“Existe um conceito chamado autonomia corporal. É de forma geral considerado um direito humano. Autonomia corporal significa que uma pessoa tem controle sobre quem ou o quê usa o seu corpo, para quê, e por quanto tempo. É por isso que ninguém pode te forçar a doar sangue, tecidos, ou órgãos. Mesmo depois da sua morte. Mesmo se você salvaria outras 20 vidas. É o motivo porque outra pessoa não pode te tocar, ou fazer sexo com você, ou usar seu corpo de qualquer maneira que não tenha o seu consentimento contínuo. Um feto está usando as partes do corpo de alguém. Logo, sob a autonomia corporal, está lá por permissão, e não por direito. O feto necessita do consentimento contínuo da pessoa. Se a pessoa se negar, e deixar de consentir, a pessoa gestante tem o direito de removê-lo a qualquer momento. Um feto é igual, neste sentido, porque se eu precisar de uma parte do corpo de outra pessoa, ela também pode legalmente me negar esse uso. Ao dizer que um feto tem o direito à partes do corpo de alguém até seu nascimento, sem considerar o que a pessoa gestante quer, você está fazendo duas coisas: 1. Você está dando a um feto mais direitos ao corpo de outra pessoa do que qualquer pessoa nascida tem. 2. Você está definindo que uma pessoa gestante tem menos direitos que um cadáver.”