Não olhe assim ó Sr(a) anarco-revolucionári@
Nos olhos de uma mente
privilegiada
por não sentir a fissura
De uma madrugada
maldita
de um amanhecer
de objetos jogados no chão
corpo cheio de dores
e uma impressionante
dificuldade de sair da cama
e da continua vontade
de não viver
Caso sua pele não estremeça
caso sua glote não regurgite
E suas mãos não cassem
objetos cortantes
coquitéis medicamentosos
Não olhe com repúdio
Não revire os olhos
Não julgue como fraqueza
Não desacredite
uma frase “desconexa”
Não menospreze “dias ruins”
O olhar crítico é bem vindo
como ajuda
não como ataque
com generosidade
e não com ar de superioridade
A não resposta a um bom dia
ou a um até logo
Abre novamente
as portas de um inferno
que não conheces
da pessoa que aponta como LOUCA.
LOUCURA (?) Quero algo pra tomar
pra dormir, não mais acordar
As vezes, é sempre
As vezes, de vez em quando
Não tem regra
As vezes crescente
As vezes “por engano”
Por acaso me (a)pega
A sentimento “indecente”
O controle da mente
Vira uma guerra
Os olhos no espelho
tremem
A boca inchada
geme
O choro murmura
Soluça socorro
Só vejo sangue no chão
Que minha mente criou
em flashs de um futuro
prestes a explodir
Um olhar insistente chega
Teima em me acalmar
Deu-me abraço sincero
Não me julgou
nem disfarçado
o talho que retalhei
no meu cabelo
O cansaço dessa vez
foi quem me venceu
Ainda bem
A tesoura ficou na pia
Os remédios também
Amanheceu
Acordei e reparo
no copo vazio ao meu lado
Da água e da paciência
que dali não virou as costas
Até quando mandei embora
Agora repousa a meu lado
um semblante exausto
de quem velou-me
Quando apaguei
De alma quase morta
Dormindo só depois de certificar-se que
dessa vez
mesmo mais demorada
quase infindável
essa crise
havia passado
Mas outra já bate
a minha porta
São os risos de chacota
de quem tem memória
e acha graça de quem não nota
e necessita anotar pra não esquecer
Aquilo que não é tão óbvio
para mentes que se encontram
perturbardas
pela praga da “loucura”
Que virou graça no riso
das pessoas anarco revolucionárias
[Poema escrito talvez entre fim de novembro e início de dezembro de 2014]
Não tive forças pra torná-lo público na época e sei que ainda posso sofrer represálias de publicá-lo agora...
Reencontrei-o hoje nos entulhos que hoje são as coisas em meu quarto.
As coisas parecem estar mais estáveis, ou ao menos mais perceptíveis pra mim hoje. Não me felicita ter notado algumas coisas tão tarde, não me felicita ter me perdido dentro de mim e ter machucado tantas pessoas ao meu redor, principalmente quem me estendia a mão... De olhos cegos para o meu ao redor que também sucumbia comigo, sem saber como estender a mão (até pra mim mesmo)... Abandonei quem tava do meu lado enquanto eu me abandonava, nem se quer eu via isso...
Ainda não sei fazer isso da maneira que acredito ser mais justa, ainda me noto afundando em piras diárias por medo de existir... Mas talvez o caminho seja buscar pontos de equilíbrio dentro dos desequilíbrios que por vezes estou e sou...








