{FB} That's Not Jealousy. || Alice e Alex
“Isso é porque não existe” Willa confirmou, começando a preferir ficar do lado de José ao do namorado. Valet fingiu ficar incomodado, no entanto, não estava mais sendo afetado pelas repreensões da garota. “Claro que existe. Vovó Harriet sempre dizia isso” respondeu, com um sorriso. Nunca havia conhecido suas avós ou seus nomes, imaginava que haviam falecido antes de seu nascimento, mas não se lembrava se Willa sabia daquilo. O importante era que ele via graça na piada e, caso Alice estivesse prestando atenção, também ao menos entenderia. A namorada manteve-se em silêncio e bufou, indignada. Valet não entendia o porquê de tanta irritação, afinal, ela via aquele seu lado mal comportado frequentemente e dizia se sentir atraída por essa característica, contudo, ele preferia não discutir a respeito, muito menos enquanto estavam com Alice e seu insuportável namorado estrangeiro.
Não conseguia ouvir a conversa do casal que andava na frente, no entanto, podia ver a boca de José se mexendo enquanto o rosto da garota não movia um músculo sequer. Valet geralmente tomava as dores da amiga para si, mas não naquela situação. Alice não parecia estar se divertindo, porém, aquilo valeria o sofrimento no futuro, afinal, continuar namorando aquele babaca espanhol não poderia resultar em nada bom. Tinha certeza de que não demoraria muito para que José a traísse ou algo do gênero. Estava cumprindo sua obrigação como amigo de mostrá-la o lado ruim do rapaz para protegê-la de surpresas mais desagradáveis ainda. Quando o ouviu culpá-lo por estar sendo ignorado, apenas sorriu. Trabalho cumprido, pensou e esperou José se virar para levantar o dedo indicador e o dedo médio na sua direção. Willa revirou os olhos e abaixou seu braço, aparentemente incomodada com o gesto obsceno.
“Sim, essas coisas do México são horríveis” disse, tentando provocar o garoto espanhol, mas sem olhá-lo diretamente. Talvez ele não notasse o segundo sentido de sua fala, no entanto, Willa percebeu e deu uma cotovelada em suas costelas. “Ouch! Pode parar de me agredir, por favor?” sussurrou. E foi ignorado. Valet deu um passo para o lado, se afastando da namorada e massageou a lateral do tronco por alguns segundos. Ela não era forte, porém, era bastante magra, o que fazia um golpe de seu cotovelo parecer uma facada. “Ele não gosta de maionese?!” repetiu, fingindo estar chocado. Na verdade, o próprio Valet não era o maior apreciador de maionese, preferindo usar vinagre como tempero, mas não perderia aquela oportunidade de mostrar o quanto José era um par inadequado para Alice. “Isso é um absurdo! Vovó Harriet sempre disse que pessoas que não gostam de maionese nunca se dão bem com pessoas que gostam de maionese. Talvez isso seja um sinal, huh? Quer dizer, eu e Lis gostamos de maionese, somos melhores amigos há anos. Eu e Willa gostamos de maionese e…” de repente, foi interrompido pela voz da namorada: “Eu odeio maionese.”
“Vovó Harriet?” murmurou confusa Alice para depois abrir um sorriso de quem havia entendido a indireta. A mente da garota ia e vinha nas conversas deles que às vezes era difícil acompanhar ativamente e entender as indiretas rápidas. José apenas revirou os olhos ficando cada vez mais farto de Valet. De forma que a mente de Alice apenas ignorava tudo o que José dizia e ele mostrava-se cada vez mais irritado com aquele fato.
Não gostava de ser ignorado muito menos quando não havia motivos plausíveis para o fato. José indagava-se o porquê de se manter presente naquele lugar, e lembrava que estava ali somente por Alice, mas ideia de ficar apenas por uma garota não estava mais lhe agradando passado da imagem romântica e virando algo como “você é trouxa”. José indagava-se como Willa conseguia conviver com aquele garoto mal criado, e como Alice poderia tê-lo como seu melhor amigo. Ele era um mal exemplo em todos os assuntos que o espanhol poderia pensar.
O espanhol não entendia o alarme que sua namorada havia feito pelo simples fato dele não gostar de maionese. Era algo comum, não era? Mas na mente de Alice, aquilo era inconcebível, quase um crime com pena de morte. “O que tem não gostar de maionese? É normal.”, tentou defender-se, ainda mais por Valet ter entrado na história parecendo abismado.
Ingleses, era o único pensamento que vinha a mente de José com aquele fato estranho. Alice olhou para Willa com o mesmo espanto que havia demonstrado segundos antes com a declaração de seu namorado. “Isso explica porque você é uma vaca.” Declarou sem avaliar suas palavras e quase se arrependeu do que havia dito. “Pessoas que não gostam de maionese não são pessoas boas, posso usar você como exemplo.” Continuou deixando transparecer a raiva que detinha da namorada do seu melhor amigo e virou-se par José. “Agora eu vejo que talvez você não seja a melhor pessoa, afinal, quem não gosta de maionese?”.













