O amor flutua na subida da maré
O corpo todo feito onda
Se desmancha em espuma
À deriva no abraço morno
Morre nas profundezas do outro
Leve, na calmaria infinita.
Ao mar, pressente a tempestade
Engole a nuvem negra da dor
Enfrenta o temporal
O vórtice tragando tudo
Deixe que chova.
A inundação invade
A água se instala pesada
O ventre transbordando
E o peito ilhado.
Se afoga em gotas
De sal.
Sem fôlego, assiste
A paixão escorrer pelas mãos.
As mãos não são mais suas
O corpo não é mais seu
O corpo é líquido
E evapora
A água penetra na terra
Agora quer ser pedra
Conter o rio da saudade
E contemplar quem navega nele
Distante, seca, quente
Sob o sol.