“Não somos amigos? Ouch! Doeu! Não faço parte do grupinho?” a teatralidade fingida em suas palavras era facilmente identificável. A maneira com que dissera ‘grupinho’ demonstrava toda a aversão que tinha aos guardiões. Diferente de como agia perto de Jack Frost, ele não precisava ser comedido nas ações e nas palavras com Bunnymund. Breu simplesmente não se escondia, sequer andava em ovos perto dele. Era um alívio, na verdade. Mesmo tão persuasivo, o Rei dos Pesadelos compreendia que existiam limites para suas habilidades, e testá-las em Bunnymund só lhe seria perda de tempo; ele não precisava ser um gênio para deduzir isso. O Bicho-Papão escutou com muita atenção as palavras do seu antagonista, inclusive não deixou de notar a mão dele se dirigindo até a arma. O revirar de olhos e o riso descrente foram a sua resposta ao ato. Quando Bunnymund concluiu sua fala, Breu o questionou, debochado. “Pequena cobra? Já fui chamado de coisas piores.” ponderou, risonho. A postura estava completamente relaxada, ainda que sua atenção estivesse completamente focada na companhia. “Infelizmente, não tomarei créditos pelas ações do Rei. Ele tem seus próprios meios para obter informações. Mas, não fique muito decepcionado, coelhinho. Não ficarei quieto por muito tempo.” embora tenha dito aquelas palavras levianamente, Breu estava confiante que daquela vez as coisas seriam diferentes; era somente uma questão de tempo. Pequenos obstáculos não o atrapalhariam. O Universo estava de prova da destruição que causara nas suas passagens. O mesmo se valeria ali, na Terra. “A companhia de Jack tem alegrado meus dias. Meu filho, meu herdeiro. Ele está em boa companhia agora. Tenho grandes planos para ele.” não existia satisfação melhor que trazer à tona o assunto de Jack para os guardiões. A sensibilidade do assunto o satisfazia. Causar a desunião do grupo era seu principal objetivo, e só assim, ele poderia prevalecer. “O que eu estou fazendo aqui? Não é óbvio? Vim me oferecer para ajudar nos destroços, eu e os meus Medonhos.” ao citá-los, as sombras pareceram se agitar. Como sempre, os Medonhos estavam à espreita, esperando seu comando. Breu continuou com suas palavras, sem se perturbar. “Será a minha última caridade do ano, afinal, preciso garantir minha vaga na lista dos mocinhos do Papai Noel para o ano que vem. Isso, é claro, se houver Natal ou North no próximo ano. Nunca se sabe o que o futuro reserva.”