darken your odds | duncan & matthew
Depois de anos, Duncan sabia prever suas exaustões, sabia que estava chegando ao seu limite físico, mas não ao ponto de falhar tão miseravelmente. Conhecia aqueles portais bem, teoricamente — estes sendo a base do grande primeiro truque de Duncan, que era usar a própria escuridão de transporte, e também criar escuridão do nada, sem usar sombras e aumentá-las, criar escuridão em uma sala completamente iluminada de forma a evitar a criação de sombras. Admitia que aquele teste de seus poderes foi o mais irritante de toda sua carreira como mutante, por culpa de seus poderes e hábitos, o umbracinético desenvolvera uma grande sensibilidade à luz, aquele teste praticamente o trouxera uma das piores enxaquecas pela iluminação, criar a escuridão não era apenas um treinamento para saber a real natureza de seus poderes, mas também uma questão de alívio. Claramente, o Dunkelheit enxergava no escuro, e em dias escuros, ou quando ia escurecendo, os sentidos de Duncan aprimoravam-se de uma forma instintivas, da mesma forma que funciona com outras criaturas noturnas.
A parte em que Duncan usava o conceito dos portais em seu transporte, era completamente explorada todo dia, tanto que se não fosse a memória eidética, não saberia se guiar certamente dentro do instituto, Duncan tinha o mapa certo e detalhado do Instituto em sua mente, tivera tempo de rondar todos os corredores e já conhecera todas as salas que havia. Sabia o tamanho exato de cada sala de detenção, resultado do bom tempo que passara dentro de cada uma delas antes de começar a ter uma certa influência sobre as decisões que eram feitas sobre ele. De vez em quando, sem realmente uma frequência exata — apenas dependia da vontade dele —, resolvia dar a graça nos corredores do Instituto, como se reafirmasse aos alunos que ele estava lá, e que aquilo não era boa coisa [para os demais alunos]. Um ômega podia muito bem ser um grande sinal de problema e perigo, porque a verdade era, que não havia um ômega sequer que não fosse capaz de fazere o quer que fosse para alcançar seus desejos. Literalmente o que quer que fosse.
Porque há um momento que tu percebes que o poder em tuas mãos pode te fazer invencível, que o dom que a genética te providenciou pode quebrar todas as barreiras impostas na tua frente. Há um momento quando se é ômega, que percebes que tu podes fazer tudo aquilo que queres fazer, e se a única consequência era ter humanos, seres que aprenderas sozinho que eram inferiores, te caçando, bem, esses humanos teriam pelo menos a chance de darem o primeiro ataque antes de estarem caídos no chão, nunca mais podendo levantar.
Ele ouviu o barulho do toque de um celular, e todas as indagações sobre como Duncan não previra aquele momento de exaustão caíra por terra, era obra de um terceiro. A confirmação da presença deste terceiro apenas fez Duncan transformar a frustração, em uma raiva direcionada a alguém. Isso nunca acabava muito bem.
Ele se virou e graças à visão aprimorada pelas sombras, pode ver quem era este que agora tinha a raiva do meio-alemão, ele o reconhecia, vira seus arquivos da última vez que invadira o sistema do Instituto para saber dos novos alfas.
Alfas eram a maior ameaça do mundo tranquilo e maníaco de ômega que Duncan Dunkelheit vivia. O umbracinético sentia o dever de saber sobre qualquer alfa que tivesse alguma chance de subir de nível, menor parte ele conhecia por nome, esta parte sendo Laurel Christensen e apenas — mas o motivo para isto era apenas conhecer Laurel há mais tempo do que podia se lembrar a tendo como parte de sua família, esta limita a falecida mãe, ele mesmo e a Laurel como um tipo de membro honorário. Era mais fácil para Duncan ter ao lado um mutante que sabia exatamente do que ele era capaz e não tentaria o impedir nunca.
Duncan deixou o sorriso sádico, o único que seus lábios conheciam, surgir em sua feição. Os olhos azuis estavam de um tom eletrizante, com a perspectiva de causar dor e sofrimento mais uma vez. Era quase irônico como a genética funcionava em Duncan, mesmo com toda a escuridão nele, seus olhos eram claros demais e sua pele era sempre pálida demais. Como se algo superficial deste tipo pudesse compensar pela escuridão profunda que era sua alma.
— Parece que alguém não aprendeu qual é seu devido lugar — disse transportando-se pela escuridão para logo atrás do outro mutante, que facilmente esquecera o nome, mas reconhecia a face dos documentos do lugar — Não me diga que serei eu a ensiná-lo isso.
ǫᴜᴀɴᴅᴏ ᴘᴀʀᴏᴜ ᴅᴇ ᴏᴜᴠɪʀ ᴏs ᴘᴀssᴏs ᴅᴏ ᴏᴜᴛʀᴏ, ᴍᴀᴛᴛʜᴇᴡ ɴᴏᴠᴀᴍᴇɴᴛᴇ ɴᴀᴏ sᴇɴᴛɪᴜ-sᴇ ᴀᴘᴀᴠᴏʀᴀᴅᴏ. Claro, ter mexido com o literalmente rapaz mais poderoso de todo o instituto não era igual a brincar de trocar farpas com algum de seus poucos inimigos espalhados por lá. Aquela era uma forma muito mais perigosa -- e letal -- de diversão. Sabia muito bem que poderia ser morto e acabar sendo tachado como apenas mais um dos corpos que foram deixados pelo exército das sombras, e que estava fraco demais para manipular suas probabilidades para que saísse ileso dali; mas talvez fosse justamente por conta daquela sensação iminente de perigo que deixava tudo mais divertido.
Sentiu o portal de sombras sendo aberto atrás de si, e, saindo deste, o umbracinético. Fez questão de não olhar para trás até que ele se pronunciasse, permanecendo sentado com as costas relaxadas no tronco da árvore e o corpo praticamente escondido pelos arbustos, fingindo estar distraído com alguma coisa, o olhar perdido na mata que estendia-se à sua frente. E quando, por fim, o Ômega resolveu falar, Matthew deu um pulo, agarrando o próprio pano da blusa com uma das mãos no lugar onde devia ficar o coração, virando-se para Duncan com sua maior expressão de pseudo-surpresa -- obviamente estava fazendo aquilo no intuito de irritá-lo, de tentar mostrar para ele que já sabia que ele se teletransportaria, de que a pressão que sua aura maligna e intimidadora exercia não fazia efeito nenhum contra ele. Aproveitou aquela chance para descaradamente observá-lo dos pés à cabeça (não que aquilo fosse muito confortável de se fazer, já que estava sentado e o outro de pé), e, assim, guardar bem todas as suas feições: Agora tinha certeza de quem era o tal Ômega que rondava os corredores da instituição, sempre lhe provocando uma enorme curiosidade, sempre estando na lista de pessoas de que um dia teria que conversar, mas que nunca arranjava uma maneira de fazê-lo.
Bem, havia chegado a hora.
Depois de quase dez segundos do mais completo silêncio após as acusações do umbracinético, o bilionário deixou com que sua máscara tão ridiculamente falsa de garoto assustado fosse arrancada de seu rosto bruscamente: Fora em questão de milésimos que um largo sorriso espalhara-se no rosto do Alfa, exibindo todos os seus dentes brancos e perfeitamente alinhados; com ele, também veio acompanhado o brilho maldoso nas orbes castanhas escuras. Arqueou ambas as sobrancelhas, como se dissesse, silenciosamente “Veja só, você não é o único intimidador nesse lugar!”.
Por fim, quando pensou que suas expressões faciais estavam contando a Duncan mais do que qualquer discurso que Reyes poderia fazer, este voltou a falar, cínico e ousado: ❝O meu devido lugar?❞ perguntou, abrindo a boca de forma dramática, soltando uma curta exclamação de surpresa, como se não acreditasse no que ouvia. ❝Pelo o que eu me lembre, eu estava aqui quieto no meu canto, mexendo no meu celular, e você quem veio me perturbar.❞ dito isso, voltou a recostar-se no tronco da árvore atrás de si, fazendo com que o contato visual dos dois fosse perdido, esticando as pernas e passando uma por cima da outra. ❝Você é quem deve procurar saber qual é o seu devido lugar.❞
E foi assim que encerrara seu discurso, tendo quase certeza que acabara de assinar sua sentença de morte.













