Memória . . . Fixado na memória de minha vida, a parede de santos é um patrimônio imaterial daquela pequena (grande) casa no alto da serra de sant'Ana. Vovó, assim como sua mãe e minha bisa, expressão sua fé e devoção aos santos, não mais que ao Deus que nos concede os dias. Quando criança, eu gostava de ficar encarando e observando aqueles Santos, em maioria mártires que morreram por un ideal, objetivo ou mesmo por sua fé inabalável. Apreciava os detalhes das cores, da forma e a expressão de seus rostos, e imaginava sua vida de algum modo, me transportava a sua graça ou a sua dor... colado ao peito, azul da cor do manto da Ave Maria e branco representando o pai nosso que está no céu, as contas do rosário pendem do pescoço de minha avó, de minhas duas bisas (Mãe da minha avó e mãe do meu avô), existe essa memória. Sagrado, que protege o corpo e alma contra o mau-olhado e as coisas obscuras da vida. Havia um outro quadro que me lembre, de uma santa chamada Luzia, teve seus olhos arrancados e postos em uma bandeja, por puro capricho de um homem, a época, enquanto criança lembro como achei doloroso isso, esse ato aterrador de tirar a luz da vida de alguém e a sucumbir a uma escuridão inexorável, por desejos e vontades. Ela não cedeu, e esse foi seu castigo. Depois, dessa história, vovó me dava um chá de capim santo com biscoitos que por algun motivo, só um específico combina com aquele chá, e eu esquecia de umas tantas histórias e ia ser criança, entrando nunca esqueci. A memória está aqui, sempre viva. Não é cinza, e colorida e cheia de processos sensoriais. Cheiro. Sabor. Sentimento. https://www.instagram.com/p/CKCh7pyhDWWOCy5g4tOcO5GKsb88v8TBrY_24I0/?igshid=12gsz35y57qwc