eu perdi meu pai. minha avó e tia das flores. em seis meses. e só hoje, quando tudo ganhou uma distância de tempo parece que finalmente pude experimentar a dor. a dor de querer de volta algo que a vida tirou e nunca mais vai devolver. é quase uma dor de infância, uma birra vazia, pedir implorar pelo brinquedo barato na prateleira. só não tem "na volta a gente compra". não tem volta. e essa promessa, ainda que vazia, fazia diferença. vai que uma hora tinha dinheiro, vai que uma hora ela topa comprar pra mim.
a morte não tem devolução nem consolo nem alívio. a morte é um vazio denso que de vez em quando cede, tira o peso e deixa a gente respirar. e enquanto a vida acontece a gente pensa muitas vezes que não vai aguentar, que vai sufocar, que vai definhar porque a dor… a dor parece que quer matar.
o luto não acaba, a vida acontece em torno dele. mas aqui, bem agora, parece que só existe ele.















