A noite em que eu deixei de ter controle...
Eu não costumava me sentir atraída por caras como ele. Não do tipo dele e nem da estirpe dele. Parecia até enredo barato de romance proibido, daqueles que a gente lê escondido, mas não me importei com rótulos.
O que me atravessava naquele momento não tinha nome. Só um calor que eu não sabia explicar.
Não vou fingir que existe uma grande história sobre como nos conhecemos ou por que decidimos dividir uma noite num quarto de hotel. Não importa. O ponto é que eu queria descobrir quem ele era quando deixava as defesas caírem. Quem ele era sem as camadas, sem a pose, sem o mundo inteiro olhando.
2,06 de altura. Moreno. Barba cheia que marcava o rosto como se tivesse sido desenhado à mão. Tatuagens espalhadas pelos braços, pelo peito, por onde eu não conseguia deixar de olhar. Ele era definitivamente sexy. Não o mais sexy que já vi, mas daquele tipo que acende algo fundo. Algo que incomoda e atrai ao mesmo tempo.
Quando ficamos pela primeira vez, houve um estranhamento doce aquele tropeço inicial de dois corpos que ainda estão aprendendo o idioma um do outro. Eu me perguntava se aquilo ia funcionar, mas bastou um toque, um gesto inesperado, e minha dúvida virou faísca.
A verdade é que a gente quase não se segurou naquela noite. Eu queria ir com calma, cansada de me entregar rápido demais e depois lidar com a frustração. Mas a energia dele valia mais do que pressa. Quando sentei no colo dele ainda de roupa e senti o corpo dele responder, percebi que estava lidando com algo diferente. O jeito como segurou minha cintura, a concentração nos olhos, a respiração presa… ele queria mais. Muito mais. E eu também.
Quando finalmente nos encontramos no quarto, não houve aquela cena caótica de casal tropeçando em móveis. Era como se estivéssemos nos estudando, esperando o primeiro passo, analisando intenções na penumbra. A meia-luz deixava tudo mais lento, mais denso, mais afiado.
A alça do meu sutiã insistia em escorregar pelo ombro. Passei a língua pelos lábios um gesto automático, quase nervoso e foi suficiente. Ele veio até mim com uma determinação quieta, sem brutalidade, mas com firmeza. Antes que eu entendesse o movimento, já estava sobre a mesa, respirando junto com ele. O toque dele no meu rosto fazia minha mente falhar, como se eu estivesse tentando pensar debaixo d'água.
Quando ele segurou meu corpo, quando me olhou tão de perto que quase senti a voz dele antes de ouvi-la, percebi que já não havia retorno. A tensão entre nós era quase uma terceira presença no quarto. Eu queria tudo. Queria agora. Queria rápido. Mas com ele, por algum motivo, não era só sobre isso.
O vestido já não estava mais no lugar quando notei. Ele ainda vestia quase tudo. A diferença de altura criava um contraste que me deixava tonta a forma como se inclinava sobre mim, como me cercava, como se meu corpo coubesse inteiro no dele. Toquei por baixo da camisa e senti os músculos reagirem. Ele tirou a peça e revelou outra tatuagem. Um símbolo. Um signo. Um detalhe que fez algo dentro de mim falhar por um segundo.
Beijei ali e senti o autocontrole dele ruir.
A partir daí, tudo virou ritmo, olhar, respiração. Eu o puxava para mais perto. Ele me trazia de volta para os olhos dele sempre que eu tentava escapar para dentro da própria cabeça. Era como se quisesse me obrigar a viver cada segundo, sem distração, sem fuga.
Havia algo quase perigoso na forma como ele me conduzia. Como se soubesse exatamente até onde podia ir antes de me perder completamente. Como se tivesse estudado a minha entrega antes mesmo que eu admitisse que estava entregue.
A noite seguiu como se estivéssemos no centro de um universo que só existia ali. Um tempo próprio, uma linguagem própria. Era um encontro de corpos, claro mas, do nada, parecia mais do que isso.
Quando tudo terminou, quando eu ainda respirava sem conseguir medir o ar, ele permaneceu ali, firme, olhando com aquele ar de quem tem plena consciência do próprio efeito.
Não elogiei. Não entreguei nada que inflasse o ego de um homem daquele tamanho.
Vai que eu quisesse repetir a dose?
19/11/25 - @entreocafeeocaos