Já dona de uma mente perturbada, a criança do destino não podia lidar direito com tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo. Além de semi moribundos nos corredores do ambiente, implorando para suas alucinações os deixarem, a presença insuportável de Arella se fazia presente. Todos os nervos de aço - literalmente - eram postos a prova com um simples respirar da outra feiticeira. Assim, da melhor forma possível, ia levando aquela semana infernal. Os segundos eram gastados em prol dos outros, coisa que nunca passara em sua cabeça: Dana, filha de um super vilão, naturalmente incapaz de sentir alguma compatibilidade emocional doando seu tempo para melhorar aquela catástrofe? Quase impossível. Bem, aquela erva daninha chamada sentimentos havia se espalhado por todo o seu jardim de rosas espinhentas, e ela não era forte o suficiente para arrancá-lo. Queria, às vezes, acabar com tudo de uma vez. Colocar fogo no jardim inteiro, cortar as cordas que a comandavam. Entretanto, aquilo poderia resultar em diversos infortúnios - já era um incêndio ao se conter, e se soltasse de suas barreiras?
Precisava espairecer, sair do ar doentio, antes que jogasse alguém em uma fogueira. E nada melhor para apagar um fogaréu do que água, certo? Podia encontrar o elemento oposto em sua outra metade, a pessoa que lhe completava de um jeito não fraternal. Não queria, porém, lhe prestar uma visita: o orgulho impedia sua fala, deixando-a muda, paralisada. Mesmo sabendo da possibilidade fortíssima de Prince estar doente, não queria dar o braço a torcer. Consumindo-lhe como uma patologia, o pecado a fazia definhar aos poucos: a solidão era bem mais fácil de se conviver do que contar medos e preocupações para outra pessoa, que aparentemente, se importava. O quão estranho era ter alguém se importando? Por Merlin, a psiquê de Von Doom só se tornava cada vez mais disfuncional. Com certas dificuldades, engoliu a pedra pecaminosa e guiou-se até a área dos dormitórios masculinos, encontrando uma ou outra alma atormentada. Os nós de seus dedos encontraram-se com uma madeira fria e firme, fazendo um barulho alto o suficiente para anunciar sua chegada. "Prince, está aí?" Seus pensamentos estavam concentrados em não ser atendidos, em contradição ao seu interior. Iria fingir que nunca esteve ali e dar meia volta, mas um baque a impediu que o fizesse. Um simples feitiço para destrancar a porta e Dana pode se deparar com aquela cena teatral, espantando-se. "Prince? Mas que merda...?" Perguntou de forma automática, ainda assolada pela surpresa. Um olhar de preocupação genuína tomou suas feições, quebrando toda e qualquer resistência que existia antes de observar aquilo.