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“Eu? E por que é que o assassino escolheria a mim?”
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cuidado.. pode acabar sendo o próximo
“Eu? E por que é que o assassino escolheria a mim?”
i don’t give a fuck, anyways | o p e n
Encostou-se no sofá velho, levou as mãos até a nuca, os pés em cima da mesa, e encarou a TV desligada. Não aguentava mais liga-la e ver sempre a mesma coisa: Blue Murderer faz uma nova vítima. Que tipo de cidade era essa que sabia apenas dar notícias trágicas? Tirando a parte de que nunca era notícia nova, nunca era pista nova. Sempre as mesmas coisas, as mesmas pistas, e o prefeito com um sorriso enorme e falso no rosto, afirmando que eles estavam perto de desvendar o caso todo. “Perto uma ova.” Revirou os olhos, antes de chacoalhar a cabeça e rir, pensando na ‘tarefa’ estúpida que o tal do assassino havia passado pra cidade. Eram mesmo um rebanho, que seguiam ordens de um louco qualquer. Mas e ele? Ele estava indiferente àquilo tudo. Realmente não se importava com quem morreria ou não; ou se importava? Dissociar não é nada bom, Levesque.
Por fim, soltou o ar rapidamente, entediado, e caminhou até seu quarto escuro, buscando apenas uma jaqueta de couro e a jogando nos ombros. Trancou os cadeados do número 213, jogou as chaves no bolso e, assoviando uma música qualquer, começou seu caminho em direção ao ponto de ônibus. Não tinha a mínima vontade de chegar a Rosefield antes que tudo estivesse limpo; não tinha vontade de ver o sangue de outra pessoa, e não tinha vontade de seguir as ordens de alguém que não conhecia, mas mesmo assim, menos de 20 minutos depois, viu-se adentrando a faculdade, juntamente com uma multidão de mais ou menos 20 pessoas. Buscou um cigarro no bolso, o colocou entre os lábios e tateou os bolsos a procura de um isqueiro, e foi então que percebeu que esquecera o seu em casa. Revirou os olhos azuis, e cutucou a pessoa que estava a sua frente, sem nem ver quem era. “Tem um isqueiro pra me emprestar?”
Tem alguém aí?
“Ah, não... Sou só eu mesmo. Quer dizer, o bar ainda está fechado. Tem certeza de que está no lugar certo?”
wir sind allein | dennis x keith
Desde que abrira os olhos naquele dia em questão, vira-se diante de um caos; de fácil entendimento e resolução, mas ainda assim, um caos. Não falo sobre tintas espalhadas por seu corpo, pelo fato de ter acordado distante de seu trailer ou de ter alguns de seus discípulos juntos de si, isso é comum naquele lugar, na vida daquele homem; desejava apenas um bom banho e quem sabe um bom café se aquele fosse o seu dia de sorte, mas ao ser abordado por gritos de ‘finalmente’ e ‘temos de escondê-lo’, vira que estava longe de qualquer paz. Sem ser capaz de compreender o que acontecia, pedira paciência e serenidade aos que lhe puxavam para dentro de seu trailer, beijando-lhes antes de permiti-los se pronunciar novamente, porém o espanto daqueles não se expressava através de palavras orais e sim da matéria do jornal de Ashgates. Não era o tipo especial de atenção que desejava, sem dúvida alguma, porém expressava uma paz interior digna de inveja; os olhos castanhos permaneciam idênticos, distantes, porém sempre atentos; havia um sorriso no canto de sua boca e falas inspiradoras à quem delas precisassem; havia a calma de um ser manipulador e a confiança que apenas ele seria capaz de transpirar em tal situação. Quantas vezes já passara por situações parecidas? Já não havia qualquer ansiedade ou medo correndo em suas veias; desconhecera tais sensações anos antes, apenas movia-lhe a excitação, a vontade de jogar com o tal Blue Murder que parecera planejar para lhe fazer de peão daquela vez, mas não era como o Vaughan deixaria a partida terminar. Há sempre sua vez de mover as peças e ele saberia esperar. Ao menos daquela vez.
O fim de tarde caía sobre aqueles céus tempestuosos e pouco lhe estranhava que as autoridades de Ashgates não investiram contra sua persona ou contra qualquer um dos seus até então; mesmo com seu nome estampado como principal suspeito da garotinha de cabelos róseos que morrera loira, quanta ironia. Permanecera sentado sobre um dos galhos de uma das mais velhas árvores da cidade que acontecia de estar próxima de seu trailer por boa parte do dia, as vestes folgadas apesar do clima frio e os músculos relaxados enquanto observava o vazio; apenas isso que o homem temia. A tranquilidade, o silêncio… Chegara a gritar alguém para que colocassem música e que animassem aquele local como deveria ser, porém uma outra voz o interrompeu. Não tratava de ser quem ele esperava, porém não fora menos agradável. Reconheceria aquela voz há distâncias e o intimismo em usar apenas seu sobrenome, talvez uma ousadia pessoal se preferir, não o faria errar em seu palpite. Uma situação inesperada, é claro, mas não menos satisfatória; sabendo que Dennis estava ali não para acusá-lo ou por acreditar no que diziam os jornais sensacionalistas da cidade aquela manhã, usar-se disto apenas o faria ganhar tempo até que o verdadeiro motivo ganhasse cores, já quase podia sentir o gosto do momento, de qualquer forma. Descera da árvore com seu típico sorriso, o cigarro abandonado entre os passos que levaram-no até próximo do outro, respirando fundo. Ajeitara os cabelos castanhos e movera os braços, sempre tão envolvido por gestos em suas falas, seu tom de voz em um misto perfeitamente equilibrado entre seu sarcasmo e sua agressividade ao se pronunciar. “Levesque! Veio presenciar minha suposta desgraça? Um tanto cedo, se quer saber. Temos de plantar a semente na mente de todos um pouco mais antes, hm?”
Tinha consciência de tudo o que ouvira durante o caminho pelo centro de Ashgates; todos os cochichos, os rumores, as teorias, e as acusações. Os assassinatos em Rosefield não chegaram a lhe causar tanto incomodo quanto aquele. Primeiro, a garota em questão conhecera Levesque não muito antes do ocorrido, o que, com certeza, causou certa tristeza no loiro. Era a perda de alguém, no fim das contas, mas naquele caso, Levesque sabia que a culpa não era, e nunca seria dele. Passou então a ter aquele leve sentimento de perda, de quando um colega distante de classe sai da escola, mas você não sente tanta falta assim; apenas sabe que ele não está ali. Chegou a se sentir insensível por isso, mas ah... Ele não era, e sabia disso. Aquilo era a vida, só isso. Você ganha e perde pessoas, de um dia pro outro. Não poderia sofrer tanto por alguém que trocou apenas algumas palavras com ele, seria até ofensa para os mais próximos dela. Mas então, quando começou a superar aquela situação, o rumor o atingiu com força: Keith Vaughan estava sendo acusado por todos de ser o Blue Murderer.
Não conseguia acreditar naquilo. Na verdade não podia. Quer dizer, ele sabia que era impossível conhecer Keith em um todo, cada pedaço escuro de sua alma, mas gostava de pensar que conhecia pelo menos a ponto de saber que ele tinha uma mente um tanto quanto... Escura, mas que matar? Não, Vaughan não faria isso. Fez seu caminho até o mais baixo, parando a alguns passos de distancia e cruzando os braços sobre o peito, encarando o outro homem, e dando uns segundos de silêncio até que começasse a falar. “Não vim falar sobre isso. Mesmo sabendo que você usaria essa fama a seu favor, Vaughan.” Disse, ríspido. Realmente, não era um dia bom para Levesque, e ele queria apenas resolver o assunto o mais rápido que pudesse e ir embora. Estar na presença de Keith lhe causava desconforto; não por que não gostasse, mas por que odiava o fato de que o moreno lhe proporcionava sentimentos que nem mesmo Dennis poderia explicar, além de muita confusão. “Nós temos assuntos a tratar. Zach não está aqui, somos só nós, e você me deve explicações.” Disse, antes de morder a parte de dentro da bochecha. “Por que, Vaughan? Quer dizer, eu tenho certeza de que não foi por ciumes que disse tudo aquilo pro Zach. Seja sincero, ao menos uma vez na sua vida.”
Você devia deixar de ser tão ranzinza, parar de pensar nas consequências e apenas fazer, pensar em tudo atrapalha a emoção de tudo. É ótimo, testa e depois me diz o que achou. Depende do que você rotula como vida normal, pra mim é vida normal…eu vou pra faculdade, volto pro trailer aonde ficamos resenhando juntos e as vezes saímos em busca de novos membros, tem sido um sucesso. Eu não sou perigosa, é outra coisa que depende do seu rótulo também. O que você tem sentido? Dependendo do que for, eu não posso te dar ou posso de outras maneiras.
“Não pensar também atrapalha. Quer dizer, não são vocês mesmo que dizem que entendem bem mais do que nós, meros mortais?” Riu. “Quem sabe um dia, talvez. Então essa é sua vida normal? Quer dizer, ela não é quase tão medíocre e ordinária quanto a minha? Okay, claro, não é perigosa. Não duvido nada que você tem um canivete escondido embaixo da calça, pro caso de alguém tentar alguma coisa. Bom... Na verdade, não é realmente pra mim... Mas, eu tenho tido um pouco de dificuldade de dormir, com tudo isso acontecendo. Beber resolve, mas, sei lá, eu posso tentar coisas novas.”
O meu está quase acabando.
“Juro que não vou acabar com ele.” Disse, dando dois passos para mais perto da moça, e abaixando seu rosto até que a ponta de seu cigarro encostasse no dela. “Valeu.”
fionamariegallagher:
Eu pessoalmente acho aconselhável todo mundo sair com algum objeto pra se defender, não podemos perder mais ninguém na cidade. E se ele te pegar, eu juro que mato o desgraçado.
“Obrigado, Fiona. É bom saber que, depois de tudo o que vem acontecendo, eu ainda tenho você.”
Oh, certo, esqueci de me apresentar… Que grosseiro da minha parte!
Sou Benjamin. Benjamin Buttler. E você seria…?
“Sem problemas, eu é que sou esquecido. Sou Dennis Levesque, mas apenas Dennis está ótimo. Muito prazer, Benjamin. Posso chamar de Ben?”
Como consigo perder de vista um cachorro tão grande? Devo ser especial.
“Com outras coisas mais importantes para olhar, até eu perderia.”
Dennis…eu só preciso usar o banheiro, por favor me deixa entrar.
“Sem problemas, Faith, só mantenha em segredo. Se meu chefe descobrir que estou abrindo exceções.”
Mas… não tem como ao menos liberar alguma bebida forte para mim? Sabe… Tá horrível. Minha melhor amiga… Ela… bem, você já deve saber.
Só uma bebida, pago o dobro se precisar.
“Ei, rapaz. Sem problemas, entre, venha.”
“Sinto muito sobre a Andrea, de verdade. Essa é por minha conta, ok?”
Olá Ashgates!
“Olá, senhor... Me desculpe, acho que não me lembro do seu nome.”
“Ah... Oi, desculpa, mas você pode me emprestar o isqueiro? O meu não está funcionando...”
murders are never perfect. chloe and {one}
– Parece que ele atacou outra vez. – a loira tinha um jornal em frente a face. Estava sentada em um dos bancos que dava para o balcão do bar do Gunnie’s. A manchete da primeira página lhe chamara a atenção. “The blue murder attacks again”. – A manchete não é tão criativa, mas a matéria foi bem escrita. – comentou alto enquanto passava os olhos mais uma vez pelo papel acinzentado. Um longo suspiro foi dado e ela enfim guardou o jornal ao lado do copo de uísque que tinha pedido há alguns minutos. Uma música agradável tocava ao fundo, mas ela não conseguia ao certo descobrir qual era. A atenção ainda estava no jornal.
Não tinha medo do assassino, não ficava impressionada como a maioria dos habitantes dali, afinal vira várias notícias sobre serial killers durante a morada em New York, mas a curiosidade era um sentimento presente. Que ser humano não era domado por sua curiosidade? A loira queria conversar sobre aquilo com alguém, mesmo que qualquer um ali pudesse ser o assassino. Ela queria socializar, queria discutir, trocar ideias. E foi isso que a fez girar o banquinho para a pessoa que estava ao seu lado e abrir um largo sorriso enquanto balançava levemente o copo de uísque e gelo. – Você desconfia de alguém? – perguntou na lata. Talvez, só talvez, o álcool do terceiro copo já estivesse fazendo efeito.
“Pois é...” Fez que sim, enchendo o copo da jovem, e se encostando no balcão, passando os olhos pelo jornal também, e prestando atenção na loira a sua frente. Levesque buscou outro copo em baixo do balcão e encheu de whiskey, soltou um longo suspiro e bebeu um gole. O conteúdo desceu queimando por sua garganta; doce alívio. Todas aquelas notícias correndo sobre o novo assassinato o deixavam nervoso. Muito nervoso. Conhecera a jovem assassinada; não podia dizer que se conheceram muito bem, mas, Dennis sentiria falta mesmo assim. Viajara tanto, por tantos lugares, e veio parar justo em uma cidade com um serial killer. Ótimo, Levesque, realmente ótimo.
Olhou no relógio, seu turno acabara, então caminhou até o outro lado do balcão e se sentou logo ao lado da loira. Precisava tirar a atenção dos acontecimentos recentes entre ele, Zach e Keith. Oras, deveria parar de pensar apenas naquilo. Deu outro longo gole, e acenou para seu colega de trabalho, que logo veio encher seu copo. Olhou para a moça e pensou na pergunta. Será que ele desconfiava? A verdade era que Levesque desconfiava de quase todos. Era uma cidade estranha, com gente estranha. Ele podia estar debaixo do mesmo teto do assassino de Andrea, sem saber de nada. Deu de ombros. “Eu realmente não sei. Ouvi o pessoal falando sobre o Vaughan. Mas, sinceramente, não acho que seja ele. Talvez... Bom, talvez aquele...” Parou, antes de rir fraco. “Desconfio de basicamente todo mundo.”
Então quer dizer que você veio mesmo? Pensei que não tinha medo de nada…
“Não tenho. Vim mesmo pela comida grátis.”
É mesmo preocupante, até pra mim, voltando da delegacia à noite. Mas nós sabemos nos defender, e eu ando sempre com algemas e uma arma, então por mim que ele venha atrás de mim, assim eu pego o filho da puta. Mas de qualquer jeito, tome cuidado, é realmente perigoso.
“Eu não tenho nem um canivete pra me defender e não vou sair por aí com uma faca de cozinha, então, acho que sou um alvo fácil.”
– Vai me dizer que é só por boa vontade? Tentador, gato, mas não sei se posso confiar em você.
“E por que não seria? Olha, eu nem estou perto de você. E o que eu poderia fazer uma hora dessas? Com toda essa gente na rua. Mas, okay, okay. Eu já entendi que você consegue sozinha.”