anya (aquela garotinha poderia ser bem perigosa. E persuasiva), a pequena conseguiu leva-los. Sara foi a ultima a ir embora, mas antes lançou um olhar que Dianna nunca iria esquecer: Sara a amava e dizia que tudo iria ficar bem. No fundo do coração da oráculo, sabia que seria a ultima vez que veria aquele sorriso.
Antes de sair, a garota viu o papel que Anya tinha lhe entregado: um desenho, seu presente de aniversário.
Dianna saiu pela porta dos fundos, mas correu pela rua principal. Teria que ser a isca, para que eles não descobrissem os Barnes. Algumas coisas nunca mudam, e a garota correndo dos soldados que trabalhavam no laboratório era uma delas.
Eles estavam de volta, em grande número. Vestidos de uniformes pretos, com as armas à mostra, mostravam toda a sua imponência. Isso dava medo na garota, lembrava-se de todas as vezes que viu esse tipo de pelotão, não era boa coisa.
Dianna fez a primeira coisa que passou por sua cabeça: correu
Correu pelo meio das árvores que tinha na rua e foi para uma outra. Ouvia tiros, vindos à sua direção. Dia pegou uma arma da cintura e atirou enquanto corria. Nem precisou virar a cabeça para fazer tal ação, durante sua estadia no acampamento melhorou seus sentidos e suas habilidades. Lá era um ótimo lugar para treinar.
Pelo som, percebeu que acertou um soldado, que caiu com um baque no chão. Haveria sangue, o que não seria problema para eles, já que eram especialistas em sumir com as coisas.
Continuava correndo e sabia que corriam atrás dela. Infelizmente, aquele bairro não era muito bom para fugir, só havias ruas principais e vielas muito pequenas, o que deixava só a opção de correr por uma rua aberta. Era um alvo fácil.
De repente, todos os sons ao seu redor sumiram, Dianna ouvia apenas o ruído dos sapatos no asfalto. E a voz dele. A voz de Jon não saía de sua cabeça. Ela o via enquanto corria. Ele era o que impedia a partida dela, pois podia acontecer alguma coisa e ela não voltar, mas ela foi. Dianna não queria dizer adeus. Esse era seu fundo do poço, correndo de humanos e percebendo que estava apaixonada. Desde que soubera da sua limitação, prometeu a si mesma que não iria se apaixonar. Tudo estava dando certo até que aquele filho de Mercúrio apareceu. Dianna se apaixonou pelo primeiro garoto que parecia realmente gostar dela. Seu conceito de fundo do poço foi redefinido.
Jon era especial. Tinha aquele jeito de malandro, mas tinha um ótimo coração. Era fofo até quando tentava não ser fofo. Sua voz ecoava nos ouvidos da garota: “Dia vou te contar uma verdade sobre o teletransporte: Sempre me disseram que precisava de uma boa lembrança para funcionar” e "Você é minha lembrança boa”. Dianna queria falar com ele, lhe contar que ele era sua lembrança boa também, que nas horas mais sombrias, ela iria se lembrar dele, pensar nele. Mas não podia, estava ali, correndo por sua vida.
Jon era a sua única exceção.
Tudo saiu de foco quando sentiu seu ombro doer, fora baleada. Ela não imaginava o quanto doía, mas tentou continuar a correr, o que não aconteceu. Desacelerou e deu um passo para frente. Teve uma visão. Deu outro passo, outra visão. Com o terceiro passo, a terceira visão. Três visões diferentes sobre o futuro. Delfos estava lhe dando uma escolha.
Parou totalmente, em pé e no meio da rua. Ouviu os soldados pararem, confusos. Dianna pegou as duas armas que tinha na cintura e jogou no chão. Longe. Fez o mesmo com a mochila. Simplesmente ficou ali, parada.
Levantou as mãos em sinal de rendição. Aos poucos se virou. Dianna tinha que admitir que eles eram bons, quase todos os soldados que ela viu perto da casa dos Barnes estavam ali, fazendo uma meia lua envolta dela, todos com a arma apontada para a cabeça loira.
Seu estomago revirou de raiva quando um homem abriu passagem pelos soldados. Callum Schmidt, que na época em que Dia estava presa no laboratório, era apenas o chefe da segurança, andava todo imponente. Aquele sorriso cruel ainda existia em seus lábios.
- E se não é a minha querida Dianna! – o sarcasmo cruel em sua voz era evidente – Que bom vê-la e que decidiu se juntar a nós novamente.
- Me juntar a você? – Dianna soltou um riso cruel. Era disso que ela tinha medo, que todo o progresso que fizera no acampamento fosse por água abaixo. O progresso se consistia em ter ficado mais humana, e aquele riso poderia ser apenas a ponta do iceberg colossal de problemas do passado. – Nunca.
Callum estava desgostoso. Desde a primeira vez que os dois se viram, juraram secretamente que seriam inimigos. Para ele, Dianna era apenas a menina estranha e mimada que lhe dava trabalho. Para a garota, ele era o homem cruel que ajudava a mantê-la ali.
- O que você é agora? A chefia? – a oráculo olhou para os soldados e depois para o desprezível homem. Estava provocando. Schmidt Apenas sorriu e mandou um de seus homens algemar Dianna.
Apesar das visões e da decisão que tomou, seu instinto era de fugir. Mil planos passaram por sua cabeça, envolvendo mortes e correria. Mas permaneceu ali, parada e olhando desconfiada para o soldado que se aproximava.
Seu corpo tremia por querer fugir e por estar com medo. Ela voltaria para aquele lugar, ficaria presa de novo. Parecia que dez anos de estudos não foram o suficiente. Dez anos sofrendo não foram suficientes.
Mesmo sendo um dos homens de Callum, com toda a gentileza do mundo, ele colocou seus braços para frente e os prendeu com a algema. Então Dianna entendeu o que a beleza fazia. Durante os dezenove anos da sua vida, não percebeu o quanto era bonita. Para ela não fazia diferença, até o baile e as compras com Liz.
A colocaram no banco traseiro de um SUV, com Callum na frente e dois soldados em cada lado da garota. O homem que Dianna mais desprezava ia contando sobre o que aconteceu desde que Dianna fugira, a garota ficou pensando em Liz.
Aquela garota foi a que chegou mais perto de ser a melhor amiga da oráculo – era a melhor amiga, porém Dianna não sabia muito bem o que era ter uma amiga assim. Com ela, Dianna se sentia livre, feliz e animada. Tudo isso começou com o dia que passaram fazendo compras. Foi um dos dias mais divertidos da vida da loira. Comprou tanta coisa que quando chegou no acampamento, as roupas não cabiam no seu pequeno baú – aonde antes, sobrava muito espaço. Mas não foram as roupas, sapatos e joiais que a conquistaram, foi sua amizade. Liz era a amiga que Dianna teria se tivesse uma vida normal, ou seja, a garota era um gancho que trazia o oráculo para a normalidade. Havia um sofrimento interior nela, todos podiam ver, mas sua força ofuscava qualquer ponto de fraqueza. Liz era uma verdadeira romana, pelo menos aos olhos de Dianna, mesmo que a própria se denominava de fútil.
Nesse momento, Dia se inspirava na amiga, pois aqueles homens, principalmente Callum, não podiam perceber o medo que a garota trazia dentro de si.
Tinha medo pelo o que viu, suas três visões durante a fuga. Tinha medo desde que viu sua morte, quando estava abraçando Psiquê. Mas medo não era seu único sentimento.
Psiquê é alguém que entrou tão de repente em sua vida que Dianna ainda não entendia. Sonhava com a deusa e com Achlys, então foi perguntar para Psiquê se ela sabia de alguma coisa. Reviravoltas e no final, Dianna era a reencarnação de Achlys, a irmã mais nova e esquecida da deusa. Dia sentia na mulher uma grande admiração e muito carinho. Via nela sua família, pois, devido as circunstâncias, eram irmãs.
Agora estava ali, sendo levado, como uma criminosa, até o interior do conhecido prédio. Levaram-na até uma sala, pequena, mas muito bem decorada. Callum entrou orgulhosa e sentou-se na cadeira de frente para a mesa de escritório.
- Gostou? – perguntou com ironia – Esse é um dos meus escritórios, o que eu chamo de escritório de bolso. Vejamos, aqui não é mais o que você acha que é. Depois da sua incrível fuga, tomamos algumas providências. Laboratórios subterrâneos e segurança de primeira. Dessa vez queria, será milhões de vezes mais difícil você fugir. Eu reduziria as chances à zero, mas de você, devo esperar tudo.
Dianna permaneceu calada, pois enfrentar aquela coisa – pois para ela, Callum não era considerado humano – era idiotice. O sorriso estampado no rosto dele era de crueldade e vitória. A garota se esforçava para não ataca-lo, com as próprias unhas, se precisasse.
Foi colocada em uma cela branca, espaçosa, com uma cama comum. Era uma prisão de luxo, mas aquelas grades e as paredes davam claustrofobia na garota.
Como sempre acontecia ali, o tempo passava estranhamente, por isso Dianna não conseguia saber quantos dias esteve ali. Eram muitos, mas não sabia exatamente. Tentou contar no começo, mas depois decidiu que não valia a pena.
O problema era que não ter o que fazer (contar o tempo era algo para fazer) dificultava na luta de Dianna. Desde que chegou ao acampamento, sempre diziam que ela iria ficar louca, e por dentro, ela sentia que sempre foi assim. Sempre teve o perigo de a loucura ficar definitivamente. Com Delfos piorou, e agora? Sua sanidade era como o oxigênio em grandes altitudes: rarefeito.
O por tipo de loucura é quando você tem picos de sanidade, pois é ali que você percebe que esta ficando louco.
Ficava horas olhando para o nada. De repente começava a rir. Falava sozinha. Havia momentos de raiva extrema e em outros, não tinha vontade de sair do lugar. A parede que a cama ficava encostada já estava nascendo furos, de tanto a garotas bater com o dedo. Às vezes gritava. Às vezes seu ombro doía pelo buraco da bala.
Odiava estar presa. Odiava ter um espirito dentro de si. Odiava seus dons. Odiava tudo. Odiava. Odiava. Odiava. Odiava. Odiava. Odiava. Odiava. Odiava. Odiava.
Por um dia inteiro ficou com uma música na cabeça. Não sabia da onde vinha, mas era gostosa e dançante. Na cela, começou a dançar. Apenas fechou os olhos e foi, enquanto cantarolava a música. De repente parou, no meio do quarto, olhando para o nada.
Dançar a fazia se lembrar de Klaus. Ele foi seu primeiro amigo, de verdade, no acampamento. Foi ele que decidiu cuidar dela, pois era a protegida de seu pai. Ela lembrou quando os dois dançaram no baile, e minutos depois, ela foi coroada rainha. A ensinou a dançar e a fez ler Harry Potter. Ele abriu as portas para um mundo novo, pois, praticamente, obrigara a ler.
Dianna não podia ser chamada de inteligente. Não era por não ser capaz, mas sim porque não teve a oportunidade de aprender. Porém, arranjou amigos mesmo assim. Red era um. Dianna sentia que sempre que conversava com o filho de Hefesto, ele sentia-se um gênio, o que Dianna achava graça. Red era um cara legal, e não precisava ser o oráculo para perceber.
Quando voltou a si, desabou, literalmente. Como uma boneca de pano, caiu no chão. Não aguentava mais aquelas paredes. Não aguentava mais as lembranças de um tempo feliz que nunca voltaria.
Apenas não aguentava mais.
Tudo mudou quando recebeu uma visita.
A garota estava sentada no chão, encostada na parede de frente para a grade. Era hora da troca de turno da segurança. Dianna viu o guarda entrar para o serviço. Ele era novato, pelo menos naquela área do laboratório. Seu cabelo moreno era parcialmente escondido pelo boné. Usava óculos de grau que, de certa forma, escondia seus olhos. Quando viu a prisioneira, um grande sorriso se abriu em seus lábios.
Aquele sorriso.
A primeira vez que Dianna viu aquele sorriso foi quando ele estava tentando conquista-la, para que aceitasse seu novo cargo. Era o mais bonito que a garota vira na vida.
O guarda esperou alguns minutos e depois se aproximou da cela, quase encostando na grade.
- Você devia tomar mais cuidado, soldado. Seu disfarce não esta muito bom – Foram as primeiras palavras que saiu da boca de Dianna desde que ela se lembrava. Sua memória tinha sido afetada.
- Só você descobriu – Apolo abriu um sorriso sincero, que logo depois morreu. Ele estava preocupado – Como você esta?
- Você não é um deus grego super foda? Diga-me você. – era para ser uma brincadeira, mas naquela circunstancia, não foi assim. Apolo ficou ainda mais triste e preocupado – Tristeza não combina com você.
- E esse lugar não combina com você – falou com carinho. Desde a primeira vez que ela o vira, sabia que Apolo tinha um carinho por sua oráculo. Era como um irmão mais velho. Mas Dianna não chegava a ser como Ártemis, mesmo tendo o nome da versão romana da deusa.
- O que você veio fazer aqui? – perguntou, tentando adiantar o assunto. Apolo era um deus de muitas coisas, ou seja, tinha mais o que fazer – Não veio ver as preparações para os experimentos que vão fazer em mim, né? Ou veio ver como eu estou? Ou veio me soltar? Ou, quem sabe, veio verificar o local para mandar semideuses em uma missão desesperada atrás da oraculo do acam...
Dianna se perdeu no meio da fala. Foi como se tivessem desligado a função raciocínio. Ficou fora do ar. Não falou nada, apenas ficou olhando para o nada.
De repente ela voltou e levantou com rapidez. Correu até a grade, quase esmagando seu próprio rosto contra ela.
- Eu vou ficar louca... – falou em um sussurro.
- Eu quero te tirar daqui, mas eu não posso. Não posso interferir na vida de mortais, mesmo sendo você. – Apolo sofreu para falar aquilo – Mas vou avisar agora mesmo o Quiron. Ele vai organizar uma missão e...
- NÃO! – gritou, interrompendo o deus – Não faça isso.
Apesar de a loucura estar em um nível avançado, Dianna estava ciente de tudo. Naquele momento. Não poderia concordar ou pedir aquilo, pois sabia o que ia acontecer.
- Não vai adiantar. – falou olhando para seus pés, triste – Enquanto fugia, eu... Eu vi três possibilidades de futuro. A primeira teria uma missão para me resgatar, mas ela fracassaria: os semideuses morreriam e eu ficaria aqui, louca.
Odiava pensar que colocaria a vida de outras pessoas em risco, ainda mais pessoas incríveis como a maioria dos campistas. Até Noah entrava na lista de pessoas legais.
- A segunda você me deixaria aqui e eu ficaria louca. Eu perderia completamente a razão, me transformando em uma boneca ou alguém em estado vegetativo.
Nem precisava esclarecer quais eram seus sentimentos por aquele visão. Era obvio que não queria ficar louca, muito menos dentro daquele lugar.
- A terceira você tiraria Delfos de dentro de mim.
- E...?
- Meu corpo não aguentaria. Já cheguei a um nível de... Meu corpo esta fraco e minha mente pior ainda. Eu morreria.
Talvez aquela visão fosse a que a garota mais gostava. Dianna não aguentava mais ficar naquele lugar, ficar louca. Queria morrer. Queria acabar com aquele sofrimento. Chegava até planejar, mas não tinha como, era tudo muito bem seguro.
Ao contrário da oráculo, Apolo não gostou muito da ideia.
- O que? Nunca! Dianna, não posso matar você! Mesmo eu sendo um deus é... Não!
- Você não entende né? Você não sabe como é carregar esse fardo, perder a cabeça, ficar preso nesse inferno! Você não sabe... – seus joelhos falharam, e a garota foi escorregando encostada na grade. Quando chegou no chão, estava chorando. – Eu não aguento mais, Apolo. Não consigo. Por favor. Por favor, por favor...
Abraçou os joelhos e continuou a repetir aquelas palavras, como uma reza ou um mantra.
Dianna não sabia exatamente quanto tempo passou, mas uma voz a despertou. Apolo estava agachado ao seu lado e sua voz era calma, passava tranquilidade para a garota.
- Se Delfos previu isso, eu não posso mudar. Eu tiro.
Isso fez com que Dianna erguesse a cabeça e olhasse para o deus. Apolo tinha voltado a sua aparência de costume, a não ser pela expressão de tristeza. Com toda a certeza, não combinava com o deus.
- O...Obrigada – gaguejou. – E me desculpa se eu o ofendi com todas as minhas reclamações ou... Com o Jon...
- Minha querida, você nunca me ofendeu, nem quando se meteu com aquele filhote que não brilha como eu. Você queria viver o máximo que podia, você fez o certo. Sabe, Psiquê reclamava tanto, mesmo antes de te conhecer. Ela falava que ninguém merecia viver sem amor. Você, minha querida, mesmo contra todas as regras, você conseguiu sentir isso, tenho orgulho de falar que Dianna Jean Price foi minha oráculo, mesmo que por pouco tempo.
Por mais forte que seja, Dianna não conseguiu evitar as lágrimas. Por anos achou que ninguém se importava com ela, se preocupasse. Mas por todo esse tempo, Apolo ficou cuidando dela, de longe, pois o deus não podia interferir na vida de um mortal.
- Obrigada. E por favor, cuide da minha mãe e dos Barnes, mas não encoste um dedo na Anya! Você sabe que ela é especial. E cuide de Psiquê, ela esta gravida, eu sei disso, eu vi. E de todos ok? E leve meu corpo, não quero apodrecer aqui.
- Pode deixar, minha querida – Apolo segurou a mão da garota pela grade. Seu toque era quente, afinal, era o deus do Sol.
A verdade, é que mesmo desejada, nunca estamos preparados para morrer. Existem milhões de frases bonitas sobre o assunto, e a que Dianna mais gostava e achava que mais deprimente e pessimista era: “Nascemos e morremos sozinhos”. Significa que nas horas mais importantes da vida, estamos completamente sós. Existem coisas que nos forçam a fazer sozinhos e morrer é uma delas. Levar alguém consigo é egoísmo. Apolo estava lá, porém Dianna sentia-se só. Triste.
O deus prometeu que ela não seria julgada no tribunal dos mortos, ela iria direto para o Elísio. Tinha que admitir que isso a tranquilizou um pouco, afinal, Dia cometeu alguns crimes.
Sentada encostada na grade, assistiu o deus retirar o espírito de dentro dela. Uma luz brilhou em seu peito, igual a quanto aceitou a proposta de Apolo. “Adeus menina do sol e da lua. Seja feliz”
- Adeus Delfos - a garota estava chorando. Não era por causa da dor que estava sentindo, mas porque era como se separar de uma grande amiga.
A luz se apagou e com ela, os sentidos de Dianna. Ela sentia dor e cansaço. Seu corpo estava fraco. Estava com dificuldade de respirar. Quando falam que na hora da morte, sua vida passa por seus olhos é verdade. A infância nos cassinos, o abraço carinhoso de Clark, o dia em que ele morreu e que começou seus pesadelos. O hospício e o laboratório. Toda dor que sentiu. Lana, a soldado que a treinou e que mobilizou os outros para ajudá-la. Dianna nunca tinha falado dela para ninguém, mas agora via seus olhos firmes, mas que eram como um abraço. Viu a si mesma fugindo. O sorriso de Apolo e a luz. Viu o acampamento. Viu-se rindo com seus amigos. Foi feliz. Todos aqueles que a amavam e que ela amava estão ali, juntos e com ela. Viu sua mãe sorrindo e a abraçando. Viu as irmãs e John. Viu sua morte.
A dor, junto com a dificuldade de respirar, foi sumindo. Apenas fechou os olhos. Apolo falava coisas tranquilizantes, mas ela não entendia nada.
Aquele momento era o que sempre desejava nas horas difíceis, e agora, não queria voltar atrás. Tinha certeza da sua escolha de morrer, era a melhor para todos. Não tinha outra saída para uma vida melhor. Se continuasse no acampamento, ela não seria completamente feliz. Se fugisse e conseguisse sobreviver sem Delfos, ainda seria caçada. Pelo menos morta teria paz.
Morrer tranquilamente é como injetarem anestesia geral em você. Você até tenta lutar, mas é mais forte. Os sentidos vão caindo, seu corpo se sente relaxado e quando você percebe, já caiu no sono profundo.
Dianna morreu.
Como prometido, não foi julgada. Acordou em um lugar iluminado. Olhou para baixo e se viu dentro de um vestido grego clássico. Uma frase de Jon apareceu em sua mente: “Você nasceu para se vestir com qualquer coisa Dia. Se colocasse um saco de batatas estaria linda mesmo assim”.
- Olá - uma voz a tirou dos pensamentos do passado. Levantou o olhar e viu um casal. Eles se amavam muito, disso Dianna tinha certeza. A voz veio da garota, que era morena e muito bonita. - Bem-vinda!
Aquele casal serviu para lembra-la que não pode viver no passado. Ela teria uma nova vida na morte, se é que faz algum sentido, porém a verdade é que a vida não faz sentido. E ali, na morte, Dianna estava feliz.