I am floating in a most peculiar way (w. sirinxt)
eddies0ng:
A resposta alheia o fez esboçar um sorrisinho, ainda que ela não pudesse ver. “Encontro tanta gente por aí na noite… Até uns almofadinhas de vez em quando.” retrucou, sem intenção de soar ofensivo, mas também sem medir suas palavras. Ainda que a situação lhe fosse desconhecida, Eun não tinha chegado tão longe na vida sendo cauteloso. À essa altura ele simplesmente falava o que pensava e lidava com as consequências depois (embora volta e meia se arrependesse). Estava certo de que a tailandesa não lhe daria assunto, afinal, nem havia motivos para que o fizesse, por isso ela ter continuado a conversa o surpreendeu e ele quase riu baixinho. “Touché.” respondeu, finalmente voltando a olhá-la e achando graça de ter sido pego desprevenido em sua busca por assunto. “Mas essas bocas estavam realmente entupidas pra porra. Podia ser um problema.” completou, mesmo sabendo que não era do interesse de nenhum dos dois. A fala que se seguiu, no entanto, finalmente o fez se armar, a expressão tornando-se ligeiramente mais fechada. “O que acontece no trabalho fica no trabalho, não vou falar pra ninguém.” justificou, um tanto mau humorado. Aquela era sua regra principal, mesmo que não gostasse de sair falando-a por aí. Separava suas duas vidas em caixas separadas e muito diferentes.
O tempo foi passando, e somado ao desconforto existente na última frase que ele lhe dissera, foi vindo o constrangimento e sua falta de habilidade em controlá-lo. E bom, como ele não era nada sortudo, obviamente ela havia percebido. Seus primos que mandavam cartas no verão perguntando se ele “finalmente tinha deixado de ser cabaço” deviam estar tão satisfeitos naquele momento… “Tava pensando sobre uma outra coisa e viajei aqui.” Justificou, escorando-se no balcão de forma que parecesse um pouquinho mais confiante, ainda que suas bochechas permanecessem coradas. A resposta o deixou mais confuso ainda (afinal, se não era um namorado, o que ela estava fazendo naquele apartamento?) e a pergunta o fez arquear as sobrancelhas, se perguntando se era uma questão retórica ou algum tipo de piada, uma armadilha. Aquela interação toda estava pacífica demais para estar acontecendo entre dois membros de clubes. “Me diz você… Não sou bom em chutar as preferências das outras pessoas. Algumas garotas gostam de namorados mais velhos, no big deal.” completou.
Claro, tendo visto seus colegas de clube e banda terem tantas namoradas nos últimos dois anos, Eddie estava acostumado a todo tipo de casal. Ele mesmo arrumava uma ficante aqui e outra ali nas festas em que tocava com a banda, a maioria de sua idade, porém algumas mais velhas. Whatever. Não era algo que estava acostumado a ficar pensando. A maior parte de seus dias era dividido com pessoas que sabia que não veria novamente, então que diferença fazia? “Se você não me olhasse como se fosse me matar a qualquer momento, eu até acharia que isso foi um tipo de flerte.” continuou, abrindo um sorrisinho de canto e deixando a cabeça pender levemente para o lado. Não estava levando à sério, nunca levava, mas parte dele sentia uma vontadezinha de ter a aprovação da jovem. “Mas tenho amor à vida, então…” completou, erguendo as mãos como se estivesse se rendendo e voltando ao trabalho de reparafusar o tampo do fogão. Não faltava muita coisa e logo poderia ir embora. “Já estou acabando aqui, não vou mais tomar seu tempo.”
Sirinat decidiu deixar que aquele assunto sobre ele ter a reconhecido fosse se acabando aos poucos, e por esse motivo optou por não responder mais qualquer comentário do garoto sobre isso. Já que ele parecia tão interessado quanto ela em fingir que nada aconteceu não fazia mal deixar por aquilo mesmo e esperar para ver o que aconteceria quando se reencontrassem nas ruas. Ela começou dando-lhe corda para tentar ver o quanto estava encrencada, continuou tentando capturar algo que pudesse usar para se defender, sua última retrucada havia sido com a única intenção de tentar colocar um fim naquele papo de uma vez por todas, mas agora permanecia com vontade de render o assunto com ele e nem sabia exatamente o motivo, mas a resposta dele a instigou para isso. “Touché?” Indagou. Quando decidiu brincar sobre ele estar em busca de assunto consigo não esperava uma resposta e muito menos uma resposta que afirmasse aquela sugestão, por esse motivo acabou sendo pega de surpresa. Ela balançou a cabeça em concordância com a fala seguinte dele, aliviada por terem encerrado aquele assunto de uma vez por todas, ainda que agora muitos questionamentos enchessem seus pensamentos.
Realmente havia ficado curiosa sobre o porquê dele ter ficado tão embaraçado de repente, já que ela sequer havia dito qualquer coisa que pudesse causar aquela reação, mas quando ele justificou suas motivações ela só aceitou e deu de ombros; ainda que internamente houvesse um questionamento insistente sobre qual outra coisa seria essa. No final decidiu por não fazer, sabendo que seria uma pergunta invasiva demais e que, se fosse o contrário, certamente odiaria a atitude já que eles não tinham nenhum nível de intimidade para aquele tipo de intromissão. Mais uma vez ela não esperava que ele fosse responder a sua pergunta, e também não esperava que ele fosse retrucar, por esse motivo ponderou por alguns segundos, sem saber se deveria responder àquilo ou não. “As I said… ew.” respondeu franzindo o nariz numa careta. Ao longo de sua vida havia conhecido homens de muitas idades, e tido quase experiências demais para saber que a ideia de se relacionar com homens muito mais velhos que si lhe causava repulsa, mas aquele era um assunto que poderia vir a se tornar íntimo demais e então ela se limitou à uma careta e um acenar de cabeça em negação.
Ainda que um lado de si soubesse que ela jogou aquele comentário sobre preferir rapazes na faixa etária dele como um flerte discreto, seu outro lado teimava que não havia passado de uma fala sincera, afinal ela não deveria estar flertando com o cara de um clube que não era o seu e que provavelmente estava prestes a descobrir seu segredo. Mas quando ele notou e comentou sobre a fala dela, a tailandesa não foi capaz de evitar abrir um sorriso; parte porque havia achado graça ele falar que ela o olhava como se fosse matá-lo a qualquer momento, e parte porque ele era até bonitinho e se o que acontecia no trabalho ficava no trabalho então que mal havia em brincar um pouco? “Sendo sincera… não vejo como uma coisa pode implicar a outra.” Comentou abrindo um sorrisinho de canto semelhante ao alheio, e decidindo não ouvir a voz que a dizia para não fazer aquilo. Ela acabou deixando que mais um riso breve escapasse quando o ouviu dizer que tinha amor à vida, satisfeita com o pensamento de que realmente era capaz de intimidá-lo. “Entendo seu ponto.” Respondeu por fim. “Quanto é que eu tenho que te dar mesmo?”









