❛❛ —- Eu definitivamente seria um excelente Padeiro. ❜❜ comentou sobre o musical de forma tão orgânica que nem parecia ter acabado de provocar ainda mais a loira – mas o sorriso maldoso no rosto o entregava de todas as formas possíveis. Ele estava adorando cada momento, cada segundo. ❛❛ —- Peraí, mas o filme é terrível. Terrível, mesmo! A gente tinha de assistir o musical da década de 90 juntos, aí cê ia ver que que é espetáculo de verdade… ❜❜ a frase morreu no meio, com ele se virando para ela, o sorriso despontando um pouco mais, um pouco além. Subitamente parou a caminhada, para se virar para ela de pertinho, instantes antes de entrarem nas piscinas. ❛❛ —- Ei, a gente devia ver juntos em casa algum dia desses. Meus pais não costuma tar por lá, e a sala é bem maneira… ❜❜ mas logo depois que a sugestão foi jogada no ar, tão rápido quanto se aproximou, se afastou para poder entrar na sala da piscina aquecida. Lá, com a mesma pose desafiadora, continuou rindo, se divertindo, enquanto observava a médica ficar constrangida com o pedido. Mas ele jamais abusaria de seu poder naquela situação – não com Holly, pelo menos. Não pediria nada que fosse extremamente forçado, ou que a fosse deixar mal no dia seguinte; só queria deixá-la um pouquinho mais nervosa, que ela sorrisse para ele em graça. Estava com a desfeita da ordem na ponta da língua quando a Moore disse para ele olhar para o outro lado. ❛❛ —- O que v– ❜❜ Reve interrompeu a própria fala quando viu as mãos a loira irem à lateral do vestido para abri-lo e abaixá-lo pelo corpo. Os olhos acompanharam o deslizar da peça enquanto caía ao chão, subindo de volta para o corpo seminu da mais velha (era tipo um bíquini, não?) até ela levar as mãos ao fecho do sutiã, virando o rosto para o lado contrário tão rápido que podia jurar que escutou o barulho do vento cortando com o movimento. Continuou daquela forma até ouvir o barulho do corpo alheio contra a piscina, e lentamente jogou os olhos de volta para encontrar as peças de roupa no chão, como se Holly tivesse evaporado ali mesmo. Meu Deus. Meu Deus, aquilo não podia ser possível. Enquanto a ficha caía, Reve sentiu as bochechas esquentarem, o formigamento esquentando até as orelhas. ❛❛ —- Eu… É… Holly!!!!! ❜❜ a chamou, como se estivesse dando uma bronca, mas era só muita indignação mesmo. Então, apertando o pano da própria camiseta na região do coração, o sentiu bater firme. Que delícia que era aquela adrenalina de ser pego de surpresa! A outra mão se dirigiu à lateral do próprio rosto incrédulo com os sentimentos que apenas Holly era capaz de proporcioná-lo. Ele já tinha saído com muitas garotas e já havia visto muitos corpos nus, não era algo inacreditável. Mas era Holly, e ele não imaginava que ela seria capaz daquilo. Sorriu, e, dando risada, levou as mãos o mais rápido que pôde até a jaqueta para tirá-la, se desfazer da camiseta, da calça, dos tênis, da cueca, tudo, e pular rápido atrás dela. Quando emergiu da água, ria junto, ainda, inacreditado com o que havia feito por causa de Holly. Era sempre ela, apenas ela. ❛❛ —- Do que cê me chamou mesmo ali atrás? “Dramático”? “Completamente doido”? “Doidinho”? ❜❜ questionou, erguendo uma sobrancelha, nadando para perto dela para circundá-la, tentando soar ameaçador como o Tubarão (apesar que provavelmente estava falhando muito naquilo). ❛❛ —- Acho que quem é doida é cê mesmo, mina. Olha só o que cê fez comigo! ❜❜ colocou as costas da palma da mão contra a testa para dar um suspiro exagerado. ❛❛ —- Alguém me ajude! Estou sendo corrompido por Holly Moore! Eu, uma alma tão boa e inocente! ❜❜ virou apenas os olhos para ela, mantendo a pose, numa pausa dramática. ❛❛ —- … Se nos pegarem, vou falar que a culpa é sua. ❜❜ e, antes que ela lhe contradissesse, deu um tapão na água, jogando um monte na direção dela, querendo impedi-la de falar e utilizar-se de bons argumentos contra sua lógica falha.
Era um morde e assopra sem fim. A forma como Reve se parou abruptamente e se aproximou de si, sugerindo que assistissem ao musical num dia daqueles, com o adendo de que seus pais viviam fora de casa, fez com que o corpo de Holly esquentasse. Não apenas pela proximidade inesperada que trouxe algum calor àquele ambiente, mas porque entendia muito bem o que ele estava sugerindo. Ou ao menos, imaginava que entendia! Não era como se a comunicação entre eles fosse a mais fluida - haviam brincadeiras, era óbvio. Muitas delas. Mas Holly nunca tinha certeza quando estavam falando sério - até porque, eram tão diferentes. Ele parecia pronto para viver uma diversão sem fim, enquanto ela sabia que precisava cumprir com suas responsabilidades, que precisava seguir com suas obrigações e nem sempre tinha tempo para aquilo. Nem sempre tinha tempo para invadir lugares fechados, correr de guardas, flertar como se não houvessem consequências. Estava prestes a responder que deveriam sim, mas ele se afastou tão rápido quanto se aproximou. Holly sentiu o frio da distância e suspirou baixinho - ainda que o sorriso se mantivesse intacto. Ele sempre a deixava assim, sorrindo sem parar. Entrou na área piscina atrás dele, mas tudo correu muito rápido. O desafio. Que arrancou risadas de ambos e deu uma coragem e inconsequência para Moore que era inesperado. As roupas no chão. E a loira tinha certeza absoluta de que Reve havia acompanhado seus movimentos com os olhos, tinha certeza disso!!! E não por nada, mas parte dela havia ficado com um sorrisinho mais largo ao perceber isso. O corpo de Holly na água. Seguido de uma espécie de chamada de atenção, que fazia as bochechas doerem de tanto que a garota dava risada e sorria sem parar. “Vem logo! Não acredito que vai me deixar aqui sozinha. Você fez o desafio, não foi? Eu mostrei que não sou medrosa. Entre logo” a última frase foi quase uma ordem, ainda que os desafios fossem ao contrário naquela noite. Diferente de Reve, Holly não desviou os olhos. Na verdade, ficou tão entretida com a cena dele tirando as próprias roupas para se juntar a ela naquela aventura, que não conseguiu reagir. Vieram as acusações por parte dele de ser doida, doidinha. E ela ria, ria sem parar - tendo sempre certeza de que a água cobria até abaixo de sua clavícula. “Ei! Eu não sou doida, foi você quem me falou pra fazer isso! Achou que eu não fosse topar? Você me subestima, Von Strucker.” Ela murmurou, enquanto os olhos se mantinham presos ais dele, sem ousar desviar por nem um segundo. Não conseguia desviar. Ela ia acompanhando os movimentos dele ao seu redor, achando graça na forma como ele sempre estava performando algo dramático, divertido. A forma exagerada como se lamentou e pediu por ajuda fez com que Holly se aproximasse um pouquinho “Ahhhh, fala sério!! Da última vez você me levou pro teatro e ele estava fechado, a gente foi perseguido! Eu não sou a má influência, não senhor. Se fosse depender de mim, teríamos saído da festa e ido direto pra cama!!” Ela arqueou as sobrancelhas em desafio, demorando alguns longos segundos para entender o que havia dito “Dormir. Cada um na sua cama, na sua casa. Pra dormir. Eu na minha cama. Você na sua cama. Você entendeu” as bochechas de Moore estavam queimando, mas na mesma hora Reve lhe acertou com a água - como se soubesse que precisava relaxar. Automaticamente a garota abriu a boca, surpresa com o ato. Levantou as mãos como se estivesse ameaçando pega-lo, e foi se aproximando mais “Você vai pagar por isso, mocinho” ela deu uma risada e passou a jogar água nele, freneticamente “Você vai ver só!!!” Holly jogava água como se pudessem chamar atenção. Jogava água como se pudessem estar ali. Jogava água como se aquilo fosse fazê-lo rir mais, pois era isso que ela queria. Que ele desse risada, que ele a achasse divertida. Quando estava perto, - mas não perto demais afinal estavam sem roupas!!! - ela parou de jogar água e o encarou, com a expressão leve, tranquila. “Você é o cara mais bobo que eu conheço” mas não falava isso como uma ofensa, na verdade, estava mais para o contrário.