special starter ,, @electrifique 〙
A cerveja sobre o balcão, gelada, pela metade, reflete contra o vidro os letreiros coloridos atrás dele. Algumas letras estão faltando, o som da estática se mescla ao ambiente como a batida de uma música eletrônica. Gente dançando, cheiro de cigarro pairando no ar, as pessoas vêm e vão ininterruptamente. A japonesa não passa de mais uma daquelas pessoas que procuram satisfação momentânea——ela esvazia a supramencionada cerveja e sente a fervura do álcool penetrar os recantos mais obscuros do seu corpo ainda de pé.
Não é que aquele antro de diversão vazia e superficial não a entretenha ( porque normalmente entretém ) , mas, naquela noite, ela está esperando por alguém.
A garota desce da motocicleta. Vento sopra quente contra a cabeleira castanha-escura conforme tira o capacete e o guarda, o calor e mormaço do litoral grudando alguns fios na base de seu pescoço. Ela tira a jaqueta de couro, joga-a desleixada sobre o ombro e remexe nas madeixas soltas. Bem que podia ter vindo somente de regata nesse antro infernal. Electra duvidava muito que, diante do ruído abafado de música que ressoava de dentro do Galaxy Club, o interior fosse estar mais fresco do que ali fora. Por que elas escolheram aquele lugar, mesmo? Íris cristalinas não refletem nada mais que tédio quando a mercenária adentra as portas ornamentadas, embora alguém mais atento talvez percebesse que elas procuravam por alguém. Não era como se Maya passasse facilmente despercebida numa multidão. Electra, de longe, reconheceria os fios platinados que caíam sobre os ombros da figura imponente e feminina. Ela se aproxima com um erguer sutil no canto dos lábios, tatuagens reluzindo com as cores neon quando, por fim, chega até o balcão. Não diz oi, não cumprimenta Maya; apenas diz: “Você está me devendo uma cerveja.”

















