Tariq de alguma forma conseguiu parar parcialmente o vazamento com as mãos, mas sabia que era só uma questão de tempo até o caos voltar. Ele aproveitou esse momento para dar uma olhada no ralo e ver se tinha algo entupido. A verdade era que ele nunca teve que lidar com uma situação dessa, já que em Londres, com uma casa muito cheia e ele sendo o mais novo, eram os outros que lidavam com um desastre caseiro por ele. E isso era meio constrangedor de admitir, mas com tudo que teve lidar nos últimos anos, aprender a consertar o encanamento era a menor de suas preocupações. No entanto, era isso que tinha que encarar no momento, e sua nova colega de apartamento tentava lhe explicar o que tinha acontecido. — Então hoje foi a primeira vez que isso aconteceu? Não deve ser nada tão ruim. — Tariq disse, tentando ser positivo para acalmá-la. Acabou tendo que retirar as mãos do novo chafariz que tinham no banheiro e a água voltou a encharcá-los. Tariq se abaixou, abrindo o compartimento abaixo da pia. — Talvez seja algo nos canos. — Ele sugeriu, mais uma vez fingindo que sabia o que estava fazendo, e não só pra Elise, mas pra si mesmo. Talvez desse jeito acreditaria que podia ser de alguma ajuda. Com as mãos, girou um dos conectores do cano com cuidado. Quando já estavam separados, a água parou de jorrar. — Viu? Só deve ter algo aqui dentro e… — Enquanto falava, Tariq devia ter puxado o cano com força demais, porque o objeto simplesmente quebrou na parte que era conectada com a parede. E isso fez com que mais água jorrasse pelo compartimento, além da parte da pia, que tinha voltado. De repente, Tariq queria sumir. — Erm… Talvez a gente precise do encanador. — Confessou o óbvio, observando o chão alagado do banheiro, que acabava molhando a sala também. — E muitos panos.
Elise apenas balançou a cabeça positivamente com a pergunta dele, mas nĂŁo sabia se poderia considerar aquilo como “algo nada tĂŁo ruim” porque as coisas evoluem, principalmente problemas, e contorná-las sem uma solução mais radical poderiam fazĂŞ-las piorar com o tempo. Podia atĂ© usar aquele mesmo dia como uma prova de suas palavras: resolver de qualquer jeito o vazamento da pia de manhĂŁ fez o vazamento virar um verdadeiro chafariz naquele final de tarde. Quando o moreno retirou a mĂŁo do vazamento, a garota já colocou as mĂŁos na face para impedir que a água caĂsse diretamente nela enquanto tentava enxergar o que o outro fazia. Hewitt nĂŁo falava nada pelo simples fato de nĂŁo saber o que comentar ou sugerir sobre o que fizessem, alĂ©m do mais Tariq parecia bastante confiante com o imprevisto, entĂŁo ele deveria saber o que fazer e como bĂ´nus nĂŁo precisariam gastar com manutenção, pelo menos nĂŁo naquela noite. Quando a água parou depois dele ter apertado os canos usando as mĂŁos, a garota viu que ficar quieta foi a melhor escolha a se fazer, o alĂvio já começou a percorrer o seu corpo e um sorriso comemorativo surgiu em seus lábios, todavia, o momento de felicidade durou apenas alguns segundos. Como previsto: contornar os problemas fazem eles evoluĂrem. A água passou a jorrar ainda mais que antes e, pela cara do rapaz, uma nova falha surgiu. Elise nĂŁo sabia se gritava de frustração ou se ria. — É... — parou por poucos segundos sĂł observando a água banhar os seus pĂ©s. Isso nĂŁo podia estar acontecendo. — Eu consegui o nĂşmero de um encanador, está grudado na geladeira... vocĂŞ liga enquanto eu cuido dos panos — determinou antes de correr atrás do armário de panos e toalhas para fazer um murinho na porta do banheiro e do rodo para tentar jogar o máximo de água que conseguia no ralo do chĂŁo.