Coisa de gente grande
Gente grande. Estranho pensar nisso quando já somos.
Passamos uma vida inteira tentando nos firmar como um indivíduo, querendo ser um adulto e esquecendo que essa fase de adolescência passa e não volta mais.
Há algum tempo venho observando e pude concluir que tornamos fantoches de nós mesmos.
Queremos brincar, extravasar, nos divertir e não podemos, ou pior, fazemos isso da pior forma, nos poupando e nos podando em tudo.
Brincadeiras que antes eram somente uma chacota, que ia passando de um para o outro e no final acabavam todos rindo, hoje são chamadas de algo sem limites, feita por pessoas sem filtro.
Uma conversa que tínhamos sobre aquele filme muito bom, ou aquele jogo que saiu para determinado console, já viram lições de moral que falamos para atingir, chamar atenção ou dar um exemplo para o outro.
Sabe aquela conversa que existia sobre a vida?? Não existe mais.
Sabe aqueles passeios que tínhamos sem destino ou até com um destino simples só para estarmos juntos?? Não temos mais.
Sabe aqueles planos que fazíamos de viajar e desvendar o mundo?? Não fazemos mais.
O que vejo hoje em dia são conversas sobre como estão os negócios ou qual o ponto mais alto que quero chegar.
Só falamos de trabalho, de dinheiro...
Sinto peso nas palavras.
Sinto tristeza nas palavras.
Sinto rancor nas palavras.
Sinto falsidade nas palavras.
Não reconheço as pessoas que um dia tive um vínculo.
Hoje as conversas não saem do mesmo jeito que saiam.
Hoje nos estranhamos.
Estamos tão superficiais em nossas relações que não percebemos.
Não estou falando de não termos que ter responsabilidades.
O que estou querendo colocar é que temos que nos permitir a brincar sem levar o peso que as palavras podem ter e nos divertimos.
Sabe por que estou falando isso? Porque hoje somos adultos, assim como ontem éramos crianças e como amanhã seremos velhos, ou seja, hoje somos os sérios que não nos permitimos nada, assim como ontem queríamos ser o que somos hoje, e não sabíamos que era tão chato, e como amanhã iremos olhar para trás e nos arrependermos de tanto tempo que perdemos com coisas que não precisavam tanto do nosso tempo, que para o sorriso que poderíamos ter dado naquele momento preferimos fechar a cara e tratar a situação como algo sério, sem ser.
Enfim. Temos que ser uma mistura dos adultos de hoje, das crianças de ontem e dos velhos de amanhã, dosando com conta gotas as nossas ações.
Por Alan Fernando











