Kiss With A Fist Is Better Than None @Smithson
Amber pareceu ficar mais feliz com sua notícia de largar o cigarro (por ela) do que com qualquer outra coisa que ele já lhe dissera – e olha que já lhe dissera muitas coisas. Não sabia se seu sorriso podia aumentar mais, pois podia senti-lo na orelha. – Você costuma se preocupar com a saúde de todo mundo ou devo me sentir lisonjeado? – perguntou, arqueando uma sobrancelha. Esperava que ficasse terrivelmente sexy fazendo isso.
Balançou a cabeça, concordando com o que ela dissera sobre Elena. – Me ter em comum com alguém pode lhe ser agradável, sabia? A menos que você conheça uma ex-namorada. Nesse caso, não deve considerar o que têm em comum. – fez uma careta. Com sua sorte, era provável que a loirinha acabasse encontrando alguma garota que ele dispensou. Ou magoou. Ele gostaria que ela conhecesse Kathleen. Talvez as duas se dessem bem. Ou não. Kath acharia Amber muito mimada, talvez.
Elric mordeu o lábio, pensativo. – Não acabaria bem, se alguém nos visse, você sabe, desse jeito. Vai saber o que as pessoas podem concluir, não é… – segurou-se para não tocar nela. Queria esticar o braço e roçar o polegar em suas bochechas, só para ver se ela fecharia os olhos e coraria. Ou talvez respirasse fundo e beijasse o dedo dele. Ele queria muito tocar nela.
E era como se ela tivesse lido sua mente. Depois de checar se mais alguém estava perto – ou pelo menos era o que ele achava que ela estava fazendo –, Amber se aproximou dele, deixando uma distância mínima, quase inexistente, entre os dois. Engoliu em seco, esperando ela fazer o próximo movimento. De jeito nenhum ia beijá-la de novo, não sem ela o beijar primeiro. Não queria levar outro tapa. Quando a mão dela tocou seu peito nu, ele suspirou, aliviado. Gostou de ela ter ficado na ponta dos pés para beijá-lo, mesmo que fosse rápido. Seu coração dera um salto, e ele podia sentir o dela agitado também. Estavam tão próximos como jamais estiveram antes, e dessa vez por desejo de ambos – embora, uma parte dele tinha certeza, a tentativa de beijo anterior também fora prazerosa para a garota.
Mais depressa que ele desejava, sentiu a loirinha se afastando. Questionou-se como teria sido se ele tivesse levado-a para o quarto. Provavelmente, mais confortável, já que o ambiente era mais favorável e induziria o beijo a algo mais.
Mas eles não estavam no quarto e se ele quisesse que algo acontecesse deveria fazê-lo ali. – De forma alguma. – murmurou, lembrando-se que não dissera nada desde que ela se aproximara. Segurou a mão dela com uma mão, puxando-a para mais perto. Passou a mão livre pelas costas da garota, deixando seus corpos como estavam exatamente há meio minuto. Realizou seu desejo de passar o polegar no rosto dela, depois seguiu com o dedo para os lábios. Se ficasse em silêncio, tinha certeza que podia ouvir cada batida de seu coração. – Você não precisa avisar, sabia? Algumas pessoas gostam de surpresas… – fechou os olhos antes de levar seus lábios para junto dos dela novamente, dessa vez, não pode impedir sua língua de deslizar para a boca dela, aprofundando o beijo. Ele percorreu o rosto da garota com os lábios, e depois o pescoço, segurando-a pela nuca. Suas mãos formaram uma concha ao redor do rosto de Amber, segurando-o com tanta delicadeza como se tivesse medo que escapasse por entre os dedos. Ele voltou os lábios para junto aos dela, alegrando-se ao perceber que ela não o afastara em momento algum e nem dava indícios de que iria.
Uma das vantagens de está-la beijando, além do óbvio, era que ele não perderia tempo dizendo coisas idiotas. Tinha certeza de que se ela não tivesse tomado a iniciativa ele estaria falando alguma asneira que a faria ir embora e nunca mais desejar vê-lo. – Eu acho – ele começou, entre beijos, sem conseguir conter sua língua, arfando – que talvez o caminho dos quartos não fosse tão ruim num momento desses. – seus lábios se repuxaram em um sorriso, mas durou apenas os segundos entre ele começar a falar e voltar a beijá-la.
Talvez em algum outro universo ou dimensão a garota se sentisse ofendida ou pelo menos incomodada com a possibilidade de que alguém pensasse que algo de mais estava acontecendo entre eles. Mas certamente não ali. Até porque, bem, eles estariam absolutamente certos. E perceber isso fazia com que sentisse uma satisfação inesperada. Não que quisesse que alguém entrasse ali. Além de lhe causar problemas que nem gostaria de imaginar, também interromperia o bom momento que estava tendo na companhia de Elric, e odiaria que isso acontecesse. Estava aproveitando a situação mais do que deveria, e gostando disso mais do que teria coragem de confessar. Com as mãos no peito do rapaz era inevitável não sentir o coração dele batendo, e ver que ele estava tão acelerado quanto o seu próprio causava uma sensação de alívio, mesmo não querendo saber quais exatamente eram as razões. Já bastava estar começando a sentir-se um pouco confusa quanto ao que dizia respeito das suas. Ignorá-las parecia a melhor coisa a ser feita.
No curto período de tempo em que permaneceu praticamente imóvel, esperando a reação do rapaz, milhões de pensamentos cruzaram sua cabeça, e Amber mal conseguiu assimilar todos eles. Quando finalmente começou a elaborar uma ideia minimamente coerente, Elric puxou-a para mais perto, fazendo-os ficar tão próximos quanto estavam antes e levando toda e qualquer esperança de obter um pouco de coerência em seus pensamentos foi rapidamente destruída. Fechou os olhos por alguns instantes, sentindo a mão dele deslizar por sua face. Quando os abriu de novo só conseguia pensar no quão belo ele era e em quão sortuda tinha sido por encontrá-lo justamente naquele dia e naquela ocasião. Só percebeu que mordia o lábio inferior quando sentiu o dedo do garoto tocando sua boca. Começou a rir quando ouviu seu comentário, mas então ele a beijou. Colocou os mãos na cintura do garoto, sentindo a pele dele sob seus dígitos, subitamente lembrando-se de que ele estava sem camisa. E então uma variedade de cenários começaram a rodar em sua cabeça, mas com certo esforço conseguiu expulsá-los, limitando-se a retribuir o beijo com bastante entusiasmo. Não foi como da última vez, quando ele rapidamente juntou seus lábios com os dela, nem com o beijo que a própria Amber havia dado logo antes. Foi um beijo de verdade, e a satisfação quem sentiu ao retribuir o beijo fez com que percebesse que ansiava por aquilo há mais tempo do que imaginava, definitivamente há mais tempo do que jamais admitiria.
Aproveitou que sua boca tinha deixado de ser o foco da atenção do garoto - não estava reclamando disso, aparentemente havia chegado à conclusão de que não importava tanto assim em qual parte do seu corpo os lábios do rapaz estavam, desde que fossem partes do seu corpo - para responder ao que havia sido dito logo antes de ele a beijar. Precisou alguns momentos para conseguir se lembrar do que tinha pensado em responder. – Vou tentar me lembrar de não te avisar da próxima vez. – Porque com certeza haverá uma, completou para si mesma. Não deixaria que aquela experiência deixasse de se repetir, não se pudesse evitar. E tinha certeza de que podia. Porque, por mais que a situação não fosse nem um pouco ideal - tinha um namorado, afinal, e isso era a raiz de quase todos os problemas ali -, ela lhe parecia certa. Como se fosse o que devesse acontecer. E isso era bom. Ótimo na verdade. Deixar de fazer aquilo de novo era uma hipótese tão ridícula que se recusava até mesmo a considerá-la.
Precisaria confessar que, inicialmente, não estava muito interessada em ouvir do que ele achava. Palavras eram desnecessárias do seu ponto de vista, mas assim que ele completou sua fala, Amber foi obrigada a interromper o beijo para rir, mesmo não tendo muita certeza do que exatamente estava rindo. Apoiou a cabeça em sua clavícula, subindo os braços pelo tórax do garoto e entrelaçando os braços ao redor do pescoço dele. Forçou-se a parar de rir, soltando um longo suspira e fitando o garoto com certa intensidade. – Desculpa... É só que, hum, é realmente uma ótima ideia. – Mal acabou de falar de já tinha seus lábios juntos aos dele outra vez, beijando-o com mais vigor do que anteriormente. Temia que fosse difícil manter seus lábios afastados dele durante muito tempo. Era bom o suficiente para fazê-la se sentir como se estivesse absurdamente propensa a se viciar nele. Por isso queria aproveitar aquilo por tanto tempo quanto pudesse, já que não tinha a mínima ideia de quando iria ter aquela chance outra vez. Esperava que fosse logo, e teria até mesmo pensado em uma forma de garantir que isso acontecesse, se não estivesse ocupada de mais beijando o garoto. Por um breve instante perguntou-se o que estaria passando na sua cabeça quando decidiu fazer aquela promessa estúpida. Sabia muito bem que, mesmo sem promessa alguma, iriam se encontrar naquela situação de qualquer maneira.














