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Talvez em algum outro universo ou dimensão a garota se sentisse ofendida ou pelo menos incomodada com a possibilidade de que alguém pensasse que algo de mais estava acontecendo entre eles. Mas certamente não ali. Até porque, bem, eles estariam absolutamente certos. E perceber isso fazia com que sentisse uma satisfação inesperada. Não que quisesse que alguém entrasse ali. Além de lhe causar problemas que nem gostaria de imaginar, também interromperia o bom momento que estava tendo na companhia de Elric, e odiaria que isso acontecesse. Estava aproveitando a situação mais do que deveria, e gostando disso mais do que teria coragem de confessar. Com as mãos no peito do rapaz era inevitável não sentir o coração dele batendo, e ver que ele estava tão acelerado quanto o seu próprio causava uma sensação de alívio, mesmo não querendo saber quais exatamente eram as razões. Já bastava estar começando a sentir-se um pouco confusa quanto ao que dizia respeito das suas. Ignorá-las parecia a melhor coisa a ser feita.
No curto período de tempo em que permaneceu praticamente imóvel, esperando a reação do rapaz, milhões de pensamentos cruzaram sua cabeça, e Amber mal conseguiu assimilar todos eles. Quando finalmente começou a elaborar uma ideia minimamente coerente, Elric puxou-a para mais perto, fazendo-os ficar tão próximos quanto estavam antes e levando toda e qualquer esperança de obter um pouco de coerência em seus pensamentos foi rapidamente destruída. Fechou os olhos por alguns instantes, sentindo a mão dele deslizar por sua face. Quando os abriu de novo só conseguia pensar no quão belo ele era e em quão sortuda tinha sido por encontrá-lo justamente naquele dia e naquela ocasião. Só percebeu que mordia o lábio inferior quando sentiu o dedo do garoto tocando sua boca. Começou a rir quando ouviu seu comentário, mas então ele a beijou. Colocou os mãos na cintura do garoto, sentindo a pele dele sob seus dígitos, subitamente lembrando-se de que ele estava sem camisa. E então uma variedade de cenários começaram a rodar em sua cabeça, mas com certo esforço conseguiu expulsá-los, limitando-se a retribuir o beijo com bastante entusiasmo. Não foi como da última vez, quando ele rapidamente juntou seus lábios com os dela, nem com o beijo que a própria Amber havia dado logo antes. Foi um beijo de verdade, e a satisfação quem sentiu ao retribuir o beijo fez com que percebesse que ansiava por aquilo há mais tempo do que imaginava, definitivamente há mais tempo do que jamais admitiria.
Aproveitou que sua boca tinha deixado de ser o foco da atenção do garoto - não estava reclamando disso, aparentemente havia chegado à conclusão de que não importava tanto assim em qual parte do seu corpo os lábios do rapaz estavam, desde que fossem partes do seu corpo - para responder ao que havia sido dito logo antes de ele a beijar. Precisou alguns momentos para conseguir se lembrar do que tinha pensado em responder. – Vou tentar me lembrar de não te avisar da próxima vez. – Porque com certeza haverá uma, completou para si mesma. Não deixaria que aquela experiência deixasse de se repetir, não se pudesse evitar. E tinha certeza de que podia. Porque, por mais que a situação não fosse nem um pouco ideal - tinha um namorado, afinal, e isso era a raiz de quase todos os problemas ali -, ela lhe parecia certa. Como se fosse o que devesse acontecer. E isso era bom. Ótimo na verdade. Deixar de fazer aquilo de novo era uma hipótese tão ridícula que se recusava até mesmo a considerá-la.
Precisaria confessar que, inicialmente, não estava muito interessada em ouvir do que ele achava. Palavras eram desnecessárias do seu ponto de vista, mas assim que ele completou sua fala, Amber foi obrigada a interromper o beijo para rir, mesmo não tendo muita certeza do que exatamente estava rindo. Apoiou a cabeça em sua clavícula, subindo os braços pelo tórax do garoto e entrelaçando os braços ao redor do pescoço dele. Forçou-se a parar de rir, soltando um longo suspira e fitando o garoto com certa intensidade. – Desculpa… É só que, hum, é realmente uma ótima ideia. – Mal acabou de falar de já tinha seus lábios juntos aos dele outra vez, beijando-o com mais vigor do que anteriormente. Temia que fosse difícil manter seus lábios afastados dele durante muito tempo. Era bom o suficiente para fazê-la se sentir como se estivesse absurdamente propensa a se viciar nele. Por isso queria aproveitar aquilo por tanto tempo quanto pudesse, já que não tinha a mínima ideia de quando iria ter aquela chance outra vez. Esperava que fosse logo, e teria até mesmo pensado em uma forma de garantir que isso acontecesse, se não estivesse ocupada de mais beijando o garoto. Por um breve instante perguntou-se o que estaria passando na sua cabeça quando decidiu fazer aquela promessa estúpida. Sabia muito bem que, mesmo sem promessa alguma, iriam se encontrar naquela situação de qualquer maneira.
As reações corporais da garota indicavam que ela aproveitava tanto a situação quanto ele, o que ele confirmou quando ela deu a entender que haveria uma próxima vez. Ele não pode deixar de se perguntar se ela ainda o teria beijado se ele não tivesse parado de fumar. Talvez a loirinha acabasse criando repulsa e se irritado por ele não ter feito o que ela pedira – ou forçara.
Ou talvez ela nem se lembrasse que ele fumava. Ou não ligasse – o que ele duvidava, depois de todo esforço que ela teve para fazê-lo parar. Passou por sua mente que ela não queria beijar lábios que tivessem gosto de cinzas, o que fez com que ele sorrisse entre os beijos.
E provavelmente o fato de Amber estar se mostrando divertida também contribuíra para seu sorriso. – Confesso que não pensei que você fosse aceitar. – ele disse, rindo. – Você não precisa me avisar. Aliás, pode avisar se quiser. Eu não me importo. Contanto que você me beije. – não pode evitar pensar que merecia uma tapa ao dizer isso. Não era como se ele conseguisse controlar sua língua, nas duas maneiras que a estava usando, quando estava perto dela. A maior parte do tempo só falava besteiras, ao passo que a garota só falava coisas bonitas ou algo que o fazia rir. O surpreendia que ela ainda gostasse de sua companhia – se é que gostava mesmo. Ela poderia estar apenas usando-o para sair do tédio.
Não que isso importasse – ele até gostaria, de certa forma. Contanto que acabassem em uma situação como a que estavam. Suas mãos até já se acostumaram com os traços do corpo dela; inclusive, pareciam ter vida própria, pois ele nem percebia quando elas se moviam e para onde iam. Mas em determinado momento ele estava com a garota em seu colo, enquanto suas pernas o guiavam para o objeto mais próximo onde ele pudesse apoiá-la – o que, ele perceberia mais tarde, era uma máquina de lavar. – Desculpe se não estiver confortável. – ele se afastou um pouco para visualizá-la. – Sabe de uma coisa, aquele body shot não seria uma má ideia.
I’m at this old hotel, But can’t tell if I’ve been, breathing or sleeping or screaming, or waiting for the man to call. And maybe all of the above. Cause mostly I’ve been sprawled on these cathedral steps, While spitting out the blood and screaming…
"Someone save us!"
Kiss With A Fist Is Better Than None @Smithson
Sorriu quando ele confessou que não fumava desde a última vez em que se encontraram. Tentou não pensar muito no que o fato de servir como incentivo para Elric parar de fumar significava, limitando-se a ficar orgulhosa, tanto dele quanto de si mesma, por seus “esforços” não terem sido em vão. Era engraçado estar genuinamente feliz com algo tão banal quanto aquilo. É claro que era impossível não se sentir um pouco crítica em relação ao comentário dele sobre o quanto aquilo era difícil. Teve que se segurar para não fazer nenhuma observação irônica, pois não queria arriscar começar uma discussão quando estava tão perto de atingir seus objetivos. E também não queria menosprezar os esforços dele, apesar de seu criticismo, sabia que não era fácil para de fumar, ou largar qualquer outro tipo de vício. – É muito bom, sabe, para a sua saúde. E para a saúde das pessoas que convivem com você. – E para a minha, acrescentou mentalmente, sabendo que estava longe de poder dizer que convivia com ele. Mesmo que eles já tivessem se encontrado mais vezes do que o que poderia ser considerado normal num período de tempo não muito grande. Perguntou-se por que isso nunca tinha acontecido antes, ou talvez antes apenas não tivesse prestado atenção.
Franziu o cenho, afinal, a escolha seguinte de assunto que o garoto fez foi um tanto aleatória. Mas prestou atenção do mesmo jeito, juntando sua risada a dele quando necessário. Mais pela estranha satisfação que aquilo lhe causava do que por achar o que quer que fosse engraçado. – Acho que nunca a conheci… Mas não consigo imaginar o que teria em comum com ela. Tirando você, é claro. – Amber, no entanto, duvidava que a relação da namorada do melhor amigo de Elric com ele fosse similar àquela que tinha com ele em qualquer aspecto. Por exemplo, duvidava que ela tivesse prometido beijá-lo e estivesse hesitante em cumprir essa promessa. – Mas violinos são instrumentos maravilhosos, e eu não conheço muitos violinistas, então eu tenho certeza de que seria ótimo conhecê-la. – Ainda se surpreendia com a quantidade enorme de pessoas que não conhecia. Às vezes tinha a sensação de conhecer tanta gente, a maioria delas devido a conexões familiares e ao número ridiculamente grande de eventos que era obrigada a frequentar, especialmente com seu pai. E aí apareciam pessoas como ele, que ela não tinha a menor ideia da razão de nunca ter conhecido antes.
Balançou a cabeça negativamente. – Acho que não. Espero que não. – Essa era uma linha de raciocínio que estava muito interessada em evitar, afinal, nada de bom aconteceria se eles fossem avistados ali. – Eu estaria completamente ferrada se qualquer pessoa me visse aqui com você. Especialmente você estando, sabe, desse jeito. – Observou o garoto de maneira bastante indiscreta. Discrição era a menor de suas preocupações naquele momento, se é que era uma delas. Havia tantas outras coisas ocupando sua mente agora, como, por exemplo, o quando o corpo de Elric parecia ser perfeito. Mas isso era algo que com certeza era culpa da bebida. Ou talvez não. – Não que seja um jeito ruim, nem nada do tipo. – Rapidamente acrescentou, sem entender direito qual a razão de se preocupar tanto em deixar aquilo claro para o rapaz. O que, honestamente, não tinha nenhuma importância quando se tratava dele.
Olhou para os lados, só para ter certeza de que não havia ninguém os observando. Talvez presente, e, naquele momento, nenhum pingo de arrependimento tinha lugar em sua mente. Talvez, algum tempo depois, acabasse se arrependendo daquilo, mas tudo que importava era o que estava acontecendo naquele exato momento. E talvez devesse aproveitar o presente ainda mais. – Espero que você não se importe. – Enquanto falava, aproximou-se aos poucos do garoto. A distância entre eles já não era muito grande, mas não era curta o suficiente. Sentia seu coração bater em um ritmo mais acelerado que o normal, e recriminou-se mentalmente por isso. Quando a distância entre eles já era quase inexistente, disse: – Mas acontece que eu realmente preciso te beijar. – Repousou suas mãos no peito do garoto, gostando mais do que devia da sensação da pele dele sob seus dedos. E então juntou seus lábios aos dele, sendo obrigada a ficar na ponta dos pés para fazê-lo - umas das desvantagens de ter decidido. Por mais que tudo parecesse acontecer em câmera lenta em sua mente, tinha certeza de que nó máximo alguns segundos tinham se passado desde o momento em que acabou de falar até finalmente beijá-lo. Era algo espantosamente confortável, e Amber sentia que poderia permanecer daquele jeito para sempre. Limpou sua mente de qualquer tipo de pensamento que pudesse atrapalhar suas memórias daquele momento. Entretanto, sabia muito bem que não havia cumprido sua promessa, não completamente. Por isso afastou-se dele muito mais rápido do que gostaria. Mas precisava ver qual seria a reação de Elric, antes de qualquer outra coisa.
A pequena preocupação não a impediu de imaginar o que teria acontecido caso não tivessem ido para a lavanderia, e sim para o quarto. Tal cenário fez com que um sorriso espirituoso se formasse em seus lábios.
Amber pareceu ficar mais feliz com sua notícia de largar o cigarro (por ela) do que com qualquer outra coisa que ele já lhe dissera – e olha que já lhe dissera muitas coisas. Não sabia se seu sorriso podia aumentar mais, pois podia senti-lo na orelha. – Você costuma se preocupar com a saúde de todo mundo ou devo me sentir lisonjeado? – perguntou, arqueando uma sobrancelha. Esperava que ficasse terrivelmente sexy fazendo isso.
Balançou a cabeça, concordando com o que ela dissera sobre Elena. – Me ter em comum com alguém pode lhe ser agradável, sabia? A menos que você conheça uma ex-namorada. Nesse caso, não deve considerar o que têm em comum. – fez uma careta. Com sua sorte, era provável que a loirinha acabasse encontrando alguma garota que ele dispensou. Ou magoou. Ele gostaria que ela conhecesse Kathleen. Talvez as duas se dessem bem. Ou não. Kath acharia Amber muito mimada, talvez.
Elric mordeu o lábio, pensativo. – Não acabaria bem, se alguém nos visse, você sabe, desse jeito. Vai saber o que as pessoas podem concluir, não é... – segurou-se para não tocar nela. Queria esticar o braço e roçar o polegar em suas bochechas, só para ver se ela fecharia os olhos e coraria. Ou talvez respirasse fundo e beijasse o dedo dele. Ele queria muito tocar nela.
E era como se ela tivesse lido sua mente. Depois de checar se mais alguém estava perto – ou pelo menos era o que ele achava que ela estava fazendo –, Amber se aproximou dele, deixando uma distância mínima, quase inexistente, entre os dois. Engoliu em seco, esperando ela fazer o próximo movimento. De jeito nenhum ia beijá-la de novo, não sem ela o beijar primeiro. Não queria levar outro tapa. Quando a mão dela tocou seu peito nu, ele suspirou, aliviado. Gostou de ela ter ficado na ponta dos pés para beijá-lo, mesmo que fosse rápido. Seu coração dera um salto, e ele podia sentir o dela agitado também. Estavam tão próximos como jamais estiveram antes, e dessa vez por desejo de ambos – embora, uma parte dele tinha certeza, a tentativa de beijo anterior também fora prazerosa para a garota.
Mais depressa que ele desejava, sentiu a loirinha se afastando. Questionou-se como teria sido se ele tivesse levado-a para o quarto. Provavelmente, mais confortável, já que o ambiente era mais favorável e induziria o beijo a algo mais.
Mas eles não estavam no quarto e se ele quisesse que algo acontecesse deveria fazê-lo ali. – De forma alguma. – murmurou, lembrando-se que não dissera nada desde que ela se aproximara. Segurou a mão dela com uma mão, puxando-a para mais perto. Passou a mão livre pelas costas da garota, deixando seus corpos como estavam exatamente há meio minuto. Realizou seu desejo de passar o polegar no rosto dela, depois seguiu com o dedo para os lábios. Se ficasse em silêncio, tinha certeza que podia ouvir cada batida de seu coração. – Você não precisa avisar, sabia? Algumas pessoas gostam de surpresas... – fechou os olhos antes de levar seus lábios para junto dos dela novamente, dessa vez, não pode impedir sua língua de deslizar para a boca dela, aprofundando o beijo. Ele percorreu o rosto da garota com os lábios, e depois o pescoço, segurando-a pela nuca. Suas mãos formaram uma concha ao redor do rosto de Amber, segurando-o com tanta delicadeza como se tivesse medo que escapasse por entre os dedos. Ele voltou os lábios para junto aos dela, alegrando-se ao perceber que ela não o afastara em momento algum e nem dava indícios de que iria.
Uma das vantagens de está-la beijando, além do óbvio, era que ele não perderia tempo dizendo coisas idiotas. Tinha certeza de que se ela não tivesse tomado a iniciativa ele estaria falando alguma asneira que a faria ir embora e nunca mais desejar vê-lo. – Eu acho – ele começou, entre beijos, sem conseguir conter sua língua, arfando – que talvez o caminho dos quartos não fosse tão ruim num momento desses. – seus lábios se repuxaram em um sorriso, mas durou apenas os segundos entre ele começar a falar e voltar a beijá-la.
caught you in the morning @Smiten
“Adorei a maneira como puxou meu cabelo”, Kath sentia suas bochechas queimarem com esta observação. Já estava tão acostumada com situações do tipo, mas Elric à cativava, fazia ela querer agir de modo diferente. Abaixou o rosto e fez com que seu cabelo caísse em seu rosto, fingindo estar dando uma olhada em sua sandália, assim, ele não a via corar.
Sorriu, ainda olhando a mão que ele pousara na perna dela, e o segurou, apenas mordendo o lábio. - Bom, era a sua primeira vez. Tinha que ser, no máximo, satisfatória.
Se levantou e começou a andar pelo quarto, ainda conversando com ele, mas logo ele se levantou e ela o olhou assustada, após ouvirem um barulho.
Os pais dele chegaram. MERDA! Colocou a mão sobre a cabeça. - O que vamos fazer? - Tentava pensar, ainda que estivesse sobre a pressão da coisa toda, ela tentava colocar seu cérebro para funcionar.
“Ah, por que os pais de Elric tiveram que chegar agora?" pensava, chateada. Queria aproveitar mais seu tempo com ele. Afinal, ela tinha acabado de foder seu melhor amigo. E talvez, alguém pela qual ela possuía sentimentos. Sentiu borboletas ao lembrar de Elric a beijando, antes de suas roupas irem ao chão, - e Kathleen odiava borboletas, mas não podia evitar-.
- Já sei! - disse, levantando o dedo, como se uma lâmpada tivesse ligado em cima de sua cabeça. - Vem comigo!
Puxou sua mão, saindo do quarto. Estavam já vestidos, então podiam sair. Desceram as escadas e Kath pôde ver as sombas do Sr. e Sra. Smith.
- Então, não chore mais ok? É a vida, nem sempre conseguimos o que queremos. - começou a dizer alto o suficiente para que a escutassem. “Espero que Elric siga meus passos nisso”. - Ah, Sra. Smith, como vai? E o senhor, Sr. Smith, tudo bom? - ela apertou a mão dos dois - Vocês devem estar se perguntando o que eu faço aqui a essa hora né. Pois é, seu filho acordou chorando e eu vim consola-lo. Sabe como é, adolescentes apaixonados… É um drama total. - ela riu forçadamente. "Que merda eu estou fazendo?". - Enfim, eu preciso ir agora, mas foi muito bom ver vocês. - virou-se para Elric. - Não perca as esperanças querido. - pousou a mão sobre seu ombro, sorriu e lhe mandou uma piscadinha.
Quando Kathleen saiu da casa dos Smith, respirou profundamente e mordeu o lábio inferior. “Eu devia ser internada em um manicômio”.
Enquanto Kath o guiava, ele procurou sinais de posse ou que demonstrassem como ela se sentia sobre o ocorrido. Tinha certo medo de fazê-la se apaixonar por ele; não que não gostasse dela – pois gostava, e muito –, mas sabia que não corresponderia aos sentimentos que lhe provocaria, não enquanto estivesse focado em outra garota. Para seu alívio, a desculpa que Kathleen usou não tinha nada relacionado a um possível casinho entre os dois.
Kathleen foi embora, deixando-o sozinho para encarar os pais. Sua mãe cruzou os braços e tentou fazer uma expressão séria, mas o sorriso formando-se em seus lábios estragou sua tentativa. Seu pai tentava não olhar para ele, o que lhe deu certo alívio. Provavelmente, pensava que seu filho era um frouxo que chorava por garotas.
- Hm, eu vou dar uma volta. – Elric disse, sem jeito, e correu porta afora. Podia ver a silhueta da amiga, não muito longe. Com um sorriso, correu até ela e a pegou nos braços. – Você é incrível! – exclamou, erguendo-a e girando-a no ar. – O que eu faria sem você? – colocou-a de volta no chão e plantou um beijo em sua testa. – É claro que meus pais vão pensar que a) estamos namorando e tentando ocultar isso ou b) que eu sou um frouxo chorão. – passou a mão pelos cabelos. Lembrou-se do toque da garota, horas atrás, e passou a língua nos lábios. – Você... quer fazer alguma coisa? Eu não tenho nada para fazer. Na verdade, devo ter um trabalho de geometria, mas não importa. – ergueu uma sobrancelha. Não sabia como deveria se comportar agora. Mas com toda certeza não ia dizer “eu te ligo depois”. Vira filmes suficientes para saber que isso resultava em lágrimas e ódio. – Podemos tomar sorvete. Ou dar uma volta. Ou ver algum filme. – segurou a mão dela entre as suas, notando como os dedos eram pequenos se comparados aos dele. – Sou todo seu essa tarde.
elricsmith replied to your post: saudades seus braços fortes
nossa fiquei molhadinha n pera
*cantando* segura a fera, tem que ser devagarinho para ninguém ouvir…
*cantando* eu sei que eu sou bonita e gostosa
eu vou enfiar o meu cacete em vocês dois ver se gostam
saindo disso porque não aguento 2 cacete não
elricsmith replied to your post: saudades seus braços fortes
nossa fiquei molhadinha n pera
*cantando* segura a fera, tem que ser devagarinho para ninguém ouvir…
*cantando* eu sei que eu sou bonita e gostosa
Kiss With A Fist Is Better Than None @Smithson
Notou que certo rubor subia às bochechas do garoto, o que imediatamente fez com que se perguntasse no que ele estava pensando. Deixou esses devaneios de lado para prestar atenção no que ele dizia, mesmo que fosse bem mais fácil apenas observar os lábios dele se moverem, lembrando-se da sensação de tê-los sobre os seus, sem realmente registrar o que estava sendo falado. Talvez realmente devesse ter mantido distância dele quando fora falar. Ficava bem difícil se concentrar com o objeto de seu desejo tão próximo assim. Não era de se surpreender que a única parte do que ele falou que a garota realmente ouviu fosse “os quartos e a sala”. Com ênfase na primeira parte. Uma parte de sua mente começou a pensar nas mais diversas possibilidades do que aconteceria caso eles fossem para a sala. Ou para um dos quartos. Irritou-se consigo mesma por não conseguir manter o controle sobre sua própria mente. Ao mesmo tempo agradeceu por estarem quase chegando ao seu destino, onde, se tivesse sorte, não precisaria mesmo de tal autocontrole. Não, pensou, sorte não tem nada a ver com o que eu quero. E, de fato, sorte não ocupava uma posição elevada na lista de coisas que precisava ter para que seu planejamento desse certo.
Foi impossível não corresponder ao sorriso que ele deu, e não só porque o sorriso dele era muito bonito e contagiante, mas também porque fora exatamente daquele jeito que se sentira.
Lembrava-se de dançarem no baile. Lembrava-se das risadas que tinha dado. Ele poderia tê-la beijado naquele dia, Amber não teria protestado. Mas tinha sido tão perfeito. Um beijo poderia ter estragado tudo. Ou poderia ter tornado as lembranças ainda melhores. Fazendo uma pseudo-retrospectiva nos encontros dos dois, não podia deixar de lembrar o quão surpresa havia ficado quando, dias depois do baile, encontrou Elric na entrada da Constance. Tinha sido tão surpreendente que não foi capaz de agir racionalmente. Havia vezes em que se arrependia profundamente de não ter continuado lá e conversado com ele. Mas então se lembrava do quão desastroso fora o encontro seguinte, e decidia que talvez não tivesse agido tão mal assim. No entanto, não foi uma surpresa quando justamente esse encontro veio à tona. Talvez a tagarelice dele devesse incomodá-la, mas naquele momento achava até mesmo um pouco engraçado. – Aquela última vez não foi mesmo muito agradável… – Mas mesmo assim eu não desejei nunca mais te ver, muito pelo contrário, completou mentalmente sabendo jamais poderia verbalizar aquele pensamento. Amber ainda conseguia se lembrar do suave ardor na palma de sua mão após os tapas que tinha dado no garoto. Pensou em se desculpar - não faria isso se estivesse totalmente sóbria, o que não era o caso -, mas não teve tempo de dizer mais nada antes de - finalmente! - chegarem à lavanderia.
Quando escutou a proposta do garoto, foi impossível impedir uma risadinha bastante afetada de escapar de seus lábios. Definitivamente não preferia que ele vestisse a camiseta. Quase disse isso em voz alta, mas acabou decidindo que isso não seria nada prudente. – Não precisa. – Sua voz ainda carregava resquícios da risada que há pouco havia soltado. Colocou a garrafa e a blusa em cima do que imaginava que fosse a secadora, fazendo o possível para não esbarrar no garoto, já que ele estava praticamente ao lado daquela máquina. – Você fica muito bem sem a camiseta. – Antes que pudesse evitar já estava olhando de forma luxuriosa e nem um pouco discreta para o peitoral e abdômen do garoto. – Então… – Começou a falar, tentando achar algum assunto que pudesse comentar, para desviar a atenção daquilo que acabara de fazer. Não que se arrependesse, o que sentia passava longe de arrependimento. Apenas sabia que aquela ainda não era a hora certa. Depois de alguns poucos instantes de silêncio, um lampejo de inspiração iluminou sua mente. – Eu reparei que você não está com um cigarro hoje. Você parou ou só não estava com vontade? – Mentiria se disse que não nutria uma curiosidade real para saber daquilo. Por mais que sua reação naquele último encontro tivesse sido um pouco exagerada, realmente não desejava que os pulmões dele fossem danificados. Era ridículo perceber que se importava com uns pulmões de um garoto que provavelmente nem sabia seu sobrenome. Convenceu-se de que era uma preocupação generalizada, daquelas que sentira por qualquer pessoa. Mas sabia que ele não era qualquer pessoa. Elric era diferente, de uma maneira que a maravilhava e simultaneamente a espantava. Sentia-se uma contradição ambulante perto dele, e por isso preferia ignorar esse fato a encará-lo. Caso se importasse com aquelas contradições, não estaria ali. E sabia muito bem que adorava estar.
Sentiu mais vontade de sorrir ao ver o sorriso estampado no rosto da garota, um contentamento incontrolável surgia dentro dele. Lembrou-se do último encontro deles, e se fechasse os olhos ainda poderia sentir a bofetada que ganhara. Mas, para sua sorte, a Amber atual não parecia estar com vontade de bater nele. Inclusive, lhe fizera um elogio pouco ousado. – Você acha? Se é assim, então tudo bem. – deu de ombros, como se não desse tanta importância para o fato de que ela acabara de permiti-lo ficar sem camisa. Embora tivesse certeza que seu entusiasmo com a situação toda era óbvio até demais e ela provavelmente estava rindo da obviedade dele.
Sentiu uma sensação prazerosa tomar conta de si quando ela perguntou do cigarro. Lembrou-se da empolgação que a motivara a fazê-lo jogar seu maço fora. Deu-lhe um sorrisinho tímido e desviou o olhar dela por uns instantes. Ficou feliz que ela tivesse notado e mais ainda por ter mencionado. – Seus esforços não foram em vão. – comentou, passando a mão pelo cabelo. Nunca conhecera uma garota que se importara com o fato de ele fumar, muito menos uma que o fizesse parar. E talvez Amber fosse apenas uma ambientalista ou uma garota politicamente correta, mas gostava de acreditar que ela estivesse preocupada com ele em particular, não apenas como uma pessoa que acaba com os pulmões. – Eu confesso que não fumo desde nosso último encontro. E não é fácil, sabia? – fez uma careta. Sabia que ela diria (e se não dissesse, pensaria) um comentário sobre o quão viciado ele estava, por isso fora tão difícil. – Mas eu... estou tentando. Confesso que tenho vontade de pegar um cigarro e acendê-lo, mas lembro de sua luta para me fazer jogar tudo fora, então acho que vale a pena. – não sabia se estava falando dela ou do cigarro, mas deixou que ela entendesse como quisesse.
Abriu a boca para fazer uma pergunta sobre o suposto namorado dela, mas conteve-se. Não queria saber nada sobre ele (por mais que ficasse curioso) e honestamente não queria estragar o momento com uma simples menção a um cara qualquer – que, vale ressaltar, hipoteticamente, a beijava e tocava todos os dias, sendo, assim, alguém que ele invejava momentaneamente.
Mas não falar sobre ele não era tão bom, pois precisava de um assunto, qualquer assunto, para falar com ela. Sendo assim, falou a primeira coisa que lhe veio à mente. – Eu conheci uma garota engraçada, esses dias. Uma baixinha de personalidade forte. É a namorada do meu melhor amigo, não sei se você conhece, se chama Elena Prince. A namorada, não o meu amigo. – acrescentou, sem controlar uma risadinha. – Vocês se dariam bem, eu acho, as duas têm coisas em comum. – isso considerando que ambas pareciam possuir uma mão muito forte para agredi-lo. automaticamente, passou a mão na bochecha, recordando-se do encontro com a garota. – Ah, e ela toca violino, muito bem, aliás. – ficou imaginando o que Elena e Amber conversariam; perguntou-se se falariam sobre ele, mais especificamente, sobre os machucados que lhe causaram.
Mas isso não era importante no momento. – Você não acha que alguém vai nos achar aqui, não é? Porque, você sabe, não seria bom se parássemos na GG amanhã. Ou hoje mesmo.
what’s wrong with you | @tristelric
Quando a última aula teve fim, Elric pegou seus livros e enfiou-os na mochila, passando-a pelo ombro e correndo porta afora. Não aguentava mais ouvir uma palavra que saía da boca daquele professor substituo e jurava por Deus que se tivesse de passar mais um minuto sequer ali sentado iria cometer suicídio. E, além disso, era sexta-feira, ou seja, teria festa na casa de alguma garota cuja bolsa valia mais que o carro de seu pai e ele de jeito nenhum perderia uma festa.
Pediu aos colegas que o avisassem mais tarde onde seria – e se haveria, embora tivesse noventa por cento de certeza que sim – a festa por sms e fugiu da escola com a mesma velocidade que Lúcifer foge da cruz.
Por estar correndo feito louco, não viu a silhueta alta à sua frente e só a percebeu depois de ter esbarrado nela e derrubado os dois no chão. Mais especificamente, só percebeu que era uma pessoa segundos depois, ao olhar para ela, pois jurava ter esbarrado em uma parede, que tropeçara e caíra em cima dele. Seu corpo estava dolorido e não conseguia tirar o corpo do homem de cima dele, por mais que tentasse se esgueirar por baixo – e não ia empurrar o sujeito, é óbvio, pois se era pesado certamente era forte e poderia mata-lo se tentasse.
Conseguiu, com muito esforço, tirar suas pernas debaixo dele e se rastejou para trás. Colocou-se de pé e estendeu a mão para ajudar o rapaz a se levantar. – Ei, cara, foi mal, eu não vi por onde estava indo, me desculpe, eu… – tentou terminar a frase mas um punho voou em seu rosto. Ouviu o barulho de cartilagem se movendo. – Mas que inferno! – praguejou, ao cobrir o nariz com as mãos, sentindo-o latejar e o sangue escorrendo.
Será que todo mundo nessa cidade gostava de bater nele?
Fala sedução.
já estava morrendo de saudades de você por onde andou
alguém?
olá, angel
tudo bom?
ah, tudo na mesma...
e contigo?
alguém?
opa, chamaram
Kiss With A Fist Is Better Than None @Smithson
Apesar de tudo, a ideia de vestir uma peça de roupa dele agradava-a muito. E agradava de uma maneira que, se pensasse nisso durante muito tempo, suas bochechas adquiririam com o usual tom de escarlate que indicava constrangimento. A quantidade de pensamentos de natureza bastante libidinosa que tinha sobre o garoto - especialmente enquanto estava sendo agraciada com a visão de seu peito nu - era extraordinária. Sabia que não podia culpar exclusivamente a bebida por isso. Aquela visão seria o suficiente para causar aquele tipo de pensamento indiferente do quão sóbria estivesse. Distraída pela beleza alheia, Amber acabou não dando a menor importância para a blusa que tinha em mãos. Quando notou já era tarde de mais, e tudo que foi capaz de perceber é que o garoto tinha lhe oferecido o primeiro gole da bebida. Aceitou prontamente, retirando a garrafa das mãos dele e evitando contato visual. Uma parte de si tinha certeza de que seria fácil perceber no que estava pensando há poucos segundos caso seus olhos se encontrassem.
Acenou com a cabeça, enquanto apertava a garrafa com uma força desnecessária. Devia confessar que estava um pouco preocupada com o que aconteceria se alguém tirasse alguma foto dos dois e seu namorado acabasse vendo. Uma onda de calafrios percorria seu corpo apenas com esse pensamento, pois sabia muito bem que os resultados de algo assim não poderia ser nada menos que desastrosos. – Acho… Acho que a lavanderia é uma boa ideia. – Mais uma vez a garrafa encontrou seus lábios e o líquido desceu por sua garganta. Será que era impressão sua ou aquela bebida era um pouco mais forte? Decidiu que o gole seguinte seria seu último, apenas por precaução.
Quando a mão de Elric tocou seu ombro, um arrepio discreto percorreu seu corpo, e a loira até conseguiu se convencer de que ele talvez não tivesse notado. Mas quando sentiu a respiração dele em seu pescoço, nem mesmo uma mordida forte em seu lábio inferior foi capaz de conter um arrepio nada discreto, e não havia nenhuma esperança sequer de que aquele não tivesse sido notado. Mas podia esperar, é claro, que não tivesse notado a expressão extasiada que ocupava seu rosto enquanto tentava controlar-se, apertando a garrafa com mais força. Tinha muita sorte por não ter deixado a blusa dele no galpão da cozinha. Era bem mais fácil resistir aos seus desejos quando suas duas mãos estavam ocupadas. Se estivessem sozinhos, provavelmente teria desistido do pouco autocontrole que lhe restava. Respirou fundo, tentando controlar a própria voz. – Creio que nós não vamos mais precisar delas. – Apesar de soar aparentemente inocente, a garota não foi capaz de disfarçar as intenções, que definitivamente não eram inocentes, por trás da afirmação. Afastou-se do moreno, mesmo sentindo uma quantidade irracional de desgosto ao fazê-lo. Começou a andar bem rápido, mal podendo esperar para a hora em que estivessem sozinhos.
Estava certa de que sua ansiedade era pouco discreta, mas realmente não ligava. Elric certamente não deveria estar se sentindo muito diferente. É claro que ficava um pouco difícil confirmar isso se continuasse a andar à frente, guiando-os apenas para longe da cozinha, porque realmente não tinha a menor ideia de onde ficava a lavanderia daquela casa. E esse foi o principal motivo de subitamente ter parado de andar. – Você deveria ir na minha frente. Eu não sei onde é a lavanderia. – Gastou um pouco mais do autocontrole que lhe restava para controlar a ansiedade que de outro modo ficaria bastante evidente em sua voz. Queria que tudo parecesse o mais casual possível, para o rapaz e para qualquer pessoa que pudesse casualmente ouvir a conversa dos dois. Parecia estúpido fazer isso após quase ter perdido o controle da situação apenas por sentir a respiração dele em seu pescoço. Deveria ter sabido antes que era nisso que resultava ficar tão comprometida com uma promessa, por mais desnecessária que essa fosse. De qualquer forma, pensou, com notável clareza, pelo menos eu tenho um pretexto. Sorriu a esse pensamento, e aos agradabilíssimos cenários que se seguiram a ele.
Não sabia se ela estava realmente gostando da ideia dos dois sozinhos num cômodo qualquer da casa ou se era impressão (e um desejo não tão secreto) dele, mas estava feliz por ela não ter fugido dele. Quando ela começou a andar mais rápido, seu coração deu um salto. Aumentou o comprimento de seus passos para que pudesse ficar lado a lado com ela e, assim, ver a expressão de seu rosto. – Talvez não. Mas bebidas deixam tudo mais animado. – deu de ombros, olhando de esguelha para ela rapidamente, depois desviando o foco para a garrafa em suas mãos. Ela deixara um pouco para ele ainda, o que era bom, pois teria uma desculpa para acidentalmente tocar nela de novo.
Amber parou de andar e ele quase esbarrou nas costas dela. Sua boca se abriu e, no momento em que as palavras saíram, o tom de voz era casual, como uma conversa sobre o tempo. Elric não podia evitar de se perguntar se ela estaria tão ansiosa quanto ele. E não era uma novidade para ele que desejasse isso mais que qualquer coisa no momento – perdendo apenas para o desejo de tocar nela novamente, roçar seus lábios nos dela, limitando o espaço entre eles a mínimo. Imaginou se estava ficando ruborizado só de pensar nisso. Esperava que não, mas sentia o calor se espalhar em seu rosto. Teve de pigarrear para que sua voz não soasse nervosa. – Hm, a lavanderia é logo ali. – apontou com o indicador para o caminho à direita, após a bifurcação no final do corredor. – À esquerda estão os quartos e a sala. – falou, antes que pudesse se controlar, caso ela mudasse de ideia e quisesse saber a direção. Em sua mente, podia visualizar como andaria a conversa na sala, ou em um dos quartos, e o que via não era nada casual. Pelo menos, não entre dois estranhos.
Contudo, não era justo rotulá-los como estranhos, visto que já se encontraram um número suficiente de vezes para serem considerados quase amigos. – É engraçado, você não acha? Quero dizer, naquela noite, no baile dos Van der Built, quando você aceitou dançar comigo, não imaginou que fosse voltar a me ver, não? – passou para a frente dela, mas não sem antes dar-lhe um sorrisinho de canto e olhar em seus olhos. – Você deve ter desejado isso, aliás. Não voltar a me ver, quero dizer, depois de um tempo... Especialmente depois da última vez que nos encontramos. – mordeu o interior da bochecha para calar a boca. Se não controlasse sua língua, ela começaria a falar sobre o beijo e como ele era irritante ou algo parecido. Mas, Elric tinha certeza, ele mereceria seja lá o que fosse que ela diria. Duvidava que algum outro garoto persistiria tanto após saber que seu objeto de afeição tem um namorado.
Virou à direita e parou de andar, girando para ficar de frente para ela e de costas para a máquina de lavar. Estendeu a mão e apontou para a garrafa ainda em suas mãos. – Eu posso segurar, se você quiser. E posso vestir a camiseta também, caso você prefira.