A Kiss With A Fist Is Better Than None - Theo & Mel
theodoref:
Um sorriso surgiu nos seus lábios tão inconscientemente que ele duvidou que a informação tinha sido enviada para o cérebro. Sua própria mente parecia estar boicotando-o quando estava perto da garota. Ficava mais confuso do que realmente era, mais irritado, mais arrisco. Como se tudo que sentisse fosse triplicado quando estava perto dela. E então triplicado mais uma vez quando ela o tocava. Tinha quase o mesmo efeito do álcool em suas veias, mas seu corpo havia criado certa resistência a bebida. Com ela, era um caso diferente. Não tinha anos de prática, não sabia lidar com ela. Provavelmente, nunca aprenderia a lidar com ela, e isso o incomodava. Não fazia sentido, é claro. Se algo o incomodava, ele deveria se afastar. Era um conhecimento básico, estupida e irritantemente óbvio. Era a melhor coisa a se fazer. Ao invés disso, ele se aproximava. Ia atrás, e pensava nela mais do que gostaria admitir, mais do que jamais admitiria para qualquer um.
As palavras da garota quebraram qualquer linha de pensamento antes estabelecida em sua cabeça. Primeiro piscou algumas vezes, em choque, ambas de suas sobrancelhas se erguendo em uma pergunta silenciosa. Logo em seguida, sua expressão se suavizou, um sorriso formado apenas pelo canto do lábio aparecendo em seu rosto, em deboche. Fora seu primeiro beijo, e a ideia lhe parecia tão mortalmente absurda que ele quase soltou uma risada. Era uma ideia abstrata demais, que alguém como ela nunca tivesse beijado antes. Talvez ela fosse mais estranha do que ele já a considerava. Ignorou a sensação boa de orgulho que se espalhou por seu peito ao descobrir que os lábios dela nunca haviam encostado outros fora os seus. “Primeiro? Quer dizer que você é…?” perguntou, deixando o resto da pergunta no ar, mas sabendo que ela ia entender. Seus percorreram o torso da garota, parando em sua cintura.
Diminuiu o aperto da mão contra a boca, sentindo o sangue se concentrando na parte superior do seu corpo. Não duvidava que estivesse completamente vermelha. Ela, aliás, tinha plena certeza que se puxasse a gola do suéter para frente, perceberia que até seu colo estaria em chamas. A embaraçamento mal sendo contido dentro de si.
Desviou os olhos dele com a pergunta implícita, logo em seguida movendo as pequenas mãos para tampar o máximo que conseguia da parte do seu corpo que recebia a atenção de Theo. Seus dedos lutavam entre si, sinal claro de ansiedade, perturbação. A inquietude demonstrando o quão confusa ela estava. Não sabia lidar com aquilo. Filho da puta. Presunçoso. Filho da puta.
Mas vestiu sua armadura novamente. Dando dois passos pra frente antes de voltar a olhá-lo nos olhos, sugando a própria atenção do garoto de volta para seu rosto. Moveu os lábios lentamente, uma mania que ela já sabia que o deixava completamente desnorteado. Formou as palavras na ponta da língua, que umedeceu suavemente os lábios antes de responder. O tom de deboche, as palavras inquisitórias e a pose dominante nem trepidaram. Ela estava de volta ao comando.
"Quer dizer que eu sou o quê, Theo? Virgem? É isso que você quer saber?" Sorriu de forma inocente, sincera, demonstrando uma pequena rachadura em sua pesada armadura. "Você vai ter que me dizer o que você quer, entende? O que você quer de mim?"


















