Eu tenho tentado inventar histórias, me basear em alguma coisa real pra partir pro imaginário, mas me vejo de mãos atadas. Tudo o que tenho visto nas últimas semanas é solidão, e tudo que tenho sentido nos últimos meses é que não pertenço ao lugar no qual estou. Descobri que mesmo estando cercados de pessoas, a maioria não te entende e não se importa. Alguns poucos, talvez os que você menos espera, ou os que conhece à tão pouco tempo, eles que vão te acolher e te ouvir, até quando tudo se tornar repetitivo demais, pois você chora e seu coração sofre pelo mesmo motivo de sempre: não se encaixar. Não deveria te afetar, afinal você gosta de ser assim do jeito que é, mas afeta. Particularmente, prefiro ser uma pessoa meio estranha, para qual vários ousam olhar torto quando estou em um momento de plena felicidade, do que seguir os padrões fúteis que encontro em cada esquina, numa menina diferente. Por isso, me desfiz do meu cabelo comprido, recusei a obsessão por moda, fugi de assuntos muito superficiais e até mesmo acabei me excluindo das conversas de minhas "amigas": não quero entrar nesses joguinhos de possessão, inveja, mentiras e falsidade; não quero ser refém do que as "líderes" de cada "bando" impõem. Por muito tempo me deixei levar, tentei me moldar e ser aceita. Mas, agora vejo: a única pessoa que tem que me aceitar sou eu mesma. Se meu jeito de ser me proporciona alguns bons amigos, ótimo. Senão, fazer o que? A vida é longa, o mundo é grande e as pessoas são infinitas. É idiotice pensar que, em meio de bilhões de vidas, ninguém te entende.
ainda procuro um título para meus sentimentos [vinte e sete de outubro de dois mil e catorze], fernanda martins
















