vec mes pieds sous l'eau | Dom & Vic
Victoire acordou mais cedo do que era recomendado para alguém que deveria estar de férias. Mas a verdade é que ela já não se sentia mais assim. Ela ainda de férias e estava na casa de sua avó; o lugar ainda era lindo; todos os seus primos estavam ali; ela havia tido a ideia; mas agora lhe parecia uma ideia um tanto absurda. Ela não estava em clima de férias. Tudo que Vic queria era poder ocupar sua mente com alguma coisa, mas aquela casa fora escolhida justamente para que eles não tivessem com o que se ocupar. “Muito irônico não?”
Talvez ela devesse ir até à cidade. Não era tão longe assim e lá ela poderia passear, fazer algumas compras… Ela tinha certeza de que iria se distrair, mas Vic não sentia nem ânimo para algo assim. Porém ela não queria ficar o dia todo na cama, pois sentia que se ficasse enrolando para sair dali, era bem provável que passasse todos os dias enfiada no colchão e Victoire não queria isso; não queria porque ficar deitada na cama, olhando para nada lhe trazia lembranças que ela estava tentando esquecer e ela sabia que aquilo não era nem um pouco saudável. “Urgh!" De maneira impaciente ela jogou as cobertas para o lado e se levantou. Menos de vinte minutos depois ela estava descendo as escadas de roupa trocada e banho tomado. Tudo estava em absoluto silêncio e Vic tinha certeza de que todos os membros daquela residência estavam dormindo. Pelo menos eles tinham sono para isso. Vic os invejava. Ela se aproximou da janela da sala e viu que o sol lá fora já estava mais forte do que o esperado. Vic não sabia exatamente que horas eram, mas isso não era importante naquele momento. Ela cogitou a ideia de fazer um café da manhã quando algo no deck chamou sua atenção. Parecia ser alguém… Será que tinha alguém acordada?
Vic abriu a porta da cozinha e saiu; após dar alguns passos, ela percebeu que não era apenas uma pessoa qualquer, era Dominique. Dom! Naquele momento Vic sentiu um aperto no peito. Saudades. À medida em que foram crescendo, elas foram se distanciando, Victoire teve plena noção disso, mas nada que a irmã fizesse para tentar afastá-la iria fazer a mais velha deixar de amá-la ou aceitar aquele espaço que a outra decidia impor entre elas. E jamais aceitaria. Victoire apertou o passo e poucos instantes depois ela já estava perto da irmã que encontrava-se deitada no deck, os pés dentro d’água e os olhos fechados. Para Vic, sua irmã ainda parecia ter 8 anos, uma garotinha alegre, sorridente e que amava sua irmã. – Olha que resolveu aparecer. – ela disse com um sorriso nos lábios e sentou-se próximo à irmã. – Senti sua falta, Dom.
Não, não, não, não, não. De todas as pessoas naquela casa, a primeira a encontrar Dominique tinha que ser logo Victorie?!
Mesmo que no fundo já tivesse admitido a si mesma que sentia falta da irmã, o orgulho de Dominique nunca deixaria que a garota admitisse em voz alta. Há mais de um ano não via a irmã e realmente, não havia um motivo concreto para Dominique não querer falar com Victorie, além, é claro, do fato de que a mais velha provavelmente iria de uma forma ou de outra, esfregar na cara de Dominique o quão “fracassada” ela é em comparação à Vic.
Dominique cogitou fingir que ainda estava dormindo, mas anos de convivência a ensinaram o quão persistente Victorie pode ser. Ainda de olhos fechados, Dominique resmungou “Eu não.”. Victorie não precisa saber que a irmã está mentindo, certo?! Afinal, mentir é uma das poucas coisas que Dominique sabe fazer bem.
Abriu os olhos aos poucos, tentando se acostumar com a claridade do sol - se chutou mentalmente por ter esquecido os óculos de sol na bolsa - e sentou-se. Da maneira que estava, ficou lado a lado com Victorie. Virou o rosto para olhar para a irmã e quase sorriu.
Depois de um ano convivendo com pessoas aletórias e ocasionalmente com um dos tios, era um alívio ver um rosto conhecido, alguém com quem Dominique passou a maior parte da infância, mesmo que esse alguém fosse a irmã.
Se aprendeu alguma coisa no último ano, foi que, um dos maiores erros que Dominique já cometeu foi deixar que a influência da mãe a afastasse de Victorie. Mas não importava, de qualquer maneira. Há anos as duas não tinham uma conversa que não virasse uma discussão e Dominique jamais admitiria que sente saudade da irmã.
“Já estou me arrependendo de ter vindo.” Disse à Victorie, como forma de cumprimento, com o sorriso mais sarcástico possível estampado no rosto.














