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#mood
agora alguma coisa tão triste tomou conta de nós que a respiração se esvai e nós não podemos sequer chorar.
Bukowski.
recomeçar
Eu não escrevo a um tempo e sinceramente não sei mais como começar algo, imagina re-começar. Não consigo nem entregar um TCC. Cá estou tentando falar novamente de sentimentos. Sentimentos estes que desde sempre foram instáveis e imprevisíveis. Poderia dizer que começaram quando eu tinha 6 anos de idade ou quando ainda estava no útero da minha querida genitora. Poderia dizer que foi fruto de uma adolescência rebelde, não sei quando tudo começou a desandar aqui dentro. Virei avalanche, tsunami, desastre natural, e por vezes calmaria, tarde de domingo e cerveja gelada antes do almoço. Eu disse: IMPREVISÍVEL.
Já fiz muitos mundos além do meu desmoronarem, como também ja fizeram o meu desmoronar por diversas vezes. Já recomecei tantas e tantas vezes por tantas coisas e por tantas pessoas. Já tentei cuidar de quem não cuidou de mim, ja amei por dois, ja trai, ja me trai e me perdi. Eu não sei se dou terra ou se sou fogo, se sou a calmaria de uma água ou a força das ondas.
Sou promessas, desculpas, segredos, sonhos, desejos, sou discos antigos, poemas, e uma comedia da sessão da tarde. Sou futilidade e intensidade. Sou insegurança e indecisão. Sou força e sou um dia de cama.
Não reconheço meu corpo, meus cabelos, minha pele. Fui invadida, desrespeitada, usada, humilhada, fui exaltada, desejada, abandonada. Não me quis. Peço-me perdão por 27 anos de tamanho abandono. Em buscas de recomeços, de pessoas, de lugares, de paz, da casa, de elogios, de merecimento, de AMOR. Em todos os lugares e de todas as maneiras menos em mim e comigo. Como recomeçar agora? Há vozes na minha cabeça, ao meu redor, em todos os lugares, são tantas coisas convencionais, cômodas. Tantas pessoas e suas opiniões. Será que elas enxergam minhas entrelinhas? As entrelinhas das dores, das angustias, amarguras e tristezas que carrego? tal qual as alegrias, histórias, loucuras, e sorrisos também?
Exercem empatía e cuidado? Ou só falam e falam e falam....
Eu cansei de recomeçar, de tentar. Eu estou esgotada e mais cansada ainda de lutar por amor. Amor esse que se fez presente nas minhas lutas diarias de vida. POR QUE tanta busca por romance e uma grande historia de amor?
Primeiro me fizeram poesia, depois me fizeram goles de cerveja e tragos de cigarro. Terceiro me fizeram de farol, iluminando outros passos sem ser os meus. E agora eu já não sei entender. Apagão total. E dessa vez sem nem perspectiva de por onde recomeçar ou como de uma forma pacifica e plena. Há de ter conflitos e dor. Estou verdeiramente e unicamente cansada. esgotada, apática, infeliz.
Há de ter coragem para se reiventar e ser a cada novo dia
Há de ter coragem para remar um novo rio, um novo amor
Há de ter coragem de deixar a dor e o ego para trás e se dar uma ultima chance.
Há de ter coragem para ser covarde e covarde para ter coragem
“Amor é uma luz á noite atravessando o nevoeiro
amor é uma tampinha de cerveja pisada no caminho do banheiro
amor é a chave perdida da sua porta quando você está bêbado
amor é o que acontece uma vez a cada dez anos
amor é o velho jornaleiro na esquina que desistiu
amor é o que você acha que a outra pessoa destruiu
amor é o que desapareceu junto com a era dos navios encouraçados
amor é o telefone tocando, a mesma voz ou uma outra voz mas nunca a voz correta
amor é traição amor é o incêndio dos sem-teto num beco
amor é aço amor é a barata amor é uma caixa de correio
amor é a chuva sobre o telhado de um velho hotel em Los Angeles
amor é o seu pai num caixão (aquele que te odiava)
amor é um cavalo com a perna quebrada tentando se levantar enquanto 45.000 pessoas observam
amor é o jeito que nós fervemos como a lagosta
amor é tudo que nós dissemos que não era
amor é a pulga que você não consegue encontrar
e o amor é um mosquito
amor são cinquenta lançadores de granada
amor é um pinico vazio
amor é uma rebelião em San Quentin amor é um hospício amor é um burro parado numa rua de moscas
amor é um banco de bar vazio
amor é um filme de Hindenburg se retorcendo um momento que ainda grita
amor é Dostoiévski na roleta
amor é o que se arrasta pelo chão
amor é a sua mulher dançando colada com um estranho
amor é uma senhora roubando um pedaço de pão
e o amor é uma palavra usada muitas vezes e muitas vezes cedo demais”
— Charles Bukowski em “Amor é tudo que nós dissemos que não era”
Procuro tergiversar meus versos
no lirismo dos meus dias mais nublados.
Carrego comigo um sentimento perene
e o aroma de um perfume que me embriagou
perpetuando cada acorde, verso e poesia que me foi dada
nessa ópera solitária de uma pobre poeta das madrugadas
De uma personagem sem rumo.
Maria.
Romântico, lírico, fantástico, dramático
Desejos em segundo plano,
não ditos.
Admirado e quase contemplado.
Sem todo drama da rotina
ou duplo suicídio.
Sem todo verso
num cigarro esquecido.
Não(há) interesse
Não(há) compromisso
Quiça seja de Platão
o amor mais bonito
platônico
escondido
não dito
sentido
(Tido)
Maria.