Aulário 6: Cultura da Mídia - Semiótica da Cultura
O que é cultura? Diversas explicações, uma delas é: um sistema vivo que sobrevive do trânsito do fluxo de sentido. Sua unidade mínima é o signo.
Na cultura é formada por códigos, um sistema de regras e vinculações entre signos:
Primários: regulam toda informação presente no organismo (código genético). As atividades têm código primário (percepção, emoção, vontade). Transmitem informações e não produzem signos;
Secundários: códigos de linguagem/ composição de textos. Assim como os primários, ainda não são cultura;
Terciários: a partir daqui surgem os textos da cultura. Nessa etapa que os textos são inseridos na cultura como sistema vivo e dinâmico
Na aula abordamos também Sociedade do Espetáculo. Para Guy Dèbord, apresenta-se como algo grandioso, positivo, indiscutível e inacessível. Sua única mensagem é ‘O que aparece é BOM, o que é bom APARECE’.
O momento do espetáculo, que é baseado no choque (espantar o espectador), perde seu diferencial pois se torna algo normal, usual. Vira algo da ordem do produto.
Quando o espetáculo deixa de ser extraordinário ele vira algo corriqueiro, do dia a dia.
No geral, a Sociedade do Espetáculo trata-se do enfoque, da valorização do sucesso (ou o que é considerado sucesso) e deixando de lado as falhas e os ossos do ofício. Cria-se a sensação de que é possível viver sem dor e sem sofrimento.
Aplicação:
O universo do hip-hop tem como principal virtude a aceitação de si próprio e sua origem. Como consequência, o rap surgiu e se reafirmou em comunidades mais pobres e com público de grande maioria negra. A comunidade negra então acolheu o hip-hop como parte de sua identidade.
Por se tratar de um movimento para pessoas mais pobres e negras, o hip-hop e as batalhas de improviso eram um meio de provar que as pessoas eram felizes com o que elas tinham, era uma forma de criticar o governo e provar que você realmente honra a periferia e sua origem.
Eminem, no inicio de sua carreira, sofreu muito nesse meio por ser um rapper branco. No filme 8 Mile, o artista retrata um pouco sobre esse momento de sua vida.
Na batalha final do filme, Eminem desbanca Papa Doc, personagem que era conhecido em Detroit por ser o melhor rapper nas batalhas de improviso.
Eminem primeiro coloca sua cara a tapa, mostra tudo que há de errado na vida dele e mostra como ele é parte do movimento do hip-hop assim como todos que estão ali, mesmo não sendo negro.
Depois, prova que Papa Doc não é da periferia, que tem uma vida perfeita, família e casa perfeitas e que ele não podia honrar o movimento, apesar de ter talento para rimar.
Dessa forma, Eminem acaba com o espetáculo criado por Papa Doc.














