"Para o palco.“ Respondeu simplesmente, enquanto continuava puxando Elmer até o lugar. Poderia aproveitar que precisava de ajuda naquele evento com toda aquela história de aposta. Estava um tanto cansada de fazer tudo sozinha desde que chegara. Ela gostava de mostrar-se suficiente, mas isso não significava que não aceitaria uma mãozinha de vez em quando. Por sorte, Elmer estava ali e com a roupa dos voluntários, o que significava que teria que ajudá-la de qualquer forma. "A banda do Miles vai tocar e precisamos verificar se todos os microfones e equipamentos estão funcionando. Não vai ser a primeira vez que vejo um show dar errado por falta verificação.” Desde que entrara na universidade, a loira ficara responsável por diversos eventos e muitas vezes dava a tarefa de verificar o palco para outros alunos que não o faziam e acabavam estragando todo o show. A responsabilidade sempre caía nas suas costas. Ao longo dos eventos aprendera que se queria uma coisa perfeita, precisava fazer ela mesma. Soltou-se do rapaz quando chegou perto do lugar e subiu as escadas para falar com o rapaz responsável. “Eu e Elmer vamos ver se tudo está funcionando, ok? Não vai demorar.” Avisou e apontou para o outro antes de virar-se novamente para avisar que poderiam começar. Naquele momento o analisou por alguns segundos. A maioria de suas amigas estavam preocupadas com terem que quebrar o coração de alguém. Amy não. Ela não conhecia o outro, era verdade, e ele poderia nunca se apaixonar por ela, mas não importava se partiria para amizade ou romance, não havia a possibilidade de não cumprir a aposta. Ela precisava cumprir, porque não poderia ver seu maior segredo exposto para todo o campus. Ela tinha uma reputação a zelar e não queria acabar na cadeira. Ao menos ele era bonito. Bem bonito. Aquilo facilitaria um pouco a sua missão, já que ela não se importaria em passar bastante tempo ao lado do rapaz. Mas além daquilo, tinha algo em Elmer… “Você é familiar.” Comentou aleatoriamente enquanto se aproximava para analisá-lo ainda mais de perto. “Eu tenho a impressão de te conhecer, mas não consigo me lembrar de onde. Você teria alguma ideia?” A dúvida era genuína. Não estava usando daquela pergunta para que pudesse conquistá-lo. Iria perguntar para Theresa se ela se lembrava de Eacker de quando ainda moravam no Canadá. Saber que ele era de seu mesmo país era fácil. Apenas pelo sotaque ficava clara a coincidência. “Vamos começar pelos microfones e depois passamos para os instrumentos. Liga para mim, por favor?”
「 gza festival — flashback 」
Elmer poderia até ter passado grande parte da vida sendo arrastado por sua mãe para missas e encontros da paróquia perto de sua casa, mas não se considerava católico e nem particularmente mais inclinado a nenhuma outra religião — afinal, acreditar na existência de um deus significaria aceitar que havia realmente alguma força maior por aí que não deveria ter absolutamente mais nada para fazer senão sacaneá-lo. O mais perto que o Eacker aceitava considerar talvez fosse a versão daquele filme, DIvertida Mente; já que, se ele sozinho era azarado, o que diria então de cinco mini versões suas juntas dentro de sua cabeça? A receita perfeita para o caos, sem dúvidas.
Contudo, conforme se dirigia até o palco — o que, em sua mente, parecia ser uma caminhada bem mais lenta e pesada do que a realidade, onde era praticamente arrastado pela pequena carcereira loura — e a escutava mencionar bandas e shows, não pôde evitar cantar em sua mente os cânticos religiosos que a mãe costumava cantar — errado, sempre bom comentar — em casa, talvez numa tentativa de se distrair ou até mesmo sensibilizar Deus se Ele de fato existisse e estivesse acompanhando aquele momento com um saco de pipocas na mão.
O rapaz se sentiu tentado a falar que a única coisa pior do que a falta de verificação era envolver ele e seu azar naquilo, mas permaneceu calado, com sua expressão de desinteresse habitual e a mão livre enfiada no bolso do casaco. Até então só havia ouvido falar da Marshall, talvez trocado apenas um “paz de cristo” sob os beliscões de sua mãe. Mas a longa lista de chefes que Elmer teve ao longo de sua vida era o suficiente para que ele soubesse que ela não iria deixá-lo ir assim tão facilmente assim. Ao menos ela não está berrando em meu ouvido, ele suspirou em pensamentos enquanto a via anunciar sua sentença ao outro cara, e é bonita, eu acho. Esse detalhe foi acrescentado apenas como observação, afinal, trabalho forçado seria certamente a única forma de atenção que receberia de alguém como Amy. Não que isso o deixasse ressentido. Se por um milagre ela o fizesse, certamente não seria algo que viria livre de problemas — e Elmer já tinha muitos problemas por si só, muito obrigado.
Um pequeno calafrio percorreu sua espinha ao ouvir o comentário alheio e notar o jeito com o qual ela o fitava. Derrama Senhor, derrama Senhor, ❝ — Nossas mães iam na mesma igreja ❞, respondeu tão rápido que quase tropeçou nas palavras. Amy vinha da mesma cidade que ele, logo, não seria difícil se recordar da DE5TINY caso se delongasse em sua dúvida. ❝ — Você parece cansada ❞, o Eacker tentou puxar assunto enquanto se preparava para obedecer suas ordens. Não que fosse o tipo de coisa que fazia — a parte de puxar assunto, claro; já havia já aceitado que entre sua mãe, Natasha e a professora louca que tinha, alguma delas já havia queimado sua carta de alforria —, todavia, era melhor desviar o assunto de si, ❝ — Não está aproveitando o festi- ❞, a pergunta, no entanto, foi interrompida por um chiado agudo e extremamente alto que chegou aos seus ouvidos assim que ele ligou o microfone.