𝘁𝗮𝘀𝗸: magic circles #1
𝘄𝗶𝘁𝗵: sebastian braam
𝗱𝗮𝘁𝗲: 19.12.2020
Ao anoitecer Evangeline avistou a cidade ser preenchida com círculos cintilantes que ela já era familiarizada. Sentia seu corpo estremecer por ansiar uma mudança que poderia acontecer, afinal, a feiticeira já estudava magia negra haviam longuíssimos anos e, após uma semana monótona em que teve que bancar seu papel de boa moça aquele acontecimento fez com que o brilho em seus olhos voltassem.
Era fascinada pelo poder que a magia tinha principalmente quando se trata de algo vindo das criaturas das trevas, envolvendo os Altos Demônios e agregados. Ora, não tinha medo dos círculos, sabia que aquilo poderia ser um sinal de ritual ou invasão, o que a ansiava ainda mais para averiguar a situação. Embora estudasse e tivesse respostas na ponta da língua, Evangeline gostava de se aproveitar das oportunidades que a vida lhe dava e naquele momento um outro colega de magia seria particularmente interessante em fazê-la companhia… o que significava puramente coletar mais informações.
A internet mal havia começado na cidade e como uma clássica feiticeira, Evangeline escreveu em um pergaminho um recado para Sebastian Braam. O papel enrolado como um tubo enlaçado em fita vermelha fora levado para o homem em questão pelo corvo da feiticeira, Dereck.
Os dizeres no papel amarelado em questāo eram esses:
“Círculos de invocação… intrigante, não? Me encontre na primeira esquina do Limbum imediatamente. - May. ᭡”
Assim que colocou o pássaro na janela para enviá-lo ao seu destinatário os lábios curvaram num sorriso cínico, conseguia visualizar o desgosto no semblante do feiticeiro ao avistar a ave em sua direção. Era uma diversão deixá-lo irritado e principalmente arrancar informações quando precisava, o via quase como um lacaio.
Caminhava de forma calma pelas ruas do bairro, chegando na esquina especifica que havia combinado com Braam. Avistou no caminho diversos dos círculos espalhados e alguns cidadãos na tentativa de fechá-los. Justamente por isso a feiticeira sabia que precisava admirar o poder que dali emanava com cautela, sem dar pinta de suas intenções. Em pouquíssimos passos, sua visão encontrou sua companhia para o momento analisando um símbolos de invocação no chāo.
– Presumo que esteja familiarizado pela forma que está olhando com tanta atenção. – O olhar oscilou lentamente do rosto do homem para o chão. Se colocou de frente à ele mas posicionada do outro lado do círculo que os separava.
Evangeline desconfiava do caráter de Sebastian, tinha suas dúvidas se ele também tinha algo a esconder pois mesmo com a convivência agridoce que tinham, ambos pareciam obcecados pela grandiosidade que a magia proporcionava. Os olhos azuis oceânicos demonstrava fascínio, o que instigava ainda mais a feiticeira em arrancar informações. Sabia que ele era inteligente e tinha um conhecimento abrangente pela sua linhagem que tanto se gabava.
– Você acha que os penugens tem alguma idéia sobre os que são esses círculos? – Sebastian comentou como se não estivesse prestando atenção nas palavras ditas por Evangeline. – Algumas vezes tenho a impressão que essa galera lá de cima tem algum medo de magia, poderiam jogar pó de mostarda neles e se assustariam…
– É uma pena que a ordem seja destruí-los… – Murmurou para si, ignorando o comentário alheio mesmo que tivesse uma vontade mínima de dar uma risada. De qualquer forma, boa ou má era uma feiticeira e, independente da índole ela imaginava que deveria adorar as profundezas da magia. Não imaginava que o homem desconfiaria da podridāo que carregava consigo. – São poderosos.
A feiticeira ajeitou as vestes negras que usava, uma espécie de sobretudo, se colocou agachada no chão e esticou a canhota cuidadosamente para perto do círculo, sem logicamente tocá-lo. Admirava intensamente, podia dizer que os círculos se tornariam uma obsessão para sua noite. Até que sua atenção fora voltada para o feiticeiro ao fazer o seguinte comentário:
“Então... Vamos queimar ou quer mandar a galinha das trevas com uma mensagem para o outro lado?"
Evangeline umedeceu os lábios lentamente enquanto seu olhar julgava Sebastian pela referencia ao seu corvo. Sentiu os olhos tremerem ao revirá-los para cima.
– Dereck. Ele se chama Dereck. – Rosnou enquanto o corpo se erguia com os joelhos alavancando-a para ficar de pé.
Juntou as mãos em um movimento como se estivessem aquecendo a própria derme. Respirou fundo com os olhos fechados concentrando-se. Mesmo que pirocinese fosse sua especialidade, Evangeline respeitava ao máximo suas origens e em qualquer iniciativa mágica a mulher focava toda sua força no momento. Estalou os dedos de ambas māos e logo estendeu as palmas, uma pequena labareda fora criada e com um maneio sutil a destra acompanhava a canhota enquanto disparava ainda mais chamas em direçāo do círculo de invocaçāo, começando a queimá-lo. O fogo se intensificou quando Sebastian também se juntou à ela utilizando da mesma habilidade, uma semelhança entre os dois.
Evangeline tinha a determinação como um dos seus pontos principais e não pararia até fechá-lo por completo. Mesmo que quisesse explorar mais ainda aquele simbolismo e lhe doesse estar fechando um possível contato ela não deixaria de trabalhar direito. Com as marcas quase desaparecendo entre as chamas, a feiticeira não havia percebido que sua companhia já havia parado de ajudá-la. Apenas notou quando o mesmo aproximou o rosto com um cigarro entre os lábios perto das mãos de Evangeline que ainda provinha fogo. Ao perceber que o fogo havia acendido a ponta do fumo, teve os olhos novamente revirados.
– Sem comentários. – Murmurou.
Naquele ponto, a feiticeira apenas esticou os dedos parando de utilizar sua habilidade ao notar que que o circulo havia desaparecido e no chão sobressaía uma fumaça escurecida. Aquilo ainda a deixaria intrigada pelo resto dia, ela sabia.