Oliver Wood tinha plena consciência de que se tratava apenas de um amistoso. Os últimos dias haviam sido difíceis, mas aquele amistoso lhe devolvera a esperança que não sentia havia algum tempo. Talvez ainda não fosse o campeonato, mas era quadribol e, para Oliver, aquilo já bastava, por enquanto. O nervosismo, o frio na barriga e a ansiedade continuavam ali, é claro, mas, pela primeira vez em algum tempo, pareciam menores do que a vontade de voltar ao campo. Estava tão satisfeito com a notícia que sequer dera muita atenção ao pergaminho exposto no mural. Teria passado direto por ele se a presença do próprio nome não tivesse chamado sua atenção. Indignado não era exatamente a palavra que procurava. Surpreso, talvez. Confuso parecia mais próximo do que realmente sentia. Dando alguns passos para trás, franziu o cenho enquanto relia o conteúdo. Seus olhos percorreram as linhas em silêncio. Placar final da partida, certo. Primeira falta cometida, tudo bem. Primeiro jogador a cair da vassoura, menos ok, mas aceitável. Até aí, nada particularmente inovador. Então, continuou lendo. Probabilidade de Oliver Wood sofrer uma crise nervosa antes do apito final. Oliver não tinha palavras. “Quem está organizando essa aposta?” Fez uma pausa, analisando seu entorno em busca de possíveis responsáveis. “E quem, exatamente, apostou que eu vou sofrer uma crise nervosa?” Seus olhos voltaram para o pergaminho. “Por que essa opção está ganhando, aliás? Eu nem… Quero dizer… Isso não faz o menor sentido.”
Antes que pudesse ir às vias de fato, não conseguiu se conter e precisou perguntar. “Se eu errar, o que acontece?” Oliver era a personificação da competitividade, mas não era idiota. Nunca entraria em um jogo sem saber exatamente quais seriam as consequências de uma derrota. Isso, claro, hoje. Já tinha feito coisas estúpidas no passado. Ao longo dos anos, aceitara desafios consideravelmente mais absurdos do que aquele, movido exclusivamente por orgulho, teimosia e uma confiança quase criminosa nas próprias capacidades. Com os braços cruzados, observava a companhia à sua frente com evidente desconfiança. A música da festa preenchia o ambiente ao redor, mas sua atenção estava inteiramente voltada para a proposta que acabara de ouvir. “Não, é sério. Quero saber tudo. Todas as regras. Todas as penalidades. Tudo.” Apesar das palavras, um sorriso começava a surgir no canto de seus lábios. Devia ser o resquício de adrenalina do amistoso que acontecera mais cedo. Mesmo com as perguntas, Oliver já estava considerando aceitar. Ele só queria descobrir o tamanho do erro que estava (ou não) prestes a cometer.