clubes: clube do slugue, monitora, clube de duelos e jornal da escola.
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bio:
♡ lily nasceu em 30 de janeiro de 1960, em cokeworth, uma cidade industrial trouxa.
♡ o pai de lily, harold evans, trabalhava como técnico em uma fábrica de equipamentos industriais. era um homem paciente, de humor seco e mãos permanentemente marcadas por graxa e pequenas cicatrizes. com ele lily aprendeu duas coisas: curiosidade e persistência.
♡ a mãe de lily, flora evans, como professora escolar de literatura, era mais expressiva, alguém que gostava de conversar com vizinhos. era uma mulher prática, com um senso de justiça muito forte, herdado pela filha.
♡ mas seu primeiro grande vínculo foi a irmã mais velha petunia. elas eram inseparáveis e se protegiam acima de tudo. lily tinha uma admiração quase absoluta pela mais velha. o problema foi quando ela fez amizade com o vizinho severus e recebeu a carta de hogwarts, e ficou claro petunia perderia lily e como isso parecia uma "traição" e abandono. depois, elas se afastaram naturalmente, o ressentimento por parte da mais velha latente demais.
♡ em hogwarts, se destacou como uma aluna excepcional. nunca foi particularmente interessada em popularidade, mas quem conquistava sua amizade ganhava a sua lealdade feroz.
♡ agora, no nono ano, ela percebe algo diferente no ar. o crescente burburinho nos corredores e as notícias estranhas dos jornais, as hostilidades crescente e exacerbadas com os nascidos trouxas. lily acompanha os jornais mágicos e trouxas em silêncio, de certa forma rezando para que seja tudo paranoia (mesmo que suspeite que a realidade está mudando rápido demais).
gostos: aprender magia nova, poções, bibliotecas, debates, torre de astronomia, plantas e pequenos jardins, transfiguração, animais, chuva leve, cartas, autenticidade.
desgostos: arrogância, preconceito, irresponsabilidade, autoridade, injustiça, fofocas cruéis, desorganização extrema, ser subestimada, interrupções quando está concentrada ou falando.
hobbies: experimentar pequenas variações em feitiços, cuidar de plantas no parapeito da janela da sala comunal, escrever, ler, história da magia, caminhar pelo castelo à noite, organizar notas e cadernos, observar o lago negro.
patrono: corsa.
bicho-papão: os pais e a irmã mortos.
astrologia: sol em aquário, ascendente em libra, lua em peixes & vênus em capricórnio.
quirks: morde a ponta da pena quando está pensando; franze a testa levemente quando alguém diz algo absurdo; costuma cruzar os braços quando está analisando uma situação; tem o hábito de inclinar a cabeça quando escuta alguém atentamente; às vezes anda lendo pelos corredores e quase esbarra nas pessoas; quando fica realmente irritada, sua voz fica mais calma, não mais alta.
"Ouch?" Seu instinto foi o de franzir a boca em desaprovação, balançando em negativo. "Então acho que vou ter que me esforçar muito mais nos jogos de agora em diante. Quem sabe assim você me elogie uma próxima vez..." Não era uma pergunta, mas ponderou em voz alta que existiria uma chance de que ela depositasse um bocado mais de atenção nele de agora em diante. Bom, era atrevido por pensar isso e querer também, mas o que era James Potter senão um rapaz atrevido? A animação da outra, entretanto, cativou sua atenção de modo que arqueou as sobrancelhas para fitá-la em curiosidade para compreender a parte dela. Não muito depois um sorriso genuíno e completamente involuntário repuxou no canto dos lábios, afetado pela embriaguez de felicidade que sentia toda vez que conversava com ela. E o melhor de tudo: agora de forma mais apropriada e saudável. Era isso que estava fazendo com que ele tivesse noites de sono muito melhores e também avidez em tudo que se propunha a fazer. "Pode ser que sim, pode ser que não... Mas seria interessante pensar que uma delas é. A realidade que eu vi deve ser essa, do passado... Ou é um futuro. Elas não deixaram bem claro do que se tratava, talvez com tanto medo quanto eu estava." Se levasse em conta o que havia conversado com os Marotos, ambas linhas eram do futuro... a menos que uma delas não fosse. Ora, se havia a probabilidade de quem encontrou serem antepassados de Xenophilius e Arthur, então também acataria a ideia como fosse, muito bem-vinda. "Eu acho que iria querer saber o que ele faria se o herdeiro de Salazar estivesse ameaçando uma realidade. Godric é o maior sinônimo de bravura que temos, não para menos, por isso acho que ele faria uma enorme diferença em tempos de guerra, ainda mais em uma que está prestes a estourar." Ao esclarecer aquilo para ela, acabou o fazendo para si mesmo também. Contar com toda ajuda possível parecia ser essencial em um período de crise como o qual estavam inseridos, mas nada ainda era tão concreto - o que o fazia ter um tempo para respirar tranquilo, embora não menos preocupado. "Não acho que você foi colocada na grifinória à toa. Vai saber o que falar pra ele... I mean, se existisse a possibilidade, claro." Permitiu-se rir com a inundação de possibilidades que acometeram sua cabeça, fazendo com que ele se confundisse por um breve momento.
Sentir o contato dela contra ele arrancou mais um gracejo sincero dele, desequilibrando-se momentaneamente apenas para ajeitar a postura outra vez. No entanto, apesar de um clima mais ameno ter sido instaurado, o enorme elefante ainda repousava entre eles e conseguiu enxergar o exato momento em que Lily se pôs a pensar nele. James focou em olhar o horizonte, não mais para ela. Era preciso que também desse um tempo para si mesmo para raciocinar o fato. "Também tenho esse receio. Conheço o básico das teorias temporais e todas elas são um constante lembrete de que nem sempre queremos saber do futuro até que ele aconteça." Havia muito mais por detrás daquela história que James ou Lily pudessem desvendar, mas se pudesse, finalmente, ter contato direto com alguém do futuro, será mesmo que ele iria querer saber o que aconteceu consigo? Quer dizer, se tivesse contato com o garoto, ele ainda existirá depois disso? Não temia pelo futuro que não sabia que teria - ou terá? -, porque só o fato de saber aquilo já mudava muita coisa. E se não fosse com Lily na realidade deles? E se ela casasse com outro e não ele? E se estragasse a relação que estavam construindo agora, Harry ainda seria concebido de alguma forma? Vários 'e se' permeavam sua mente, mas não verbalizou nada disso para não cansar a ruiva. Não somente isso, o problema era que James sentia que não era o momento de se abrir dessa forma com Lily, demonstrando tanta dúvida e abatendo-se por isso.
A outra parte de si, entretanto, clamou por voltar a fitá-la e ali fincou sua visão mais uma vez. Atentou-se também com o que ela dizia e, sem querer, sentiu as pernas doerem um pouco. Foi por isso que suspirou suavemente, para não atrapalhá-la, enquanto dobrava as pernas e se agachava antes de jogar o peso do corpo para trás a fim de sentar-se na grama finalmente. Não esperou que ela fizesse o mesmo se não quisesse, mas ficou muito mais confortável olhando para o horizonte e também para ela vez ou outra. Nesse processo, brevemente arqueou as sobrancelhas por surpresa. Era muito interessante saber uma parte da vida dela sem ser por terceiros, e mais interessante ainda foi da parte dele considerar como se aquele vínculo, cujo qual nenhum dos dois soubera até poucos dias atrás, realmente existisse em algum lugar aí e, principalmente, nele agora. "Você tem mesmo cara de quem tinha uma irmã. Ela é mais velha, formada? Não acho que vi você perto de alguma Petunia por aqui antes." Era praticamente da mesma forma como James se via com Sirius e ficava evidente apenas para ele, filho único. Não era um laço consanguíneo, porém, chegava tão próximo de ser quanto um. "Harry é um ótimo nome para um garoto, assim como é bonito ver que o seu nome e o da sua irmã combinam, de certa forma." Elogiou diretamente, parando para pensar também em si na sequência. "Sabe, é uma tradição na minha família passar nomes compostos em homenagem ao pai do herdeiro. Eu, por exemplo, sou James Fleamont, meu pai é Fleamont Henry, e por aí vai..." Então, parou por uns segundos a fim de que a olhasse novamente, dessa vez com um sorriso melhor delineado no rosto - mais brilhante. "Harry James Potter soa bom." Assim como Lily Potter também, pensou, e infelizmente, como alguém tão expressivo, apesar de não ter verbalizado, o rosto expressava que tinha passado por sua cabeça algo inapropriado. "Meus pais ficariam bem alegres com um neto. Na verdade, eu consigo imaginar que teria um quarto somente pra eles dois na minha casa, porque seria impossível desgrudá-los. Eu sou filho único, você já deve saber, mas nunca vou ter um irmão de sangue, então o neto supriria essa vontade neles... eu acho..." O rosto virou para o lago a fim de pensar melhor na possibilidade. Se tratando de Euphemia, já quase na casa dos sessenta, seria realmente inviável - até porque o próprio James era milagre. "Eu nunca nem parei pra pensar em nada sobre esse assunto antes na vida porque eu nunca tive ninguém pra conversar sobre, mas estou aqui com você, justamente, o que é irônico."
lily sorriu levemente quando ele mencionou o quadribol. ela sabia bem que a questão não era como ele jogava, na verdade já tinha testemunhado diversas vezes que ele era sim um ótimo jogador. o fato residia completamente na questão de que elogiar james potter era um caminho perigoso para inflar ainda mais o ego dele. mas talvez esse fosse um novo capítulo entre eles. ❝ — vamos ver, potter. digo, agora que o campo de quadribol está acessível de novo... pode ser uma boa distração voltar a torcer para a grifinória. parece algo tão mundano e simples no meio disso tudo.❞ — admitiu, dando de ombros. escutou ainda ele falar sobre os fundadores com atenção, assentindo eventualmente. no meio de tudo aquilo tinha esquecido do lord que assombrava a realidade que agora parecia tão distante. ❝ — eu passei o verão inteiro preocupada com essa história, pra ser sincera, e agora... agora cheguei a esquecer dele por dias. parte minha não acha mais que isso tudo tem a ver com ele, com os puristas, mas... fico pensando em como realmente funciona essa coisa toda de fratura no tempo. meus pais, minha irmã... espero que eles estejam bem.❞ — admitiu. esse era um assunto delicado que tinha ocupado sua mente de forma soberana por meses, mas nunca conseguiu de fato falar sobre isso com ninguém de forma contundente. tinha comentado com marlene e mary até, mas a coisa toda com os três castelos aconteceu rápido demais... e ela não sabia se era melhor encarar um realidade ameaçada por um suposto herdeiro de slytherin querendo erradicar os trouxas da face da terra ou seja lá o que estavam enfrentando agora. talvez tinha encontrado algo que é mais assustador que descobrir que era mãe do filho de james potter. sorriu discretamente sobre a parte da grifinória. ❝ — engraçado você dizer isso, já ouvi de muita gente que meu lugar era na corvinal. e uma vez, na sonserina, mas essa era mais por interesses pessoais da pessoa do que qualquer outra coisa.❞ — não achava que estava na casa errada, nunca achou, ainda que as pessoas pudessem normalmente dizer que o lugar dela era na corvinal. ela conhecia quem era de verdade e sabia que a grifinória era o lugar certo.
por um instante, lily esqueceu completamente de responder quando o assunto flutuou para as famílias... o nome. não porque estivesse sem argumentos — merlin sabia que isso raramente acontecia —, mas porque a conversa tinha tomado um rumo que ela jamais imaginou percorrer com james potter. quando ele se sentou, lily se viu instintivamente fazendo a mesma coisa, ainda achando estranho a naturalidade de tudo. havia algo profundamente surreal em estar sentada à beira do lago discutindo o possível nome do próprio filho com ele, como se aquilo fosse uma situação comum e não uma violação completa de tudo que ela acreditava ser sua realidade apenas alguns dias antes. talvez fosse justamente por isso que ela se viu sorrindo durante boa parte do que ele dizia. ❝ — a tuney é mais velha, sim, alguns anos. e não, ela não estudou aqui... ela não é... mágica. o que criou... criou alguns problemas entre nós.❞ — a resposta veio mais suave no final. petunia raramente era um assunto simples, especialmente agora, quando parecia que cada pensamento sobre família inevitavelmente desembocava em outros muito maiores. depois veio a parte do nome e, contra toda lógica, aquilo a atingiu. ouvir james dizer o nome em voz alta daquela forma, encaixando-o naturalmente no sobrenome potter, fez a coisa ganhar contornos ainda mais reais. por um segundo, quase conseguiu visualizar uma criança correndo pelos corredores de uma casa que ainda nem existia para eles. ❝ — harry james potter... não acredito que vou admitir isso em voz alta, mas levando em consideração que vamos ter esse filho juntos, acho que passamos do nível de ficar com vergonha de admitir coisas. mas sim, harry james potter soa realmente bem.❞ — lily suspirou antes de balançar a cabeça.
a brincadeira perdeu força quando ele começou a falar dos pais e foi aí que alguma coisa dentro dela amoleceu. era engraçado ver aquela versão de james que não estava fazendo piada, flertando, não estava tentando impressioná-la. estava apenas imaginando um futuro. e, pela primeira vez, lily percebeu que talvez ele fizesse isso há muito mais tempo do que ela jamais lhe deu crédito. os olhos dela permaneceram sobre ele por alguns segundos antes de desviarem para o lago. ❝ — eles parecem pessoas boas. seus pais, quero dizer. toda vez que alguém fala deles, tipo sirius ou remus, é sempre com carinho. e eu consigo imaginar isso também... quer dizer, eles vão ter competição, claro. meus pais sendo avós... tá aí algo que vai ser interessante de se presenciar. não estou totalmente convencida ainda de que eles sequestrem o menino.❞ — a imagem a fez rir. mas o comentário seguinte dele ficou ecoando. eu nunca tive ninguém pra conversar sobre isso antes. aquilo apertou alguma coisa dentro dela. porque, pela primeira vez desde que toda aquela loucura começou, ela percebeu que não era só ela tentando entender o que significava tudo aquilo, james também estava. lily abaixou os olhos para as próprias mãos por um instante antes de falar. ❝ — se alguém tivesse me dito há um mês que eu estaria sentada aqui conversando sobre futuro com james potter, pior ainda, um futuro compartilhado, eu teria rido na cara dessa pessoa. e agora...❞ — hesitou antes de continuar, fazendo muito esforço para não falar a primeira coisa que vinha na sua cabeça. ainda era cedo demais para alguns pensamentos, já não tinha compartilhado o suficiente? ❝ — não consigo mais fingir que você é só o garoto irritante que me chama para sair nos corredores. e isso é um problema, porque era uma versão muito mais simples de você, mais fácil de lidar.❞
❀ era irônico o fato de que lily evans, uma nascida trouxa, era a pessoa capaz de ajudar narcissa a acalmar os ânimos. a loira assentiu e devolveu o sorriso que lhe fora oferecido, embora o seu fosse um tanto amarelo diante de todo aquele desconforto. a resposta de lily fez com que narcissa se sentisse mais à vontade. a ruiva compreendia exatamente o que ela estava sentindo, ou ao menos podia imaginar. quando evans confessou que não vivia um dos melhores momentos em sua relação com a irmã, a expressão de narcissa se contorceu e, por um instante — algo que seria o pesadelo de sua mãe, ela sentiu empatia por lily.
sentiu porque amava as irmãs acima de tudo e porque se lembrava do rompimento que atingia sua própria família. sirius e regulus também haviam se afastado, e narcissa sabia muito bem como uma briga entre irmãos era capaz de afetar a todos. não sabia o que faria se um dia fosse impedida de ter as irmãs por perto. ❝ eu não sou a melhor conselheira e nunca terei uma visão romântica de mundo, mas... acho que certos amores nunca morrem. então, ainda que não seja meu lugar opinar, creio que isso não mudou. ❞ embora narcissa transparecesse a delicadeza de uma flor e fosse tão doce quanto uma, não era das mais românticas. quando se nasce um black, o romantismo ao ver o mundo não é um luxo que se pode ter. ❝ como se esquece um irmão? eles são as únicas pessoas que entendem o que é carregar o mesmo sobrenome, o que é ser filho dos seus pais... ❞ ser uma black era um trabalho árduo e, por mais que não admitisse isso em voz alta, narcissa sentia certo alívio pelas expectativas depositadas sobre si serem consideravelmente simples. esperavam apenas que se tornasse uma dama perfeita com elegância e obediência. não era uma tarefa fácil e ela sentia uma constante vontade de gritar, mas tampouco se comparava ao peso que recaía sobre os ombros das irmãs. bellatrix e andromeda carregavam responsabilidades muito maiores, e narcissa tinha plena consciência disso. ❝ também sou uma irmã mais nova. bellatrix e andromeda já viveram nesse mundo sem mim, mas eu não sei como é a vida sem a existência delas. ❞
por algum motivo, as palavras de narcissa a atingiram com mais força do que o esperado, talvez porque viessem de alguém que, teoricamente, enxergava o mundo de uma forma tão diferente da sua. talvez porque, apesar de todas as diferenças entre elas, aquele sentimento específico parecesse exatamente igual. ❝ — acho que essa talvez seja uma das coisas mais irritantes sobre amar alguém. às vezes você passa anos zangada, decepcionada, magoada, convencida de que nunca vai perdoar a pessoa por alguma coisa e, ainda assim, no momento em que imagina algo ruim acontecendo com ela, percebe que nada disso realmente importa.❞ — a lembrança de petunia sempre vinha acompanhada daquela sensação agridoce. por mais que estivesse magoada, por mais que existissem palavras que não conseguiam desfazer e feridas que ainda não tinham cicatrizado, havia coisas que permaneciam intactas sob tudo aquilo. ❝ — depois que vim para hogwarts, tudo só piorou. acho que ela ressente o fato de eu ser mágica e ela... não. mas você está certa, existe uma parte da vida que ninguém mais consegue entender da mesma forma que um irmão.❞ — assentiu, a profundidade da conversa a assustando novamente. ela e narcissa não eram exatamente amigas, mas existia uma facilidade em conversar sobre aquele assunto. por um instante, pensou em tudo que tinha acontecido com andrômeda naquele dia e no pânico contido de narcissa, no jeito como ela vinha tentando manter a compostura apesar da preocupação evidente. então o sorriso de lily suavizou um pouco. ❝ — suas irmãs têm muita sorte de ter você. você pode fingir que é só a editora impecável do jornal e a pessoa mais organizada de hogwarts, mas está bastante óbvio que atravessaria uma parede de pedra por elas sem pensar duas vezes.❞
i’m so glad you came! Lily falava como se Emmeline pudesse fazer algo diferente. Evans era provavelmente uma das pessoas que tinha de mais próximo em Hogwarts, então absolutamente qualquer plano que ela pudesse ter, Emme estaria apoiando. ❝ ⸻ É claro que viria! ❞ Respondeu animada, aproximando-se da amiga rapidamente. ❝ ⸻ Eu só demorei um pouco porque teve o retorno dos treinos de quadribol e o time precisou fazer uns minutos extras. Eu culpo o James, ele está bem mais enferrujado do que eu. ❞ A implicância veio sem motivo nenhum, apenas porque Emmeline gostava de fazer isso. ❝ ⸻ Inclusive, se você ouvir uma versão diferente dessa história, saiba que a minha é a única verdadeira. ❞ Acrescentou em tom de voz bem jocoso enquanto apontava para a amiga com o indicador. Ela tinha os olhos semicerrados e um sorriso leve nos lábios. ❝ ⸻ Mas assim que acabou eu fui correndo me arrumar para dar tempo de te encontrar. Acabei encontrando uma colega do clube de teatro no caminho e fiquei presa em uma conversa de quase dez minutos sobre ela ter encontrado alguém perdido no nosso armário de figurinos. ❞ Não havia sido uma surpresa tão grande assim, afinal o armário enfeitiçado para caber mais e mais figurinos era um labirinto para quem ainda não conhecia. No entanto, tinha ficado chateada por atrasá-la para o seu compromisso com Lily. ❝ ⸻ Mas chega de falar sobre isso! Como você está? E quais os planos para hoje? Sou toda sua! ❞
o sorriso de lily surgiu quase instantaneamente quando emmeline finalmente apareceu. não apenas estava muito feliz em vê-la, mas também precisava desesperadamente de algumas horas fingindo que sua vida não tinha se transformado em uma sequência ininterrupta de crises mágicas e revelações bombásticas. ❝ — olha, eu não estava lá, mas preciso admitir que sua versão já parece muito convincente. principalmente porque potter enferrujado é uma imagem engraçada.❞ — ela balançou a cabeça, divertida, a leveza da conversa fazia bem de uma forma que nem tinha percebido que precisava. ❝ — eu estou muito feliz que você tenha vindo, porque eu precisava desesperadamente de uma noite normal... ou pelo menos da ilusão de uma noite normal. por isso, os planos de hoje são simples: caminhar sem destino, falar mal de pessoas que merecem que falemos mal delas, discutir teorias absurdas sobre a vida amorosa de terceiros para variar um pouco e, o princip, passar pelo menos uma hora sem mencionar viagens temporais. eu sei que parece ambicioso, mas acho que podemos dar conta do recado.❞ — então lançou um olhar curioso para a amiga, apertando levemente seu braço enquanto começavam a caminhar. ❝ — primeiro tópico, você quer começar? não se esqueça das regras!❞ — brincou. claro que não diria não se de repente a amiga quisesse falar sobre o ponto de convergência, mas emmeline era alguém que sempre conseguia distraí-la e fazê-la sorrir, e era disso que precisava naquele momento.
Marlene conseguia sentir a tensão de Lily pelos ombros e isso a preocupava. Talvez o futuro estivesse caindo com um peso maior nela que Marlene pensava “Imagino o quão estranho deve ser ter um filho revelado desse jeito” Faz uma leve careta, pensando que ela mesma entraria em curto “Mas pense bem, ele parece ter um bom amigo…” Tenta melhorar a situação, falhando miseravelmente porque simplesmente não havia como melhor a perspectiva — não que tudo fosse ruim, mas era estranho “Bem, eu também não sei nem como fazer graça disso tudo” Suspira, inclinando a cabeça, decidindo se sentar ao lado dela por fim “Mas você sabe de detalhes reais ou apenas o que saiu da boca mentirosa do Lockhart? Sabe que ele sempre aumenta as coisas, não é? Algumas coisas podem ter sido invenção?” Pega um pedaço de torta de abóbora, levando ao prato de Lily; Observando o quão intocado estava “Acho que devemos ir atrás de nossas próprias conclusões” Pega um pedaço de bolo chocolate para si dessa vez e em seguida tira um pequeno pedaço com o garfo e leva para Lily, oferecendo-a “Me estressa que nenhum deles sabe fazer a pergunta certa”
lily deixou escapar uma risada diante da tentativa de marlene de encontrar algum lado positivo na situação. era uma reação injusta, ela sabia, a amiga estava tentando ajudar. ❝ — um bom amigo... bom, considerando que eu passei pelos piores momentos só com ajuda de vocês, talvez realmente seja um ponto positivo.❞ — concluiu, dando de ombros. respirou fundo antes de continuar contando os detalhes nada inventados e reais da situação. ❝ — lene, é tudo verdade. quem me contou foi remus... e eu confio em remus de olhos fechados, sem quesitonamentos. resumindo, eu descobri hoje que aparentemente existe um harry potter, que esse harry potter é meu filho, que ele é melhor amigo de um weasley vindo do futuro, que esse weasley sabe quem eu sou, que remus vai ser professor de hogwarts!❞ — a fala saiu atropelada, porque ela ainda não tinha processado tudo. toda vez que tentava organizar os acontecimentos em ordem lógica, eles ficavam ainda mais absurdos. os olhos acompanharam o pedaço de torta sendo colocado em seu prato e, por um instante, ela apenas ficou encarando a comida como se tivesse esquecido completamente da função dela. quando marlene estendeu o garfo com o pedaço de bolo, ela revirou os olhos e aceitou a oferta, mordendo o doce mais por obediência do que por fome. ❝ — você sabe que é irritante quando age como uma mãe de cinquenta anos, não sabe? eu deveria ser a responsável dessa amizade. eu sou a monitora. eu sou a mãe, aliás! ha, olha só, já estou fazendo piadas...❞ — mas apesar da reclamação, o tom era carinhoso; marlene estava certa, ela não tinha tocado na comida de novo. lily suspirou e apoiou os cotovelos na mesa. ❝ — mas você também está certa sobre uma coisa, ninguém está fazendo as perguntas certas. todo mundo quer saber quem casou com quem, quem teve filhos... mas ninguém parece interessado em perguntar por que alguns deles parecem tão desesperados para chegar até nós. do jeito que remus falou, esse ron weasley parecia louco para despejar muitas outras informações até que minerva interrompesse. e essa parte me assusta muito... o que acontece no futuro que fez ron weasley se desesperar para falar com remus?❞ — a pergunta retórica, que provavelmente ficaria sem resposta, a deixava mais preocupada do que os próprios castelos e a crise temporal em si.
os olhos se ergueram do livro somente quando a voz de Lily preencheu o silêncio, a piadinha fazendo com que estreitasse os olhos na direção da amiga. " ha ha ha ha muito engraçado. " respondeu, fazendo um movimento com a mão para que a pena parasse e caíssem sob o caderno novamente. " essa foi uma maneira horrível de me ofender, sinto que nossa amizade acabou aqui. " falou dramática, levando a mão sob o coração e fechando os olhos, antes de abri-los novamente, e sorrir na direção da amiga. " eu vou dizer isso só uma vez, e se você repetir pra alguém, negarei até a morte, mas.. o que ela tem de irritante, tem de brilhante, essa pena é mesmo muito útil. " Dorcas negaria pro resto da vida que elogiou Rita Skeeter, mas tinha que admitir que a ideia da pena era bem interessante, e facilitaria muito sua pesquisa. " posso ajudar em algo minha amada ruiva? " perguntou fechando o livro, e indicando com a cabeça para que a amiga se sentasse ao seu lado.
lily soltou uma gargalhada diante da indignação de dorcas, levando uma das mãos ao peito como se estivesse profundamente arrependida do crime que acabou de cometer. ❝ — acabou mesmo. eu ultrapassei todos os limites imagináveis, nem sei como você consegue olhar para mim depois de uma acusação dessas.❞ — respondeu no mesmo tom dramático, embora o sorriso permanecesse firme. a verdade era que aquela era provavelmente a primeira vez em dias que ela se sentia mais leve. ❝ — ah, não. não, não, não. você acabou de elogiar rita skeeter. eu ouvi perfeitamente. não importa quantas vezes você negue depois, eu vou guardar esse momento para sempre.❞ — ainda sorrindo, ela finalmente aceitou o convite e sentou-se ao lado da amiga. a pergunta de dorcas arrancou um suspiro. ❝ — eu passei boa parte dos últimos dias tentando entender esse possível colapso da realidade e tudo que ele implica. aí, do nada, o universo decidiu que isso não era suficiente e resolveu acrescentar james potter à equação. o pior é que eu acho que estou começando a superar a fase do horror... e isso me assusta. eu não gosto nem um pouco da sensação de perceber que talvez eu não seja tão imutável quanto sempre achei que fosse.❞ — então virou o rosto para dorcas novamente, estreitando os olhos com um pequeno sorriso. ❝ — mas chega de crise existencial por um segundo. o que exatamente está ocupando essa mente brilhante antes que eu decida monopolizar a conversa e transformar você em minha terapeuta particular pelo resto do dia?❞
O sorriso de Gilderoy aumentou no instante em que Lily voltou, significava que o cartaz tinha vencido. Na experiência dele, curiosidade sempre era mais forte do que bom senso, especialmente em Hogwarts. “Eu vou escolher interpretar isso como um elogio, até porque eu trabalhei muito duro para garantir que ela parecesse absurda à primeira vista. É uma arte delicada”, respondeu com satisfação evidente quando ela classificou a ideia como potencialmente genial. Ele apoiou melhor uma das mãos na mesa, observando Lily analisar o cartaz daquele jeito, como se estivesse prestes a corrigir uma redação. Era uma das coisas que ele achava mais divertidas nela. Lily Evans parecia incapaz de aceitar qualquer informação sem antes desmontá-la mentalmente peça por peça. Quando ela perguntou sobre a peça em si, o sorriso dele ganhou aquele brilho que normalmente surgia quando Gilderoy falava de alguma ideia que realmente o divertia. Ele desceu da mesa com facilidade, aproximando-se do cartaz como se estivesse prestes a apresentar um projeto acadêmico perfeitamente legítimo. “Finalmente a parte boa. A resposta curta é: os três. É uma comédia, é uma tragédia e, dependendo de como as audições correrem, pode acabar virando um documentário. Mas a ideia principal é simples: Hogwarts está presa numa crise temporal absurda. Existem três castelos. Pessoas estão encontrando versões do passado. Alunos estão convencidos de que qualquer sombra no corredor é uma profecia. Então pensei: por que não transformar tudo isso numa peça? Quero dizer, se nós sobrevivermos a isso, alguém vai contar essa história um dia. E eu não confio nos historiadores para torná-la interessante”, o comentário foi feito com humor, mas havia uma pequena centelha de verdade ali. Gilderoy realmente acreditava que as histórias pertenciam às pessoas que sabiam contá-las. Então voltou a olhar Lily com diversão. “Além disso, admita, Evans, você está curiosa. Não necessariamente sobre participar. Eu conheço você melhor que isso, mas está curiosa para descobrir até onde essa ideia vai antes de explodir na minha cara”, comentou com um sorriso leve e charmoso, seu característico.
lily permaneceu olhando para ele durante toda a explicação com uma expressão de quem estava simultaneamente fascinada e horrorizada. a parte racional do cérebro gritava que aquilo provavelmente terminaria em desastre, enquanto outra parte, muito mais curiosa e inconveniente, queria desesperadamente ver o que aconteceria. quando gilderoy terminou, ela cruzou os braços e balançou a cabeça. ❝ — eu odeio ter que admitir, mas você tem um ponto. quer dizer, ttodo mundo está obcecado por isso de qualquer forma, então talvez transformar tudo numa peça seja mais saudável do que deixar as pessoas enlouquecerem sozinhas.❞ — ela soltou uma risada nervosa ao perceber que concordava com lockhart acima de tudo. bom, depois que descobriu que ia casar com james potter, tudo parecia possível mesmo. merlin, aquilo era ridículo e talvez justamente por isso fosse difícil não gostar um pouco da ideia. quando ele comentou que ela estava curiosa, lily abriu a boca para negar, mas percebeu que ele estava certo. ❝ — eu odeio quando você acerta alguma coisa. sim, gilderoy, eu estou curiosa. não sobre participar, eu jamais pisaria voluntariamente num palco para cantar sobre qualquer coisa que fosse, porque apesar de ser aficionada na música, não nasci com um pingo de talento para ela. mas estou extremamente curiosa para descobrir até onde isso vai... e falando sério, lockhart, você já escreveu algo? não prometo nada, mas leria o roteiro e faria... apontamentos. quer dizer, toda grande peça que se preze precisa ser apresentada para um público crítico antes de estrear, não? me considere algo parecido com isso.❞
Lestrange balançou a cabeça em um movimento curto, mostrando compreensão. Não podia fugir dos boatos que corriam pelos corredores. Se não viesse da sala dos professores, viria da sala de aula, de alguém no corredor. Não culpava os alunos por sua enorme curiosidade, nem quão agitados ficavam com qualquer novidade. Qualquer coisa parecia ser melhor que nada. Ainda assim, alguns eram diretamente envolvidos. Para estes, tinha enorme simpatia. Não deveria ser uma posição fácil de se estar. "Não se preocupe, permaneça o quanto julgar necessário." Não precisava de mais explicações. Tampouco pediria que se retirasse. Podia ver o quanto ela parecia cansada. Podia ouvir a exaustão em sua voz. Sabia que nada daquilo eram só sintomas físicos.
Contornou a mesa para ver o que ela fazia com papel e pena em mãos. "Fique à vontade para prosseguir com sua atividade, Evans." Incentivou, erguendo os olhos para a garota. "A prática da escrita é, frequentemente, uma forma valiosa de organizar e aliviar a mente, independentemente do tema abordado." Comentou de forma breve. Era uma das melhores maneiras de organização de uma formal geral. "Contudo, caso prefira, também podemos conversar sobre qualquer outro assunto de seu interesse."
por algum motivo, a compreensão dele foi pior do que qualquer repreensão teria sido. era muito mais fácil lidar com autoridade quando havia algo contra o qual se defender. ela observou em silêncio enquanto ele contornava a mesa e, por reflexo, pousou uma das mãos sobre o pergaminho parcialmente preenchido, como se só então lembrasse da existência dele. a verdade era que não estava escrevendo nada útil; tinha começado três textos diferentes nos últimos quarenta minutos e nenhum deles era bom o suficiente ou sequer tinha alguma serventia. ❝ — isso pressupõe que eu tenha alguma ideia do que estou escrevendo. no momento, acho que estou apenas desperdiçando pergaminho. ultimamente parece que toda vez que eu tento colocar alguma coisa no papel, surgem cinco perguntas novas.❞ — o olhar dela acabou se perdendo por alguns segundos em algum ponto distante da sala. ❝ — perdoe o meu palavreado, professor, mas se mais uma pessoa me perguntar sobre filhos hipotéticos ou linhas do tempo existe uma chance real de eu começar a lançar azarações.❞ — tinha humor ali, mas apenas parcialmente.... a exaustão ainda era genuína. por alguns instantes ela ficou em silêncio, apoiando o queixo na mão enquanto observava distraidamente os livros da estante atrás dele. ❝ — quando o senhor tinha a minha idade, já sabia o que queria fazer da vida?❞ — perguntou do nada.
Lentamente, novos detalhes sobre o encontro entre Remus e o garoto — que supostamente vinha do futuro com mensagens direcionadas ao passado — se alastravam pelo castelo e, com eles, diferentes figuras se viam emaranhadas na trama complexa daquele enredo. A figura da vez era Lílian Evans que, no auge de sua carreira acadêmica, precisava lidar com o fato de um filho a esperar em algum momento de sua trajetória de vida. Um filho com James Potter. Mesmo que aquele fosse um plano adiante para a garota, que ela sonhasse com a maternidade, conseguia colocar-se em seu lugar e vislumbrar a agitação interna que a notícia causava. Ora, estaria em desespero se fosse ela. Entretanto, era mais fácil manter a calma como alguém que acompanhava tudo de fora. Atentamente estudava o semblante cansado da garota quando notou falar sozinha, silenciada pela distração de outrem. ── Não se preocupe, Lily. Você não me deve explicações. ── Esclareceu com a voz gentil, oferecendo um sorriso igualmente cálido a ela. Por um instante, pareceu considerar as opções listadas. ── Acho que prefiro falar sobre sua deprivação de sono, pois não sei o que eu faria se descobrisse que sou mãe do dia para a noite. ── Revelou por acidente. Notando o quão insensível e autocentrada soava, Molly balançou a cabeça em negativa. ── Mas isso não é sobre mim. ── Disse, então tomando a liberdade de se sentar ao lado da colega de casa. ── Quer tirar o dia para descansar e, quem sabe, conversar sobre isso? Também não precisa se preocupar com suas obrigações com a monitoria, eu assumo o seu lugar por quanto tempo precisar. ── Depois de se atrapalhar com as próprias palavras, o melhor que fazia era oferecer uma ajuda prática.
por algum motivo, foi justamente a oferta de ajuda que quase fez lily rir. não uma risada divertida, mas aquela reação estranha de desespero. ela vinha administrando tudo havia dias; as rondas, as aulas, os castelos, as teorias, os rumores, os alunos entrando em pânico e, agora, aparentemente, a descoberta casual de que em algum lugar do universo ela tinha um filho com james potter. ela abaixou os olhos para a caneca de café entre as mãos e soltou uma risada baixa novamente. ❝ — sabe o pior? eu nem acho que seja a parte do filho que está acabando comigo. quer dizer, sim, ainda não consegui processar isso sem sentir vontade de correr até o lago negro e me jogar dentro dele... mas acho que o que realmente está me deixando exausta é que eu não consigo parar de pensar e não chegar em respostas. e eu odeio não entender as coisas.❞ — fez um gesto vago com a mão livre. por um instante ficou em silêncio, observando o próprio reflexo escuro na superfície do café antes de voltar a olhar para molly. ❝ — obrigada, molly, sério, mas eu acho que, se eu tirar um dia inteiro para descansar, vou acabar usando esse tempo pra fazer meu cérebro entrar em um curto circuito ainda maior de tanto pensar e se preocupar. então talvez continuar ocupada seja a opção mais segura. mas você pode ficar aqui comigo, se não tiver nada melhor pra fazer. acho que estou precisando conversar sobre qualquer coisa que não envolva castelos, viagens temporais ou filhos hipotéticos.❞
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where: pátio interno.
No primeiro ano, Frank jamais cogitaria a ideia de perambular pelo castelo à noite. Como poderia? Aquele lugar era cheio de fantasmas e segredos bizarros, seu tio Algernon já havia lhe preparado com todo tipo de história antes de entrar. Com o passar dos anos, porém, foi aprendendo a se defender, tornando-se um bruxo eficaz no que fazia a ponto de escolher defender outras pessoas depois que terminasse a escola. Ainda bem. Imagine se fosse um monitor que nunca tinha coragem de fazer suas rondas sozinho?
Ainda assim, preferia não tê-lo feito naquela noite. Estar sozinho fazia com que pensasse mais, e quanto mais pensava, mais problemas encontrava. Em um certo ponto, se encontrava tão sobrecarregado com as próprias preocupações que se sentou num dos bancos do pátio no meio da ronda, e não fazia ideia de quanto tempo havia se passado quando ouviu a voz de Lily. “Huh? Lily?” franziu o cenho, semicerrando os olhos para tentar enxergá-la melhor naquela luz. “Perdão, eu estava no meio de uma ronda e me distraí. Já devia ter voltado pro dormitório a essa hora” explicou, dando um sorriso nervoso. Não sabia se podia chamar aquilo de distração, na verdade. Agora que estava diante de Evans, sua mente inevitavelmente divagou para os rumores recentes. Tinha muitas perguntas e preocupações a respeito, mas definitivamente não queria sobrecarregá-la. “Como você está? Apesar do caos generalizado, e tal.”
lily diminuiu o passo ao se aproximar do banco, a varinha iluminada com lumos lançando sombras compridas pelo pátio enquanto observava frank se recompor. ela não precisou que ele explicasse muito para entender o que tinha acontecido; nos últimos dias, ela também estava caminhando pelos corredores com o corpo presente e a mente presa em algum lugar entre teorias impossíveis, preocupações familiares e a simples exaustão de existir. ❝ — eu percebi... pra ser sincera, achei que você estava em algum tipo de transe ou passando mal, fiquei preocupada.❞ — comentou, aproximando-se o suficiente para encostar o ombro no banco sem realmente sentar. a pergunta seguinte a fez hesitar. "estou bem", "estou aguentando", "vai dar tudo certo" eram frases que vinha repetindo para tanta gente ultimamente que começavam a soar vazias até para ela. lily soltou um pequeno suspiro pelo nariz antes de erguer os olhos para o céu escuro acima do pátio. ❝ — acho que depende do minuto em que você me pergunta. tem horas em que eu estou convencida de que a gente vai descobrir o que aconteceu, desfazer tudo isso e rir da situação daqui alguns anos... e tem horas em que eu olho pela janela e vejo três castelos no horizonte e lembro que isso não deveria existir. aí fico um pouco menos otimista. mas acho que continuo... funcionando de algum jeito, o que, levando em consideração tudo que descobri nos últimos dias, é uma grande vitória.❞ — respondeu. então observou frank com mais atenção. elenão parecia alguém que tinha parado ali apenas para descansar as pernas. ❝ — e você? eu conheço essa expressão, longbottom, é a mesma que eu faço quando estou pensando demais e chego à conclusão de que todas as possibilidades são ruins. quer conversar?❞ — ela não pressionou além disso. nunca foi do tipo que arrancava confissões das pessoas à força, mas deixando claro que ainda estava ali caso ele optasse por isso.
peter gostava de ouvir lily tal qual uma criança aprendia sobre o mundo pela primeira vez. realmente havia um fascínio e admiração—não só porque ela sobre fora uma das pessoas que nunca proferiu uma única palavra negativa em sua direção, ou porque ela nunca duvidou de seu merecimento dentre o grupo de amigos em que ele se encaixava, mas porque ela sempre sabia o que fazer. ainda assim, quando ela começou a listar as possibilidades, ele fez uma careta. "viu? é exatamente isso," reclamou baixinho, quase apontando pra ela em drama. "toda teoria que pode começar razoável termina horrível." a risadinha nervosa veio logo depois, mas morreu conforme voltava a encarar as três estruturas ao longe. era impossível olhar pra aquilo sem sentir o estômago estranho, especialmente depois da reflexão que lily o guiara a ter. pelo menos era bonito, apesar de assustador. "então você acha que alguma coisa causou isso de propósito?" perguntou, alarmado. "também espero muito que quem fez isso seja inteligente o suficiente pra desfazer, agora." mas foi só quando lily sorriu daquele jeito, confiante e doce, certamente em uma tentativa de tranquilizá-lo, que peter pareceu relaxar um pouco de verdade. "você falando assim faz parecer menos impossível." a possibilidade de mais de um dumbledore e uma minerva existirem para salvar a bunda de todos eles acalentava um pouco o coração de peter. algumas vezes, ele esquecia-se de quanta coisa a magia era capaz de fazer por eles. "eu poderia beijar milhares de dumbledores e minervas se a gente puder se formar logo e em paz."
a reação dramática de peter arrancou uma risada de lily. ele tinha razão, toda teoria que começava minimamente razoável acabava desembocando em alguma conclusão aterrorizante sobre realidades paralelas ou colapsos mágicos. quanto mais ela pensava, pior tudo ficava. ❝ — as pessoas vivem dizendo que gostam de respostas, mas ninguém fala sobre o fato de que algumas respostas são muito piores do que as perguntas.❞ — filosofou, pensando em como eles queriam resolver a situação, mas talvez não estivesse preparada para receber todas as informações que provavelmente poderiam receber em retorno. a pergunta seguinte, porém, a fez voltar os olhos para os castelos outra vez. ❝ — eu não sei se foi de propósito, mas acho difícil acreditar que uma coisa desse tamanho aconteceu por acidente. parte de mim prefere acreditar que alguém causou isso do que acreditar que simplesmente aconteceu sozinho. pelo menos a primeira hipótese significa que existe uma explicação.❞ — explicou sua lógica, ainda que fosse imperfeita; mas era muito mais assustador pensar que você podia ir dormir normal em um dia e acordar no outro com o tempo fragmentado, sem motivo nenhum. quando peter comentou que ela fazia aquilo parecer menos impossível, lily sentiu o peito apertar de leve. sinceramente, ela nem sabia o que estava fazendo ou se o que falava era válido, mas peter parecia um pouco mais tranquilo agora e, naquele momento, isso bastava. ❝ — bom, alguém precisa ser otimista entre nós dois. claramente você decidiu abandonar essa função.❞ — provocou com leveza, apoiando os cotovelos no parapeito da janela enquanto observava o amigo pelo canto dos olhos. o comentário sobre beijar milhares de dumbledores e minervas fez com que ela soltasse uma gargalhada. ❝ — eu acho que a gente vai se formar, talvez não exatamente do jeito que imaginamos quando o ano começou, mas eu acho que vamos sair daqui. e, quando isso acontecer, você vai até sentir saudades desse caos. vamos ter que fazer reuniões semanais caóticas só pra fugir da sufocante prisão da normalidade.❞ — o sorriso que lançou a ele era tranquilo, caloroso e quase teimosamente confiante.
❝ — ora, não é óbvio? se o seu objetivo é me conquistar de uma forma ou de outra, talvez fosse vantajoso você não dizer nada e... aceitar um momento que a sorte te deu. tudo é válido na guerra e no amor, não?❞ — questionou. era um teste, na realidade. lily evans não acreditava que nada estava acima da verdade, muito por isso o ato de james lhe dizer aquilo, mesmo sacrificando uma possível vitória na situação, foi o melhor que poderia ter feito nos últimos dias... o mais efetivo para a causa dele também, inclusive. mas isso guardaria para si. precisou conter uma risada curta ao perceber que ele estava genuinamente preocupado no que arthur pode ter feito que ganhou a sua atenção. ❝ — ele me beijou, mostrou os bíceps e me fez uma serenata de um poema autocomposto. e eu adoro homens que têm um pé no artístico, sabe, não pude evitar... uma pena que não era você.❞ — mal conseguiu falar aquilo com a cara séria, a risada saindo logo depois. ela sabia que era difícil de acreditar, mas a piada não tinha o condão de ser realista, apenas de aproveitar aquele momento. muitas pessoas subestimavam o seu humor, mas lily evans era particularmente boa em criar piada com as piores situações, ou rir fora do momento adequado para tal... sempre era assim, os evans ganhavam os piores e mais julgadores olhares na missa de domingo desde sempre. depois, ajeito a postura e o semblante. ❝ — ele não fez nada de mais. só foi incrivelmente tranquilo e não ficou tentando demais. por isso pensei... pensei que uma realidade na qual eu e você... bom, o que eu quero dizer é que eu não odiei passar um tempo com você. ou com ele. percebi que você talvez conseguisse ser alguém que eu não precise estar sempre na defensiva, ou que você consegue ser agradável. meio que como agora...❞ — arriscou um elogio mínimo. lily era uma mulher justa e o crédito era merecido, ainda que em pequenas doses naquele momento tão inicial. ainda assim, ela percebia a postura diferente de james talvez desde a festa clandestina na sala de troféus. talvez significasse algo, talvez não, mas não precisavam decidir o mundo todo agora só porque sirius achava que eles tinham um filho juntos no futuro. a informação sobre arthur a fez escancarar a boca de leve, seguido por um olhar levemente surpreso. ❝ — não foi ideia sua? isso é curioso. quer dizer que arthur weasley propôs que vocês tomassem poção polissuco e você não pensou em nenhum momento que podia ter um motivo para isso? nem se perguntou o por quê? porque se ele queria só falar comigo, poderia ter me chamado tranquilamente, nós temos uma amizade... então talvez o nosso amigo responsável tenha um lado maroto, no fim das contas.❞ — concluiu, pensando que precisava conversar com ele. não só para recriminar a péssima escolha, apesar de ela realmente ser péssima mesmo, mas porque precisava saber qual foi a serventia daquilo tudo.
lily assistiu a promessa sendo feita em silêncio, sem saber direito como se sentir sobre tudo. ela acreditava nele? estranhamente sim. james potter podia ser muitas coisas, mas nunca achou que ele fosse mentiroso. aliás, nenhum deles era, nenhum dos marotos, e esse sempre foi um grande ponto de simpatia para ela, ainda que não concordasse, ou pior, desaprovasse muitas das coisas que eles faziam. ❝ — é melhor que prometa mesmo. e não adianta, potter, não vou te dar nenhuma dica pra te fazer se preparar para ela no futuro. mas saiba que eu tenho uma mente muito criativa e não tenho medo de usá-la...❞ — foi sua ameaça, ainda que seguida de um tom calmo. não podia dizer que era vazia, porque lily sempre foi ótima em encontrar formas de punir petunia quando ela era cruel consigo, sendo o seu preferido quando ela fez o ficante da irmã desistir de sair com ela. quer dizer, não era particularmente bonito, mas ser chamada de nomes horríveis também não era. e apesar de ela nunca, jamais buscar espontânea e abertamente machucar alguém, às vezes só jogar para o universo e torcer pelo karma não era o suficiente.
"Só não quando se trata de você." Aquela afirmação tinha muitas nuances e em uma delas queria dizer o óbvio: jamais conseguiria esconder algo de Lily Evans, nem se quisesse muito. Tanto por ela descobrir eventualmente, quanto por não conseguir mentir para ela. Ora, ele nunca mentiu para ela antes, por que faria aquilo a troco de nada? "Acho que está desmerecendo bastante o quão honesto sou." Assertivo e sem rodeios. Não tinha muito mais o que falar além daquilo, até porque sendo sorte ou conveniência, não saberia trabalhar com aquilo - com algo que não foi ele quem construiu. A relação entre Arthur e Lily tinha sua singularidade, bem como a deles dois. Era fato que mexia muito com o ego de James, por isso se negava a crer que era sequer uma opção deixar que aquilo seguisse de outra forma. E estava tão convicto que o semblante manteve-se sereno, embora sério também. Bom… isso até ela comentar aquela brincadeira. À princípio, ele fechou cara imediatamente, mas rapidamente aquele pensamento passou livre de sua mente. Era tão possível aquilo quanto a réplica que James poderia soltar para ela da mesma forma, sobre ele mesmo também tê-lo feito com Molly. Se tratavam de pessoas com índole íntegra e respeitosa e em sua visão quebrar aquela visão deles era totalmente fora da caixinha. Talvez por isso, ao fim da fala dela, ele ergueu uma sobrancelha e também o canto os lábios, divertindo-se tanto quanto ela igualmente parecia. "Mas eu sempre fui muito agradável!" As sobrancelhas unidas casavam com o semblante sutilmente desagradado de James para com a afirmação dela, como se o tivesse ofendido grandemente - com a mão ao peito, sentido, e tudo. "Só que eu errei também." Por fim, suavizou seu rosto para ditar aquilo. "Era pra eu ter descoberto antes o seu sabor de sorvete favorito." Suspirou, como se aquilo fosse um fato que estragou a dinâmica deles por anos - o que, obviamente não era. Ainda assim, jogado o sinal verde, seria interessante saber para eventualmente se usar daquele detalhe. "É bom passar um tempo com você assim, sem ser xingado de nomes. Aprendia palavras novas toda vez que te via." Confirmou com a outra, fitando-a. O humor estava estampado em seu próprio rosto devido a lembrança de todos os momentos em que aquilo aconteceu. Aquela era a primeira vez em que eles estavam conseguindo conversar sem ao menos se tornar desconfortável ou desagradável para um dos. "Claro que deve ter um porquê e é claro que ele mentiu pra mim. Mas o que importa se Arthur Weasley, pela primeira vez em todos esses anos, agiu exatamente da forma que eu nunca esperei?" Ele girou os olhos na órbita, inundando-se de boas memórias. Nunca foram assim tão próximos para que ele tivesse aquela atitude, até porque James esperava aquilo de qualquer um dos Marotos. Era interessante ver uma versão como aquela de alguém tão comportado, e aquilo fez com que o Potter se sentisse bem mais à vontade com Arthur. "E é bom pra ele também. Se soltar um pouco mais. Meus anos aqui foram ótimos por isso." E foram mesmo, não somente por sua conta, mas como pela de seus amigos. Na realidade, se não fosse por Sirius, Remus e Peter, talvez nem tudo o que James havia se tornado, seria tão interessante. Por fim, quando ela comentou aquilo em um tom ameaçador, o Potter não conseguiu levar tão a sério quanto deveria. Tinha que levar? Sim, porque se tratando de Lily Evans, nem sempre as coisas eram tão fáceis ou óbvias. A mente dela era genial por isso mesmo. Então, aquele sorriso que brotou nos lábios dele não era somente por se apetecer com a reprimenda, era por reconhecer, mesmo que não fossem assim tão próximos, detalhes nela que qualquer um que carregava aquele sentimento consigo seria capaz de compreender. "Eu gosto da sua mente criativa." Não conseguia evitar a força maior que existia dentro de si de simplesmente rebater com elogios toda e qualquer coisa que ela falava. Era irritante? Sim - para os outros, não para ele. "Não precisa dar nenhuma dica. Só o fato de que você cogita qualquer coisa no futuro comigo, já é o suficiente."
Mais uma vez, permitiu-se sorrir e então, de forma não muito breve, suspirou. Ainda tinha o livro de outrora em mãos, puxando-o novamente para si e guardando por entre o braço. James ergueu-se do banco, fitando ela de baixo e contemplando aquele semblante antes de retomar a fala: "Não que eu queira fazer isso, nunca é minha intenção, mas preciso achar Remus." Porque talvez se eu ficar por mais tempo com esse livro, a Madame Pince me rastreie e acabe comigo, e aí nunca vamos poder ter uma chance de descobrir se existe mesmo um filho, pensou, sentindo-se pesaroso por isso. Apesar de Lily ser importante para ele, Remus também era. Não mais que isso, mas a situação na qual ele se encontraria durante a lua-cheia deveria ser supervisionada e, por mais que o mesmo tivesse dito que mantivessem distância, era óbvio que não o faria. Em todos esses anos nunca houve uma sombra de dúvida no Potter que o fizesse recuar - e não recuaria agora. Por isso, com seu suspiro e a memória de uma boa conversa com ela, quis burlar pois mais algumas horas o direito de aproveitar aquela oportunidade com ela. "Não se preocupe, Evans," Afastou-se dela para que pudesse ainda ser escutado enquanto andava a passos lentos, de corpo virado na direção da mesma. "eu vou achar você por aí de novo." Assegurou com um sorriso - não como uma ameaça, mas como uma promessa. Àquela altura já estavam suficientemente afastados para que James começasse a aumentar o tom de voz, também assustando alguns colegas por perto - e pouco se importando. "E depois vamos falar sobre flores. Lilies, to be more specific." Ditou a promessa a plenos pulmões com uma anedota muito boba sobre querer saber mais dela, antes que virasse a esquina salão afora, pondo-se de costas e contendo a saudade que sentia por estar cada vez mais distante dela fisicamente. Vê-la sorrindo e rindo com ele pela primeira vez tinha um sabor muito gostoso e específico. O sabor do qual ele nunca havia provado, mas agora conseguia ter a mínima noção de como era em sua boca. E podia afirmar com todas as letras: era uma explosão de sabores. Quer fosse recíproco ou não, havia conseguido não somente sustentar uma conversa com Lily, como também arrancar dela coisas que não imaginava. É claro que se colocaria a pensar nisso pelo resto da noite. Talvez até nem dormisse direito de tanta ansiedade por querer saber tudo imediatamente. Mas, como bem diziam: a pressa é inimiga da perfeição. E ela mesma havia deixado claro o quão reconfortante havia sido.
if i had just 𝑜𝑛𝑒 𝑤𝑖𝑠𝘩, only one demand
i hope he's not like me, i hope he understands
that he can take this 𝒍𝒊𝒇𝒆 and hold it by the hand
and he can 𝗴𝗿𝗲𝗲𝘁 𝘁𝗵𝗲 𝘄𝗼𝗿𝗹𝗱 with arms wide open
flashback ! considerava que as habilidades eram desperdiçadas em alguém como ela, pois era certo que evans duelava bem, sabia isso antes de começarem o duelo. na realidade, ela duelava consideravelmente melhor que a grande maioria dos alunos da casa dele — o que seria um problema se tivesse que contar com aqueles patéticos para alguma coisa. memorizava a gesticulação do pulso, a entonação da voz e em como ela se portava para lançar feitiços. ganhando ou não, evan se dedicava nas partes que o interessavam. a vitória podia vir de vários fatores, mas a satisfação ia além da anunciação de que desempenhou o melhor papel físico do dia, mas qual dano era causado; o que tiraria dela.
sua técnica principal de luta era distrair o inimigo, percebia-se como um duelista comunicativo, embora não fosse visto de maneira pacífica. desviou do feitiço de lily, mas só porque era fácil prever que ela tentaria o desarmar e estava pronto para mexer a varinha nesse caso. adotou uma postura preguiçosa, se estivessem em campo, ele começaria a andar vagarosamente em volta dela, ali ele tinha que se limitar a movimentos mais simples. “potter já conseguiu te conquistar?” usou o que era exageradamente conhecido pelos corredores de hogwarts. “o estilo da família dele é colecionar sangues ruins como troféu”, arqueou uma sobrancelha. “que interessante, evans” tinha um sorriso no rosto que era tudo menos amigável, pois a ideia o divertia em puro escárnio. “gerar mestiços será a próxima peculiaridade deles” disse com a naturalidade de quem achava que o mundo seria melhor sem eles, mas não existia distinção de valores para evan. assim, aproveitou do momento para lançar um incarcerous não verbal.
o sorriso desapareceu do rosto de lily no instante em que rosier abriu a boca. não tanto por causa de james potter, mas pela naturalidade com que ele falava, como se pessoas fossem categorias de criação de animais e não seres humanos. aquilo sempre a atingia da mesma forma, com uma mistura desagradável de raiva e repulsa. por um instante, ela quase respondeu, mas era exatamente isso que ele queria, distração. os olhos verdes se estreitaram no mesmo momento em que percebeu o movimento sutil da varinha dele, mas era tarde demais para evitar completamente; as cordas surgiram rápidas, avançando em sua direção. lily girou o corpo para o lado por instinto, conseguindo evitar parte do feitiço, mas uma das amarras alcançou seu braço esquerdo e outra tentou prender suas pernas. o impacto desequilibrou sua postura por um segundo. apenas um segundo. ❝ — diffindo!❞ — exclamou, e o feitiço saiu quase imediatamente, cortando as cordas antes que conseguissem completar o trabalho. ela recuperou o equilíbrio num movimento rápido, respirando fundo uma única vez enquanto voltava a apontar a varinha para rosier. ❝ — você fala demais, rosier, presta atenção demais no que não importa de verdade, e é por isso que vai perder. e aí vai ser humilhante pra você, um homem com um sangue tão limpo perder para uma trouxa como eu.❞ — dessa vez o sorriso surgiu, desagradavelmente satisfeito. porque lily sabia exatamente o que estava fazendo agora. ele queria tirá-la do eixo, mas ela podia fazer o mesmo. aproveitando a brevíssima abertura criada pela própria resposta, girou a varinha num movimento preciso. ❝ — impedimenta!❞ — o feitiço partiu rápido em direção a ele. o objetivo não era necessariamente derrubá-lo, mas era obrigá-lo a reagir, a abandonar a posição confortável que vinha mantendo desde o começo do duelo. e, acima de tudo, obrigá-lo a parar de controlar o ritmo da luta.
"Não faço a menor ideia de como vou chegar nesse ponto, acredite em mim." Quando era mais novo, Remus tinha muitos planos para seu futuro. Pensou em ser magizoologista ou algum tipo de pesquisador, que escreveria livros que entrariam para a lista de livros de Hogwarts por sua relevância. Ainda que a ideia seguisse em algum canto de sua mente, tinha perdido força desde que o mundo fora das paredes da escola pareciam menos convidativo de se viver. "Weasley!" Repetiu em confirmação. "Tinha os cabelos bem ruivos, sardas no nariz. Alto como um poste, muito bonito. Você tinha que ver mesmo!" Contou, com empolgação. Apesar da estranheza da situação, tinha ficado feliz em conhecer o possível filho de um de seus amigos. Era engraçado.
"Certo..." Assentiu, entendendo o que Lily queria dizer. Também achava que era questão de tempo, já que a névoa parecia estar dissipando. Fazia sentido querer o máximo de informações, mas sabia por experiência pessoal que era assustador. "Ron me disse que é o melhor amigo de Harry Potter." Remus contou com enorme cautela. Não era receio da reação de Lily, apenas queria dar tempo da informação ser digerida. "Filho de James Potter e Lily Evans. Disse com essas palavras. Então, é... Vocês são... Serão... Pais... Juntos. Pais da mesma pessoa." Conforme falava, a informação ia sendo digerida por Remus também. E o resultado foi um risada inesperada. Uma criança não vinha ao mundo por magia, afinal. Remus cobriu a boca com uma das mãos para disfarçar o gesto enquanto tentava ficar sério de novo.
"O que me leva a concluir que aquele garoto que Sirius viu na Sala Precisa, que achou ser James, na verdade era Harry." Retomou, assim que o riso passou. "Ron disse que a primeira coisa que as pessoas falam para Harry é o quanto ele parece com o pai. Exceto os olhos, que são da mãe." Remus sabia que Sirius tinha feito aquela mesma afirmação. Por esse motivo, não tinha dúvidas de quem ele tinha visto naquela sala. O outro garoto, de feições semelhantes, deveria ser relacionado a Harry de alguma forma. Talvez um irmão. "Se Ron e Harry tiverem mais ou menos nossa idade, pelas minhas contas, daqui uns quatro anos estaremos comemorando a chegada do Mini Potter."
lily segurou um riso diante do comentário de remus. ❝ — eu posso acreditar que você não sabe como chegar lá, mas jamais acreditaria que não vai chegar. quer dizer, existem professores aqui que nem deveriam estar nesse lugar, então acho que você seria uma adição e tanto. sorte dos seus alunos.❞ — disse e sorriu docemente para o amigo. era claro para lily que remus tinha um segredo, percebeu isso desde o quinto ano quando começaram a ser mais próximos e a patrulhar constantemente juntos. os sumiços uma vez por mês, algumas coincidências... lily não era idiota, nem burra. mas se remus estava ali em hogwarts, era porque acreditavam nele; lily acreditava nele também e achava que ele poderia ser o que quisesse no mundo... e torceria e faria o possível para ver isso. sorriu diante da descrição de ron weasley; era bom que arthur tivesse filhos, parte sua ficou pensando... pensando em quais outros filhos tinham por aí. não precisou se perguntar por muito mais tempo, porque logo remus já desatou a lhe dar o restante das informações.
e que informações! por longos instantes, tudo que lily conseguia fazer era encarar o amigo em silêncio. não deveria ser surpresa a esse ponto, ela vinha pensando muito no assunto desde o que ocorreu com sirius na sala precisa. mas ter a certeza e, pior, saber que essa criança estava no mesmo terreno que ela? aquilo era completamente diferente. se pegou respirando fundo algumas vezes, percebendo o desespero tomar conta lentamente. percebeu, ainda, que remus também estava nervoso com a informação, que foi o que a fez destravar imediatamente. ❝ — o safado finalmente conseguiu então, huh?❞ — foi a piada que conseguiu fazer, se referindo ao fato de james potter ter conseguido a conquistar o suficiente para que eles tivessem um filho junto. não sabia como se sentia sobre isso. ainda que tivesse conversado com james no dia anterior ao ocorrido da sala precisa, e ter afirmado que tentaria buscar uma versão deles dois que não fosse aquele constante arranca-rabo... descobrir um filho com ele parecia um avanço rápido demais naquele relacionamento ainda inexistente. ❝ — harry potter...é um ótimo nome, apesar de tudo, não acha?❞ — repetiu o nome, como se isso fosse ajudar a fazê-la digerir a situação. ainda assim, era terrivelmente familiar. harry era um nome que sempre gostou, além de ser o apelido do seu pai. ela sempre teve em algum cantinho escondido da mente que adoraria nomear assim um filho. por merlin, ouvir aquilo fazia tudo parecer ainda mais real, porque se aquele era o nome do seu filho, isso queria dizer que realmente era verdade. não era invenção de ninguém ou universo paralelo; lily evans se apaixonou por james potter, teve um filho com ele e o chamou pelo apelido do seu pai, avô da criança. a lily evans que ela era hoje se apaixonaria por james potter, mas quando? quando e como foi que isso aconteceu? aquelas eram perguntas que ficaria sem resposta por enquanto... e que não sabia se queria tê-las de outra forma. a última frase de remus a fez finalmente rir, a primeira reação daquele tipo que teve naquela conversa. ❝ — isso é loucura. isso é muito perto de hoje, rem, como... como eu vou ser mãe? como eu vou me apaixonar por james? eu...❞ — e não terminou a frase, simplesmente porque nem sabia como. o cérebro dava mil voltas, o coração pulava como se competisse em uma modalidade, e sua lógica perfeita ruía em uma velocidade assustadora. respirou fundo mais algumas vezes e decidiu que talvez o melhor fosse perguntar mais, entender melhor. ❝ — ele não te disse mais nada sobre o futuro? nenhum outro nome de outras pessoas? fico me perguntando sobre o filho de outras pessoas...❞ — disse, e não fazia alusão apenas à ele, apesar de estar implícito, mas também de suas amigas.
Era terminantemente proibido que recuasse da responsabilidade agora, até porque não fazia muito seu estilo amarelar. James era um opulento duelista - em seu ponto de vista -, o que lhe firmava a obrigação de bater de frente... até mesmo com Lily Evans. Mas, de toda forma, desagradá-la sempre foi algo que o chateou. Inconscientemente tinha uma singela vontade de fazê-la sempre bem, mas isso não queria dizer que ele seria negligente daquela forma. Sequer conseguiu replicá-la, pois, embora tivesse sido divertido no momento, ela estava certa. Uma característica positiva de James era admitir que estava errado quando estava errado, no entanto, a negativa era ficar calado por não saber como se defender sobre isso. E também não precisou, apenas concedeu à Lily sua atenção, suspiros fatigados por seu erro ser relembrado e, mais ainda, um receio inerente à conversa: o de ela sair dali abruptamente e não querer olhá-lo mais na cara. Possivelmente também ficaria enfurecida com Arthur, o que seria ainda pior já que supunha que eram bons amigos. Só que a reação dela suavizou - e a dele ficou ainda mais esquisita. Seu olho se arregalou brevemente, os pelos do corpo eriçaram enquanto ele notava a reação da Evans. "Então quer dizer que você ficou preocupada comigo? Hum..." Fez um bico ao franzir os lábios e assentir com a cabeça, surpreso, mas a pergunta era totalmente retórica visto que tentava prender um sorriso para não irritá-la ainda mais. Ajeitou a postura novamente para que pudesse cruzar os braços sobre a mesa, ainda sem retirar seus olhos da outra. Apenas recolheu-se um pouco mais para relaxar as costas - anestesiado com as falas que saíam daquela boquinha, para que na sequência pudesse respondê-la à altura. Se tinha algo lógico a ser dito, então diria sem medo. Na verdade, só o fato de ela não ter se levantado e ido embora já era muito melhor do que o que havia imaginado. Apesar de não esperar que fosse tão cedo assim a descoberta do que fizera com Arthur, não deixava de pensar que em algum momento ela saberia ou ele mesmo contaria sem sentir pressão por isso. Ou melhor: sem sentir medo de perder a atenção dela.
As piscadas de James eram mais lentas, pois, todo tempo que passava de olhos fechados era um milésimo de segundo a menos perdido olhando para Lily - mesmo que também a encontrasse nos sonhos, às vezes. Então, após dar um último suspiro profundo, sem culpa e sem pesar, o Potter alinhou a espinha e apoiou o cotovelo de um dos braços na mesa, segurando o próprio maxilar com a mão desta. A encarava com fascínio, principalmente por denotar a calmaria que agora habitava o semblante. Sentia-se até reconfortado por tê-lo feito cedo, já que mais tarde, mais na frente, poderia ter sido uma cagada maior ainda. "E por que eu deveria omitir de você algo do tipo?" Sim, era lógico que os dois sabiam que havia uma resposta para ambas perguntas e pareciam mais retóricas do que sinceras. Pelo menos da parte de James havia contentamento em dizer aquilo, sem vergonha. E ainda por cima compreendia as entrelinhas que ela implicava. "Não quero você se apaixonando por uma pessoa que não sou eu." Largou o comentário com um estalo da língua no céu da boca. É claro que ficaria extremamente insatisfeito por causar algo nela quando nem mesmo era ele o motivo. "Mas gostaria muito de saber o que você percebeu ontem... Sobre mim ou... sei lá, sobre Arthur. Quer dizer, o que vocês conversaram sobre?" Estava tão confuso quanto esteve no momento em que viu o próprio rosto com a voz do Weasley, mas estava tão determinado a saber, proporcional ao nível de curiosidade que habitava em si. E não era por ciúmes, não ainda - ou não parecia ser, pois, tinha tanto respeito por Arthur quanto também era recíproco da parte de outrem. Ele só queria... saber. O que é que tinha feito Lily agir assim e falar assim? "Eu tenho uma vida pra ser mais responsável. Eu e Arthur, como se fosse possível..." James ria porque o ruivo era até mais aplicado que ele, mas não queria dizer que o próprio não se dedicava. Na verdade, o Potter era elogiado justamente por isso, mas também denegrido por sua índole errática. "Mas quer saber algo que vai realmente te surpreender? Não foi ideia minha." E então o sorriso alargou mais, divertindo-se por lembrar. Contudo, rapidamente pressionou os lábios um contra o outro para conter o riso sabendo que ela ficaria inconformada. "I promise you." Cruzou um xis na região do peito, na altura do coração, como se marcasse ali a promessa que havia dito. Por um singelo momento tentou ignorar o fato de ela comentar sobre sentir algo, mas é claro que aquilo permeou toda a cabeça do Potter. "Apesar de ficar muito ansioso pra saber qual seria a lista de problemas piores que uma detenção que você me sujeitaria, fico imaginando que ser obrigado a comer chocolates embebidos de amortentia da Dolores Umbridge me parece ruim o suficiente."
❝ — ora, não é óbvio? se o seu objetivo é me conquistar de uma forma ou de outra, talvez fosse vantajoso você não dizer nada e... aceitar um momento que a sorte te deu. tudo é válido na guerra e no amor, não?❞ — questionou. era um teste, na realidade. lily evans não acreditava que nada estava acima da verdade, muito por isso o ato de james lhe dizer aquilo, mesmo sacrificando uma possível vitória na situação, foi o melhor que poderia ter feito nos últimos dias... o mais efetivo para a causa dele também, inclusive. mas isso guardaria para si. precisou conter uma risada curta ao perceber que ele estava genuinamente preocupado no que arthur pode ter feito que ganhou a sua atenção. ❝ — ele me beijou, mostrou os bíceps e me fez uma serenata de um poema autocomposto. e eu adoro homens que têm um pé no artístico, sabe, não pude evitar... uma pena que não era você.❞ — mal conseguiu falar aquilo com a cara séria, a risada saindo logo depois. ela sabia que era difícil de acreditar, mas a piada não tinha o condão de ser realista, apenas de aproveitar aquele momento. muitas pessoas subestimavam o seu humor, mas lily evans era particularmente boa em criar piada com as piores situações, ou rir fora do momento adequado para tal... sempre era assim, os evans ganhavam os piores e mais julgadores olhares na missa de domingo desde sempre. depois, ajeito a postura e o semblante. ❝ — ele não fez nada de mais. só foi incrivelmente tranquilo e não ficou tentando demais. por isso pensei... pensei que uma realidade na qual eu e você... bom, o que eu quero dizer é que eu não odiei passar um tempo com você. ou com ele. percebi que você talvez conseguisse ser alguém que eu não precise estar sempre na defensiva, ou que você consegue ser agradável. meio que como agora...❞ — arriscou um elogio mínimo. lily era uma mulher justa e o crédito era merecido, ainda que em pequenas doses naquele momento tão inicial. ainda assim, ela percebia a postura diferente de james talvez desde a festa clandestina na sala de troféus. talvez significasse algo, talvez não, mas não precisavam decidir o mundo todo agora só porque sirius achava que eles tinham um filho juntos no futuro. a informação sobre arthur a fez escancarar a boca de leve, seguido por um olhar levemente surpreso. ❝ — não foi ideia sua? isso é curioso. quer dizer que arthur weasley propôs que vocês tomassem poção polissuco e você não pensou em nenhum momento que podia ter um motivo para isso? nem se perguntou o por quê? porque se ele queria só falar comigo, poderia ter me chamado tranquilamente, nós temos uma amizade... então talvez o nosso amigo responsável tenha um lado maroto, no fim das contas.❞ — concluiu, pensando que precisava conversar com ele. não só para recriminar a péssima escolha, apesar de ela realmente ser péssima mesmo, mas porque precisava saber qual foi a serventia daquilo tudo.
lily assistiu a promessa sendo feita em silêncio, sem saber direito como se sentir sobre tudo. ela acreditava nele? estranhamente sim. james potter podia ser muitas coisas, mas nunca achou que ele fosse mentiroso. aliás, nenhum deles era, nenhum dos marotos, e esse sempre foi um grande ponto de simpatia para ela, ainda que não concordasse, ou pior, desaprovasse muitas das coisas que eles faziam. ❝ — é melhor que prometa mesmo. e não adianta, potter, não vou te dar nenhuma dica pra te fazer se preparar para ela no futuro. mas saiba que eu tenho uma mente muito criativa e não tenho medo de usá-la...❞ — foi sua ameaça, ainda que seguida de um tom calmo. não podia dizer que era vazia, porque lily sempre foi ótima em encontrar formas de punir petunia quando ela era cruel consigo, sendo o seu preferido quando ela fez o ficante da irmã desistir de sair com ela. quer dizer, não era particularmente bonito, mas ser chamada de nomes horríveis também não era. e apesar de ela nunca, jamais buscar espontânea e abertamente machucar alguém, às vezes só jogar para o universo e torcer pelo karma não era o suficiente.
Quando houve uma confirmação, houve também um pequeno surto existencial dentro daquela cabecinha. Já não bastasse que só tinha a presença de seus amigos ao redor, a falta dos pais pesava muito naquele momento por imaginar se eles estariam vivos até aquela parte de seu futuro acontecer. Será que chegariam a conhecer Harry Potter? Mimá-lo como fizeram consigo? Certamente era algo que lhe fazia crescer um sorriso no rosto, mas ainda era um futuro incerto naquela linha temporal. Ele sequer era um amigo íntimo de Lily para certificar de que sua linhagem seria passada, mas tal fato sequer passava em sua mente quando parava para pensar que estavam começando a se dar até que bem. Bom, depois da bronca que levou por mostrá-la sua honestidade, pensou que ela não iria querer nem olhá-lo na cara outra vez. No entanto, as coisas tomaram um rumo completamente diferente. Ele tinha boas expectativas conquanto à isso. Então, pouco tempo após contar aos Marotos, a Dumbledore e Minerva, havia chegado o momento de conversar com Lily Evans no outro dia. Não sentia nem um pouco o nervosismo de outrora; na realidade, estava muito tranquilo. E não era seu egocentrismo falando mais alto, era apenas... seu foco. Estava focado no agora, no que estavam vivendo ali. Quaisquer interferências externas não seriam um agravante para que ele cuidasse da relação com a ruiva. Isso era uma responsabilidade do James daquela realidade, unicamente.
A figura da silhueta de Lily fora avistada de longe - era imprescindível que alguém como ele àquela altura já soubesse reconhecê-la até se estivesse cego ou surdo. Ao aproximar-se, portanto, atentou-se ao que ela dizia e calmamente a imitou: “Você enlouqueceu completamente, Potter?” Aquela voz fina e forçada sobrepôs sua entonação natural grave, pondo-se ao seu lado pouco mais. Cruzou os braços e a expressão, pouco iluminada pela falta de luz ambiente, se firmou em um misto de raiva e fascínio - raiva por vê-lo fora no toque de recolher e fascínio por sempre fazer a mesma coisa. "São quase duas da manhã. Se a McGonagall pegar você vagando pelo castelo de novo, nem o seu talento absurdo pra quadribol vai salvar a Grifinória da perda de pontos.” Satisfeito, o Potter desmanchou aquela postura que implicava à de Evans, mas rapidamente denotou que havia um clima diferente entre eles. Ele tanto não sentia mais a necessidade de provocá-la o tempo todo como ela também não a tinha de ofendê-lo. "Na verdade eu queria tentar conhecer agora o Godric, no passado. You know, as in Godric Gryffindor, our hero." Em um tom brincalhão quis tentar amenizar. De fato, havia muita curiosidade da parte de James de conhecer como era o fundador da comunal. Não por ser devoto à ele, já que não tinha devoção a ninguém além de seus amigos e familiares, mas por querer saber como tudo aconteceu, o início e o fim. "E você, está aqui por querer tentar ver se alguém passa de novo? Talvez um segundo filho, terceiro... Vai saber." Sabia que aquilo a deixaria um pouco mais desconfortável, mas lhe rendeu uma risada sutil pela brincadeira. "Ontem estava supondo com os meninos que era a vez de Peter passar por algo muito estranho do tipo. Quem sabe, na real, seja você a próxima."
lily assistiu à imitação de james com uma careta, meio fascinada, meio rindo e meio achando ofensivo. ainda bem que a notícia confirmada de terem um filho juntos não tinha mudado a dinâmica de gato e rato deles, ia parecer antinatural. estava tentando se manter firme na decisão do outro dia; tinha dito a potter que não era a mulher que casou com ele ainda, não podia simplesmente começar a agir como se fosse da noite para o dia, porque a realidade deles simplesmente não era a mesma daqueles james e lily que casaram e tiveram um filho. mas tentava, na medida do possível, não ser a lily evans que nunca deu sequer uma chance de james potter mostrar quem verdadeiramente era. afinal, dava aquela chance a todos, por que não... o futuro pai do seu filho? o pensamento quase a fez rir histericamente novamente. felizmente podia focar no absurdo da imitação dele. ❝ — primeiro de tudo, minha voz saiu completamente ridícula na sua imitação, péssimo trabalho. e em segundo, eu jamais diria que você é absurdamente bom no quadribol, você se perdeu completamente no personagem agora, potter.❞ — devolveu, cruzando os braços. contudo, diferentemente do que seria se fosse antigamente, a postura não era defensiva ou irritada, apenas mantinha o tom divertido da situação. porque tirando todo o absurdo do que estavam vivendo, deveria admitir que ainda existia um pouco de graça em tudo, quase poética, aliás.
quando ele falou sobre gryffindor, o olhar de lily acendeu. ela nem tinha pensado nisso! boquiabriu-se rapidamente, virando o corpo para james completamente. ❝ — você acha que uma das linhas do tempo é a dos fundadores? confesso que eu nem pensei nisso, mas imagina que incrível conhecer qualquer um deles? quer dizer, talvez não o racista do salazar, mas sim, godric! eu nem saberia o que fazer ou falar, acho que ia achar tudo que sai da minha boca pouca coisa ou idiota. o que você ia dizer pra ele, hein?❞ — perguntou, curiosa. parte sua também começou a pensar que talvez, se isso fosse realmente uma realidade, quem sabe os fundadores soubessem o que fazer. tinham sido eles os construtores de hogwarts, os idealizadores de tudo, e tinha certeza que eles conheciam melhor aquele lugar do que qualquer um. por fim, a pergunta e constatação seguinte fizeram lily revirar o olhos e empurrá-lo de leve. o semblante suavizou e ela ficou um pouco mais séria. vinha pensando muito no filho ultimamente, verdade seja dita desde que sirius o viu na sala precisa. desde o dia anterior, porém, a coisa ganhou um contorno mais real, e proporcionalmente seus pensamentos em relação a ele também. não tinha conseguido falar sobre isso abertamente com ninguém, mas quem melhor que ele? no fim das contas, era a única pessoa que estava com ela nessa coisa toda. ❝ — eu adoraria de ver ele... o garoto... quer dizer, parte minha não quer ter contato direto com ninguém dos outros castelos. é perigoso demais, james. não sabemos o que tudo isso pode causar, que tipo de informações eles têm e se é que podemos lidar com elas. mas a outra...❞ — hesitou por um instante, tentando escolher bem as palavras. o olhar desviou para o lago negro. ele sempre tinha sido um dos seus lugares preferidos, especialmente à noite. observava-o das janelas sempre que precisava fazer rondas... existia algo nele que o lembrava de casa, que a acalmava. ❝ — o nome dele, harry. o nome do meu pai é harold, sabia? e vai parecer muito garotinha ou infantil da minha parte, mas eu e petunia, minha irmã, conversamos sobre nomes de filhos uma vez. a tuney é muito complexada, sabe, e queria ter certeza que eu não ia usar os nomes que ela queria. dudley era o nome do filho que ela queria. e eu disse, pode ficar tranquila, esse nome aí eu não vou brigar com você para ter. mas... mas eu o chamaria de harry. é o apelido do meu pai...❞ — disse sorrindo enquanto lembrava da família. sua mãe, seu pai, até petunia; sentia a falta deles constantemente, mas agora saber que eles não estavam mais na mesma realidade era profundamente desolador. desde que descobriu que tinha um filho lá fora, tudo o que fazia era pensar neles. será que harry conhecia seus pais? será que ela tinha feito as pazes com petunia? será que harry e.. dudley eram primos próximos?