O empresário não estava se sentindo bem mentalmente há vários dias, passava a maior parte do seu tempo livre na casa da ex-mulher, Eleanor. Aliás, a unica razão para qual não tinha enlouquecido totalmente se devia graças a ela. Crowley tinha uma enorme apreensão de voltar para sua casa e perceber o quão sozinho se tornou nos últimos anos, o estilo de vida que estava levando era longe de ser considerado saudável. Horas e mais horas trabalhando, se entupindo de álcool até que acabasse apagando no sofá mais próximo, tomando doses mais densas de remédio contra a depressão. Parecia que todos aqueles anos tentando viver em negação finalmente o acertaram em cheio. É o maior culpado daquilo tudo era seu pai. Só de lembrar de seu nome lhe causava arrepios de puro pavor, seu corpo se retraia em nojo toda vez em que sua memória rebuscava cenas nas quais fazia todo o esforço do mundo para esquecer. Por que aquele monstro havia feito isso com ele? Caramba, Crowley tinha apenas 9 anos na época, ainda era uma criança! Para piorar toda aquela situação trágica esses episódios haviam acontecido mais de uma vez… As únicas pessoas no qual sabiam sobre a verdade eram Eleanor e Mary, seus irmãos nem fazia ideia de toda monstruosidade que o pai deles causou no passado. Vagando sem rumo pela casa de Eleanor o homem encontrou alguns fracos de remédios no banheiro da mesma, sem ligar muito para a descrição apenas pegou uma grande quantidade de comprimidos para os engolir logo em seguida. Naquele momento não pensou em mais nada, só queria esquecer tudo o que estava sentindo por alguns minutos. @eleanorxwaltmans
Naquele dia tinha marcado de encontrar o homem em certo horário na própria casa, mas como tinha saído para fazer o cabelo e se arrumar, ia esperar até o último minuto para ir para casa, não sabia se Crowley iria se arrumar, se ia demorar, se ia precisar de ajuda, então aquilo lhe deixou apreensiva pelo dia, estava pronta para o casamento quando pediu para o motorista lhe levar para casa mais cedo, preferia esperar com ele lá o horário do que ficar com as coisas tão em cima da hora. Assim que abriu as portas percebeu que o ambiente estava mais silencioso do que o de costume, nenhuma tv ligada, nenhum som, será possível que ele tenha ido em outro lugar antes? Não queria pensar o pior, não conseguia imaginar como seria o pior, e deixando os saltos na entrada junto com a bolsa de mão ela começou a procurar algum vestígio de onde estava o homem pelos cômodos. Chegou no segundo andar quando viu uma certa iluminação radiando de seu quarto e foi em direção a porta aberta, Crowley estava sereno dormindo em sua cama e ela respirou fundo mas a calma não durou por muito tempo, a luz vinha do banheiro da loira que assim que ela chegou na porta viu: frascos laranjas abertos, pílulas jogadas por alguns cantos e uma sirene tocou no fundo da cabeça da mulher, ela correu até a cama e começou a balançar o homem, esperando que ele tivesse alguma reação - Crowley, olha pra mim, pelo amor que você sempre teve a si mesmo, não por amor a mim... Pelo amor que tem pela sua irmã, por favor, acorda e me fala que você não fez uma besteira, por favor - a voz da loira soava quase um tom desesperador, e era exatamente isso que ela estava, desesperada.