Esta é a história da Donzela Marian Fitzwalter. Com seus 29 anos de idade, ela faz parte do conto de fadas Robin Hood, e já foi descrita por vários como corajosa, independente, leal e persistente, mas também como teimosa, ingênua, impulsiva e sarcástica.
Quer dizer, até a morte de seus pais.
Nascida em berço de ouro, a Donzela Marian Fitzwalter cresceu como a típica nobre. Vivendo sua vida inteira dentro de um castelo, suas maiores preocupações eram qual vestido usar no próximo baile e quem seria o melhor pretendente para se casar.
Levados por uma doença que afetou toda Nottingham e matou várias pessoas, aos 16 anos foi deixada aos cuidados de sua dama-de-companhia Bess, que se tornou como uma segunda mãe para a moça, e seu tio Rei Richard, que também tinha perdido sua esposa, tia materna de Marian. Um ao outro era tudo que eles tinham.
Crescendo sob o reinado pacífico e próspero de seu tio, Marian continuou desfrutando da vida na corte, entretanto, começou a perceber o quão vazia ela realmente era.
Depois de Richard sair em uma jornada e ser sequestrado por um reino inimigo, seu irmão, Príncipe John, usurpou o seu trono e se tornou Rei. Com a desculpa de arrecadar fundos para o resgate de Richard, Rei John começou a cobrar impostos exorbitantes dos seus súditos, resultando em violência e encarceramento caso alguém se negasse ou não tivesse o dinheiro exigido.
O sofrimento do povo se tornou algo que Marian não podia mais ignorar. Finalmente olhando para fora das paredes do castelo, a injustiça fazia o sangue da Donzela ferver, porém, sozinha não havia nada que pudesse fazer.
Acabou em Tão Tão Distante ao acompanhar Rei John numa visita ao Rei Rumpelstiltskin, para lhe entregar parte dos impostos.
Passando pela Floresta Proibida, foram parados e roubados por Robin Hood e seus homens. No primeiro momento, Marian os desprezou por serem ladrões, mas, acabou mudando de ideia ao perceber o bem que verdadeiramente estavam fazendo ao povo.
Foi assim que decidiu voltar a Floresta. Disfarçada de camponesa, revelou sua identidade apenas a Robin e seus companheiros, e ofereceu a eles suas habilidades com o arco e a espada para ajudar no combate a tirania.
A quem pertence sua lealdade?
Neutro.
Mais alguma coisa?
Num golpe de sorte por estar disfarçada como Scotchman, sua identidade alternativa, Marian não foi reconhecida e se tornou procurada como o resto do bando, então, decidiu usar seu status de nobre e herdeira para continuar espionando as várias cortes junto com Bess. As vezes vai a Floresta Proibida para passar informações.
"Shhhhhhh!," Scotchman falou o mais baixo possível, tentando fazer com que o outro ficasse quieto. Olhando atentamente para o alvo, ela segurou sua respiração, temendo que tivessem sido notados. Quando ficou claro que não, ela continuou sussurando: "Não sei se você sabe, mas o objetivo de uma tocaia é ninguém saber que estamos aqui."
Era nos becos escuros de Tão Tão Distante que Hook geralmente fazia negócios, especialmente empréstimos de dinheiro como o que estava fazendo agora. - Sabe o que acontece se não pagar. - foi só o que disse antes de entregar o dinheiro para o homem que havia lhe pedido. No instante em que saía para as ruas, deu de cara com MUSE que passava por ali, aparentemente só andando mesmo, mas Hook precisava garantir que suas coisas ficariam bem. - Pegando algum atalho? Se eu fosse você, não viria por aqui, é bem perigoso essa hora. - o tom de voz descontraído, nem um pouco culpado ou que mostrava que ele estava fazendo algo ilícito minutos atrás.
Andando por aquelas ruas familiares, Marian percebeu que não importava qual máscara usasse - sejam vestidos de alta costura e jóias, ou roupas verdes e capuzes - o sentimento de inquietação, de olhos seguindo todos os seus movimentos, a consumia do mesmo jeito ao entrar ali. Talvez fosse o ar do lugar, ou talvez fosse os seus indivíduos nem um pouco bonzinhos. Definitivamente eram os dois, mas, não havia ocasião melhor de reforçar sua personagem mimada e ingênua, e de descobrir alguns podres. Caminhando encolhida, segurando a bolsa num aperto forte próximo ao corpo, olhando para todos os cantos dando a impressão de terror, a ruiva acabou esbarrando no Capitão Hook. Dando um pulinho de susto, ela fez seu melhor para deixar a voz trêmula. "E-eu acho que entrei na rua errada. Vim me encontrar com uma amiga num restaurante perto daqui, você sabe onde fica?".
💙: my muse seeing your muse has fallen asleep on/against them.
Não fazia mais ideia de quanto tempo estavam escondidas, escutando e esperando que os guardas achassem que as tivessem perdido e fossem procurar em outro lugar. Marian, não, Scotchman se distraiu focando em controlar sua respiração, a deixando a mais silenciosa possível, e também bisbilhotando a conversa dos guardas (aparentemente a situação de trabalho deles não era a das melhores, ela não ficou nem um pouco surpresa ao ouvir que não tinham nem plano dentário). Assim que o último passo foi ouvido, Scotchman esperou mais um tempo até que desse a situação finalmente como segura. Respirando fundo, virou-se para a pessoa ao seu lado e se surpreendeu a achar Kitty dormindo. Observando o quão tranquila a outra parecia, se mexeu apenas para ficar em uma posição confortável, sem mais pressa de sair daquele lugar.
“How many times are you going to do that, exactly?”
"Quantas vezes for necessário até ficar perfeito." Marian levou o papel para bem perto dos olhos, examinando minuciosamente a assinatura falsa que acabara de copiar, procurando por qualquer vestígio de imperfeição ou discrepância. "Forjar é uma arte, meu caro."
❝ Não pode fumar cannabis sativa, não pode ouvir musica muito alta no fone de ouvido, não pode ameaçar ninguém com uma faca, não pode fazer nada... Que saco. ❞
"Essas duas primeiras coisas você consegue fazer, se der um jeitinho. Mas a terceira é... meio complicada," Marian tossiu. "Quem você quer ameaçar com uma faca? Só por curiosidade."
The past always bite back e Will conseguia provar com aquela sucessão de acontecimentos. Cego pela excitação provocada pelo retorno do batedor, a trupe toda pronta para abater o mais novo alvo, Will não via a hora de se colocar em ação. Pronto. Pronto. Com tudo pronto para dar certo e faturar uma bolada, mas... Ele se via afastando do grupo animado horas depois, incerto de que caminho pegar para se aproximar dela. Foi tarde demais que reconheceu o brasão decorado na carruagem, e ainda mais caótico quando seus olhares cruzaram. Ela deveria tê-lo reconhecido, merda. "Agora não adianta mais, Fitzwillian." Motivou-se baixinho, os ombros girando e a personalidade libertina caindo sobre tal qual uma luva. Seus passos demonstravam confiança excessiva, assim como o arco do sorriso convidava aquele temperamento arisco da mulher. "Eu venho em paz, nobre dama. Em paz e em pedido de perdão." Sentou-se em frente com uma faca nas mãos, a lâmina passando entre os dedos enquanto, sim, brincava. "Veja, não é pessoal. De verdade, não foi ataque a você ou aos seus. Quer dizer, talvez aos seus, porque... Até onde eu lembro... A senhorita nunca foi simpática comigo quando frequentávamos as mesmas festas." Era melhor se expor assim, nos seus termos, antes que ela desse com a língua nos dentes e estragasse seus disfarce entre os Merry Men. "Tem alguns anos, claro, mas o charme continua o mesmo, não?"
"Fitzwillian," Marian reconheceu, tombando a cabeça para o lado. Memórias de banquetes e festas repletas de grandeza passaram como um filme em sua cabeça, e agora elas pareciam fazer parte da vida de outra pessoa. Esse sentimento provavelmente é algo com que ele consegue se identificar, a ruiva pensou, levando em consideração o predicamento atual dos dois. "Você desapareceu! Ninguém ficou sabendo o que aconteceu com você, fiquei preocupada." Mentira, (bem, parte de sua fala é mentira) todo mundo ficou sabendo o que aconteceu com Fitzwillian Scatheloke. Ou melhor dizendo, todo mundo ficou sabendo a história por cima: futuro brilhante destruído por um assassinato, seguido de um exílio. Quando ficou sabendo da notícia, Marian achou que nunca mais o veria, por isso não acreditou que era ele mesmo ao cruzarem olhares há pouco na carruagem. Fitando a faca em movimento, as suas mãos se contraíram novamente, até que um barulho abafado a tirou do transe. Arrastando os olhos para o lado contrário da floresta, a ruiva viu John com um pano na boca e tremendo como uma folha. Onde estáva o monarca desalmado que aterrorizou toda Nottingham agora? Patético. "Você usa esse charme em todas as pessoas indefesas que você rouba, ou eu sou especial?," ela provocou, e decidiu encarar Fitzwillian nos olhos, numa tentativa de fazê-lo prestar atenção no que diria a seguir. "Quando voltar para casa e o povo faminto me implorar por comida, vou fazer questão de explicar que vocês 'pedem perdão' e que 'não foi nada pessoal'."
A Floresta Proibida estava movimentada naquele dia. Além dos barulhos dos animais que ali perto viviam, também era possível ouvir conversas animadas e o característico som de moedas de ouro. Exceto por Marian, cuja raiva estava fazendo seu ouvido zunir e nenhum ruído passar por sua mandíbula apertada. Ela não podia fazer nada além de assistir o dinheiro de seu povo sendo roubado, de novo. Primeiro por John, depois por Rumpelstiltskin (entregue de bandeja, para falar a verdade), e agora por esses ladrõezinhos. Ao perceber @paint-itscarlet se aproximando, cerrou os seus punhos, que estavam amarrados por cordas. "E o que você quer?," Marian cuspiu. Não é muito inteligente afrontar um de seus sequestradores mas, ela já não se importava. "Já não pegou o suficiente?."
Marian adora acessorizar. Dependendo do dia da semana, ela pode ser vista com os mais diversos brincos, anéis e bolsas, mas só uma coisa continua a mesma: uma gargantilha de veludo. Presente de seus pais no seu aniversário de 16 anos, foi a última coisa que ganhou deles antes da doença os levar, junto com uma boa parte do reino. Visto como um jeito de mantê-los próximos de si, ela praticamente não tira a gargantilha do pescoço (nem quando está com os Merry Men, decidindo a esconder por debaixo das roupas), apenas para tomar banho e dormir, que é quando ela a guarda num porta-joias escondido dentro de seu closet.