Recapitulando: Coisa de Rico, Michel Alcoforado
Ricos são escravos dos próprios símbolos.
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@editada
Recapitulando: Coisa de Rico, Michel Alcoforado
Ricos são escravos dos próprios símbolos.
Recapitulando: A Consulta, Katharina Volckmer
As cores têm história e que a púrpura é a cor do luto e da tristeza [...]
Recapitulando: A Consulta, Katharina Volckmer
[...] pau é uma espécie de espada, um objeto de orgulho e comparação, enquanto a vagina é uma coisa fraca, que mal pode ser confiada à proprietária.
Recapitulando: A Consulta, Katharina Volckmer
Acredita em inferno, dr. Seligman? Ou judeus só vão para o céu? Não acredito em nenhum deles, mas ainda me assustam às vezes, e quem inventou a ideia do sofrimento eterno devia ter uma cabeça muito doentia. Alguém com uma alma confusa e ratos demais no quarto; ou então por que sairia dizendo às pessoas que a dor que elas suportaram na vida não era suficiente?
Recapitulando: A Consulta, de Katharina Volckmer
A maneira como minha mãe nunca parava de me impor o seu mundo [...] Como eu era ao mesmo tempo a sua rival e o seu produto, e como eu deveria ser comível no lugar dela quando as suas pernas estivessem cansadas demais.
Recapitulando: A Consulta, Katharina Volckmer
[...] a violência nos une mais que tudo
Fantasma do futuro
Recapitulando: Katabasis, R.F. Kuang
Elspeth é uma espécie de "fantasma do futuro" da Alice, uma vez que a dita cuja é incapaz de encarar quem ela está negando se tornar: desiludida com a academia.
A Alice tem uma relação estranha com o Grimmes e para ser notada por ele, ela tentou seduzi-lo. Todas as mulheres do departamento tentaram adverti-la sobre como isso era perigoso, e ela sempre ignorando as discussões sobre o feminismo na academia, acreditava ser perda de tempo, se achou diferente, obstinada demais, "melhor" que as outras para precisar de qualquer tipo de coletividade.
Então quando habitou a posição de abusada, ela sofreu muito. Ele orquestrou um momento sexual no laboratório só para que ela visse, como punição por ela ter recusado um toque anterior.
Absurdo, sádico até, porque ele sabia que ela estaria lá, ele queria que ela visse. Ele fez isso porque, apesar de ela estar flertando, quando ele tentou beijá-la, tocá-la, ela recusou; e aí, ele começou a ignorar a existência dela, rejeitá-la, o que prejudicou muito a carreira dela. Ela tentou correr atrás e aceitar as investidas dele por qualquer dose de validação mas, por rancor, ele não aceitou, já não tinha interesse.
Então ela foi atrás de uma professora feminista, que organizava reuniões de auxílio e conscientização, na tentativa de melhorar a vida acadêmica para as mulheres de Cambridge. Buscando esse abraço, esse consolo, ela recebeu uma bela lição de moral, muito da merecida: você não pode usar o feminismo só quando te convém.
Achei isso muito interessante, porque a Alice sempre pensou no próprio umbigo, nunca olhou para os atos de conscientização porque ela se considerava obstinada, melhor, diferente. Nunca procurou dar apoio para quem sofria, mesmo que no fim, ela também fosse mulher.
Então ela sofreu em silêncio, sozinha, até perceber que ela o odiava e que havia descido até o inferno sem ter certeza do que faria ao encontrá-lo.
No meio disso tudo tem o Peter, que fala um pouco da infância dele. Ele tem a doença de crohn que o debilita muito, causando internações. Os remédios criam resistência e param de fazer efeito, então ele some por dias a fio. Ele optou por não revelar o assunto com outros, nem com o Grimmes, até se fazer necessário. Ao relatar o problema, como esperado o professor não reagiu com empatia, o que resultou nele roubando uma pesquisa do Peter e publicando sem o nome dele.
E ao ser apresentado à isso, o leitor já é jogado no capítulo seguinte, com a protagonista tentando defender o indefensável, afinal na cabeça dela, ela precisa batalhar pela única coisa valiosa na vida dela (Grimmes e academia).
A Alice se recusa a tocar na ferida porque ela foi abusada, mas ela se recusa a perceber. Ela repara o abuso quando é com outros (e não reage), mas quando é com ela....
Recapitulando: A Consulta, Katharina Volckmer
Falam de inveja do pênis, mas veja até onde as pessoas estão dispostas a ir para mutilar e destruir vaginas, para dizer às mulheres que o prazer não é para elas, que existe uma coisa chamada ser boa pessoa. Vamos lá, quantas mulheres já encheram páginas e páginas de livros sobre paus e como os homens devem se vestir, pensar e sonhar?
Recapitulando: A Consulta, Katharina Volckmer
[...] como é que eu podia saber que os homens também morrem por causa de um coração partido? Sempre pensei que isso só acontecesse com as mulheres.
Recapitulando: A Consulta, Katharina Volckmer
Por que ela faria parte de um culto religioso que não ensina nada além de vergonha e medo, que inventou toda aquela bobagem sobre mães sagradas e prostitutas, que temia as vaginas? Porque, na verdade, é disso que se trata, não é?
Desista dos seus sonhos (mas não morra!)
Recapitulando: Katábasis, R.F. Kuang
Eles encontraram uma nova figura, ex-aluna do Grimmes, salvadora de nome difícil de pronunciar, Elspeth. E ela mudou alguma coisa na leitura pra mim (viva!).
Não gosto da Alice, acho que me reconheço nela e esse é o problema. Quanto mais me apresentam as opiniões dela, mais desgosto sinto, por ela ter um pouco de mim.
Essa nova personagem é tudo que a Alice não consegue ser ainda. É franca: a academia é abusiva, o Grimmes é um babaca, e ela saiu por vontade própria (se suicidou por confiar que daria conta do jogo de outro jeito). Tem propósito, tem clareza, busca a grandeza por si só, fora dos moldes que o sistema oferta.
Uma bela contraposição de ideais inclusive, iguais em pensamento mas diferentes em execução.
Já a Alice o defende, batalha internamente contra a Elspeth, afinal, essa cruz carregada com tanta dificuldade precisa valer a pena. A provação toda precisa compensar, portanto ela se coloca como superior: "Eu não desisti, né?" Eu não morri à toa".
Quanta ignorância.
Difícil se desprender dos modelos que não nos cabem. Não tem como continuar funcionando em ambiente que nos esgotam, mas ela é imatura demais para entender isso, ou só não quer mesmo.
Afinal, reconhecer, seria admitir que a cruz foi pesada demais, e que talvez o peso todo não valeu a caminhada.
E eu a desgosto, me reconheço nela. É apavorante reconhecer que seu caminho planejado talvez seja esburacado demais para percorrer, que a embalagem cara não compensa o produto.
Tudo bem desistir dos seus sonhos, desde que NÃO morra no processo.
Recapitulando: A Consulta, Katharina Volckmer
A violência é um brinquedo bem masculino [...]
Ela sabe, e ainda assim...
Recapitulando: Katábasis, R.F. Kuang
Tem uma frase que me incomoda bastante. Sugere que para você ser gostada na academia, você precisa criar conexões: e que, para mulheres gostarem de você, você precisa ficar discutindo sobre como é difícil ser mulher nesse ambiente.
O tom é de quem não acredita nisso. Como se a Alice achasse esse tipo de conexão artificial, como se ela não soubesse que SIM, É difícil pra CARAMBA.
Mas a Alice sabe que é difícil, afinal lemos ela reclamar sobre machismo, sobrecarga, misoginia, abusos por ser mulher... mas na frente dos outros, ela precisa defender que o machismo é bom, faz bem.
Ela é mesquinha, cabeça dura.
"Não, eu preciso defender o que me oprime porque o meu propósito é esse". "Se não for assim, não vai ser jeito nenhum. Melhor não existir nada a ter esse sonho destruído", mesmo que ela seja continuamente confrontada de que é um sonho merda.
Ela é incapaz de aceitar que é uma merda.
Me lembra até de um relato pessoal, uma colega com o marido machista. O marido é babaca, e ela reclama, mas quando as pessoas fazem essa mesma análise, ela o defende. Existe todo um teatro para maquiar a merda.
Quanto mais contato, mais desgostoso é de assistir. A Alice é isso, contraditória, desconexa da realidade, hipócrita.
Ela SABE, e ainda sim...
Nada de novo ahead
Recapitulando: Katábasis, R.F. Kuang
Tal qual o esperado, ainda não houve milagre: a percepção continua a mesma.
A Alice leu as anotações do Peter e descobriu que (uau!!!) ele escreveu o nome dela. Ela deduz que a ÚNICA interpretação plausível(!!!!!) é que ele quer assassiná-la com magias específicas e desinteressantes.
O livro transita entre presente e passado, na jornada do inferno e o passado com flashbacks da história dos dois. É óbvio que A Alice se ressente do Peter pela rivalidade acadêmica forçada pelo Grimes, apesar do crush que ela tem nele. Entretanto, ela também nunca admitiu esse crush nele, e ficou na expectativa de algo acontecer.
Presenti que existiria uma situação de vida ou morte e que discutiriam na hora mais inoportuna possível, porque a Alice é incapaz de abrir a boca pra falar o que ela pensa.
E dito e feito, né?
A cena das maçãs foi o FIM. Ela só precisava escolher o óbvio, mas escolheu errado, custando a vida do Peter por puro capricho. E o desfecho? Poderzinhos convenientes, distrações para afastar o perigo e voilá, tudo resolvido!
Pelo menos em Percy Jackson, o Rick Riordan fez ser divertido, ele entretem e ensina.
Aqui são só palavras agrupadas em frases, sem peso, sem graça.
Recapitulando: A Consulta, Katharina Volckmer
[...] as pessoas sem pau precisam ser controladas para que pessoas com pau não se sintam intimidadas, porque por alguma razão é ruim que os homens se sintam intimidados.
Um completo shounen
Recapitulando: Katábasis, R.F. Kuang
O mangá shōnen é caracterizado por tramas de ação e muitas vezes humorísticas com protagonistas masculinos. Temas como artes marciais, mecha, ficção científica, esportes, terror e criaturas mitológicas são comuns nessas publicações.
Sabe aquela sensação de cansaço quando você percebe que caiu no papo de vendedor? Uma panfletagem exagerada? Um belo exercício de paciência esse aqui.
O livro se vende como uma obra densa e erudita, mas a execução entrega algo muito mais próximo de um shounen infinito, tipo assistir aos mesmos 150 episódios de Fairy Tail onde você já decorou a fórmula e sabe exatamente onde tudo vai dar.
Eles. Não. Conversam.
É difícil de engolir que vão se tornar um casal, viu senhora autora? Sem química, sem conversa, sem sal. Não poderia me importar menos com os personagens, mesmo com as cenas que pseudo contrõem "camadas" para esse relacionamento.
Eu entendo que é uma escolha narrativa da R.F. Kuang, mas é difícil manter a empatia quando você percebe que metade do perigo no inferno é fruto de um grande mal-entendido que uma conversa de 5 minutos resolveria.
Existe um mundo apetitoso ali, mas ele acaba sufocado por uma quantidade desnecessária de páginas e uma falta de objetividade absurda. Espero isso de um livro infanto-juvenil, young-adult no máximo, não de um livro que se vende como um grande mousse, como é o caso deste.
Talvez nem seja culpa da Kuang, e sim dos fãs, afinal, o livro é panfletado para criar altas expectativas (que não se sustentam!!!).
E não que eu não goste de shounens, mas como os animes que são, não como um livro narrativo que se propõe a ser mais (bem mais). A leitura tem seu valor, mas se perde na própria grandiosidade.
Já deu de miscommunication né? 🤐