A festa já havia começado a algum tempo, mas Rachel está sentada sozinha em um canto, sem falar com ninguém, ou comer nada.
Jake, percebendo isso, vai até onde ela está, e se senta ao seu lado.
-Você está bem? – Ele pergunta, já sabendo o que ela iria responder.
-Estou, só quero ficar um pouco sozinha.
-Você não está bem Rachel. Você não comeu nada, logo você, que sempre amou essas “comidas de rico” como você costuma chamar.
-Escuta, eu sei que deve ser difícil, e que você está triste, e devo dizer que eu também estou triste, e se pudesse ficava com você para sempre. Mas você sabe como são meus pais, quando eles colocam algo na cabeça ninguém tira, e eles já decidiram que eu vou fazer faculdade fora.
-Eu sei, só que ainda é difícil demais.
-Vamos fazer assim: Eu Prometo que vou voltar para você, certo? Igual a aquela música que você tanto gosta “Vou voltar para você apesar deste orgulho...”
-“...Vou voltar porque sei que não posso escolher…”
-“...Lembrando dos dias de outra latitude. Indo a lugares onde te encontrei...”. Agora tenta curtir um pouco, tá? Tenho que ir ver os outros convidados. Eu te amo.
E então, com um beijo na testa de Rachel, Jake começou a se levantar. Porém, antes de sequer estar de pé, ouviu uma voz chamando os dois.
-Jake, Rachel, venham aqui! – Era Carl, chamando de lá da janela do outro lado da sala, e parecia que havia urgência em sua voz.
Os dois correram até a janela, para ver o que havia acontecido.
-Estamos aqui Carl. O que foi?
-Olhem aquilo. – E apontou para a janela
Os dois então olharam, e viram um homem correndo em direção a mansão, fugindo de algo que parecia ser várias outras pessoas, porem elas estavam andando e agindo de maneira estranha, como se estivessem bêbados.
-Tá, e o que... – Rachel nem terminou de falar, quando algo assustador aconteceu.
O homem que estava fugindo tropeçou e caiu, e rapidamente foi alcançado pelos “bêbados” que o estavam perseguindo. Só que quando eles se aproximaram do homem, ao invés de bater nele ou o que quer que fosse, eles começaram a se jogar em cima do homem e come-lo. Tirando pedaços da cabeça, do tórax, da perna, do braço, e diversos outros membros. Um deles foi direto no coração. Ele abriu o peito do cara com os dentes, e então deu uma mordida no coração que arrancou mais de cinquenta por cento. No momento que o homem parou de respirar, as criaturas saíram de cima dele e o deixaram em paz, e continuaram a caminhar lentamente na direção da mansão.
-Meu Deus...-Rachel estava completamente sem palavras diante do horror que acabara de presenciar.
Nesse momento, todos na mansão ouviram o som altíssimo da sirene de emergência da cidade, seguido por uma voz saída dos autofalantes:
-Atenção todos os moradores, estamos sob ataque de algo desconhecido. Não podemos garantir, mas aparentemente isso está fazendo pessoas mortas se levantarem e vagarem por ai, atacando pessoas vivas. Pedimos a todos que mantenham a calma e fiquem dentro de suas casas, as autoridades já foram acionadas. Repito: As autoridades já foram acionadas.
Nesse momento, Rachel ouviu a voz de Alice atrás de si, mortalmente séria:
-Rachel, Carl, venham comigo. Jake, procure a Anna e então se encontre conosco em seu quarto.
-Certo! – Respondeu Jake, e foi procurar Anna.
-Alice, o que está acontecendo?! –Perguntou Rachel, correndo para acompanhar Alice.
-Você ouviu o aviso, não ouviu? Só vem. Lá no quarto eu explico tudo.
Chegando no quarto, eles encontraram Anna e Jake já esperando por eles.
-Alice, o que raios está acontecendo aqui? – Perguntou Anna, Desesperada.
Alice respondeu, com uma expressão sombria: Zumbis.
Antes que alguém pudesse fazer alguma pergunta, ela pediu silencio e continuou.
-Pode parecer mentira, mas é fato. Vocês ouviram o aviso. Agora, se todos os livros, filmes e jogos, que eu já li, assisti ou joguei sobre zumbis serviram para alguma coisa, nós temos que sair daqui logo. Daqui a pouco o pânico vai se instalar e essa mansão vai virar um caos absoluto. Temos que sair antes disso. Anna, eu não acredito em sobrenatural, mas suas cartas sempre disseram a verdade. Consulte-as, veja se consegue uma informação útil.
-Alice, o que aconteceu com você? – Perguntou Rachel, pois Alice estava totalmente diferente.
-Bom, não há tempo para ser tímida e quieta agora, há? Eu me recuso a perder os únicos amigos que já tive para um desastre bizarro desses.
Então, Rachel se deu conta de que Alice não tinha mudado, que ela estava usando todas as suas forças para não se encolher chorando em um canto, para poder ajudá-los. E então Rachel se sentiu imensamente grata a sua amiga.
-Pronto! – Exclamou Anna, guardando suas cartas na bolsinha que sempre levava consigo.
- O que descobriu? – Perguntou Alice, ansiosa.
-Segundo as cartas, isso está acontecendo por conta de uma maldição que existe sobre essa cidade. Uma vez a cada 150 anos, em uma noite, os mortos se levantam e atacam os vivos. O lado bom disso é que, segundo as cartas, assim que amanhecer, os efeitos da maldição passarão, e só voltarão a aparecer na próxima noite dos mortos, daqui a 150 anos.
- Então, só temos de sobreviver até o nascer do sol? – Perguntou Carl.
- Mais fácil falar do que fazer. – Acrescentou Jake.
- Temos de sair daqui. Eu já estou ouvindo o tumulto começar lá em baixo. – Disse Alice.
- Tem uma escadaria de funcionários no final do corredor, podemos sair por lá- Jake acrescentou.
E então eles desceram pela escada e saíram correndo da mansão, sem saber para onde ir agora. Era o inicio da pior noite de suas vidas