11.05.2025
Diário — acordei com saudade... Faz meses que não falo com você. Meses em que a saudade vem me rondando, me lembrando que eu ainda sinto. Ainda penso. É estranho perceber que eu sempre me contentei com migalhas. Que a parte doce de ser amada me enganou a ponto de achar que aquilo era tudo que eu poderia ter. Você sempre foi honesto, até demais. Me dizia verdades que eu não queria ouvir. Questionava meus medos, minhas ideias, meu jeito. E mesmo assim, por mais que doesse, eu sentia que você se importava. Eu lembro das flores. Foram tantas, em tão pouco tempo, que eu tinha uma guardada em cada canto. E em cada flor amarela, tinha um pedaço seu. Você enxergava beleza em mim quando eu não via nada. Você me deu confiança, me deu paz no meio do caos. Você me fazia sentir que eu podia descansar. E eu lembro do seu olhar. Da sua forma de falar do meu cheiro. Do jeito como parecia que seus olhos só me viam. E do jeito que eu aprendi a me olhar de volta. Essa noite eu sonhei com você. Eu te apresentava alguém e queria que você fosse feliz com ela. Mesmo doendo muito que não tenha sido eu. Mesmo doendo que não tenha dado certo, que não tenhamos vivido mais. Eu menti pra mim mesma dizendo que estava tudo bem em ser tratada de qualquer jeito. Mas eu não quero isso. Eu quero flores. Eu quero cuidado. Eu quero carinho. Eu amo carinho. E aqui estou, dividindo meu tempo com alguém que me trata como uma estranha. Que não me dá explicações, que me faz sentir insegura só por pensar. Eu me anulei tanto. Me abandonei tantas vezes. Esse mês era pra eu estar arrumando minhas malas, organizando a viagem que eu sonhei. Eu ia te ligar pra contar. Você disse: “Espero que você se case e que ele não compre o carro.” Pois ele comprou. Comprou a BMW. Cancelou a viagem. Sai cada vez mais. Volta cada vez mais tarde. E eu me sinto uma burra. Uma trouxa. E não foi com você. Porque você também não me deu nada extraordinário. Só o mínimo.





















