Escrevo esta carta para esclarecer alguns pontos que tenho sentindo ao longo desses três meses de 2017.
O ano nem começou direito e já sinto o peso de um ano inteiro nas costas. Foram tantas coisas que aconteceram de uma vez que eu ainda estou girando, meio perdido entre emoções, pensamentos, razões e sentimentos. Ainda não encontrei meu ponto de equilíbrio ao meio de tantos acontecimentos, mas uma coisa boa estou fazendo, colocando ponto final em muitas coisas, que hora eu fugia, hora eu fingia que não estava acontecendo.
Coisas acontecendo concomitantemente traz um desespero e traz também o alívio de encerrar laços ou finalizar situações é tão grande que não consigo descrever.
Sei que está meio confuso tudo isso, ou contraditório, mas ambos sabem o que está acontecendo aqui dentro, ambos sabem o contrário da contradição que vivo e ambos sabem que um acordo não há entre vocês em 99% dos casos.
Só quero dizer que eu estou bem. Estou aprendendo com tudo isso que vem acontecendo e que estou levando tudo isso como nosso aprendizado, no qual tenho que saber qual é a melhor hora de escutar o outro ou a melhor hora de conciliar e entrar em um senso comum.
Quero agradecer a todos que me fizeram crescer e chegar onde estou agora, mesmo sendo um pouco mais frio que antes ou menos carinhoso, creio que hoje eu seja alguém mais firme, mais sólido... Creio realmente nisso...
Não quero mais cair nessas armadilhas.
Essa semana mesmo, conversando com amigos, cheguei a comentar que estava com medo de voar novamente, justo eu que após tantas quedas sempre levantava voos sempre mais altos, sempre me aventurando cada vez mais em lugares desconhecidos, logo eu que não tinha medo de nada, estava com medo de voar novamente. Ou será que estou?? Não sei.
Só sei que quero voar, sentir o vento em meu rosto e tirar as pedras que pesam e me prendem, me livrar de laços que não me fazem bem, ter novos laços com corações e mentes que me façam voar mais e mais.
E por fim quero agradecer muito por nunca me abandonarem em momentos difíceis que já vivemos. Sei que aquele peso faz parte da vida. Sem esses pesos não conseguiríamos criar força, resistência aos outros que possam vir e que tirar alguns pesos, que muitas vezes colocamos, nos faz ficar mais leves e alcançar voos mais altos.
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(T) Paula (I) Marina K, Fernanda Y, MOL (D) 13.06.2018
Anteontem jantei com uma das colaboradoras do SNVD que teve transtorno alimentar e ela me falou do que está vivendo (fim da faculdade), do namorado, da vida, etc.
Estávamos conversando sobre a importância dos relacionamentos, quando percebi uma coisa que não notava antes, pois a gente conversava mais sobre a doença: a diferença de idade.
Não existe vantagem de idade como hierarquia de experiência nem aumento de sabedoria, eu não acredito nisso. Mas existem fases na vida. Algumas têm a ver com idade, outras têm a ver com profissão, outras com experiências e momentos de vida, outras com prioridades e escolhas. E as pessoas estão sempre em momentos diferentes umas das outras.
Eu consigo perceber hoje o quanto a questão da expectativa de relacionamentos sexuais (algumas pessoas entendem isso como relações estáveis) já foi conversada e primordial na minha vida, momentos em que eu achei que coloquei isso numa posição favorecida e me decepcionei com parceiros em relações que não acompanhavam o que eu achava que no momento eram as minhas prioridades ou visões.
Homens e mulheres são diferentes, um pouco por causa de cultura, um pouco porque as pessoas são diferentes umas das outras. Se eu fosse homossexual, me decepcionaria com relacionamentos com outras mulheres se elas não correspondessem às minhas expectativas. Mas tem o tempo, a estação das pessoas. Em alguns momentos pontuais da minha vida pode ser que a decepção fosse vista como uma ameaça à manutenção da minha autoestima. Em outros momentos, pode ser que eu visse como um defeito ou incapacidade alheia. Em outros momentos, pode ser que fosse okay, aceitável e compreensível para mim e a vida continua. E em alguns outros - o que surpreendeu a mim mesma - é que eu não fui gentil nem me apaixonei, mas fui egoísta e desatenciosa. E eu acho que isso não provocou uma sensação bacana na outra pessoa.
Eu acho que pelo menos no meu caso, demorou um pouco para perceber. E depois da conversa com essa colaboradora, achei que fosse relevante escrever um texto sobre isso já que falamos tanto de auto estima e identidade vinculadas a expectativas colocadas em relacionamentos afetivos.
Já recebi cartas de leitoras que me diziam temer (desesperar), não encontrarem namorados ou não casarem, ou serem abandonadas pelos parceiros. É importante entender que vivemos socialmente e a reação negativa ou o abandono de algumas relações que nos são caras nos afeta negativamente. Mas eu sendo eu e estando num momento que almejei desde não-sei-quando na minha vida, percebi que não se trata de homens por homens, como parceiros.
Se trata de como nos vemos e se conseguimos alcançar ou chegar perto, ou ter esperança na concretização de nossos desejos e sonhos mais íntimos.
Se realmente fo(r)mos atrás deles, e se consegui(re)mos ou não alcançar o que no nosso interior nos ajudará a sermos mais nós mesma(o)s. Se trata do sucesso ou insucesso de termos uma vida mais autêntica e condizente com a nossa expectativa existencial, seja esse sucesso ou insucesso baseado na tentativa (concreta) ou na concretização/materialização dessa vida decorrente da tentativa bem sucedida.
O que projetamos em nossos relacionamentos emocionais nos homens (para quem é heterossexual mulher e almeja no momento um namorado ou parceiro afetivo ou para quem é homem homossexual e deseja o mesmo), nas mulheres (para quem é mulher homossexual ou homem heterossexual que deseja um relacionamento), nos pais, nos professores, nos colegas de trabalho, na sociedade, na audiência (para quem é artista ou comunicador(a))... independente do que almejamos conseguir e vivenciar nós-conosco, independente de a sociedade ser amigável ou não no processo que passamos na trajetória para alcançar os nossos objetivos... é um problema nosso. Não que ele não possa ser dividido ou que não possamos demandar (eu acho que DEVEMOS demandar, é a nossa função existencial para sermos benevolentes e respeitoso(a)s conosco) ou que não seremos julgado(a)s pelo resultado, mas quem vive essas dores e essas alegrias somos apenas nós, ninguém vive isso conosco ilimitadamente.
Somos sozinha(o)s com nossos sonhos. De vez em quando há parceria e torcida. De vez em quando não há.
Recebo muitos relatos de mulheres que têm medo do “fracasso” com homens. A dor sempre deverá ser enfrentada. No entanto, eu tenho esperança (e expectativa) de que um dia essas reclamações e medos se transformem em medo do “fracasso” existencial em não ser uma artista suficientemente ousada, uma médica minimamente excepcional, uma cientista esperançosa e incansável, uma profissional bem paga (isso recebi UMA vez), uma escritora reconhecida... uma cineasta com filme.
Porque o que estamos buscando é uma identidade. E homens podem sim nos ajudarem com nossas carências, nos serem bons parceiros, amigos e colegas. Mas eles não podem nos dar o valor e a identidade. Principalmente porque homens heterossexuais sexualmente interessados em mulheres heterossexuais querem fazer sexo, não? Para fazer sexo, é preciso de um corpo que agrade ao outro. Portanto, para o homem é uma questão meramente visual num primeiro momento, que tem a ver com a cultura, instinto e ambiente DELE. Mas isso foi passado como identidade para as mulheres no geral só porque isso de fato tem como resultado uma sociedade mais feliz, mais praticante, mais prazerosa. Homens que gozam são homens mais felizes e seguros, e homens mais seguros são pessoas mais agradáveis.
Mas precisamos nos questionar o que é a nossa identidade, qual é a nossa necessidade existencial individual, se estamos felizes e seguras.
Não podemos todas sermos iguais e termos as mesmas necessidades (agradar sexualmente ao “homem genérico”) em todas as nossas estações, isso seria completamente antinatural.
Simplificar e delegar a própria existência e sonhos, buscar uma vida superficial porque o outro te oferece uma resposta pronta (será que o outro oferece ou temos medo de olhar para dentro de nós?) é, simplesmente, errado. Não tem como sair nada verdadeiro disso.
Tem época da vida que a gente prioriza ser corpo, tem época da vida que a gente prioriza ser cérebro, tem época que poder e dinheiro são benvindos, tem época que só a experiência já é válida, e tem época que queremos apenas viver sem doenças. Não tem certo nem errado, tem o que nós queremos para nós, o que nos torna melhores pessoas conosco para nos relacionarmos como pessoas melhores com os outros.
Então, Dia-de-qualquer-coisa que seja, curtam a parceria, a paixão, a amizade, a fossa, a companhia, a solidão, a carência, o prazer limitado e o ilimitado. Sintam ou não sintam. Mas não se afundem no próprio buraco. É muita energia e identidade perdida, não vale a pena. E é errado. Para nós-conosco existe sim o certo e o errado. Na prática eles mudam, mas para facilitar o processo cabe APENAS A NÓS MESMO(A)S reconhecermos e vivenciarmos da melhor maneira possível. Para isso, precisamos ser bem espertas. O corpo é útil e funcional, mas não basta.
Paula
Idealizadora, coordenadora, curadora, colaboradora e revisora do SNVD. Adoro a presença física e virtual de gente legal e bem intencionada. Fico no pé de todo mundo, não deixo ninguém ir embora e me deixar só com meus dois computadores ligados e o newsfeed do facebook incessantemente me mostrando as piores notícias do mundo. Sou formada em Audiovisual pela ECA (Universidade de São Paulo), pós graduada em Direção de Filmes pela K-Arts (Korea National University Of Arts) e tenho uma produtora chamada Sam Ka Pur filmes. Atuo como cineasta e em diversas outras áreas e ocasiões. www.paulakim.com.br
Marina Kanzian
Me formei em Design pela FAU USP em 2011, onde descobri que o que curto se chama ilustração. Já ilustrei revistas e campanhas, mas sempre ganhei a vida fazendo design gráfico. Atualmente moro na Alemanha, onde estou em busca de novas experiências. www.cargocollective.com/marinakanzian
Fernanda Yanevisk
Típica prolixa sagitariana com ascendente em gêmeos ou leão (a depender do site), não muito fã de esportes, a não ser maratonas de séries. Aspirante a escritora, roteirista, ilustradora e quiçá um dia – com muita fé no desenvolvimento e futuros investimentos nas produções seriadas nacionais – Showrunner! Graduanda em Cinema e Audiovisual (UFRB); apaixonada pela arte e cultura que circunda o universo infanto-juvenil. Alguém que troca de cabelo como quem troca de roupas. Minha vida segue feito um rio que se adapta às curvas e cores cotidianas. Sou o oposto do ateísmo, creio em tudo aquilo que cabe na palavra ‘possibilidade’.
Galileo Giglio
Morei em Minneapolis, Estados Unidos, entre 1997 e 1998. Formado em Arquitetura na FAU-USP, iniciei a carreira como designer e ilustrador, trabalhando por um breve período na agência TBWA\Chiat\Day em Los Angeles. Ao longo dos anos já fui diretor de criação, diretor de filmes e de animação. Em 2003, fundei o Estúdio MOL, onde atualmente sou o produtor executivo dos projetos para TV, internet e cinema. Em 2012, como diretor de animação, criei a abertura da série "Pedro & Bianca" da TV Cultura, vencedora do Emmy Kids International de 2013 de melhor série. www.estudiomol.tv
Sobre andar de bicicleta e o que isso tem a ver com TA
(T) Tainá (I) Internet (D) 25.05.2018
Um dia meu namorado comprou uma bicicleta. Achei legal e resolvi comprar uma também. Há muito eu não fazia exercícios.
Já tinha tentado correr, mas no primeiro sinal de cansaço minha memória fazia questão de me lembrar de todas as vezes que eu me exauri – literalmente – com exercícios compulsivos para perder calorias e automaticamente eu ficava angustiada com a lembrança. E o que é que fosse que eu estivesse fazendo para, apenas me exercitar porque faz bem pra saúde (inclusive mental), perdia completamente a cor.
Então comecei a andar de bicicleta. Não sei se foi o fato de que para andar de bicicleta a gente não precisa ficar tão cansado logo de cara, dá para andar tranquilo, sentir o vento bater no rosto e observar a cidade sem se descuidar do caminho... Só sei que quando dei por mim, estava fazendo exercício de novo. Pode parecer uma bobagem pra você que não teve um transtorno alimentar, ou não foi viciado em exercício com o objetivo de emagrecer, mas pra mim isso foi uma conquista tão grande que até agora eu não consegui expressá-la direito.
Existem vários caminhos legais para se fazer, e eu descobri que a ciclovia que eu só assistia de dentro do carro ou do ônibus pode ser muito útil para se conhecer São Paulo.
Comecei a observar bem mais onde estou passando, e o meio do caminho passou a não ser menos importante que o ponto de chegada. Como a nossa existência é delicada, né?
Eu, que tive durante tanto tempo hábitos autodestrutivos e despreocupados com a fragilidade de minha vida, me pego preocupada em proteger meu corpo. Novamente, isso pode soar estranho pra você que não teve um transtorno alimentar, mas isso também é uma conquista pra mim. Quero voltar viva para casa, e termino meu passeio cansada e feliz ao mesmo tempo.
Outra coisa: como estava há muito tempo sem fazer exercício, meus músculos não estavam lá tão tonificados. E um dos meus maiores medos de voltar a fazer exercícios estava relacionado a possíveis mudanças em meu corpo. Vai que eu começo a gostar de novo de controlar meu tamanho e não consigo parar mais? Não quero nada que me aproxime de recaídas, ainda que me sinta bastante longe delas. Mas quando saio pra andar de bicicleta não tenho tempo nem vontade de ficar controlando quantas pedaladas eu dou.
É mais legal prestar atenção no caminho, sentir a velocidade, parar pra tomar um açaí, uma água de coco, sentar na grama do parque e tirar uma selfie.
Depois, chegar em casa e tomar um banho, colocar uma roupa limpa com a sensação de que sua energia foi bem gasta, na medida certa, sem excessos nem preocupações. E depois de tudo isso, perceber que subir a ladeira para chegar na faculdade ficou mais fácil, e que suas pernas estão mais firmes e torneadas, e sua bunda mais proeminente sem que isso seja um problema. Sim, quem sofre de TA não costuma gostar de nenhum tipo de “ganho”, muito pelo contrário.
E como é bom gostar de ganhar curvas e sentir que, agora sim, você não é mais escrava da aparência, mas aliada da sua saúde.
Tainá
Tenho 21 anos, estou no segundo ano do curso de psicologia. Nasci em São Paulo, numa família grande. Como muitos jovens, tive uma adolescência regada a conflitos dignos de uma garota criada numa sociedade urbana e patriarcal. Já me senti perdida, vagando entre uma série de definições que não me descreviam. Procurei quem eu era nos lugares mais distantes de onde eu verdadeiramente estava. Nessa jornada, estou descobrindo que não preciso estar em nenhum lugar para me encontrar. Preciso apenas caminhar constantemente em direção ao melhor que posso ser.
Saber tudo de tudo, mostrar sempre minhas virtudes, ser linda e agradável aos olhos de todo mundo. Falhas me feriam como navalhas.
Pessoas que aceitavam menos do que a perfeição, as via alternadamente de uma das duas formas: ou eram inferiores, ou eram tão superiores a mim que as mesmas exigências de perfeição simplesmente não podiam se aplicar a elas.
Creio que este era o pensamento mais freqüente. Eu era quem carregava a cruz de ser perfeita ou de alguma forma sofrer a ira dos deuses.
Chegou a vida adulta e com ela as inconsistências do meu modelo teórico. Algumas vezes me esforcei e deu errado. Algumas vezes tratei bem e recebi patada. Algumas vezes passei por experiências que até hoje não compreendo bem: eu, que sempre racionalizei o mundo à minha volta.
Veio a crise e sofri. Chorei. Gritei. Questionei a tudo e a todos e meus propósitos na vida ficaram distantes. Estava cambaleando emocionalmente, mas por sorte tive ajuda. Respirei. Consegui me reerguer.
Comecei a fazer coisas diferentes. Dirigi. Peguei o carro e não me preocupei em acertar tudo de primeira. Não liguei pra grosseria alheia. Criei uma carapaça e fui. Errei. Mas errei muito. Errei feio. Foi ruim na hora, mas superei.
Encarei outros medos, outras situações em que sentia insegurança. Comecei a perceber até certa adrenalina.
De repente eu não era mais a carrasca que me cobrava a perfeição. Eu era a minha própria incentivadora, cumprindo exatamente o papel que antes eu reservava só aos meus amigos.
Ousei e gostei dos resultados. Não era a perfeição, mas eu não era mais paralisada pelo medo. Entre 8 e 80, já conseguia ficar com uns 65.
Toda vez que eu sinto que estou me cobrando a perfeição, tento me lembrar de fazer o possível hoje. Tento me tranqüilizar pensando que a experiência me fará aprender, e da próxima vez poderei fazer melhor, me completando aos pouquinhos. Sei que rio mais, choro mais, sinto mais. Só não sinto saudades do anestesiamento de um mundo perfeito.
Bia
Estudante do último ano da faculdade. Sou sonhadora, apesar de ouvir bastante "você é muito racional...". Apaixonada por livros, filosofia e por línguas estrangeiras. Estou aprendendo a gostar das tecnologias que facilitam a vida, apesar de ainda ser uma usuária resignada do facebook. Fã incondicional dos amigos, especialmente dos mais antigos. Participar disso aqui abre muitos horizontes. Espero poder compartilhar um pouco das minhas experiências e mostrar que todos nós temos algo a "des-distorcer".
Gente grande. Estranho pensar nisso quando já somos.
Passamos uma vida inteira tentando nos firmar como um indivíduo, querendo ser um adulto e esquecendo que essa fase de adolescência passa e não volta mais.
Há algum tempo venho observando e pude concluir que tornamos fantoches de nós mesmos.
Queremos brincar, extravasar, nos divertir e não podemos, ou pior, fazemos isso da pior forma, nos poupando e nos podando em tudo.
Brincadeiras que antes eram somente uma chacota, que ia passando de um para o outro e no final acabavam todos rindo, hoje são chamadas de algo sem limites, feita por pessoas sem filtro.
Uma conversa que tínhamos sobre aquele filme muito bom, ou aquele jogo que saiu para determinado console, já viram lições de moral que falamos para atingir, chamar atenção ou dar um exemplo para o outro.
Sabe aquela conversa que existia sobre a vida?? Não existe mais.
Sabe aqueles passeios que tínhamos sem destino ou até com um destino simples só para estarmos juntos?? Não temos mais.
Sabe aqueles planos que fazíamos de viajar e desvendar o mundo?? Não fazemos mais.
O que vejo hoje em dia são conversas sobre como estão os negócios ou qual o ponto mais alto que quero chegar.
Só falamos de trabalho, de dinheiro...
Sinto peso nas palavras.
Sinto tristeza nas palavras.
Sinto rancor nas palavras.
Sinto falsidade nas palavras.
Não reconheço as pessoas que um dia tive um vínculo.
Hoje as conversas não saem do mesmo jeito que saiam.
Hoje nos estranhamos.
Estamos tão superficiais em nossas relações que não percebemos.
Não estou falando de não termos que ter responsabilidades.
O que estou querendo colocar é que temos que nos permitir a brincar sem levar o peso que as palavras podem ter e nos divertimos.
Sabe por que estou falando isso? Porque hoje somos adultos, assim como ontem éramos crianças e como amanhã seremos velhos, ou seja, hoje somos os sérios que não nos permitimos nada, assim como ontem queríamos ser o que somos hoje, e não sabíamos que era tão chato, e como amanhã iremos olhar para trás e nos arrependermos de tanto tempo que perdemos com coisas que não precisavam tanto do nosso tempo, que para o sorriso que poderíamos ter dado naquele momento preferimos fechar a cara e tratar a situação como algo sério, sem ser.
Enfim. Temos que ser uma mistura dos adultos de hoje, das crianças de ontem e dos velhos de amanhã, dosando com conta gotas as nossas ações.
Pensei que iria utilizar este espaço para escrever algo mais formal, mas sinto a necessidade de esvaziar o que tenho aqui dentro do peito.
Tem dias que me sinto tão cheio que ao transbordar, a água não só molha a mesa, mas também gera um tsunami, carregando e arrastando tudo por onde passa.
E tem dias em que há guerras tanto externas que te machucam por fora, te fazem sangrar, te matam, o corpo cai inerte e alma segue o rumo que se deve seguir; quanto às internas que te machucam por dentro, te fazem sangrar na forma de sentimento e te matam intimamente fazendo com que o corpo nem sempre caia, mas continue a viver mesmo estando morto por dentro.
Sinto-me nesses dias como a fronte de uma guerra. Guerra essa que ninguém consegue enxergar, pois ela acontece em um lugar que ninguém vê. Posso não parecer um guerreiro, mas as guerras internas muitas vezes são piores que as externas, nos tornando guerreiros de nossas próprias lutas e encontrando um inimigo implacável, nós mesmos.
E há inimigo pior que nós mesmos??
Creio que não.
Teve épocas que eu pensava que estivesse ficando louco, mas cheguei à conclusão que a loucura abre a nossa mente para ver a verdadeira realidade das coisas. Quando estivermos caindo na loucura o melhor é mergulhar e ir bem fundo ao invés de tentarmos nadar por realidades utópicas de uma vida insana.
Queremos sempre que as coisas mudem, que as pessoas nos enxerguem, que um grande amor aconteça. Creio que o nosso maior erro é “querer” ao invés de “fazer”. Como obter resultados diferentes se têm as mesmas atitudes? Como encontrar uma camisa diferente se a procuramos sempre na mesma gaveta?
Conselhos ótimos, mas que não me coloca como executor. Tipo aquele ditado: ”Casa de ferreiro, espeto de pau”.
As coisas acontecem e com o tempo vão se arrumando. Ou há coisa mais majestosa que o Tempo para conseguir arrumar tudo? Só espero que o Tempo não me arraste com ele me tornando refém das minhas próprias amarras, que ao chegar a seus desgastes eu as consiga arrancar e perceber que não tenho mais o porquê lutar ou forças para isso, mas enquanto isso não acontece eu vou correndo e lutando todas as guerras que eu conseguir, por que me entregar não irei.
O tempo não para, diz Cazuza...
Carregando o Ofá e o Alfange de meus pais irei lutar e vencer. Mesmo que eu caia, levantarei com a fúria de um Gladiador.
A aversão intensa, o medo motivado, a raiva ou injúria sofrida por algo ou alguém, gera ódio.
Odiar é tão comum hoje em dia que as pessoas nem sabem o porquê odeiam, simplesmente odeiam.
O ódio nos deixa cegos, descaracteriza movimentos, transforma o oprimido em opressor e a vingança em justiça, por achar que o outro tem culpa parcial ou total de algo.
O ódio tem sido tão comum ultimamente, tantas pessoas com rancor, o que será de nós no futuro? Cachorros correndo atrás do próprio rabo ou feras raivosas que não conseguem conviver com o próximo?
Odiar é tão pesado que me pergunto até quando conseguiremos carregá-lo?