O mundo parecia ter ficado em silêncio por alguns segundos, exceto pelo som descompassado da própria respiração. Margot ainda sentia o próprio corpo latejar, as pernas trêmulas e a cabeça levemente inclinada contra o ombro dele, como se aquilo fosse a única coisa sólida que restava. Ainda estava tentando processar o que havia acabado de acontecer — não só fisicamente, mas emocionalmente. Havia algo em Maxime que fazia tudo ao redor desaparecer, que desligava o filtro do mundo, e ela... ela tinha se permitido. Totalmente. — Então cuidado, mon chéri… porque eu sou feita de excessos. — Ela soltou uma risada curta, rouca, ainda embriagada pela intensidade do momento.
"E se acha que vou deixar você sair daqui intacta depois disso…" A resposta ficou presa na garganta por um segundo, mas o sorriso dela foi imediato, malicioso, como se as palavras dele tivessem reacendido algo que mal tinha esfriado. — Ah, Maxime… — sussurrou, o nome escapando como um gemido suave. — ...não foi minha intenção sair ilesa. Só queria ter certeza de que você não sairia também. — Ela se moveu, lenta, como quem sabe que está sendo observada, e se virou de frente para ele, tocando o rosto dele escondido pela máscara com a ponta dos dedos como se quisesse decifrar cada nuance daquele homem que agora parecia outra criatura. Os olhos, no entanto, pareciam tão familiares, tão intensos, sem desconectar por um segundo do olhar igualmente decidido dela.
A pergunta escapou com naturalidade, envolta num sorriso provocante. Quando ele respondeu com aquela firmeza toda — cada palavra — Margot sentiu o corpo inteiro responder de novo. Era como se o desejo tivesse um botão de reinício e Maxime soubesse exatamente onde apertar. Quando sentiu a mão dele deslizando por baixo da blusa, arrepiando cada centímetro da pele, ela arqueou levemente as costas, entregando-se ao toque. — Só promessas boas tem o direito de rasgar minhas roupas. — murmurou, com um brilho provocante nos olhos. A pressão do quadril dele contra o dela arrancou um arfar involuntário de seus lábios. Ela sentia, com clareza, o quanto ele ainda estava faminto. E o pior - ou melhor - é que ela também estava. Não era só desejo, era quase raiva, uma urgência acumulada que queimava os dois como pólvora prestes a explodir.
Os dedos dela já procuravam o cinto dele quando…
Ela congelou. Os olhos se arregalaram por um segundo antes de se fecharem devagar, como se quisesse mentalmente assassinar quem quer que estivesse do outro lado da porta. O funcionário anunciou o fim do tempo na sala privativa. Maldita hora em que ela mesma decidiu que a sala só ficaria disponível por trinta minutos. Ela queria provocar os outros convidados, deixá-los desejosos, não ela. O tempo. A realidade. A volta forçada para o mundo real. Margot apertou os olhos com força, soltando um “puta que pariu” mental. Sentiu a testa dele encostar no seu pescoço, e o suspiro quente dele vibrou direto na alma dela. Ela não se conteve. — Essa pessoa... essa pessoa... precisa ser demitida. Imediatamente. — sussurrou, irritada, uma indignação sensual que não combinava com a situação.
Quando ele deslizou a mão para a coxa dela e apertou com aquela mistura de frustração e desejo contido, Margot gemeu baixinho. Não havia outro som possível. A pele queimava onde ele tocava. E então ele a encarou, com aquele sorriso torto, e lançou mais uma de suas promessas: "Isso não acabou. Nem de longe." Margot ergueu o queixo, desafiadora, mesmo com os lábios ainda entreabertos pela tortura de ter sido interrompida. — E você ainda nem viu o pior do meu inferno. Quer mesmo brincar com fogo, Maxime? Porque eu prometo que queima. — Ela sussurrou no ouvido, pressionando propositalmente os seios fartos quase descobertos contra o peito dele. — Promessas vazias são a especialidade de muitos, monsieur. Só espero que a sua língua seja tão boa com ações quanto é com palavras. — Ela mordeu o lábio, o olhar faiscando, ansiosa para descobrir se - e como - eles se encontrariam depois dali.
Margot levantou, recebeu ajuda para se recompor, mas antes que pudesse respirar direito, sentiu a mão dele em sua nuca. O beijo veio como uma assinatura, e ela respondeu com igual intensidade. Era possessivo, mas também pedinte. A forma dele marcar território. — Se você me beijar assim cada vez que é interrompido, talvez eu comece a contratar gente pra bater na porta de propósito. — provocou entre sorrisos, ainda com os olhos semicerrados e os lábios inchados. Ele se levantou, ajeitando a calça, e Margot deslizou os dedos pelo próprio decote, tentando parecer minimamente apresentável, mas por dentro... ela ainda queimava.
Ela parou na frente dele, ajeitou o colar com um leve puxão e sussurrou, tão próxima que os lábios quase roçaram os dele: — Eu adoraria ser cúmplice de um crime desses. — Mordiscou o lábio inferior, e então virou-se, com um rebolado natural - mas proposital -, como quem deixa a porta entreaberta e o convite implícito. Quando decidiu ajudar Helena a organizar a festa, ela não pensou que fosse se divertir tanto.