Say my name || James e Maya || Flashback
Naquela noite, James havia saído com um grupo de amigos para se divertir. Nada que envolvesse os Savages: queria um tempo do mundo do tráfico de drogas, relaxar a mente e fingir que aquela realidade paralela simplesmente não existia. Quem lhe convidara para beber fora um colega de classe da época que estudara Direito, querendo reunir os caras mais legais do ano. Snow era o único dali que não concluíra o curso e, ainda que nenhum dos homens fossem mais ricos do que ele, o fato começara a incomodá-lo. Todos pareciam ter seguido um rumo certo: naquele ponto já começavam a considerar a ideia de construir uma família e, se James fosse cruzar o caminho deles, provavelmente seria num tribunal, acusado de algum crime hediondo. Onde tinha ido parar?
Com a chateação circundando sua mente, bebeu muito mais do que estava acostumado. Não que tivesse dado vexame ou se tornado um incômodo, mas o Tigre tinha certeza que não lembraria de noventa por cento do que tinha feito naquela madrugada. Se acordasse com uma tatuagem nova ou com as sobrancelhas raspadas, ainda seria uma vitória. Pelo menos estaria vivo. Sem condições de dirigir, quando os outros rapazes começaram a ir embora, decidiu tomar um táxi, deixando o seu próprio carro estacionado em algum lugar de Williamsburg. Quando o taxista o questionou para onde iriam, James murmurou o único e primeiro endereço que lhe veio a mente, caindo no sono logo em seguida.
A surpresa veio quando acordou vinte minutos depois, finalmente em seu destino: a casa de Maya Velásquez. Encarou o motorista sem entender muito bem o que tinha acontecido, mirando o taxímetro. Podia ir embora, mas James não tinha dinheiro o suficiente em sua carteira para dobrar aquela corrida até o seu apartamento e, mais do que isso, sentiu um ímpeto de que queria ficar. Tivera algum motivo para a sua mente de bêbado levá-lo até ali e com certeza a melhor solução seria aproveitar. Entregou algumas notas na mão do homem que o olhava com receio, talvez por seu porte, talvez pela expressão constante de ameaça que havia desenvolvido, e pulou em direção à portaria do prédio.
Ainda que estivesse cambaleante e os reflexos um tanto quanto mais lentos, o caminho até o andar de Maya era conhecido o bastante para que pudesse atingi-lo sem grandes dificuldades. Tocou a campainha e aguardou, abrindo um enorme sorriso quando a mulher atendeu a porta. Ela resmungava alguma coisa que ele não compreendeu muito bem e ficou ainda mais em dúvida quando viu a surpresa nos olhos da mulher. Sim, era ele. E daí? “Maya, mamacita…” Falou com a língua enrolada enquanto adentrava o apartamento, esbarrando nas paredes. “Eu estou morrendo de fome.” Murmurou sinceramente, parando de andar para fitá-la. Parecia uma criança de dez anos que acabava de chegar do colégio depois de um dia cansativo. “Você tem miojo?”
Quando viu o loiro na sua porta ela ficou profundamente curiosa e talvez até amedrontada. Se James em seu estado alcoólico tentasse fazer algo contra a latina, teria sérios problemas. Não estava querendo esconder um corpo naquele dia. E sem limpar sangue do chão encerado naquela manhã. Era bom ele se cuidar enquanto estivesse ali. “O que diabos você quer?” Ouviu ele falar sobre a comida. Com toda a certeza do mundo, estava bêbado. O puxou para dentro do apartamento antes que um dos vizinhos chamasse a polícia. Fechou a porta atrás de si e o viu cambalear pelo corredor até a sala. O fez desviar de um vaso chinês caríssimo, mas não salvando um arranjo com rosas amarelas.
“Anda, Amy Winehouse, vou cuidar de você.” O guiou pelo apartamento até uma parte que com certeza ele não conhecia. Como não recebia visitas ali, reformou todo o lugar, transformando os cômodos sem utilidade em seu closet e uma sala de armas protegida por um sensor biométrico e senha. Suas grifes não tinham tanta segurança assim, mas eram tão valiosas quanto. Levou até seu próprio banheiro, que mais parecia um SPA. Não o levou para a banheira. Ele poderia escorregar e bater a cabeça. Guiou o loiro para o box e foi tirando as roupas dele. “Você precisa de um banho. Está fedendo.”
Maya não iria se aproveitar de um cara bêbado, mas teve de admitir que o rapaz era muito gostoso. Com as roupas certas, seria até apresentável. Chutou as peças velhas e o jogou sob uma ducha quente. “Não sai daí, vou te pegar umas roupas e fazer algo pra você comer.” Falou mau humorada, mesmo que tivesse sido acordada por um deus grego, ainda sim fora tirada de seu sono sem motivos. Aquilo a deixava nos nervos. Jogou as roupas dele na máquina de lavar e programou para que lavasse e secasse. Enquanto isso, não o deixaria sair dali. Dentro do closet pegou peças velhas de Isaac, uma calça de moletom cinza e uma camiseta que ficaria bem apertada para James, assim como as roupas de baixo.
Chego no banheiro e se sentou na pia, sentindo o mármore gelado contra sua bunda e coxas. Sequer se importava se estava seminua ou de burca, o importante era cuidar do amigo agora. “Olha, cara, não sei porque diabos você veio parar aqui. Espero que não tenha vindo dirigindo.” Respirou fundo, o olhando pelo box de vidro. “Mas vou cuidar de você, James. Principalmente amanhã, quando você vai acordar com certeza sentindo como se o mundo todo fosse uma roda gigante da morte.” Saiu da pia, deixando as roupas onde antes havia se sentado. “Vai comer alguma coisa doce. Glicose ajuda pra bebedeira. Espero que coma pão com Nutella.”













