I am floating in a most peculiar way (w. sirinxt)
sirinxt:
A corda que havia dado com o intuito de descobrir o quão encrencada estava por ter sido descoberta acabou sendo usada pelo rapaz de uma maneira que Sirinat não esperava, a brincadeira alheia fazendo com que uma expressão de surpresa tomasse sua face de forma instantânea e involuntária. De todas as prováveis respostas que pensou ser possível receber dele aquela definitivamente não estava na lista. Ele poderia se fingir de bobo e trocar de assunto, ignorar, inventar uma desculpa qualquer sobre estar sem óculos, implorar para que ela não o machucasse e prometer que não contaria nada pra ninguém… até mesmo ameaçar, se fosse idiota o suficiente para ameaçar alguém como ela e num lugar onde ele não conhece ninguém, mas não aquilo. A tailandesa no entanto acabou aceitando a alternativa de que talvez aquela fosse a forma dele de se fazer de bobo e trocar de assunto, e pensando bem era até corajoso, ela diria, afinal ninguém brincava com ela daquela forma e nem de nenhuma outra; conseguia se lembrar com clareza o que havia acontecido da última vez que um cara tentara brincar com ela no final de um racha, e tinha certeza que todos os presentes naquela noite se lembravam também, incluindo ele. “Uma pessoa que vive num apartamento como esse certamente não deve frequentar os mesmos bares que você, não acha?” Respondeu, tentando entrar na brincadeira mas notando que havia falhado nisso quando sua fala soou mais ríspida do que ela pretendia.
No final optou por permanecer em silêncio, a feição cética fazendo combo com o olhar de quem estava prestes a manda-lo calar a boca. Acabou ficando internamente grata quando ele simplesmente voltou ao trabalho sem que ela precisasse fazer mais nada. Não costumava agir daquela forma (e na realidade era muito mais simpática do que parecia ser) mas naquela situação em específico se sentia ameaçada, e Siri não tinha muito controle do que falava ou fazia quando se sentia ameaçada. Quando ele retomou a fala no entanto acabou evoluindo de ameaça para uma possível-não-ameaça mas que permanecia não sendo digno de sua confiança, então ela continuaria em alerta. “Ou pode ser que só estava procurando uma desculpa pra puxar papo comigo sobre algo que não fosse como as bocas desse fogão estão entupidas.” Deu de ombros, o observando por mais alguns milésimos de segundos antes de abrir a boca novamente. “Seja qual for a verdade, espero que não saia falando por aí sobre a semelhança entre mim e essa garota, aposto que ela ficaria bem insatisfeita com isso.”
Sentiu seu escudo ficando levemente mais desarmado, e o que há alguns minutos era uma puta preocupação agora havia deixado de ser algo tão alarmante assim. Acomodou-se numa das cadeiras ali perto e permaneceu quieta enquanto seus dedos brincavam com algo que parecia um canivete suíço recém-tirado do bolso (mas que em seu interior só havia um saca-rolhas) e o observava trabalhar; mesmo o conhecendo de vista há algum tempo era a primeira vez que o via tão de perto. Diversos pensamentos começaram a passar pela cabeça dela, como o que ele estaria pensando daquela situação e quais as teorias que fazia sobre o motivo dela estar ali. De repente percebeu que não se lembrava o nome dele e até curiosidades sobre o que mais ele deveria fazer da vida tiveram seu espaço, e quando ela percebeu suas próprias teorias a respeito da vida alheia estavam sendo interrompidas pela fala masculina. Os olhos se semicerraram, mais curiosa sobre o fato dele estar ficando vermelho do que sobre o que iria falar, mas se arregalaram pouco depois. Pela primeira vez desde que aparecera naquela cozinha Siri não tinha mais uma expressão séria, era completamente o oposto. Foi obrigada a fazer mais esforço do que queria para segurar o riso, chegando até a morder os próprios lábios para tal. “Não entendi o constrangimento repentino. Te intimidei ao ponto de você não conseguir cobrar o dinheiro pelo seu trabalho?” Indagou, deixando que uma risada breve escapasse. “O nome dele é Pirapat, e… ew, ele não é meu namorado. Pareço gostar de caras mais velhos?” Questionou permitindo que a pergunta pairasse no ar por alguns segundos. “Não que seja da sua conta, mas gosto de rapazes numa faixa etária mais parecida com a sua.” Ela deu de ombros mais uma vez. “Não se preocupe, vou te pagar quando terminar. Ele deixou o dinheiro comigo.”
A resposta alheia o fez esboçar um sorrisinho, ainda que ela não pudesse ver. “Encontro tanta gente por aí na noite... Até uns almofadinhas de vez em quando.” retrucou, sem intenção de soar ofensivo, mas também sem medir suas palavras. Ainda que a situação lhe fosse desconhecida, Eun não tinha chegado tão longe na vida sendo cauteloso. À essa altura ele simplesmente falava o que pensava e lidava com as consequências depois (embora volta e meia se arrependesse). Estava certo de que a tailandesa não lhe daria assunto, afinal, nem havia motivos para que o fizesse, por isso ela ter continuado a conversa o surpreendeu e ele quase riu baixinho. “Touché.” respondeu, finalmente voltando a olhá-la e achando graça de ter sido pego desprevenido em sua busca por assunto. “Mas essas bocas estavam realmente entupidas pra porra. Podia ser um problema.” completou, mesmo sabendo que não era do interesse de nenhum dos dois. A fala que se seguiu, no entanto, finalmente o fez se armar, a expressão tornando-se ligeiramente mais fechada. “O que acontece no trabalho fica no trabalho, não vou falar pra ninguém.” justificou, um tanto mau humorado. Aquela era sua regra principal, mesmo que não gostasse de sair falando-a por aí. Separava suas duas vidas em caixas separadas e muito diferentes.
O tempo foi passando, e somado ao desconforto existente na última frase que ele lhe dissera, foi vindo o constrangimento e sua falta de habilidade em controlá-lo. E bom, como ele não era nada sortudo, obviamente ela havia percebido. Seus primos que mandavam cartas no verão perguntando se ele “finalmente tinha deixado de ser cabaço” deviam estar tão satisfeitos naquele momento... “Tava pensando sobre uma outra coisa e viajei aqui.” Justificou, escorando-se no balcão de forma que parecesse um pouquinho mais confiante, ainda que suas bochechas permanecessem coradas. A resposta o deixou mais confuso ainda (afinal, se não era um namorado, o que ela estava fazendo naquele apartamento?) e a pergunta o fez arquear as sobrancelhas, se perguntando se era uma questão retórica ou algum tipo de piada, uma armadilha. Aquela interação toda estava pacífica demais para estar acontecendo entre dois membros de clubes. “Me diz você... Não sou bom em chutar as preferências das outras pessoas. Algumas garotas gostam de namorados mais velhos, no big deal.” completou.
Claro, tendo visto seus colegas de clube e banda terem tantas namoradas nos últimos dois anos, Eddie estava acostumado a todo tipo de casal. Ele mesmo arrumava uma ficante aqui e outra ali nas festas em que tocava com a banda, a maioria de sua idade, porém algumas mais velhas. Whatever. Não era algo que estava acostumado a ficar pensando. A maior parte de seus dias era dividido com pessoas que sabia que não veria novamente, então que diferença fazia? “Se você não me olhasse como se fosse me matar a qualquer momento, eu até acharia que isso foi um tipo de flerte.” continuou, abrindo um sorrisinho de canto e deixando a cabeça pender levemente para o lado. Não estava levando à sério, nunca levava, mas parte dele sentia uma vontadezinha de ter a aprovação da jovem. “Mas tenho amor à vida, então...” completou, erguendo as mãos como se estivesse se rendendo e voltando ao trabalho de reparafusar o tampo do fogão. Não faltava muita coisa e logo poderia ir embora. “Já estou acabando aqui, não vou mais tomar seu tempo.”









