Edward tinha séculos de idade e a vida nos lábios. A vida em forma de beijo, em forma de Christopher, em mil e uma formas invertidas de tudo o que não se pode colocar no lugar. Nem sabia se tal pensamento fazia sentido. Mas o que fazia sentido, àquela altura? Nem mesmo o contato desajeitado de seus corpos parecia certo — apesar de todas as incertezas óbvias — e mesmo que os lábios e a língua e os murmúrios inevitáveis que se chocavam contra a sua boca lhe fizessem sentir tão vivo como jamais antes. Edward não sabia o que fazer. Não sabia nada além do que Christopher o instigava. Ficar ali, sobre ele, absorvendo o calor que exalava do mesmo e queimava suas entranhas, ao mesmo tempo em que enregelava seu baixo ventre, era como pôr-se contra o paraíso, mesmo que o inferno não lhe fosse jamais uma opção. Edward conhecia todos os seus limites, conhecia todas as barreiras e erros dos quais anjo algum devia se aproximar. Porém, antes e acima de qualquer coisa, agora conhecia Christopher e o calor de seus beijos. A umidade macia e a textura cálida que confundia seus sentidos. Sentia a voz, saboreava o perfume, observava o calor, inalava sua imagem. Confundia-se. E ao se confundir percebia que se encontrava. Junto dele não havia certo ou errado, havia apenas deleite. Não havia culpa, crime, castigo ou perdão. Era tudo vontade, vida, intensidade. E Christopher.
Read More
Para Christopher, havia sido um tabu por tanto tempo sentir-se tão íntimo de alguém que ter tanta certeza de querer permanecer ao lado de Edward era doloroso. Doloroso por desejá-lo daquela maneira, de carregar aquela vontade louca de marcá-lo, possui-lo, escrever seu nome nos pensamentos e na alma do anjo. Para que o outro jamais o esquecesse, que sentisse sua falta, que clamasse por seu nome nas madrugadas sozinho... Que lhe pertencesse. Se fosse egoísmo ou não, pecado ou não, paixão ou não, ele não sabia, jurava não saber. Nada parecia normal além de ambos ali, unidos, como se todo o universo conspirasse a favor daquele encontro. Guardava seus pensamentos selvagens, obscenos e improváveis no mais oculto de seu ser. A proximidade dele arrepiava seu corpo, senti-lo respirar sob si fazia-o entrar em um colapso que ele ainda não entendia. Buscava uma resposta para aquela vontade destrutiva, mas tudo que vinha em sua mente era relacionado a ele. Sempre ele. Agarrou-se mais ao corpo dele, suspirando em satisfação enquanto corria os olhos por onde lhe era possível. Observava com atenção o tom de sua pele, o formato de sua mão, a cor rósea de seus lábios e outros pequenos detalhes que o fazia respirar com dificuldade dobrada. Contorcia-se entre o prazer intenso que sentia quando seu membro rijo tocava o dele, arrancando murmúrios quase inaudíveis de sua boca e fazendo-o fechar os olhos com força, perdido em Edward de uma maneira que não sabia descrever.
Abriu os olhos quase ao mesmo tempo em que ele, tendo apenas o som de sua voz gemendo seu nome em mente. Não sabia se Edward tinha noção do quão provocante estava daquela forma e do quanto lhe torturava movendo-se de forma tão prazerosa, mas não diria nada, até porque apenas os gemidos arrastados, roucos, falhos deixavam sua boca sem que tivesse um real controle sobre os mesmos. Apertou mais as mãos sobre os cabelos dele, porém elas logo deslizaram o caminho de volta até os lençóis da cama, apertando-os, afundando o rosto enquanto arqueava o pescoço por entre os travesseiros. Voltou a atenção para ele quando lhe ouviu outra vez. Sentia dor sim, mas não na maneira que o anjo julgava, queria liberar aquela explosão que tinha dentro de si, gritar o nome dele e livrar-se daquele calor que lhe queimava por dentro. Sabia da diferença na força, nos poderes e em tudo, porém não iria deixar aquela oportunidade escapar de suas mãos como água. -- E-Edward... -- Obrigou-se a falar, fixar o olhar atencioso no dele, conter-se. -- Não machuca... É g-gostoso... -- Respondeu, entregando-se ao prazer pecaminoso mais uma vez.
Contorceu-se novamente, buscando um modo de abraçá-lo, acariciando-o, deliciando-se em tocar seus músculos, serpenteando levemente sob ele. Mas ainda era estranho sentir-se tão bem ali, debaixo daquele corpo. Ele, que recebeu sempre o pior dos que conhecia e que até já havia se acostumado, sentir-se em casa sendo rodeado por aqueles braços carinhosos, quentes. Como se sempre estivesse destinado a não estar em nenhum outro lugar se não aquele. Sentiu a pelve dele contra a sua novamente e murmurou algo baixo, sem sentido enquanto ele se aproximava. Respirava Edward naqueles instantes que se seguiram e encontrava-se nada mais que maravilhado, seu corpo em total festa com os encontros entre seus membros. Sorriu em silêncio quando ele levou suas mãos até o tecido de sua blusa, e a retirou com rapidez, as mãos logo subindo por aquela pele descoberta, como se fosse o mais valioso tesouro recém-descoberto, deixando marcas com suas garras incontroláveis uma vez, e outra, outra e outra. Gemeu em um tom mais alto ao se aproximar do ouvido do anjo, mordendo-lhe o lóbulo antes rir baixo.
-- Isso... -- E gemeu novamente, cheio de satisfação, respirando fundo. -- É a sua resposta. -- E ousou ao deslizar as mãos das costas até o zíper da calça alheia, abrindo-a, virando o olhar para ele outra vez, como se pedisse permissão e também gritasse que não precisava da mesma. A mão afoita desceu por entre a roupa íntima alheia, agarrando o pênis do anjo com a mão em temperatura de um vulcão em plena erupção na medida em que conhecia sua extensão e gostava daquilo. Tomou os lábios de Edward em um beijo molhado, sôfrego, deslizando a língua ágil dentro deles, tocando todo espaço possível. Separou-se por um momento, quebrando a fina linha de saliva que ainda os unia, buscando a atenção dele outra vez. -- Geme outra vez, Ed... -- Usou daquele nome íntimo, recuperando o fôlego, movendo a mão que o masturbava com mais rapidez. -- Quero ouvi-lo gemer meu nome outra vez...














