Foi um dia de muito silêncio. Aliás, eu até falei, eu quase gritei, mas entre nós parece existir uma parede antirruídos. Eu falei tanto que já não existe mais nada que possa ser dito. Agora, só resta o eco do que um dia foi conversa. E por mais que eu tente me convencer de que ainda vale tentar, o vazio entre uma frase e outra pesa mais do que qualquer tentativa de recomeço. Talvez o silêncio tenha vencido. Talvez a gente só esteja adiando o inevitável. Porque quando duas pessoas se tornam surdas uma à outra, não é mais sobre amor, é sobre resistência. Quando foi que eu me tornei resistente quando o assunto é você? É isso que me intriga. Como eu pude me reduzir em tantas partes só para caber em nós? Fui apagando vontades, silenciando incômodos, engolindo palavras. Tudo isso na tentativa de manter um espaço que, aos poucos, já não era mais meu. E, no fim, me perdi tentando não te perder. E percebo que amor nenhum deveria pedir que a gente se desfaça de si para continuar. Mas o que a gente tinha foi se tornando uma luta de sobrevivência, e eu já não sei mais se quero continuar lutando.


















