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@ewnchae
jooâ:
houve um tempo em que a presença da mais velha era vista como causa para celebração por chatmanee, em que aproveitariam a distração das matriarcas para se esquivarem das obrigaçÔes sociais ao fugirem para algum lugar distante onde sĂŁo seriam tĂŁo facilmente encontradas, em que conseguiriam manter um diĂĄlogo vivo por horas, sem se importar em preencher possĂveis perĂodos silĂȘncios dado que esses dificilmente aconteceriam. houve um tempo em que eunchae era uma das pessoas mais prĂłximas dela, sua confidente e uma das primeiras pessoas a ser chamada quando a modelo queria a companhia de alguĂ©m. houve um tempo em que as duas eram amigas, no entanto, infelizmente, esse tempo, hĂĄ muito, havia se passado; nĂŁo por culpa delas, Ă© claro, ou, sequer, por algum conflito ou desejo mĂștuo, contudo, nĂŁo houve nada que pudesse ser feito na Ă©poca. estar junto da antiga amiga era ainda mais incĂŽmodo do que estar junto de um completo desconhecido graças nĂŁo somente ao histĂłrico que compartilhava, mas, tambĂ©m, Ă natureza do relacionamento entre suas mĂŁes âĂ©, elas vĂŁo ficar um bom tempo aliâ deixou que um riso nasalizado escapasse, mesmo que nĂŁo houvesse humor nenhum ali, conseguia praticamente prever os comentĂĄrios maldosos que ouviria de sua matriarca ao fim da conversa entre essa e a han mais velha. âuh, Ă© uma boa, âtĂŽ louca de fome tem horasâ um suspiro escapou por seus lĂĄbios instantes antes da jirayungruk se levantar e seguir na direção que havia sido indicada pela outra âtem tanto tempo assim, mhm? euâŠÂ âtĂŽ bem, âtĂĄ tudo bemâ deu de ombros, muito havia acontecido em sua vida desde a Ășltima vez em que as duas realmente conversaram e, mesmo que provavelmente tivessem tempo para detalhar os ocorridos, a mais nova nĂŁo sabia dizer se a han realmente queria a ouvir ou se a indagação havia sido apenas fruto de uma gentileza comum âe vocĂȘ? vi as fotos que postou do seu intercĂąmbio, faz um tempo jĂĄ, nĂ©? mas⊠parecia estar legal.â
a resposta alheia despertou uma risada baixa de eunchae, que sentia-se um pouco mais confortĂĄvel por encontrar uma honestidade tĂŁo simples da parte dela. se tivesse de lidar com alguma conversa tĂŁo mais repleta de formalidades que o necessĂĄrio, seria capaz de simplesmente inventar alguma desculpa para ir embora e deixar a mĂŁe lidando sozinha com o evento. âuhum, por incrĂvel que pareça. sendo bem sincera, eu nĂŁo sei se teria te reconhecido tĂŁo facilmente se nĂŁo tivesse visto por esses tempos uns posts com fotos suas no instagram.â comentou. ainda que nĂŁo a seguisse diretamente, possuĂam uma parcela de conhecidos em comum que colocavam em evidĂȘncia o semblante feminino Ă s vezes no feed da rede social. âmas que bom que tĂĄ tudo bem, aliĂĄs.â sorriu de canto, educada. eram tantos os anos que as separavam que nem sequer existiria uma possibilidade concreta de responderem perguntas sem apelarem para a superficialidade de imediato, quer desejassem ou nĂŁo. se aproximando da mesa onde a comida do evento estava, pegou um pratinho para si prĂłpria e entregou outro para a garota, começando a se servir. âah, o intercĂąmbio? foi mesmo uns dois anos atrĂĄs, se nĂŁo erro na conta⊠mas foi um tipo de experiĂȘncia Ășnica na vida.â respondeu, nĂŁo tardando a perceber que nĂŁo a dava mais nada em troca para prosseguir com a conversa. assim, acrescentou: âa frança Ă© muito bonita, e todas as aulas na universidade eram Ăłtimas. claro, talvez eu estivesse um pouco deslumbrada, mas foi incrĂvel. o Ășnico problema era de conseguir relacionar todos os termos tĂ©cnicos em francĂȘs na cabeça, daĂ eu tive mesmo que me virar.â contou, sorrindo de canto. âo que vocĂȘ anda fazendo?â
taehyeonâ:
para alguĂ©m que sempre apreciou manter um estilo de vida saudĂĄvel e, inclusive, possuĂa o costume de chamar a atenção daqueles que eram mais prĂłximos de si para seus maus hĂĄbitos, taehyeon falhava miseravelmente em conseguir manter uma boa rotina de descanso â ou, ainda, qualquer rotina de descanso. superficialmente, a escolha de sua prioridade era apenas a consequĂȘncia de uma preocupação exacerbada com o prĂłprio futuro: precisava de uma segurança financeira se queria garantir que nĂŁo retornaria Ă situação em que se encontrava atĂ© alguns anos atrĂĄs, onde atĂ© mesmo centavos salvos faziam alguma diferença em seu balanceamento mensal, e, para isso, buscava o maior nĂșmero de atividades pagas que conseguia enquanto conseguia, sem dar muita importĂąncia para a carga horĂĄria assumida. contudo, em um nĂvel mais profundo, acreditava ser mais fĂĄcil, cĂŽmodo atĂ©, ocupar-se com o trabalho e demais responsabilidades a se preocupar com sua vida privada â era praticamente impossĂvel perder a cabeça com problemas quando nĂŁo se possui tempo para que estes nasçam. abdicar de seu descanso era uma ação consciente do barista, fazia-o deliberadamente, no entanto, ainda assim, optava por nĂŁo compartilhar quando o fazia, principalmente com eunchae âpor que tem que ter uma coreografia? posso ter ido pra um show que nĂŁo teve dança nenhumaâ rebateu, ainda em um tom bem humorado. no fundo o gwan jĂĄ sabia que sua tentativa de desviar o assunto fracassaria, entĂŁo, nĂŁo foi nenhuma surpresa a ouvir insistir na investigação acerca de seu cansaço âfiz um evento nessas Ășltimas noites e ontem acabou indo atĂ© mais tarde do que o combinadoâ deu de ombros, torcendo para que a amiga nĂŁo criasse um grande caso em cima daquilo. iniciou o preparo de seu cafĂ© assim que a mais velha lhe disse onde encontrar o ingrediente âquer que faça um pra vocĂȘ tambĂ©m?â perguntou no que ligou a boca do fogĂŁo para aquecer a ĂĄgua âo ricaço tem vindo aqui? achei que ele fosse ser bom demais pra esses ladosâ uma careta se formou em sua face, todavia, essa se desfez em seguida quando um riso saiu por seus lĂĄbios âo mĂnimo que ele podia fazer era reabastecer os armĂĄrios se for ficar comendo tudoâ balançou a cabeça negativamente em um sinal de julgamento. âque molho vocĂȘ fez?â abriu a tampa da panela para conferir o andamento do preparo, fechando-a logo em seguida e se virando novamente para a han ânah, âtĂĄ tranquilo, posso dormir de noite, faz tempo que a gente nĂŁo se vĂȘ direito. o que vocĂȘ tem feito?â
âfoi ver uma banda de rock entĂŁo, por acaso?â zombou, erguendo uma sobrancelha. eunchae sabia muito bem que o outro somente estava tentando enrolar para tentar fazĂȘ-la deixar o assunto para lĂĄ; era experiente naquilo, de tantas ocasiĂ”es em que se encontrava tendo de tomar conta do gwan. âme faz um showcase particular com as mĂșsicas entĂŁo pra dar um alĂvio nessa vida de merda.â cruzou as pernas sobre a superfĂcie que ocupava no sofĂĄ, as mĂŁos apoiadas sobre as coxas ao virar-se na direção da cozinha, onde o amigo se encontrava. de usual, a han gostava de fazer atĂ© mesmo as menores coisas por conta prĂłpria, mas poderia se dar uma parcela de desconto quando estava com alguĂ©m de tamanha confiança em seu entorno. âquero sim, obrigada. acho que eu nunca recusaria um cafĂ© na minha vida.â riu nasalmente, engatando em sequĂȘncia seu pedido: âaliĂĄs, pode ver se tĂĄ ok a quantidade de sal no macarrĂŁo mesmo? se achar que tĂĄ pouco, pode acertar pra mim? pra aproveitar que vocĂȘ jĂĄ tĂĄ aĂ.â recostou, entĂŁo, o corpo nas almofadas macias. âaham, atĂ© trouxe um cafĂ© caro esses dias por achar que o nosso nĂŁo era bom o bastante. como se ele nĂŁo tomasse esse mesmo toda vez que vem aqui, vai entender.â revirou os olhos, nem entendendo como ainda se surpreendia com qualquer absurdo vindo do namorado da mĂŁe. namorado entre muitas aspas, que fosse deixado bem claro. âcarbonara, âtava com saudades.â era seu favorito, mas nĂŁo era sempre que se encontrava com disposição o suficiente para algo alĂ©m dos molhos mais prĂĄticos. âsĂł que vocĂȘ nĂŁo dorme de noite, tae.â retrucou. âe eu tĂŽ bem, nĂŁo anda rolando muito pela minha vida mesmo. o mĂĄximo foi que eu quase peguei um vĂrus tentando assistir titane, na real, mas ficou tudo sob controle porque um cara da informĂĄtica me devia uma. e vocĂȘ, hm?â
chanwooâ:
quando tinha cinco anos, a mĂŁe de chanwoo perguntou o que o rapaz gostaria de ser quando crescesse, e este respondeu, em sua voz infantil: piloto de carro. ironicamente, ele nĂŁo tinha um carro, e nem mesmo sua mĂŁe estava presente mais, porĂ©m havia cumprido a faculdade de medicina e sua primeira semana de residĂȘncia acontecia enquanto ele divagava em pensamentos como esses. a turma, muito focada em observar o professor fechando o local da operação, tambĂ©m nĂŁo haviam percebido a distração do rapaz. a verdade Ă© que estar na coreia, depois de tanto tempo, parecia um tanto estranho, e ele tambĂ©m nĂŁo sabia o motivo de ter escolhido fazer sua residĂȘncia em seul ao invĂ©s de continuar nos estados unidos. apenas sentia que estava na hora de voltar.
foi o primeiro a se retirar da sala, com sua prancheta de anotaçÔes completamente vazia e o coração batendo mais rĂĄpido do que deveria. seu eu de 16 anos nĂŁo reconheceria o chanwoo de agora: ansioso, quieto e completamente aĂ©reo. poderia culpar os longos anos que passou estudando anatomia por essa mudança, mas sabia que nĂŁo era verdade. suspirou, buscando seu cartĂŁo de identificação no bolso para marcar o ponto e iniciar seu trabalho, quando sentiu seu corpo esbarrar com outro bem menor que o seu, provavelmente o de uma enfermeira. âdesculpeâ murmurou, balançando a cabeça enquanto colocava o objeto no local, registrando seu nome e seu departamento, neurologia. âĂ© minha primeira semana aqui, estou meio tonto.. muitas salasâ sorriu amarelo, evitando manter contato visual com a outra pessoa, observando os sapatos azuis de borracha iguais aos seus, em alguns nĂșmeros menores. definitivamente uma enfermeira. âe meu coreano estĂĄ bem enferrujado, espero que nĂŁo tenha dito nenhuma bobagem..â levantou o olhar devagar depois de tomar uma dose de coragem, mas parou no crachĂĄ da moça em sua frente, lendo o nome extremamente familiar de @ewnchaeâ. âa-ah, Ă© melhor eu ir indo, nos vemos por aĂâ
caso eunchae tomasse a liberdade de listar todas as pessoas que menos se imaginava acabar esbarrando pelos corredores do hospital, encaixaria atĂ© mesmo o presidente de seu paĂs em uma colocação acima do ex-namorado parado em sua frente. em especial quando, atĂ© onde seus conhecimentos de anos atrĂĄs a indicavam, aquele integrante de seu passado deveria estar vivendo do outro lado do mundo. nĂŁo era o reencontro que algum dia se imaginara tendo com ele e, muito menos, o mais conveniente; para falar a verdade, sequer era algo que a garota enxergava com bons olhos naquele momento. depois de anos, de um coração partido e de uma mudança gradual de visĂŁo sobre o amor em sua vida, nĂŁo era mais aquele tipo de pessoa que ficaria minimamente mexida ou contente de vĂȘ-lo novamente. na verdade, seria um meio mais correto para descrevĂȘ-la caso a denominassem como âirritadaâ. âentĂŁo, deveria tomar uma preocupação maior quando for andar por aĂ.â murmurou em retorno, ajeitando a prĂłpria prancheta entre os braços e o encarando. âos mĂ©dicos nĂŁo residentes aqui estĂŁo sempre correndo, entĂŁo quem nĂŁo se cuida vai acabar caindo no chĂŁo rapidinho. ou atĂ© interrompendo alguĂ©m numa correria, sabe, importante.â utilizou a abordagem mais profissional que conseguia para falar com ele, embora a expressĂŁo em seu rosto entregasse de imediato que o desgosto nĂŁo era nada relacionado com aquilo - poderia se argumentar, contudo, que era provavelmente a expressĂŁo que direcionava para a maioria do grupo de residentes de medicina. ânĂŁo sabia que vocĂȘ tinha voltado.â
yunaâ:
âem momentos assim eu quase agradeço por ser praticamente excomungada da minha famĂlia.â franziu levemente o cenho e acompanhou a expressĂŁo de uma risadinha baixa, afinal, apesar dos pesares, sempre se divertia acompanhando o que acontecia na dinĂąmica da famĂlia da famĂlia da outra. era divertido quando nĂŁo era consigo. âse bem que ninguĂ©m tinha problema com coca-cola na minha casa. nossas brigas giravam mais em torno do quanto saias e vestidos para cima do joelho significavam automaticamente que eu era uma perdida na vida.â dera de ombros, ainda com um sorriso por lembrar dos absurdos daquela situação toda. âo que foi?!â arqueou as sobrancelhas, ao escutar o nome pronunciado naquele tom de repreensĂŁo. ânĂŁo vem falar que eu tĂŽ errada, nĂŁo, senhora! eu tenho argumentos que sustentam a minha tese e⊠ah! falando nisso, eu preciso te mostrar uma coisa!â praticamente pulou do sofĂĄ, caminhando atĂ© a cozinha do pequeno apartamento, onde sua bolsa encontrava-se no balcĂŁo. ainda nĂŁo havia tirado a caixinha de veludo dali, e aproveitou para o fazer naquele momento, enquanto levava-a consigo para mostrar para a amiga. âeu ganhei essa semana mesmo, Ă© da cartier!â disse de forma animada, enquanto sentava-se agora sobre o braço do sofĂĄ e colocava os pĂ©s sobre o assento, abrindo a caixinha para exibir o colar para eunchae. âeu nĂŁo me aguentei e pesquisei o preço na internet, sĂł por curiosidade⊠e, chae, eu nem vou te falar quanto custa, porque vocĂȘ vai cair pra trĂĄs por saber que tem gente que pode pagar isso em um colar.â riu novamente, intercalando o olhar do rosto da amiga para a joia. âviu sĂł? presentes. Ă© para isso que os homens servem.â
âah, os famosos comentĂĄrios machistas e conservadores que as famĂlias adoram fazer. te contar que a minha mĂŁe uma vez tentou colocar moral em mim por uma palhaçada assim, mas desanimou depois que eu lembrei ela que o namorado dela Ă© casado. meio que tira a moral de julgar as minhas escolhas de vida.â deu de ombros, tratando com o desgosto que a acompanhava sempre que comentava sobre as histĂłrias de usa mĂŁe. eunchae nĂŁo podia deixar de achar impressionante como a han mais velha simplesmente nĂŁo percebia - caso percebesse, era excelente em se fingir de cega sobre as situaçÔes que se apresentavam para ela - como era ridĂculo estar envolvida fazia tanto tempo na posição de amante daquele homem, e ainda ter um mĂnimo de esperança de que ficariam oficialmente juntos no final. âe quais sĂŁo os argumentos que sustentam a sua tese, entĂŁo?â questionou, arqueando as sobrancelhas em divertimento - para demonstrar que estava genuinamente curiosa, nĂŁo criticando-a de uma forma aberta. ainda que o estilo de vida da amiga nĂŁo fosse um que escolheria para si mesma, eunchae nĂŁo achava que estava em posição de julgĂĄ-la. com a surpresa evidente em seu semblante ao escutar a tĂŁo conhecida marca de joias de luxo, a estudante nĂŁo pode deixar de ficar realmente intrigada para descobrir qual seria o presente escolhido por sabe-se-lĂĄ-quem. âcaralho, amiga... eu nĂŁo devo ganhar isso aĂ nem com os dois anos do meu contrato completos! vocĂȘ tem que me falar quanto custa!â pediu, em choque. como alguĂ©m pagaria tanto assim por uma joia, por deus? a chance de perdĂȘ-la era enorme! âmas Ă© lindo mesmo, admito. combina perfeitamente com o seu rostinho lindo, huh? aposto que vai usar pra lĂĄ e pra cĂĄ essa belezinha.â sorriu, dando uma piscadela para a choi. âde quem vocĂȘ ganhou isso? os velhos desenvolveram gosto, Ă© isso?â
haejinâ:
âah, ĂłtimoâŠâ o murmĂșrio veio quando haejin ainda estava em frente ao espelho, visto que havia acabado a maquiagem leve que se obrigava a usar quando ia trabalhar quando recebeu em seu celular a mensagem de seu gerente, avisando que ela nĂŁo precisaria comparecer naquela noite pois o restaurante ficaria fechado para alguns reparos que se fizeram necessĂĄrio na cozinha. a park suspirou, indo atĂ© a sala, onde havia deixado @ewnchaeâ hĂĄ alguns minutos para se arrumar. ââei, tĂĄ afim de jantar fora hoje?â convidou, com um sorrisinho. âeu sou a maior defensora de pedidos de delivery, mas eu jĂĄ me arrumei toda e sĂł agora o meu chefe se deu ao trabalho de avisar que eu nĂŁo vou precisar ir trabalhar.â apontou para as prĂłprias vestes, que jĂĄ haviam sido substituĂdas por um dos vestidos que ela tinha praticamente como um uniforme exclusivamente para o restaurante, jĂĄ que estava longe de ser o tipo de roupa que haejin usava habitualmente. âtem aquele restaurante que abriu hĂĄ umas duas quadras daqui! nĂŁo sei se a comida deles Ă© lĂĄ aquelas coisas, mas eles tem mĂșsica ao vivo. vai ser bom ser a pessoa que estĂĄ comendo enquanto outra pessoa estĂĄ tocando, pra variar.â
esticada no sofĂĄ do apartamento da amiga, eunchae se entretinha mexendo no twitter enquanto a aguardava estar pronta para saĂrem do local, jĂĄ que teria de retornara para a prĂłpria casa com a ida alheia para o trabalho. estava exausta apĂłs um dia estressante em seu estĂĄgio, e todos os seus desejos naquele momento eram de relaxar; o que estava mais que certa que nĂŁo ocorreria em sua casa, era importante ressaltar. assim que escutou os passos alheios em sua direção, ela jĂĄ estava saltando de sua posição para encontrar o par de sapatos que jogara no tapete e avisar a mĂŁe que jĂĄ estava indo para casa, isto Ă©, atĂ© escutar o convite de haejin. âe perder de ter um jantar em famĂlia com a minha mĂŁe e o velho? nossa, jin, eu vou atĂ© precisar pensar antes de decidir se eu perco essa maravilha na minha vida.â ironizou, revirando os olhos e abrindo um sorriso. âĂ© uma merda o seu chefe ter deixado pra avisar quando vocĂȘ jĂĄÂ âtava saindo... mas pelo menos nĂŁo âtava no ĂŽnibus jĂĄ, nĂ©? e Ă© claro que eu topo! salvou a minha noite, e eu te amo por isso.â declarou, enfim encontrando as botas marrons e se apoiando no braço do sofĂĄ para calçå-las. âvamos aproveitar hoje, por favor, estamos as duas precisando. vou te incumbir da missĂŁo de nĂŁo me deixar beber tanto sĂł, porque ainda preciso acordar cedĂŁo amanhĂŁ... aliĂĄs, me empresta a sua jaqueta de couro? aquela que vocĂȘ sabe que eu amo... Ă© que eu vim com o meu casaco de ficar em casa mesmo.âÂ
yuna:
ânĂŁo se desculpe por beber coca-cola, meu bem. eu juro que nĂŁo conto pra ninguĂ©m. fora que elas estĂŁo aĂ pra quando vocĂȘ vem aqui mesmo, porque eu parei de beber faz umas semanas. âtĂŽ tentando perder uns quilinhos.â a choi explicou, esperando que a amiga se sentasse a seu lado novamente para que pudesse dar play na sĂ©rie que assistiam. mesmo que, Ă quela altura, o que passava na televisĂŁo nĂŁo fosse nada mais se nĂŁo um plano de fundo para a conversa que as duas mantinham. enquanto se atentava Ă s palavras de eunchae, yuna voltou a apoiar o rosto contra o ombro da mais velha, pegando a mĂŁo livre dela e deliberadamente levando atĂ© seus cabelos, em um pedido silencioso para que ela fizesse carinho no local, jĂĄ sendo de conhecimento da outra o quanto a choi gostava daquele tipo de coisa. âmeu deus, que monstro! mas confia em mim, amiga, nĂŁo vale a pena gastar o seu rĂ©u primĂĄrio com esse velho amargurado. com nenhum velho amargurado, na verdade⊠talvez sĂł aqueles que te dĂŁo alguns presentes.â nĂŁo evitou fazer a brincadeira, rindo baixinho da prĂłpria piada. âah, atĂ© que foi bom. eu nĂŁo fiz nada, na real, fiquei jogada nesse sofĂĄ o dia inteiroâŠâ apanhou o celular, para verificar a hora e logo deu um suspiro. âmas hoje eu tenho turno lĂĄ no pub, preciso ir me arrumar daqui a pouco. daqui a pouco sĂł, porque meu lema Ă© sempre que vocĂȘ puder procrastinar atĂ© o Ășltimo minuto, procrastine atĂ© o Ășltimo minuto.â
âque a minha tia nĂŁo te ouça, porque essa mulher jura que qualquer copo Ă©, e eu falo com as palavras diretas dela, âuma pedra bem grande no seu ruimâ.â revirou os olhos, utilizando-se de gestos com os dedos para formular as aspas na fala exagerada de sua tia materna. ânem Ă© como se eu nĂŁo tomasse mais ĂĄgua, nĂ©. aparentemente, a cada copo de coca, cortam jĂĄ a ĂĄgua da sua casa e vocĂȘ fica confiado tomando isso.â torceu o nariz, admirada com todo o absurdo contido em sua prĂłpria fala. era um tanto irritante o comportamento da parente, mas de longe eunchae jĂĄ estava acostumada com o quĂŁo a prĂłpria famĂlia poderia lhe arrancar do sĂ©rio em questĂŁo de segundos. âyuna.â novamente, um revirar das orbes castanhas acompanhava o chamar do nome da amiga, ainda que este saĂsse acompanhado de uma expressĂŁo repleta com o bom-humor que nĂŁo estava anteriormente. âmas, sim, eu concordo, nenhum velho vale um segundo do tempo se for um amargurado insuportĂĄvel. homens sĂł pioram com a idade, Ă© de ficar impressionada.â resmungou. âpelo menos, ganhando presentes ainda pode usar a caixa pra bater no cidadĂŁo.â ponderou, um sorriso ladino surgindo nos lĂĄbios rosados. âteve o seu dia de descanso de princesa, que Ă© sĂł o que importa. e deixa pra se arrumar mais em diante, agora vocĂȘ Ă© minha companhia, e as pessoas do pub realmente podem esperar. jĂĄ estava ficando doida de saudade de te ver, mereço os meus minutinhos contigo.â
tomando mais um gole de seu refrigerante, a han enfim se atirou novamente no sofĂĄ onde a amiga jĂĄ estava, cruzando as pernas ao se ajeitar. âeu sei o quanto nĂŁo deveria ficar com tantas servidas de coca-cola assim, e que deveria ir pegar uma ĂĄgua, mas... ai, cara! Ă© o que eu mereço depois de hoje, tĂŽ exausta.â choramingou, bebendo mais um pouco e jĂĄ apoiando o copo sobre a mesa ao lado. como estudante de enfermagem, e quase sempre a amiga consciente entre suas dinĂąmicas de amizade, sempre gostava de ressaltar qual era a importĂąncia de se hidratar da maneira correta, mas nĂŁo poderia dar a mĂnima naquele dia. a manhĂŁ na universidade simplesmente a esgotara e quase tivera que ir cobrir o turno de uma das outras estagiĂĄrias na clĂnica, entĂŁo, sĂł queria descansar e aproveitar o resto do dia com a companhia de @yunaliciousâ, quem sempre conseguia a distrair nos momentos drĂĄsticos e corriqueiros que sua vida de universitĂĄria a garantia. âo meu professor adiantou a data de entregas de um trabalho sĂł por terem discutido com ele na aula, foi um horror. quase, quase mesmo, cometi um crime de Ăłdio... sĂł nĂŁo sei se com ele ou o palerma que nĂŁo calava a boca.â suspirou, voltando o olhar entĂŁo para yuna. âmas, enfim... como foi o seu dia hoje, princesa? espero que melhor que o meu."
observou a mĂŁe se afastar com uma sensação estranha, a conhecendo bem demais para se conformar por completo com a ideia de que aquele fora um reencontro genuinamente bom e genuĂno entre antigas amigas. se recordava com muita clareza das palavras de baixo-calĂŁo, algumas que sequer conhecia o significado na Ă©poca, que a ouvira resmungar pela casa em todo e qualquer momento que a mĂŁe de @chatmaneeâ parecia surgir em sua memĂłria. a tĂŁo querida amiga ter-lhe abandonado somente por conseguir ascender para outra classe social nĂŁo fora facilmente perdoado pela mulher durante os anos que se seguiram, e beirava atĂ© a comicidade como conseguia fingir tĂŁo bem agora que sentira sua falta - e a outra nĂŁo era de nada melhor, considerando que as tratara como pobres coitadas, basicamente. porĂ©m, nada viria de bom em ficar se preocupando com o que han sera se ocuparia em fazer durante seu tempo naquele chĂĄ-da-tarde, e poderia muito bem tentar procurar assuntos com a modelo, a amizade hĂĄ tanto perdida e com quem tanto se divertia na infĂąncia. nĂŁo poderia fazer menos ideia de se possuĂam algo de comum no presente, mas, nĂŁo custava nada tentar descobrir o que poderia ser. âelas provavelmente vĂŁo se ocupar por um bom tempo, nĂŁo acha? nĂŁo sei a sua mĂŁe, mas a minha sempre fala pelos cotovelos.â comentou, apoiando uma das mĂŁos sobre o colo. âo que acha de irmos buscar pratos e colocar algumas comidinhas, lĂĄ da mesa, neles? seria mais fĂĄcil do que ficarmos levantando para ir buscar...â a han sugeriu, pensando que seria uma boa maneira de se ocuparem. âe como vocĂȘ anda? acho que, da Ășltima vez em que te perguntei isso, a gente ainda trocava as figurinhas dos ĂĄlbuns da barbie.â
taehyeonâ:
era perceptĂvel o quĂŁo cansado taehyeon estava e, apesar de seus esforços para se manter alerta, seguir com os olhos abertos parecia se tornar mais difĂcil a cada segundo que se passava e, alĂ©m do cansaço, a calmaria do ambiente contribuĂa para que ele relaxasse; nĂŁo ouvia muitos sons vindo da cidade, algo que era quase raro na capital, e a voz da amiga lhe soava amena, apaziguadora e, aos poucos, fazia com que suas pĂĄlpebras pesassem cada vez mais. a culpa de seu estado poderia ser tranquilamente atribuĂa Ă s poucas horas de sono que tivera nas duas noites que antecederam o encontro com a mais velha graças ao trabalho que havia conseguido em um evento privado â usualmente quando conseguia serviços por fora como aquele, que lhe garantiam uma renda extra, o gwan aproveitava o turno inverso para descansar, todavia, daquela vez fora impossĂvel o fazer por conta de seu emprego fixo na cafeteria. pegaria facilmente no sono caso permanecesse ali por mais tempo, sua cabeça agora repousava sobre uma de suas mĂŁos e, vez ou outra, ele pronunciava algum murmuro quase incompreensĂvel em uma tentativa de parecer ainda prestar atenção na outra; em circunstĂąncias normais teria percebido o quĂŁo falha era aquela estratĂ©gia, no entanto, nĂŁo teve condiçÔes de pensar nos detalhes do plano e, obviamente, foi pego por eunchae. o sutil aumento no volume da voz alheia, em conjunto com o choque do jornal em sua pele, fez com que o mais novo despertasse num susto âputa que pariu, chae, precisava me bater?â indagou, ainda meio sonolento, precisou de alguns segundos para conseguir ver algum sentido nas palavras proferidas por ela âtalvez eu tenha ficado trĂȘs dias na fila de algum show com uma trupe de adolescentesâ respondeu-lhe, deixando que uma risada baixa saĂsse por seus lĂĄbios em seguida, a han o conhecia bem o suficiente para saber que, nem em um milhĂŁo de anos, aquele seria o caso âsĂł âtĂŽ meio cansado, um cafĂ© resolve isso rapidinhoâ comentou, levantando-se para procurar a bebida em seguida, âeu nĂŁo sei onde vocĂȘ guarda as coisas aqui.â
o questionamento do outro arrancou um resmungo baixo de eunchae, que jĂĄ maneava a cabeça de um lado para o outro em negação ao que acontecia. âclaro que sim, palhaço! nĂŁo quero te ouvir dando mais um pio sobre o meu jornal, ou te acerto de novo.â ameaçou, erguendo de novo o jornal somente como instrumento de ameaça ao outro, antes de pousĂĄ-lo sobre a mesa - nĂŁo iria realmente bater em taehyeon mais uma vez. âe de quem era o show? quero te ver na sala fazendo uma coreografia entĂŁo, deve saber um monte.â ergueu uma sobrancelha, rindo baixo somente de imaginar a cena do amigo performando alguma mĂșsica pop conhecida. existia algo no mundo, porĂ©m, que eunchae certamente nĂŁo era: boba. possuĂa a mais plena noção em si de que as chances de que o mais alto nĂŁo estivesse se cuidando da maneira correta eram, de longe, as mais realistas, e jĂĄ estava pronta para ter uma bela conversa com ele sobre isso. âpor que exatamente vocĂȘ estĂĄ cansado, aliĂĄs? e vocĂȘ nĂŁo me venha mentindo para quem estĂĄ fazendo o seu macarrĂŁo.â apoiou uma das mĂŁos na cintura, o encarando. em seguida, usando o indicador da outra mĂŁo para indicar o armĂĄrio acima do fogĂŁo. âtĂĄ ali em cima, Ăł, procura ali atrĂĄs do cereal. eu comecei a esconder ali porque a minha mĂŁe oferece o cafĂ© pro imbecil do namorado dela toda vez que ele vem aqui, e sempre acabam diminuindo a minha cota. Ă© uma palhaçada.â resmungou, revirando os olhos somente com a menção do namorado que a mĂŁe arranjara tantos anos atrĂĄs. nem era um propriamente dito, considerando que o homem era casado, mas nĂŁo via forma melhor de falar. âa chaleira âtĂĄ ali atrĂĄs de onde eu botei o molho, aliĂĄs. e nĂŁo quer tirar um cochilo depois da janta? eu prometo que te deixo usar meu sofĂĄ e tudo o mais. nĂŁo gosto de te ver cansado assim.â
circular os apartamentos mais adequados do jornal nĂŁo era uma tarefa das mais simples, ao se levar em conta como as provĂĄveis falcatruas nĂŁo eram tĂŁo fĂĄceis de adivinhar quando ela gostaria que fossem, mas atĂ© que eunchae estava se saindo bem na tarefa autodesignada e fruto de sua dedicação enquanto aguardava o macarrĂŁo da janta ficar pronto. tinha certeza - embora ainda nĂŁo tivesse se virado para confirmar tal suspeita - de que @taehyevn deveria, praticamente, estar com os olhos pregados de sono por suas respostas tĂŁo monossilĂĄbicas, e realmente planejava fazer algo sobre, somente precisava esperar sua chance. assim, com as cores de marca-texto jĂĄ tendo demarcado quais eram os apartamentos bons, atĂ© que nĂŁo Ă© tĂŁo ruim e somente em caso de emergĂȘncia, a han abria um sorriso para si mesma e dava os parabĂ©ns mentalmente para a sua força de vontade em ter conseguido encontrĂĄ-los - nĂŁo tardando a erguer a cabeça na direção do amigo, sentado do outro lado do balcĂŁo. eunchae nem sequer precisou olhĂĄ-lo mais de uma vez para ter a mais absoluta certeza de que a sua probabilidade de estar em companhia de alguĂ©m dormindo era enorme, jĂĄ resolvendo por se prestar a tomar uma atitude antes que acabasse perdendo o fio da meada. âĂŽ sonso, se âtĂĄ querendo dormir eu recomendo que vĂĄ pra cama. no mĂnimo, no sofĂĄ, ou vai ficar com uma puta dor no pescoço.â resmungou, apĂłs lhe dar uma bela jornalada - sim, se prestara a enrolar seu jornal somente para isso - na altura dos ombros. âvai me contar o porquĂȘ de, sabe, estar parecendo que nĂŁo dorme faz trĂȘs dias e ainda passou o resto desse tempo parado numa fila de show com uma trupe de adolescentes na volta? ou vai me fazer ligar esses pontos eu mesma?â
I remember when I was young and I wanted to be beautiful; now Iâm older and I want to be intelligent. I want to burn hearts with brilliance and engulf souls with compassion. I want to be loved for my thoughts and nothing else.
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