SCORPIO BOYS: UMA HOMENAGEM DE NEIL GAIMAN A ALAN MOORE E AOS ESCORPIANOS
"Os Escorpianos da cidade de Lux cantam suas estranhas canções e deixam as janelas do seu carro manchadas com suas flanelas velhas, e mijam perto da porta da sua casa. É raro vê-los. Se você vir um, você não morrerá hoje.
Há um homem velho. Ele é tudo o que há entre nós e o Fim do Mundo. O Fim do Mundo bate na porta dele uma ou duas vezes por semana, eles comem bolo, bebem chá e batem papo, e no inverno comem pão quentinho, e competem quem é o mais inteligente. Até agora, quem está ganhando é o velho, e o mundo só acaba vez ou outra. Nós não lembramos do mundo acabando. Nós somos do lado de cá.
Ah, os Escorpianos encaram mesmo; é um ato de magia, claro se você conseguir acreditar neles. Se você vir um, é sorte. Tanta sorte.
Espancados e largados para morrer pelos Homens de Piltdown cantando “nós somos, nós somos os Homens de Piltdown, nós somos, nós somos” Cambaleiam pelas ruas das cidades de penumbra quebrando garrafas e vomitando na sarjeta, alguém te encontra e te levanta e te leva para casa. Talvez tenhamos sido nós. Nunca saberá.
Um cigarro desenha no ar uma figura, Algo feito de luz e fumaça, então você sabe que é mágica alguém diz que dá sorte e sabe-se lá o que pode acontecer? Coisas estranhas acontecem em cidades. Mesmo em cidades pequenas.
Veja Lux, por exemplo: uma cidade que não há, Como todas as cidades, é uma descrição mágica, um jeito de fazer todas as impossibilidades acontecerem longe,
Como um poema ou um sussurro ou um tinteiro - você pode ficar olhando para dentro, ou mergulhar sua caneta. Em todo caso, isso te levará a lugares invisíveis, abrirá uma porta em seu coração para nós, Povo fino, curioso e mal-vestido, com nossas roupas com respingos de tinta de caneta e furos de cinza de cigarro.
Quando houver um número suficiente de nós, vamos virar uma cidade.
Fazemos porque acreditamos. Porque histórias precisam ser contadas. E virem a nós para serem criadas."