Rebels
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Narcisa sabia que não deveria ir muito longe em lugares que não pertencia, perigos e pessoas má intencionadas a aguardavam. O problema é que era uma mulher livre e não tinha essa de não pertencer. Era assim que saia em momentos de raivas, se enfiava onde não deveria e acabava se safando por pouco ou sendo salva. E Fuego, como se chamava, geralmente era quem a salvava. Provavelmente para não ter problemas com seu marido, além de uma quantia de dinheiro. Fato era, ela simplesmente seguia se metendo entre problemas para sentir a adrenalina e conhecer mais do homem. Aquele momento não era diferente, se esgueirando por entre os lugares inóspitos, até se assustar com o tiroteio que se iniciava. A reação era imediata ao avistar o carro do traficante, não só entrando imediatamente, como fechando a porta como se o lugar fosse dela. ❝Se você não quer problemas, já sabe melhor do que me expulsar, certo?❞ Deu de ombros, se recostando contra o banco de couro como se pudesse ficar tranquila. ❝É sempre agitado assim durante as terça feiras?❞
Não que Narcisa não fosse uma mulher muitíssimo agradável de se olhar, mas o problema era o quanto ela se fazia presente em momentos completamente inoportunos. Não era a primeira vez (nem a quarta) que precisava lidar com a figura intrusa, mas de longe era a pior delas. Quando alguém repentinamente entrou em seu veículo, Fuego apontou a arma em um instinto, até entender o que acontecia. “Mujer loca.” Resmungou, olhando por cima dos ombros dela a fim de verificar se não havia ninguém atrás dela. Trancou as portas e, com o rosto contorcido em uma expressão incrédula, observou a moça se recostar no banco com tranquilidade. “Mira, mulher, você está pensando que está en la playa ou coisa do tipo?“
Ele até gostava das loucas, eram emocionantes, mas as coisas perdiam a graça quando colocavam seus negócios em risco. E queria expulsa-la do veículo, sim, mas não podia. Não porque se preocupava com ela; mas porque ser o culpado pela morte da esposa de Cromwell não era a melhor posição para se colocar. A pergunta o fez soltar um inevitável e ainda desacreditado riso, achando aquela situação toda uma grande piada de mau gosto. “Eu não sei o que você acha que está fazendo, mami, se precisa de um pouco de emoção na sua vida chata de branquela do subúrbio, mas os meus negócios não são brinc—“ Ótimo. Era só o que faltava. “Abaixa. Agora.” Ordenou, ligando o carro e arrancando para que pudessem sair dali; não sem antes alguns tiros atingirem o veículo, fazendo com que ele mesmo inclinasse o corpo para sair da mira alheia, enquanto também disparava de volta.














